domingo, 21 de dezembro de 2014

Clássicos de Chaplin!

Eis uma extraordinária edição em forma de pack de DVD: "Chaplin Hoje". São dez filmes geniais de Charlie Chaplin apresentados por outros tantos realizadores importantes (Bertolucci, Chabrol, Jarmusch, Kusturica...). Para além das cópias restauradas o pack da Midas Filmes vende-se ao preço quase simbólico de... 15€! Quinze euros por dez filmes grandiosos do insuperável Chaplin. Querem melhor prenda de Natal para oferecer a um amigo cinéfilo?
Link para mais informações.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

A Manhã de Natal segundo...

Lembram-se há um ano ter publicado um vídeo no qual - de forma divertida - se fazia alusão ao Natal segundo o ponto de vista de vários realizadores famosos (ver aqui)?
Bom, os mesmos responsáveis, The Auteurs, decidiram realizar um segundo volume na mesma linha para assinalar o Natal de 2014. Ou seja, a "manhã de Natal" entendida segundo a estética de cineastas como Chaplin, David Lynch, Tarantino, Malick, Godard ou Hitchcock.
Nestas sequências de breves segundos estão condensadas as características visuais e temáticas de cada realizador. Muito interessante e bem divertido:

Nicholson

Desde 2010 que Jack Nicholson não faz um filme. Aos 77 anos, com 3 Óscares e 7 Globos de Ouro conquistados ao longo da sua carreira, consta-se que o actor sofre os inícios da doença de Alzheimer. Nicholson tem revelado sintomas como desorientação, confusão mental e esquecimento de acontecimentos recentes da sua vida pessoal.
A ser (infelizmente) verdade, é provável que não voltemos a ver este extraordinário actor representar no cinema.  

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

A necessidade do amor fugaz

São dois filmes diferentes, é certo. Passam-se em situações muito diferentes, com protagonistas distintos. Mas são dois filmes que se complementam pelo cerne da história, que se unem umbilicalmente pela urgência do amor, do afecto, da compreensão. Os personagens destes filmes, apesar das diferenças de idade, de profissão ou experiências de vida, possuem características comuns. São personagens, cada uma delas à sua maneira, à deriva, sem rumo no seio de uma vida rotineira, solitária e frustrante, na qual os sentimentos são inexistentes ou meramente residuais.
Estes dois pares, estas duas mulheres e estes dois homens, encontram-se fugazmente e vivem, intensamente, uma cumplicidade emocional inesperada. Uma cumplicidade que atenua um certo vazio existencial de que é feito as suas vidas, mas que não é suficiente para acreditar no amor em toda a sua plenitude. Por isso são filmes de uma melancolia tocante, porque estes personagens anseiam acreditar que o amor os pode salvar, dar-lhes um incentivo para resistir às sombras que os cobrem. E é essa melancolia que faz de "Lost in Translation" e "As Pontes de Madison County" duas obras imensas sobre o amor entre um homem e uma mulher que, subjugados a circunstâncias que não podem dominar, se entregam de corpo e alma a uma relação efémera, mas plena de profundo significado e de esperança.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Dalí e os postais de Natal

Em tempos que já lá vão era hábito na época de Natal qualquer pessoa enviar e receber coloridos postais de Natal para os amigos e família. Com o advento da comunicação digital institucionalizada e global, os votos de Bom Natal reduziram-se a meros mails impessoais e mensagens de texto abreviadas. 
Nos anos 60 e 70, um irreverente pintor chamado Salvador Dalí foi contratado por uma empresa para pintar postais de Natal apelativos e originais. Dalí, no seu estilo plástico e temático inconfundível, desenhou uma colecção de postais que tiveram relativa saída comercial (e que hoje são objectos raros e caros). 
Aqui ficam três exemplos:

domingo, 14 de dezembro de 2014

Kubrick e North: a história

Fui convidado a escrever regularmente no site Repórter Sombra. O meu primeiro artigo versa sobre o episódio curioso (mas sério) do diferendo que ocorreu entre o realizador Stanley Kubrick e o compositor para cinema Alex North a propósito do filme "2001 - Odisseia no Espaço"
Para ler na íntegra carregar aqui.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Oliveira a olhar o futuro


Manoel de Oliveira, homem e cineasta com uns impressionantes 106 anos de vida. Atravessou o século XX todo e tem quase 15 anos no século XXI. Refuta a ideia de reforma e ainda realiza filmes de forma apaixonada, como um miúdo que se maravilha perante a magia de uma câmara de filmar. Estreia esta semana a sua última obra, "O Velho do Restelo", certamente um filme que irá enriquecer (ainda mais) a sua carreira. É um homem que não olha para o passado, antes enfrenta com notável dinamismo o futuro como se fosse uma dádiva divina. 
O semanário Expresso entrevistou este artista ímpar a nível mundial e o resultado, sempre surpreendente, de grande lucidez e inteligência, pode ser lido aqui.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

A experiência de "Final Cut"



Do cinema húngaro contemporâneo não vem apenas o génio de Béla Tarr. Há também um outro cineasta que explora novas dimensões da Sétima Arte. Chama-se György Pálfi, tem apenas 40 anos e notabilizou-se com o filme muito pouco ortodoxo "Taxidermia" em 2006.
A verdade é que o último filme de Pálfi (datado de 2012) é um verdadeiro monumento de amor pelo cinema. Intitula-se "Final Cut - Ladies and Gentlemen" e conta a história de amor entre um homem e uma mulher a partir de imagens de arquivo de clássicos do cinema mundial. O "homem" é representado por Marcello Mastroianni, Chaplin, Woody Allen, Al Pacino, Robert De Niro, Brad Pitt e centenas de outros atores. Já a "mulher" assume as formas de Audrey Helburn, Greta Garbo, Diane Keaton, Gina Lollobrigida, Sharon Stone e muitos outras.
Confusos? 

Num primeiro momento, esta descrição pode parecer que seja um filme hermético e experimentalista sem sentido. Nada disso: é um filme fascinante e divertido que nos agarra desde o primeiro fotograma a partir de centenas de filmes diferentes (mais de 500) e que prova que a montagem é uma das mais importantes ferramentas do cinema.
Além das cenas de diversos filmes, a montagem também abarca diversas bandas sonoras deslocadas dos seus filmes originais e organizadas visando a coerência narrativa desta obra. "Final Cut", através do seu prodigioso trabalho de colagem, induz o espectador numa experiência cinematográfica e visual única. Uma experiência que une o universal e o individual e que nos transporta para a memória riquíssima da história do cinema, numa espantosa homenagem ao poder simbólico das imagens da Sétima Arte. Altamente recomendável, portanto.

Para ver o filme na íntegra abri aqui.

Eis um excerto do filme com uma sequência de dança e de beijos.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

A solidão segundo Hopper

Olho sempre para a pintura de Edward Hopper (1882 - 1967) com delicada emoção. Observador atento da solidão humana na primeira metade do século XX, Edward Hopper consegue ser cada vez mais actual. Num mundo transbordante de tecnologia que nos liga em tempo real ao mundo global, o indivíduo torna-se escravo da mesma, tomando atitudes de pura alienação perante o que o rodeia.
Hopper teve essa sensibilidade de registar, em melancólicas e coloridas telas, esse sentimento de despojamento social, de espaços urbanos "com gente" mas onde não existe comunicação, afectos, ou resquícios de felicidade. Só existe silêncio e inquietação psicológica (como revela esta intrigante exposição de fotografia que prova como as pessoas preferem ver o telemóvel do que conversarem).
Expressão de solidão, vazio, desolação e estagnação da vida humana. À luz da expressiva e realista pintura de Hopper, é cada vez mais assim que vejo o meu mundo, no limiar de 2015: uma sociedade alienada, vazia, desolada, em silêncio perturbador, à espera que alguma luz ilumine a vida monótona e rotineira, sem esperança, sem fulgor para viver uma... vida.





quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Música para "Repulsa"


Antes de fazer carreira de sucesso como Nick Cave enquanto cantor a solo com os seus Bad Seeds, Nick Cave teve uma banda australiana chamada The Birthday Party (entre 1977 e 1983 - na imagem). Uma banda com nome pueril mas que exorcizava os resquícios do punk fazendo uma música de grande visceralidade e fúria.
Esta banda editou apenas três álbuns de originais, mas foram suficientes para incendiar o panorama rock daqueles anos. Nick Cave cantava como um possuído sobre loucura, morte, auto-destruição e dependência de drogas. Uma dessas músicas que aborda o lado mais decadente do ser humano é "Zoo Music Girl". 
Ora, alguém se lembrou de colar essa música agreste e à beira do precipício com imagens do filme "Repulsa" (1965) de Roman Polanski, um dos seus mais perturbadores e negros filmes sobre a loucura (com a notável, bela e ainda jovem Catherine Deneuve).
A montagem das imagens do filme de Polanski coaduna-se na perfeição com a música dos The Birthday Party e quase ficamos convencidos que esta canção poderia ter sido criada a pensar na mulher alucinada de "Repulsa". E faria todo o sentido...

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Woody, 79 anos

Woody Allen comemora hoje 79 anos. Estou certo que ele não dá a mínima importância à data, nem seguramente quererá festas de aniversário pomposas (a não ser no recato da sua estrita família), nem apreciará destaques na comunicação. Woody Allen também não faz ideia quem eu seja, mas não deixo por isso de lhe manifestar a minha enorme gratidão por ter feito os filmes que fez e escreveu os livros que escreveu. 
Parabéns Woody. Que continues com mente sã e espírito criativo por muitos e bons anos.

domingo, 30 de novembro de 2014

Sobre "Boyhood"



Apesar das críticas genericamente muito positivas, não achei "Boyhood" aquela obra-prima que muitos asseveram (para a revista "Sight & Sound" é o melhor filme do ano). É verdade que o realizador Richard Linklater ousou algo inédito na história do cinema (filmar o tempo real de 12 anos de crescimento dos actores - ver imagem em cima), mas só resultaria num grande filme se este dispositivo fosse complementado com um extraordinário argumento. E é neste ponto que julgo "Boyhood" menos conseguido. 
O filme pretende revelar a vida comum "tal como ela é" de um miúdo que tem pais divorciados. É quase um filme neo-realista que procura evidenciar como a passagem do tempo molda a vida de uma família igual a tantas outras. Linklater parece preocupar-se demasiado com esse tom intimista acerca das relações familiares, percebe-se como o desenvolvimento físico real do rapaz (Ellar Coltrane) interfere nessas mesmas relações, mas em quase 3 horas de filme estive sempre à espera que algo mais acontecesse. E esse algo mais seria, a meu ver, uma maior densidade dramática e um maior aproveitamento e impacto emocional desse fluir do tempo. 
Claro que Patrica Arquette e Ethan Hawke são sólidos pilares do filme (curiosamente, quase não se percebe a passagem do tempo nos dois actores), mas a história decepcionou-me por ser ancorada em demasiadas vivências familiares sem expressão. Sim, eu sei que a vida é feita disto mesmo: da maior banalidade e rotineira existência. Mas estamos a falar de uma vida representada numa linguagem artística chamada cinema. 
Imagino o que um Clint Eastwood ou um Martin Scorsese não teriam feito se tivessem pegado numa ideia semelhante... 

sábado, 29 de novembro de 2014

Nova imagem: "O Sacrifício" (1986) - Andrei Tarkovski

Ed Wood e Orson Welles


No sublime filme "Ed Wood" (1994) de Tim Burton, há um diálogo delicioso em que Johnny Depp na pele de Ed Wood (considerado o pior realizador do mundo) conhece uma mulher num bar que lhe pergunta:

Mulher: E senhor o que faz?
Ed Wood: Trabalho no cinema: sou realizador, actor, argumentista e produtor.
Mulher: Ora, ninguém faz isso tudo ao mesmo tempo!
Ed Wood: Oh sim, no mundo do cinema só duas pessoas o conseguem: Orson Welles e eu!

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Oito anos é muito tempo

Este blogue assinala hoje 8 anos de existência. É muito tempo numa era digital da informação a alta velocidade e em constante mudança. Quando o criei em 2007 pensei que duraria umas semanas.
 Uma coisa é certa: só se mantém vivo porque há alguém aí desse lado que o segue e lê. 

Bem hajam, portanto.


quarta-feira, 26 de novembro de 2014

As casas dos escritores

Muito do imaginário cultural e social da América passa pela arquitectura e, especialmente, das casas. As casas do Mississipi são diferentes das casas de Nova Iorque ou de New Jersey. Cada estilo de casa representa uma forma de identidade urbana (ou rural) muito específica na experiência quotidiana dos americanos.
Ora, a Google Maps resolveu investigar e mapeou as casas americanas onde viveram, não cidadãos comuns, mas sim ilustres escritores. Como esta primeira imagem que documenta a casa onde viveu Jack Kerouac, na Florida; e a segunda imagem que ilustra a casa de John Updike na Filadelphia. 

Para conhecer muitas outras casas de escritores clicar aqui e aqui.



terça-feira, 25 de novembro de 2014

Pessoa em edição especial

Edição de luxo (capas em madeira!) de "As Flores do Mal" de Fernando Pessoa com fotografias de Pedro Norton. Um belo objecto cultural numa época digital que dissemina a desmaterialização do livro.
"As Flores do Mal" é o livro dos vícios de Fernando Pessoa: absinto e aguardente, ópio e morfina, tabaco e muitos fumos, tal qual Pessoa e os seus heterónimos os sentiram e os cantaram. No total são 32 textos e poemas de Pessoa e respectivos heterónimos. São textos de inocência e abandono, textos de decadência e confissão - acompanhados por fotografias insubmissas - que nos dão a ler Fernando Pessoa como nunca o lemos.

Pena o preço elevado: 55€

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Velvet em versão francesa

Eis um belo estímulo para começar bem a semana: uma deliciosa versão do clássico "Femme Fatale" dos The Velvet Underground & Nico, interpretada por um rapaz e uma rapariga franceses de nome Mathieu e Pauline. Uma versão tão deliciosa que até o escritor Neil Gaiman a partilhou na sua conta de Twitter:
 

domingo, 23 de novembro de 2014

Kubrick na rádio

Crónica radiofónica ("Teoria da Evolução") sobre quando Stanley Kubrick recusou a música original de Alex North para o filme "2001 - Odisseia no Espaço".

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Kubrick on Red

Caro leitor: já se tinha apercebido da obsessão de Stanley Kubrick com a cor vermelha nos seus filmes? Então veja esta curta montagem que prova que as tonalidades vermelhas eram, para Kubrick, a componente visual predominante de grande parte do seu cinema. E nesta montagem as imagens até "dançam" ao som da Nona Sinfonia de Beethoven: