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Segunda-feira, 7 de Julho de 2008

Religião: verdadeira, falsa e útil


"A religião é vista pela gente comum como verdadeira, pelos sábios como falsa e pelos governantes como útil."
Séneca

Terça-feira, 1 de Julho de 2008

Aviso Legal contra a pirataria

[Carregar na imagem para melhor leitura]

Gato Fedorento

Segunda-feira, 30 de Junho de 2008

O tamanho do preservativo


Esta é uma foto de um grupo de fãs no concerto dos Tokio Hotel. Já sabemos que grupos de adolescentes imberbes dormiram uma semana ao relento para ver o concerto na primeira fila. Sabemos, também, que a média de idades se situou nos 14/15 anos. Mas os jornalistas repararam em crianças de 8 e 10 anos de idade. Algumas acompanhadas com os pais, outras completamente soltas de supervisão adulta. Como já escrevi uma vez, há qualquer coisa de irracional nesta euforia descontrolada de crianças e jovens à volta de um fenómeno musical que, estou certo, daqui a uns anos poucos se lembrarão. E há também comportamentos cuja precocidade e ousadia desconcertam os adultos.
Parece que o vocalista do grupo alemão, Tom Kaulitz, é um sex symbol para estas teenagers que dizem que o grupo tem um "estilo musical próprio". Repare-se nesta fotografia da Rita Carmo (revista BLITZ): uma fã não tem pejo nem timidez em mostrar um cartaz manuscrito que revela, digamos, intenções bem pragmáticas. Só não percebo se escreveu "Tom I Love XXL Condoms" ou "Tom I Have XXL Condoms". Seja como for, a diferenção não é muita. Ao menos vê-se que a moça se preocupa com o tamanho. Ah, e na prevenção das doenças sexualmente transmitidas, claro.

Domingo, 29 de Junho de 2008

O fantasma de Salazar


No passado dia 27 passou mais um aniversário da morte de António Oliveira Salazar, esse lúgubre timoneiro da pátria durante 40 obscuros anos da vida portuguesa. Como professor, lido com muitas crianças e jovens. E ano após ano, quase sempre por ocasião do 25 de Abril, tenho-me deparado que as novas gerações revelam mais desconhecimento e ignorância perante o Portugal salazarista e do Estado Novo (e esta constatação não advém apenas da preocupação recentemente veiculada pelo Presidente Cavaco Silva). A última vez em que pude constatar mais um flagrante exemplo de ignorância dos jovens perante o período do Estado Novo e da figura de Salazar, foi no dia 27 de Maio. Nesse dia, o Café Concerto do TMG recebeu o músico e cantor Pedro Abrunhosa para uma conversa numa tertúlia informal (moderada por mim). Durante uma hora e meia, os temas da conversa foram variados (de música à política) e sempre objecto de uma análise acutilante por parte de Pedro Abrunhosa.
Goste-se ou não da sua música (e eu não gosto) ou da sua imagem (e eu não gosto), a verdade é que Abrunhosa revela um discurso fluente, assertivo e pragmático - com opiniões próprias. Considera que as suas opiniões são quase sempre inconvenientes e inconformadas, fruto da sua formação política adquirida ainda muito jovem (foi no 25 de Abril, quando o cantor tinha 13 anos, que a sua consciência social e política desabrochou). Pedro Abrunhosa confessou-se desiludido com a classe política, com o estado débil da democracia e com o conformismo da sociedade portuguesa perante os problemas crescentes. Considera que os políticos deveriam ouvir o que têm para dizer os artistas (filósofos, músicos, escritores), visto que encontra na arte o último recurso para desvendar novas soluções para os problemas da sociedade. Defende ainda que o papel da arte deve ser o de subverter e o de inovar, de modo a alargar os horizontes culturais, ideológicos e estéticos da população.
E onde se encaixa o tema de Salazar neste contexto? Aqui: num determinado momento da conversa, Abrunhosa disserta sobre o panorama político, soltando as mais rudes críticas à actuação dos políticos perante uma depressiva situação social e cultural do pais. Num dado ponto do seu discurso, refere o estado lastimoso a que chegou a educação e a gritante ausência de coordenadas políticas no sector cultural. Quando os espectadores da tertúlia puderam intervir formulando perguntas ao cantor, houve uma jovem estudante (do secundário ou superior, não posso precisar) que fez a seguinte pergunta (cito de memória): "o Pedro Abrunhosa disse que a educação em Portugal está má e que isso se deve ainda à herança de Salazar; mas não concorda que Salazar era um maior defensor da educação e da cultura do que os actuais políticos?". Pedro Abrunhosa respondeu peremptoriamente que não concordava, e passou a explicar porquê, dando uma autêntica aula de história de Portugal à jovem. No fundo, explicou o óbvio a uma estudante que ignorava os factos ou fazia de conta que os desconhecia: referiu porque é que o ditador do antigo regime era um político amarrado no tempo, avesso ao progresso, retrógrado nas ideias, ultra-conservador e responsável pelo atraso cultural, educativo e social de um povo aprisionado na trilogia dos três F’s defendida por Salazar: Fátima, Futebol e Fado.
Não sei se este caso desta aluna reflecte a realidade geral dos jovens, mas a verdade é que grassa muita ignorância sobre os valores perniciosos do regime fascista e sobre as conquistas da Revolução de Abril. Culpa das escolas? Dos políticos? Dos jovens que vivem afanosamente o presente e desprezam a história do passado recente? Da contra-informação disponível na net que legitima a figura fascista do "Obreiro da Pátria"? É que basta entrar neste site para ficar, seriamente, assustado (o desvario vai ao cúmulo de se lançar um abaixo-assinado para substituir a designação de ponte 25 de Abril por ponte Oliveira Salazar!).

Sexta-feira, 27 de Junho de 2008

Cristo inspira Greenaway


O controverso realizador Peter Greenaway anunciou que vai iniciar as filmagens de uma longa-metragem sobre a vida de Jesus Cristo, inspirado pela filha de sete anos, que lhe perguntou "por que é que Jesus teve dois pais". O cineasta de "Os Livros de Próspero" ficou pensativo e, num repente, sentou-se a escrever o guião para um filme sobre a dúvida suscitada pela filha. Mais: o filme sobre Cristo será um filme cru e denso e dirigido a adultos, pelo que a filha não o vai poder ver.
Agora imagine-se se a filha tivesse perguntado ao pai: "por que é que a Virgem Maria deu à luz Jesus se ela era virgem?" Gostaria de ver um filme realizado por Greenaway dissecando este insondável enigma metafísico.

Terça-feira, 24 de Junho de 2008

Spermcube - esperma artístico


A arte contemporânea não pára de surpreender. Para os que defendem que a originalidade é um conceito inexistente no mundo da arte de hoje em dia, que tudo foi já inventado, e que todas as soluções artísticas foram idealizadas, é melhor apreciar esta proposta. Nos anos 60, um artista italiano discípulo de Marcel Duchamp - Piero Manzoni - inventou a obra "Merda de Artista" (90 latas de fezes do próprio artista). Agora, o artista francês Philippe Meste propõe uma proposta assaz semelhante na premissa e relacionado com um fluido corporal: pretende reunir 1 metro cúbico de... esperma humano (na imagem). Exactamente isso: sémen.
O projecto, chamado SpermCube, pretende que um cubo transparente com 1 metro cúbico (1000 litros) de capacidade seja enchido com esperma de qualquer homem no mundo. Qualquer homem pode participar (o autor refere a universalidade do projecto), ajudando assim a "criar" a obra de arte para ser exposta numa galeria de arte. O site de Philippe Meste, que pode ser acedido aqui, envia um kit completo para o dador interessado poder doar o seu esperma e enviá-lo por correio. Ah, de tempos a tempos também existem recolhas de esperma em galerias de arte. O esperma contido no "Spermcube" será depois congelado, para manter as suas propriedades intactas, e assim nascerá uma obra de arte "construída" por todos. Já há referência na internet que se trata de uma obra... machista, visto que só os homens podem contribuir. Afinal a arte encontra novas formas de intervenção e de romper cânones estabelecidos nesta espécie de "ready-made" interactivo reinventado. Será que os bancos de esperma estão a ficar desfalcados com o desvio de sémen para este projecto?
Seja com for, agora o artista precisa é de dadores de todo o mundo, pois ao que parece, está ainda longe de encher os 1000 litros de esperma no seu cubo (é um "work-in-progress").
Alguém se oferece como dador?

Segunda-feira, 23 de Junho de 2008

Marcar na agenda: Maio 2011


Estamos em Junho de 2008 e foi agora anunciado a estreia do filme "Homem-Aranha 4" para Maio de... 2011. Que me recorde, é a primeira vez que uma produtora publicita a estreia de um filme com tanto tempo de antecedência (o máximo habitual é de um ano). A forma de produzir, realizar e promover um filme mudou muito nos últimos anos. Na vertigem da sociedade de informação digital, interessa às produtoras cinematográficas fazerem uma espécie de marcação do território, mas por antecipação. Antigamente, os filmes eram produzidos e realizados sem especiais campanhas de marketing (a não ser que houvesse problemas ou escândalos mediáticos durante a produção do mesmo). Essa campanha de marketing comercial à volta de um filme tinha início umas semanas antes para promover o filme. Agora publicita-se a estreia de um filme ainda mesmo antes de se saber qual vai ser o seu realizador, quais serão os actores principais (Tobey Maguire ainda nem foi sondado para interpretar o papel do super-aracnídeo), sem se saber, sequer, qual o argumento definitivo. No entanto, o mundo tem de saber que em Maio de 2011, "Homem-aranha 4" vai estar nas salas de cinema. Isso é que é importante. Sobretudo para marcar posição comercial face aos filmes blockbusters concorrentes.
O exagero deste anúncio da saída de um filme com 3 anos de antecedência revela novas formas de fazer marketing a longo prazo. Com que resultados práticos? Com que objectivos definidos? Para que os fãs do "Homem-Aranha" contem, ansiosamente, os anos, meses e dias que faltam para ver mais um filme de super-herói igual aos outros?
PS - Não me admira que brevemente possamos assistir ao anúncio da estreia de "Harry Potter 6" para Junho de 2012, "O Pirata das Caraíbas 5" para Dezembro de 2014 ou o regresso de uma mega-produção do "Super-Homem" para Julho de 2016.

Quinta-feira, 19 de Junho de 2008

Abraham Obama


A arte e os crimes de Ron English

Visões de adepto

Jornalista: "Então o que acha deste ambiente de apoio à selecção?"
Fátima Lopes (estilista): "É óptimo, vive-se um grande euforismo!"
//////
Jornalista: "Qual o jogador que gostariam de conhecer pessoalmente?"
Um grupo de raparigas: "O Nuno Gomes! Ele é tão bom! Comiamo-ziu todo!"
//////
Jornalista: "Quem é que acha que vai marcar um golo hoje?"
Senhora de cara pintada: "O Nuno Gomes outra vez!"
Jornalista (com espanto): "O Nuno Gomes outra vez?!"
Senhora de cara pintada: "Sim, o Nuno Gomes outra vez!"

Fonte: noticiários televisivos da RTP e da SIC.

Quarta-feira, 18 de Junho de 2008

Vida de um pobre

Nota: no entanto, apesar deste indicador, não deixa de ser curioso que os 75 mil bilhetes (a 60€ cada) para o concerto da Madonna tenham sido vendidos numa única semana.

A boa televisão às 2h da madrugada


Boa notícia: para quem nunca viu ou quer rever o magnífico filme “O Pianista” de Roman Polanski, pode fazê-lo hoje na RTP1.
Má notícia: o filme está programado passar às 02h00!
Há muitos anos atrás, a RTP fazia verdadeiro serviço público quando passava, às quartas-feiras à noite (21h30), a sessão de cinema. Filmes de qualidade em horário nobre com apenas um intervalo pelo meio. Isto já para não falar da programação cinéfila de cinema clássico da RTP2, que teve o seu auge até meados da década de 90. Desde há uns anos a esta parte, a programação das televisões em horário nobre tem sido monopolizada com telelixo: telenovelas aos molhos, futebol e programas medíocres de entretenimento. E, claro, intervalos infindáveis de publicidade maçuda...
Por isso os filmes, séries e programas de informação de qualidade são relegados para secundaríssimo plano, sempre depois da meia-noite (pior: madrugada dentro). Claro que há alternativas: televisão por cabo e clubes de vídeo. Só que há dezenas de milhares de famílias portuguesas que não podem pagar televisão por cabo ou ser sócio de videoclubes. E assim estupidificam-se, de forma passiva, assistindo à boçalidade televisiva diária. A nova televisão digital e os novos pacotes multimédia (Zon e Meo) podem atenuar a nefasta formatação da televisão actual e alargar as possibilidades de visionamento do espectador, mas estes produtos vão levar muitos anos a generalizar-se por toda a população. Voltando ao filme de Polanski: a obscenidade de programar um filme desta qualidade às duas da manhã, a meio da semana, deveria ser um acto punido com uma severa coima aplicada pela Alta Autoridade Para a Comunicação Social.

Terça-feira, 10 de Junho de 2008

Como disse?

Leio e esfrego os olhos. Releio para ver se percebi bem. Perante o espanto, dou a ler à pessoa ao meu lado para ver se tem a mesma interpretação que eu. Ambos concordamos na análise: "que disparate é este?". Na capa da revista "País Positivo" do jornal Público, vem inscrita a seguinte frase de Helena Pereira, vice-reitora da Universidade Técnica de Lisboa: "As universidades são hoje reconhecidas como fontes de saber e de investigação".
É uma afirmação disparatada à La Palisse ou é assumida como verdadeira? Ou seja: se as universidades nunca foram (só o são agora, reconhece a vice-reitora) fontes de saber e de investigação, então algo de muito errado existe na concepção de educação e dever das instituições de ensino superior!

Domingo, 8 de Junho de 2008

Sobre o terrível vício da cultura

Testemunho perturbador de um malogrado culturodependente em recuperação:

"Herman Zap" (1995)

Terça-feira, 3 de Junho de 2008

Naomi Klein - a terapia do choque


Naomi Klein é uma jovem jornalista que obteve sucesso mundial com o livro "No Logo - O Poder das Marcas", uma perturbante denúncia em forma de livro, sobre o poder comercial das marcas no mundo globalizado, a retórica propagandística das agências de publicidade e seus lucros obscenos. Naomi Klein identifica no consumidor um mero portador de código de barras, cego pelo poder sugestivo das marcas e da publicidade, inerte e passivo perante a agressividade da sociedade consumista. "No Logo" era um livro pessimista sobre uma sociedade doente e envenenada com as falsas promessas das empresas económicas mundiais. Uma sociedade que expia os seus pecados através de outros pecados, numa espiral de decadência na qual os políticos têm grande parte da responsabilidade.
A jornalista e escritora lançou o seu segundo livro (ainda sem tradução portuguesa), também controverso, também denunciador: "The Shock Doctrine". Klein defende que este livro desmonta e identifica os mecanismos segundo os quais as grande potências mundiais e os grandes interesses económicos conseguem manipular a sociedade de modo a atingir os seus próprios objectivos políticos e económicos. A "doutrina do choque" é, para Naomi Klein, uma espécie de filosofia política e económica que sustenta que a melhor oportunidade para impor as ideias radicais da economia global, é no período posterior ao de um grande choque. Esse choque pode ser uma catástrofe económica (como a actual recessão económica global). Pode ser um desastre natural (como um terramoto ou o furacão Katrina). Pode ser um ataque terrorista (como os que ocorreram nos EUA e na Inglaterra). Pode ser uma guerra (como o Iraque e o Afeganistão)...
O objectivo dos grupos de grande poderio económico mundial é que estas crises, esses desastres, esses choques abrandem a sociedade. Desorientem as pessoas e as deixem numa espécie de adormecimento latente de forma a não questionarem as decisões dos políticos. Naomi Klein convidou o realizador mexicano Alfonso Cuarón, autor do muito interessante filme "Filhos do Homem" (2006) para realizar um curto documentário (6 incisivos minutos) que pretende fazer uma síntese ideológica das teses defendidas no livro "The Shock Doctrine". Começa nas técnicas de choque dos prisioneiros da CIA para acabar nas regras defastas do mercado económico ultra-liberal à escala global. Vale a pena ver para reflectir em que raio de mundo estamos.
A terapia do Choque:

Segunda-feira, 2 de Junho de 2008

"Fazia-lhe tudo"

Domingo, 19h. Festival Rock in Rio.
A jornalista da SIC pergunta a um grupo de miúdas histéricas (12, 13, 14 anos):
- “Desde quando estão aqui para ver os Tokio Hotel?”
- “Desde as 6 da manhã de sexta-feira! Dormimos na rua.”
- “E os vossos pais apoiam e sabem?”
- “Claro! Sabem que é o nosso sonho!”
- “E o que eram capazes de fazer para conhecer o Bill Kaulitz (vocalista)?”
- “Se o apanhasse num quarto fazia-lhe tudo! Mas tudo mesmo!!”
(sem aviso, o concerto tem início e a jornalista é “engolida” pela turba de teenagers que se chega, euforicamente, à frente do palco).

Quinta-feira, 29 de Maio de 2008

Declaração de intenções


Quarta-feira, 28 de Maio de 2008

Vinho ao sabor da música


Nunca fui um grande apreciador de vinhos, mas esta notícia não deixa de me interessar: um grupo de psicólogos da Universidade Heriot Watt, em Edimburgo, realizou uma pesquisa, envolvendo 250 estudantes, que demonstra uma ligação entre a música que se está a ouvir e o sabor do vinho que se está a beber. De acordo com o estudo desenvolvido, os especialistas concluíram que um copo de "cabernet" saboreado ao som de música mais pesada, fazia o consumidor descrevê-lo como mais "poderoso, rico e robusto", em 60 por cento das ocasiões, do que se o provasse em silêncio. Os mesmos investigadores chegaram a outra conclusão curiosa: o sabor do vinho tipo "cabernet" é mais afectado por músicas pesadas, enquanto o vinho "chardonnay" tem a percepção modificada por "batidas energéticos ritmadas".
Durante um dos testes, foram tocadas quatro músicas diferentes para os mesmos vinhos: "Carmina Burana" de Carl Orff ("poderosa e pesada"); "Valsa das Flores", de Tchaikovsky ("subtil e refinada"); "Just Can`t Get Enough", dos Nouvelle Vague ("energética e refrescante") e, por fim, "Slow Breakdown", de Michael Brook ("melosa e leve").
Ao som de "Just Can`t Get Enough", dos Nouvelle Vague, o vinho branco foi considerado, em mais de 40 por cento, "energético e refrescante". Já ao som de "Slow Breakdown", de Michael Brook, apenas 26 por cento o considerou "meloso e leve". Por seu lado, o vinho tinto teve uma variação de 60 por cento do sabor quando acompanhado por Carmina Burana.
Adrian North foi o professor que liderou o estudo e, depois destes resultados, acredita que os produtores de vinhos podem e devem começar a imprimir recomendações musicais nos rótulos dos vinhos. Agora só faltam estudos que comprovem a relação entre o consumo de tremoços e a música de Quim Barreiros.

Segunda-feira, 26 de Maio de 2008

Selecção - alguém pediu informação rigorosa?


Repare-se na insanidade a que chegou a informação televisiva a propósito da selecção nacional. Pensava eu que fazia bem em ver o noticiário da noite na RTP, com esperança ingénua de ser brindado com imparcialidade, rigor e objectividade no tratamento da notícia (já que as estações privadas abusam do espectáculo sensacionalista e fútil). Eis quando sou surpreendido com duas notícias que são absolutos dislates informativos (da RTP, registe-se):
1ª notícia - "Luís Filipe Scolari não foi reconhecido numa aldeia de Viseu. Numa aldeia desertificada, onde moram apenas duas pessoas, nenhum reconheceu o seleccionador."
Comentário: Escândalo! Horror! Tragédia! Os dois habitantes da aldeia, por sinal octogenários, por sinal a viverem isolados atrás de barrocos, deveriam ser chicoteados por ignorarem quem comanda os destinos de um grupo de gajos bem pagos que corre atrás de uma bola.
2ª notícia - "Selecção portuguesa vai amanhã treinar no estádio de Tondela. O jornalista Luís Baila vai até ao centro do relvado do estádio e corre (literalmente) ao lado de um funcionário que, diligentemente, cortava a relva com um cortador de relva a motor: "Então, é uma grande responsabilidade cortar a relva para amanhã os craques da selecção pisarem o relvado, não é?"
Comentário: Mas porque raio o cortador de relva não passou por cima dos pés do jornalista?

Notícia musical do dia


Phill Collins, autor de algumas das mais insuportáveis e lamechas baladas e cançonetas-pop dos anos 80 e 90, divulga ao mundo que, aos 57 anos de idade, vai desistir da carreira artística (para se dedicar à família). Este amor aos seus entes queridos só lhe fica bem. Collins foi um baterista de valor quando esteve nos Genesis. Só que a sua carreira a solo, de muito sucesso comercial e de grande popularidade, diga-se, foi polvilhada com canções românticas de fazer chorar as pedras da calçada. Preciosidades como “Against All Odds”, “Another Day in Paradise”, “One More Night, ou “A Groovy Kind of Love” infernizaram as rádios e os tops de single dos anos 80 (por outro lado, embelezaram os serões radiofónicos da RFM e da Comercial). Para os fãs, será um desgosto o anúncio desta retirada de cena. Para os detractores, uma bênção. Aleluia!

Domingo, 25 de Maio de 2008

"E o senhor faz o quê?"


Custa a crer que seja uma história verídica. Seja verídica ou não, tem a sua piada: um dia, nos anos 40 do século passado, o realizador Howard Hawks convidou para uma caçada o escritor William Faulkner (prémio Nobel da Literatura) e o actor Clark Gable (imortalizado no papel do galã Rhett Butler em "E Tudo o Vento Levou"). Para fazer conversa, o actor - que nunca lera um livro na vida - exclamou: "ah, então escreve, senhor Faulkner?". O escritor, que raramente ia ao cinema, admitiu: "Sim. E o senhor faz o quê?".
Agora façamos um exercício retórico: substituamos Faulkner por Stephen King e Gable por Harrison Ford. Era giro não era?