Quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

O prazer de rever filmes


João Bénard da Costa, ex-director da Cinemateca Nacional, disse um dia que o filme que mais “amava” e que mais vezes tinha visto na vida era “Johnny Guitar” (1954) de Nicholas Ray. Bénard da Costa viu este western 60 vezes (!). Sessenta visionamentos de mesmo filme, ao longo de uma vida. Pode parecer um exagero, mas o ex-director da Cinemateca defendia que, a cada novo visionamento, descobria pormenores novos. Mais: conforme a idade com que via o filme, a disposição mental ou as circunstâncias mais diversas, “Johnny Guitar” parecia-lhe sempre um filme “novo”. Também lhe dava especial prazer - à força de tanto ver o filme – saber os diálogos de cor e citá-los à mesa do café com os amigos.
Não tenho a certeza, mas creio que o filme que já vi mais vezes foi o “The Shining” do Kubrick (ou o “Psico” do Hitchcock). Vi-o umas 7 ou 8 vezes. E na verdade nunca me cansei nem julgo que me cansarei a cada novo visionamento. Já outros filmes não resistem a um segundo visionamento, quanto mais ao quinto ou ao décimo quarto.
Há quem tenha reservas em rever um filme porque “já foi visto”. Mas tenho para mim que um bom filme deve e pode rever-se sempre quando necessitemos de o rever (com a disposição mental da primeira vez, sem reservas ou preconceitos), da mesma forma como se deve reler um bom livro dezenas de vezes ou ouvir uma música que já ouvimos centenas de vezes. A experiência é sempre diferente. Nem que seja um pouquinho diferente. O prazer estético que se retira desta fruição repetitiva é sempre positivo e enriquecedor, e não ofusca ou prejudica o prazer de descobrir objectos artísticos novos. Um prazer complementa o outro.
Já agora, como só vi o “Johnny Guitar” uma vez, vou aproveitar para vê-lo outra vez. Se gostar da experiência, talvez consiga igualar (ou superar) o record de visionamento de João Bénard da Costa.

8 Sábio(s) comentário(s)::

jp, le miserable disse...

eu até diria que a segunda experiência é mais intensa, pelo menos quando a diferença entre a primeira e a segunda está um grande buraco temporal. para além de revermos o filme que tão especial foi para nós, ainda tocamos nos sentimentos e emoções que tivemos dessa primeira vez. ou seja, quase que voltamos ao passado...

cumps

disse...

Acho que rever filmes é dos melhores passatempos que existe...

Não sendo os teus preferidos, revelo-te que há filmes do 007 que já vão acima dos 12 (re)visionamentos...
Ao que se junta os mais de 6 ou 7 do Padrinho (I e II), a Laranja Mecânica (4) e o Full Metal Jacket (4)...

João disse...

Perco muito muito tempo a rever filmes, na minha opinião um filme só é realmente visto num segundo visionamento. Existe uma quantidade de pormenores que não aparecem à primeira.

O filme que mais vezes revi, por puro divertimento, foi Pulp Fiction. Não tem conta..

Fifeco disse...

Eu confesso que há filmes que tenho "medo" de rever porque não quero destruir as emoções ou as magníficas memórias que possuo de determinada fita.

Mas é inegável que existem fitas que dão vontade de ver e rever.

kameramaninblack disse...

acho que o filme que revi mais vezes foi o apocalypse now, quer seja no cinema quer seja em casa... isto sem pensar nas vezes que vi o apocalypse now redux...
e a cada visionamento há detalhes novos, pormenores que não tinha reparado, enquadramentos que não tinha dado especial atenção.

My One Thousand Movies disse...

O que revi mais vezes foi o "Blade Runner", talvez umas 6 ou 7.
Tenho a versão normal em DVD e também o Director´s Cut.
Ainda o outro dia, tentei passar a palavra a uns amigos e convenci-os a verem o filme, mas acabou tudo a dormir, lol.

Victor Afonso disse...

Adormeceram a ver o "Blade Runner"!?

My One Thousand Movies disse...

Parece incrível, mas é verdade...