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Domingo, 6 de Julho de 2008

Goran Bregovic: mestre de cerimónias


Ao longo dos anos Goran Bregovic tem mantido uma relação de trabalho muito estreita com o sublime cineasta (jugoslavo, como Bregovic) Emir Kusturica, tendo composto as bandas sonoras para os filmes “O Tempo dos Ciganos” (1989), “Arizona Dream” (1993) e “Underground” (1995). A veia musical de Goran Bregovic encontra-se enraizada na cultura do seu povo, a qual perpetua a existência de rituais festivos que incluem danças, música e canto por alturas de cerimónias fúnebre e casamenteiras. Sendo uma música cuja inspiração é extraída da riquíssima tradição musical dos balcãs em geral, e dos ciganos do leste europeu, em particular, a música de Bregovic só poderia constituir um tratado de ritmos desenfreados e de sugestivas (e por vezes nostálgicas) melodias que sublevam a alma e contagiam o corpo para a dança.
O disco “Ederlezi” compila, por conseguinte, o melhor de todas as bandas sonoras compostas por este músico que já foi um guitarrista de rock. Para quem conhece o brilhantismo e a sensibilidade tragicómica dos filmes de Kusturica, saberá que a música que os acompanha é proporcional à inventividade desse realizador. É um música que enfatiza o poder das imagens em sucessivos momentos de forte encadeamento estético. Por isso este disco é um óptimo ponto de partida para conhecer a abrangência do trabalho de Bregovic, a sua versatilidade estilística, a capacidade que possui em criar suaves melodias em contraste com possantes ritmos.
Inesquecível são algumas das suas canções, como a que interpreta Cesária Évora, a par dos habituais tangos, valsas, polkas endiabradas, canções para funerais ou casamentos, músicas ciganas da Roménia à mistura com guitarras rock, e uma poderosíssima secção de sopros sempre presente (na esteria da Fanfare Ciocarlia).

Díptico - 13


"The Velvet Underground & Nico" e "White Light/White Heat" - The Velvet Underground

Segunda-feira, 30 de Junho de 2008

Nova realidade, novas formas de consumo


É mais um exemplo de como se pode contornar a crise discográfica que afecta editoras e artistas. No programa "Câmara Clara" (RTP2) de Paula Moura Pinheiro, a fadista Aldina Duarte explicou como teve de sair da editora EMI e arriscar para investir numa editora com vista à edição dos seus próprios discos. Apesar desta solução não ser inédita, não deixa de configurar um investimento deveras arriscado para os tempos que correm. Ou seja, a edição de autor afigura-se como uma das vias possíveis para a sobrevivência dos músicos, uma vez que as editoras arriscam cada vez menos (ou praticamente nada) em artistas que não assegurem lucros mínimos. A cibercultura e seus novos hábitos de consumo alteraram profundamente as regras do jogo.
O panorama está de tal ordem que acredito ser uma questão de tempo até que o suporte físico (CD) se extinga para dar lugar a uma nova forma de consumo cultural. E essa nova modalidade de consumo só pode passar pela imaterialidade do objecto físico, isto é, a internet vai passar a ser o meio tecnológico de compra directa de discos e filmes (livros são outra matérias distinta, mas a ver vamos...). As editoras discográficas, durante décadas imprescindíveis, vão deixar de ser importantes como mediadoras do processo editorial. Por isso, os concertos vão ser (são já) uma das mais importantes fontes de rendimento para o músico. Não digo nenhuma novidade, sei-o bem, mas tenho reparado que ainda existe muita gente descrente nesta possibilidade do consumo cultural passar a ser feito, exclusivamente, por via virtual (internet), sem mais nenhum formato físico e material (supremacia do ficheiro mp3) .
Apesar dos recorrentes movimentos nostálgicos e resistentes em redor do culto do vinil e do CD, a verdade é que os sinais do mercado apontam para um processo irreversível de extinção dos mesmos (ou pelo menos, de redução dos objectos a uma expressão residual). Não defendo que seja bom ou mau, sou dos que aprendi a gostar de música (também) pelo lado fetichista do objecto, pela capa dos discos de vinil, das gravações em cassetes áudios e da compra de CDs. Só que a velocidade da sociedade da informação digital e as mudanças que esta acarreta para todos nós, dita leis que alteram os hábitos culturais.

Quinta-feira, 26 de Junho de 2008

Dois românticos resistentes


Longe vão os tempos em que o espaço da publicidade televisiva servia, não só como veículo promocional de produtos comerciais, como também de produtos culturais: CDs, filmes em estreia no cinema e até livros. Os tempos mudaram, os métodos de promoção dos discos são outros e com o advento maciço e global da Internet, já não faz mais sentido gastar dinheiro na televisão para promover um CD ou um filme. Certo? Nem tanto. Hoje de manhã, num intervalo publicitário da televisão, vi dois anúncios que promoviam o lançamento de CDs: um "best of" (mais um) de Marco Paulo e um "best of" (mais um) de Richard Clayderman. Percebo a intenção: os admiradores inveterados de Marco Paulo são de uma geração que não têm familiaridade com a Internet e as novas formas de consumo cultural. Logo, faz sentido que a televisão seja ainda o meio de comunicação por excelência para chegar ao público-alvo pretendido. E os consumidores de Marco Paulo ainda compram os CDs na feira ou em lojas de discos (originais ou pirateados, isso é outra história).
O Richard Clayderman é um caso à parte. Não faço ideia quem possa comprar os seus discos. Clayderman representa tudo o que mais detesto num intérprete (basta ver as suas cândidas capas de disco comparáveis - em qualidade estética - às do português Eurico Cebolo): pose pirosa, olhar sedutor à macho ariano, visual pseudo-dandy, flores e castiçais em cima do piano num embrulho de romantismo saloio, e reportório de baladas comerciais (da pop ou da clássica). Se quisermos ser mais radicais, Clayderman insere-se numa tipologia cultural pimba, ainda que o seu reportório pretenda ser sério e de autores consagrados. Já vendeu mais de 60 milhões (!) de discos em todo o mundo e é tão respeitado quanto parodiado - lembremos a sátira que o Herman José fez de Richard Clayderman há uns bons anos num dos seus programas - "Richard Peyderman" - em que o intérprete tocava piano ao mesmo tempo que soltava... gases. Juro que nunca percebi como é que Richard Clayderman conseguiu criar, à volta de si, um verdadeiro fenómeno musical à escala planetária e durante tantos anos.
Os publicitários é que deverão ter mais conhecimento de como se processam estes fenómenos e quais as estratégias para os tornar cada vez mais mediáticos e populares. E sabem, com certeza, que apesar de vivermos num mundo da cultura digital onde o aparecimento e o desaparecimento de fenómenos culturais se processa a uma alta velocidade, há certos fenómenos que se enraízam fortemente no imaginário da opinião pública. Marco Paulo e Richard Clayderman (como tantos outros), fazem parte desse grupo de artistas resistentes à mudança e que, para sobreviverem no mundo em que se habituaram a ter sucesso, continuam a precisar da televisão para afirmarem a sua identidade no panorama artístico e para divulgarem os seus novos CDs.

Quarta-feira, 18 de Junho de 2008

O cantor de barbas brancas

Robert Wyatt é um extraordinário songwriter inglês que fez parte dos lendários Soft Machine, banda fulgurante do rock psicadélico e progressivo dos anos 60 e 70. Um fatal acidente em 1973 confinou-o para sempre a uma cadeira de rodas (ficou paraplégico). Não foi por causa disso que deixou de fazer música, lançando-se numa irregular mas muito fértil carreira a solo. Ao longo dos anos trabalhou com Henry Cow, David Gilmour, Elvis Costello, Marc Ribot, Björk ou Carla Bley, e alguns dos seus discos são verdadeiras pérolas como "Old Rottenhat" (1985), "Dondestan" (1998), "Cuckoland" (2003). Tal como o seu mais recente trabalho, "Comicopera", editado em finais de 2007. Na altura em que saiu ouvi-o apenas uma vez e não me despertou particular interesse. Achei até estranho que tivesse sido escolhido, por muita imprensa especializada (portuguesa e estrangeira), como um dos melhores discos editados em 2007.
Passado quase um ano, voltei a ouvir "Comicopera" e percebi que na primeira audição tinha subvalorizado, enormemente, o trabalho de Wyatt. Com colaborações de Phil Manzarena (Roxy Music), Paul Weller e do grande Brian Eno, "Comicopera" contém algumas das mais inspiradas canções do músico de Bristol. Notáveis canções cantadas em várias línguas (inglês, italiano, espanhol) no seu registo vocal inconfundível (e tecnicamente impressionante - a sua tessitura vocal atinge 5 a 6 oitavas). Dividido em três partes, o cantor de longas barbas fez em "Comicopera" um magnífico trabalho de cozedura sonora, com melodias de puro encantamento (vide "Just As You Are" ou "Del Mundo") e estruturas instrumentais de grande rigor estrutural. Sem dúvida um grande disco de 2007, de 2008 e de qualquer ano.

Segunda-feira, 16 de Junho de 2008

Discos que mudam uma vida - 18


Love and Rockets - "Seventh Dream of Teenage Heaven" (1985)

Sexta-feira, 13 de Junho de 2008

Naked City - o prazer dos extremos


Naked City - "Naked City" (1989)

Uma das maiores bandas de vanguarda que já pisou o planeta: John Zorn - saxofone; Bill Frisell - guitarra; Fred Frith - baixo; Joey Baron - bateria; Wayne Horvitz - teclado; Yamatsuka Eye - voz. "Naked City", nome retirado de um filme negro com o mesmo título de Jules Dassin (1948), é um espantoso disco que tritura os mais distintos géneros musicais e explora as mais extremas experiências auditivas. Houve poucos discos desta natureza feitos ao longo da história da música. Há músicas que duram 8 ou 12 segundos. Há músicas que duram 30 ou 40 segundos mas que mudam de sensibilidade sonora a cada dois ou três segundos. Não havia limites para superar barreiras e convenções. Apenas a criatividade febril era o limite. Como referiu John Zorn (que na altura se apresentava ao vivo com uma t-shirt dos Napalm Death), não se tratava de um projecto musical de fusão, dado que não havia fusão no sentido literal. Havia antes junções de estilo, explosões sónicas, confronto de ritmos e ambientes - do death metal à música hawaiana; do jazz ao country; do easy-listening ao blues. O bizarro, a violência gráfica, a provocação, a estética do choque, a escatologia e o sadomasoquismo eram temas recorrentes no trabalho dos Naked City ("Torture Garden" documenta esse universo sombrio da alma humana). Os Naked City eram formados por músicos de superior qualidade musical (todos militavam em grupos de jazz ou rock de vanguarda) e ao vivo conseguiam, para espanto do público, reproduzir ao milímetro (ao segundo!) toda a complexidade sónica efervescente dos discos. Memorável.

Quinta-feira, 12 de Junho de 2008

Tricky de regresso

O menino rebelde Tricky, autor de alguns dos mais significativos álbuns dos anos 90 (ligados ou não ao movimento trip-hop de Bristol), como "Maxinquaye" (1995) ou "Pre-Millennium Tension" (1996) está de regresso. E que grande regresso! "Knowle West Boy" é o seu novíssimo álbum (na verdade, ainda nem foi editado oficialmente) e já roda pela internet. A sua sonoridade continua ancorada numa mistura explosiva de trip-hop, breakbeat, ragga, soul e rock. A voz de Tricky afunda-se em negrume e dureza (e com o seu estilo peculiar de cantar), as letras tensas e ásperas, a sonoridade rude e portentosa, por vezes à beira do cataclismo. Ouça-se o excelente tema "Council Estate", o primeiro videoclip e avanço para o novo álbum:

Segunda-feira, 9 de Junho de 2008

Díptico - 4


"Closer" e "Unknown Pleasrues" - Joy Division
O díptico discográfico superlativo da história da música pop-rock.

Sábado, 7 de Junho de 2008

Discos que mudam uma vida - 17


Hedningarna - "Trä" (1994)

Quinta-feira, 5 de Junho de 2008

Man Man - a banda tresloucada de Philadelphia


Man Man é a designação bizarra para um grupo de músicos americanos (de Philadelphia). E (deliciosamente) bizarra é também a sua música, feita de resquícios de Tom Waits, fogachos de blues, riffs punk, ritmos country, ambientes de cabaret fumarentos, valsas, enfim, de tudo um pouco. No final de 2006 editaram um dos melhores álbuns desse ano, “Six Demon Bad”, um fulgurante disco de fusão, alucinado e criativo como poucos. Agora acabaram de lançar o seu mais recente trabalho (o terceiro da carreira) com o belo título, “Rabbit Habits”, um novo testemunho de energia, devaneios estilísticos e liberdade criativa a rodos. Os Man Man rompem com convenções e, neste aspecto, identificam-se com o mesmo paradigma estético de um Secret Chiefs 3, Mr. Bungle ou Gogol Bordello. E são autores ainda de uma das melhores versões de sempre: "Bulls on Parade" dos Rage Against the Machine.
Os concertos são uma festa circense imprevisível e contagiante:

Quem quiser ouvir o novo trabalho deste grupo de tresloucados músicos, pode fazê-lo descarregando o respectivo ficheiro aqui.
PS - parece mentira, mas os Man Man nunca tocaram em Portugal.

Segunda-feira, 2 de Junho de 2008

Quando Amon Tobin se chamava Cujo


Cujo - "Adventures in Foam" (1997)
Foi o primeiro álbum de Amon Tobin, ainda sem assinar como tal. Cujo era o nome de guerra, para classificar um álbum quer era já o prenúncio de uma esplendorosa carreira musical que, esperemos, não termine depressa. Ouvi-o pela primeira vez na extinta e saudosa XFM. Foi um impacto tremento. Há poucos discos como este, poucos percursos artísticos como este, poucos músicos electrónicos como este. Amon Tobin continua insuperável, e "Foley Room", lançado há um ano e meio, continua a ecoar hoje como um poderoso vulcão electrónico.

Domingo, 1 de Junho de 2008

"Music Hole" explicado

Na sequência do post abaixo sobre Camille, quem quiser ficar a saber mais sobre esta artista fantástica, convém ver a primeira parte do "making of" do disco "Music Hole". Em 9 minutos, Camille explica de forma objectiva e muito divertida, o conceito por detrás do título do disco (fala de todos os buracos do corpo humano!), o processo de composição musical (exemplificando na prática com percussão corporal e não só) e como se situa, enquanto mulher e artista, no panorama musical.

Sábado, 31 de Maio de 2008

Camille - voz e muito talento


Uma extraordinária revelação.
Esqueçam Björk e o álbum "Medulla". Camille, nome singelo de uma cantora francesa que faz da voz o seu instrumento, ao qual junta beatbox, percussão corporal, melodias pop e muita criatividade à mistura, vai mais longe que a cantora islandesa. Admito que a não conhecia. Li hoje um inflamado artigo de página inteira no Expresso e tive de procurar toda a informação disponível. O entusiasmo compreende-se. Camille não se restringe às regras da canção pop, é uma inventora de soluções sonoras (tem um tema, "Cats and Dogs", que é um prodígio musical com vozes desses animais feitas com recursos vocais humanos), faz com a voz um trabalho similar ao do francês Bernard Massuir ou do americano Bobby McFerrin (já se encontra mais distante do experimentalismo de uma Meredith Monk). O álbum "Music Hole" (título que brinca com a expressão "music hall"), o seu terceiro trabalho recentemente editado, é um sério candidato a disco mais surpreendente do ano e está repleto de pérolas como esta música:
Para quem não ficou convencido, pode sempre ouvir este outro excelente tema.

Quinta-feira, 29 de Maio de 2008

A outra utilização do vinil


Numa altura em que os discos de vinil regressam em força como formatos de música e como objectos "fetichistas", não deixa de ser oportuno olhar para o vinil com outra utilidade. Dito de outro modo, entender o disco de vinil e, sobretudo, a respectiva capa como objecto passível de criar uma espécie de ilusão corpórea, humana. O conceito "sleeveface" procura isso mesmo, a construção de imagens num contexto de simbiose entre as capas de discos (com rostos e partes do corpo humano) e partes físicas humanas reais. O resultado é divertido e surpreendente, como documentam estas duas imagens, das muitas que existem neste site. A criatividade visual quase não tem limites e qualquer pessoa que tenha uma boa colecção de discos, alguma paciência e sentido de perspectiva, pode experimentar criar novos contextos para as capas.
Para os não iniciados, convém ver este engenhoso e interessante tutorial:

Sábado, 24 de Maio de 2008

Discos que mudam uma vida - 16


Brian Eno and David Byrne - "My Life in The Bush of Ghosts" (1981)

Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

Discos que mudam uma vida - 15


Virgin Prunes - "...If I Die, I Die" (1982)

Sábado, 10 de Maio de 2008

Santogold


Certa crítica nacional de música anda empolgada com o disco de estreia de Santogold (cognome artístico de Santi White). Não me parece que haja assim tantos motivos para regozijo e elogio estético ao referido objecto. Diz-se que Santogold é um sucedâneo da M.I.A., relação que até tem razão de ser. O universo musical entre ambas artistas é assaz similar, com abordagens à pop descontrutivista, com fusões de funk, dub, electro e hip-hop. "Santogold" tem dois ou três temas realmente muito bons, mas em 16 é dizer pouco. Falta-lhe mais ousadia formal, mais insinuações experimentais para fugir a um certo estereópito estrutural a que não consegue fugir. Mas será de certeza um álbum mais interessante e arrojado do que o último da Madonna, por exemplo...

Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

Prefab Sprout - a melodia pop perfeita


Sempre considerei como trio de referências pop dos anos 80 três grupos: XTC, The Go-Betweens e Prefab Sprout. Apesar da capa duvidosa, este é um dos discos pop mais perfeitos e viciantes da década de 80. Que digo eu? Da década de 80 e 90. "Steve McQueen" dos Prefab Sprout. Foi editado em 1985 e ainda me lembro da primeira vez que ouvi uma das canções mais belas do disco, "Appetite". Foi no saudoso programa "Som da Frente" do António Sérgio (Rádio Comercial, todos os dias às 4h) e durante semanas esteve no top de preferências dos ouvintes. Depois comprei o vinil e foi o fascínio. Paddy McAloon, líder e vocalista do grupo, era um notável letrista e cantor e este disco está recheado de canções povoadas por melodias sublimes e letras desencantadas.
Lembrei-me deste disco porque, ao entrar hoje no carro ao meio da tarde e sintonizar a Antena 3, ouvi o belíssimo tema "When Loves Breaks Down", que faz parte do alinhamento de "Steve McQueen".

Quarta-feira, 7 de Maio de 2008

Pop libertária


"Free Pop" (1987) - Pop Dell'Arte
É este o melhor disco dos anos 80 da música portuguesa?