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Sexta-feira, 4 de Julho de 2008

Retrato do artista quando jovem - 2


William S. Burroughs

Alfred Hitchcock

Andrei Tarkovski

Stanley Kubrick

Mia Farrow

Bob Marley

David Lynch

Jimi Hendrix

Janis Joplin

Jack Kerouac

Jorge Luis Borges

Ingmar Bergman

Salvador Dalí
Andy Warhol

Sexta-feira, 6 de Junho de 2008

Tarkovski no Público

Hoje sai no Público o volume 17 da colecção "Grandes Realizadores" dos Cahiers du Cinema. Esta edição é dedicada ao realizador russo Andrei Tarkovski (ou Tarkovsky), o meu cineasta de eleição. O DVD traz o seu último filme, "O Sacrifício" (1986). Quem quiser uma edição realmente definitiva e completa sobre este filme pode sempre comprar esta magnífica edição espanhola, com 3 discos de extras (entrevistas, documentários...) e um livro de 80 páginas sobre o filme e seus intervenientes. Como habitualmente, a edição DVD do Público vem acompanhada por um livro de 100 páginas da colecção Cahiers du Cinema. Este livro é deveras imprescindível para todos os amantes de Tarkovski, pelo simples facto de ser da autoria de um grande especialista em cinema (tem livros sobre Lynch, Kubrick, Chaplin e Tati): Michel Chion. Chion é escritor, argumentista, ensaísta e compositor de música concreta (tem vários livros sobre música electrónica e concreta) e um especialista no cinema russo. No livro aborda a arte das imagens de Tarkovski mas também a sua relação com o som e a música. Imprescindível.
Entre muitos planos-sequências geniais que Andrei Tarkovski filmou ao longo da sua brilhante carreira, este plano-sequência final de "O Sacrifício" é dos mais geniais - e que deu muitas dores de cabeça ao realizador russo, pois teve de ser filmado duas vezes (repare-se nos movimentos de câmara, no cenário, na mise-en-scène, no ambiente criado...).

Domingo, 18 de Maio de 2008

Os pensamentos de Kubrick


Stanley Kubrick foi um realizador que cultivou um estilo de vida quase eremita: durante toda a carreira pugnou por um acentuado ascetismo social e profissional. Praticamente não dava entrevistas a jornalistas, furtava-se às festas das estreias dos seus filmes, não mantinha relacionamento com outros realizadores ou actores, nunca escreveu um livro de memórias ou para explicar o seu cinema (como fizeram Bresson ou Tarkovski). Porém, conhecemos minimamente algumas das suas opiniões através de afirmações que se podem encontrar dispersas na internet ou em livros de cinema. São pequenas frases ditas pelo génio de "A Laranja Mecânica" que revelam a ponta do véu do seu espírito irrequieto:

- "A filmmaker has almost the same freedom as a novelist has when he buys himself some paper"
- "I never learned anything at all in school and didn't read a book for pleasure until I was 19 years old."
- "The great nations have always acted like gangsters, and the small nations like prostitutes."
- "A film is - or should be - more like music than like fiction. It should be a progression of moods and feelings. The theme, what's behind the emotion, the meaning, all that comes later."
- "There are few things more fundamentally encouraging and stimulating than seeing someone else die."
- "Perhaps it sounds ridiculous, but the best thing that young filmmakers should do is to get hold of a camera and some film and make a movie of any kind at all."
- "If it can be written, or thought, it can be filmed. "
- "The screen is a magic medium. It has such power that it can retain interest as it conveys emotions and moods that no other art form can hope to tackle. "

Sexta-feira, 16 de Maio de 2008

Kubrick em registo de paródia

Quem conhece a filmografia de Stanley Kubrick vai divertir-se a ver (com som) esta sequência em animação que brinca com algumas das melhores cenas dos seus filmes:

Terça-feira, 15 de Janeiro de 2008

Kubrick de olhos bem abertos

O último filme de Stanley Kubrick dividiu opiniões. É um filme complexo sobre os meandros da obsessão, do desejo sexual, da traição, da confiança. É um filme freudiano, com múltiplas leituras, ao mesmo tempo tenebroso e belo. Que o filme seja interpretado por um casal real, Cruise e Kidman (em 1999) é a prova da suprema ironia do realizador. É quase como que um filme "neo-realista", no sentido em que aquelas personagens são também seres humanos com vínculos emocionais reais, concretos. Esteticamente esplendoroso (como qualquer outro Kubrick), "De Olhos Bem Fechados" é uma obra de arte rigorosíssima e que denuncia a tremenda fragilidade das relações humanas. Fragilidades que podem desembocar no abismo mais penoso. Todo o filme é uma ferida aberta, em ebulição emocional, uma luta entre a pulsão da vida (Eros) e a pulsão da morte (Thanatos). Para a memória cinéfila Kubrick deixou-nos uma das suas melhores sequências filmadas em toda a sua carreira. Uma cena assombrosa em todo o seu formalismo plástico e que resume a genialidade de todo o filme: a sequência quando Bill assiste ao ritual no sumptuoso castelo. A música aterradora mas bela (faz lembrar Dead Can Dance), a câmara em travelling deslizante, os cenários surreais, o enigma das máscaras, os corpos femininos, as roupas insinuantes... Desconcertante e perturbador, como só Kubrick sabia fazer. Apenas "Shining" me deu estas sensações de puro desconforto emocional.

Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2007

Hal 9000 - o vilão cibernético


Arthur C. Clarke sabia o o que estava a escrever quando escreveu "2001 - Odisseia no Espaço". Por seu lado, o realizador que adaptou a referida obra de Ficção Científica, Stanley Kubrick, sabia igualmente o que estava a filmar. O filme, magna obra de arte de Kubrik (uma das várias que realizou ao longo da sua carreira), retrata duas viagens: a espacial, pelo espaço sideral, e a interior, pela mente do homem (suas memórias e desejos). Uma viagem maior do que a vida. Em "2001 -Odisseia no Espaço", a personagem principal acaba por ser um... computador. Estávamos em 1969, muito longe ainda da erupção tecnológica e informática da era actual. HAL 9000, de seu nome, esse computador central, representado por uma brilhante luzinha vermelha, tinha a capacidade de falar naturalmente, monitorizar tudo o que se passava na nave espacial, detectar as emoções humanas, apreciar manifestações artísticas, e tomar decisões tidas como racionais. Apesar de programado para obedecer à voz humana, Hal 9000 acaba por ganhar vontade própria e aniquilar a vida humana.

Este computador acaba por constituir uma medonha metáfora premonitória da realidade contemporânea: todos os dias ouvimos notícias que informam sobre a videovigilância do cidadão comum, nas ruas e locais públicos. Câmaras, computadores, satélites, tecnologias a rodos, tudo para controlar a vida humana. Cada vez mais numa espécie de "Big Brother" orwelliano, caminhamos para essa pessimista distopia profetizada por Aldous Huxley. Uma sociedade globalizada e altamente tecnológica, manietada pela paranóia da segurança e pelo medo incutido às massas. Hal 9000 era ameaçador. E ameaçadora se tornou a socieadade moldada sob o paradigma tecnológico.

Quinta-feira, 29 de Novembro de 2007

The Shining - comédia familiar?


No mundo virtual onde todas as possibilidades virtuais são possíveis, eis que, à semelhança do filme "Eraserhead", também o clássico de terror "The Shining" de Stanley Kubrick é alvo de uma remontagem/reinterpretação para servir de proposta cinematográfica aparentada com comédia familiar. O efeito é ainda melhor conseguido do que com o filme de David Lynch.