"A grande função da arte é a comunicação, uma vez que o entendimento mútuo é uma força que une as pessoas, e o espírito de comunhão é um dos mais importantes aspectos da criação artística."
Quarta-feira, 22 de Maio de 2013
Terça-feira, 21 de Maio de 2013
O regresso de Jodorowsky!
É um dos filmes mais esperados do festival de Cannes: ao fim de 21 anos de inactividade, o realizador chileno Alejandro Jodorowsky apresenta-se com "La Danza de La Realidad", o seu novíssimo trabalho.
Jodorowsky é um dos cineastas mais originais e visionários da segunda metade do século XX (sobre ele escrevi isto). Nasceu em 1929 e apenas realizou sete longas-metragens, qual delas a mais surrealista, a mais bizarra e iconoclasta (misturando sexo, violência, western, magia negra, sonhos, mitologia, simbolismo, sangue e religião).
Agora voltou, quase sem prévio aviso, para mostrar um filme autobiográfico com o belo título "A Dança da Realidade". O circunspecto jornal inglês The Guardian refere que se trata de uma obra que mistura o imaginário visual de Kusturica, Tod Browning e Fellini. E vendo o trailer do filme, percebe-se esta mistura de referências.
Seja como for, a nova obra de Jodorowsky está destinada - como tudo o resto que fez antes - a dividir apaixonadamente as opiniões: o espectador ou fica fascinando com os devaneios visuais e narrativos do cineasta ou sente repulsa quase imediata.
Nota: a banda sonora é assinada pelo filho do cineasta, Adan Jodorowsky.
Segunda-feira, 20 de Maio de 2013
Mara
Para quem duvidava da beleza e feminilidade da actriz Rooney Mara, ei-la como se apresentou hoje no festival de Cannes:
Cinéfilo turista
O turista cinematográfico
Hervé Attia é um turista muito original. É também um realizador amador original: Hervé visita locais de filmes famosos e, mediante comparações plano a plano, monta os seus vídeos comparando o estado actual desses locais com os da época das filmagens. No geral, cada vídeo de Hervé tem 12 minutos de duração, suficientes para mostrar e comparar os locais de filmagens com a maior minúcia possível. Só um grande cinéfilo, com muita paciência e abnegação, conseguiria um trabalho desta natureza quase obsessiva.
No seu canal do Youtube existem dezenas de exemplos (filmes de todas as épocas, dos clássicos aos mais comerciais).
Veja-se este exemplo do clássico "Os Pássaros" do mestre Hitchcock:
Veja-se este exemplo do clássico "Os Pássaros" do mestre Hitchcock:
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20.5.13
(Última) Nota de Bresson #30
"Duas espécies de filmes: os que empregam os meios do teatro (actores, encenação, etc) e se servem da câmara para 'reproduzir'; e aqueles que utilizam os meios cinematográficos e se servem da câmara para 'criar'.
Sábado, 18 de Maio de 2013
A filha de Ian Curtis
Hoje, 18 de Maio, assinalam-se 33 anos da morte de Ian Curtis, carismático líder e vocalista da banda Joy Division. E ontem revi no canal Fox Movies o filme biográfico "Control" (2007) de Anton Corbijn. Sobre este filme escrevi tudo neste post, e sobre o impacto que a música dos Joy Division teve em mim escrevi isto.
Depois de rever o brilhante filme de Anton Corbijn, suscitou-me a curiosidade de saber o que faz hoje a filha do vocalista da banda, Natalie Curtis. Natalie tem a mesma expressão dos olhos de Ian, um olhar melancólico que parece ter herdado do pai. Tentou seguir música e aprender piano, mas nunca teve talento nem predisposição.
Neste momento Natalie Curtis tem 34 anos e é uma conceituada fotógrafa na Inglaterra. Interessa-se por fazer retratos de cidadãos comuns mas também de personalidades da música.
Eis o seu site e trabalhos fotográficos da filha de Ian Curtis.
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18.5.13
Cannes ao rubro
É algo completamente inédito nos anais do mais importante festival de cinema do mundo: o festival de Cannes vai só com dois dias e já regista dois acontecimentos improváveis: um roubo de jóias que seriam usadas pelas celebridades (facto que imita a história do filme de Sofia Coppola exibido um dia antes!) e disparos de arma de fogo que interromperam abruptamente uma entrevista com o actor Christoph Waltz.
Que mais poderá acontecer?
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18.5.13
Quinta-feira, 16 de Maio de 2013
Hitchcock predador sexual?
"The Girl" é um telefilme realizado por Julian Jarrold para o canal HBO Films que retrata a relação do cineasta Alfred Hitchcock com a actriz Tippi Hedren durante a rodagem do clássico "The Birds" (1963).
Neste filme, Toby Jones encarna um convincente Hitchcock (mais convincente do que Anthony Hopkins no filme "Hitchcock"): conseguiu quase na perfeição imitar os trejeitos do realizador, a pose e a forma tão peculiar de falar (demorava 4 horas na maquilhagem). Por sua vez, Sienna Miller interpreta a loura Tippi Hedren, com grande personalidade e carisma.
Neste filme, Toby Jones encarna um convincente Hitchcock (mais convincente do que Anthony Hopkins no filme "Hitchcock"): conseguiu quase na perfeição imitar os trejeitos do realizador, a pose e a forma tão peculiar de falar (demorava 4 horas na maquilhagem). Por sua vez, Sienna Miller interpreta a loura Tippi Hedren, com grande personalidade e carisma.
"The Girl" é baseado no livro de Donald Spoto sobre a conturbada relação que Hitchcock manteve, ao longo da sua carreira, com as suas actrizes. O filme não é nada condescendente para com Hitch, uma vez que mostra um homem com uma relação turbulenta (e ciumenta) com a sua mulher Alma Reville e, mais importante, quer provar que o realizador era um implacável predador sexual repleto de fantasias eróticas bizarras e com uma fixação obsessiva com jovens louras e atraentes. De tal forma que, a dada altura, Hitchcock força um beijo na boca de Tippi Hedren, diz-lhe que a ama e faz chantagem emocional com ela durante as filmagens de "The Birds". Aliás, "The Girl" demonstra o estado de crueldade a que Hitchcock chegava para humilhar a actriz no estúdio, sujeitando-a a difíceis filmagens com pássaros reais que a atacavam fisicamente durante vários dias seguidos.
Apesar deste telefilme ter tido globalmente críticas positivas, a verdade é que não se livrou de controvérsia, uma vez que muitas vozes se levantaram a defender a imagem pública de Alfred Hitchcock, negando este retrato negro e retorcido do realizador (que não corresponderá à realidade plena dos factos).
Polémicas de lado, a verdade é que vale a pena visionar "The Girl", não só porque nos mostra uma faceta aparentemente menos nobre de Hitchcock (em contraponto com um Hitchcock muito menos sombrio que Hopkins interpretou), como dá a conhecer a figura algo misteriosa e ambígua da actriz Tippi Hedren.
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16.5.13
Quarta-feira, 15 de Maio de 2013
Terça-feira, 14 de Maio de 2013
Segunda-feira, 13 de Maio de 2013
Jazz rock
Amon Tobin (enquanto projecto Cujo) a fazer jazz rock? Talvez sim. Ou não. Isto porque Amon Tobin faz de tudo e sempre bem. Mas a verdade é que se trata de alguém que pegou na música "Traffic" do álbum "Adventures in Foam" (1996) e a colou a um videoclip saído de um clube de jazz dos anos 40.
O contraste entre as imagens rústicas e a sofisticação da música é desconcertante, e a sincronia entre os instrumentos que supostamente "tocam" o que ouvimos bem divertida.
Uma outra forma de ouvir e "ver" a música de Tobin.
O contraste entre as imagens rústicas e a sofisticação da música é desconcertante, e a sincronia entre os instrumentos que supostamente "tocam" o que ouvimos bem divertida.
Uma outra forma de ouvir e "ver" a música de Tobin.
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13.5.13
A história de um álbum mítico
"The Story of Wish You Were Here" é um documentário realizado por John Edginton para a televisão britânica (BBC Four) e que estreou em DVD e Blu-Ray no Verão de 2012.
Trata-se de um documentário que revela, em apenas 59 minutos, os bastidores da criação do álbum com o mesmo nome (lançado em 1975), um dos mais aclamados dos Pink Floyd e de toda a música popular da segunda metade do século XX.
Trata-se de um documentário que revela, em apenas 59 minutos, os bastidores da criação do álbum com o mesmo nome (lançado em 1975), um dos mais aclamados dos Pink Floyd e de toda a música popular da segunda metade do século XX.
Revela como foram as sessões de gravação (no mítico estúdio Abbey Road), como os músicos criaram as músicas e a decisão de dividir a clássica música "Crazy Diamond" em duas partes.
Além disso, o realizador John Edginton entrevistou os três membros remanescentes - Roger Waters, David Gilmour, Nick Mason - e incluiu imagens dos falecidos Richard Wright e do mítico Syd Barret.
Além disso, o realizador John Edginton entrevistou os três membros remanescentes - Roger Waters, David Gilmour, Nick Mason - e incluiu imagens dos falecidos Richard Wright e do mítico Syd Barret.
Sem dúvida um documentário de visionamento obrigatório para todos os fãs dos Pink Floyd, uma das bandas mais influentes da história da cultura pop.
O documentário pode ser visto - integralmente em inglês - neste link.
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13.5.13
Sábado, 11 de Maio de 2013
O que diz Tarkovski #2
"Na minha infância, a minha mãe sugeriu que lesse o livro 'Guerra e Paz' de Tolstoi e, durante muitos anos, ela citou frequentemente o romance, chamando-me a atenção para a subtileza e as particularidades da prosa do escritor russo. Desse modo, 'Guerra e Paz' tornou-se para mim uma espécie de escola de arte, um critério de gosto e profundidade artística; depois desse livro, nunca mais consegui ler porcarias, que sempre me causaram profundo desagrado."
Sexta-feira, 10 de Maio de 2013
O blues de Hugh Laurie
Hugh Laurie ficou mundialmente conhecido por interpretar o Dr. House na série de sucesso com o mesmo nome. Porém, Hugh Laurie não é apenas um carismático actor, é também um talentoso músico de blues. Há dois anos editou um promissor álbum de estreia intitulado "Let Them Talk".
Agora acaba de lançar o segundo disco de nome "Didn't It Rain". É um disco de homenagem ao blues de Nova Orleães, com referências directas a alguns mestres deste género musical (entre temas originais e versões de "standards").
Já tive a oportunidade de ouvir o álbum na íntegra (pode ser ouvido aqui) e confirma-se o brilhantismo do actor-agora-músico: Hugh Laurie tem uma voz que encarna o verdadeiro espírito do blues, toca exemplarmente bem guitarra e piano e faz-se rodear de músicos de primeira categoria. E tem canções irresistíveis de expressivo feeling blues.
Como aperitivo, eis um videoclip quase em registo de curta-metragem:
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10.5.13
Quarta-feira, 8 de Maio de 2013
No mundo do cinema
Certo dia Federico Fellini proferiu esta afirmação:
"Cinema-verdade? Prefiro muito mais o cinema-mentira. É que a mentira é sempre mais interessante do que a verdade."
- O mal é sempre mais interessante do que o bem;
- A guerra é sempre mais interessante do que a paz;
- A sensualidade insinuante é sempre mais interessante do que o explícito;
- A violência é sempre mais interessante do que pacatez;
- O sonho é sempre mais interessante do que a realidade;
- O pesadelo perturbador é sempre mais interessante do que o sonho idílico;
- A corrupção é sempre mais interessante do que a honestidade;
- O medo é sempre mais interessante do que a coragem;
- O amor é sempre mais interessante do que a morte;
- O terror é sempre mais interessante do que a comédia;
- A melancolia é sempre mais interessante do que a felicidade;
- A pobreza é sempre mais interessante do que a riqueza;
- O silêncio é sempre mais interessante do que o ruído;
- A tragédia é sempre mais interessante do que a alegria;
- A traição é sempre mais interessante do que a lealdade;
- A vingança é sempre mais interessante do que resignação.
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8.5.13
Terça-feira, 7 de Maio de 2013
A morte de Ray
Hoje morreu, aos 92 anos, um dos grandes mestres - ainda que pouco conhecido das massas - do cinema mundial: Ray Harryhausen.
O chamado pai dos efeitos especiais e artista maior da animação "stop-motion" (que tanto influenciou Tim Burton), Harryhausen foi responsável por uma autêntica revolução na arte dos efeitos especiais, dando vida a esqueletos guerreiros, serpentes gigantes ou monstros imaginários em filmes dos anos 40 a 70.
Quando estive em Londres no verão passado, visitei o magnífico London Film Museum no qual estava patente uma grande ala dedicada à obra de Ray Harryhausen (que o próprio inaugurou - ver aqui).
Nessa exposição, intitulada "Myths & Legends", pude ver maquetas utilizadas por Harryhausen em filmes de ficção científica, fotografias de rodagem, modelos de bonecos, storyboards, técnicas de animação, etc.
Estas são as fotografias que tirei nessa exposição temporária do museu:
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7.5.13
Segunda-feira, 6 de Maio de 2013
Scorsese e o storyboard
Martin Scorsese atribui muita importância ao storyboard (desenhos que antecipam as cenas captadas pela câmara), ao contrário de outros realizadores, como Werber Herzog, que rejeita simplesmente a ideia de o utilizar.
É o próprio cineasta norte-americano que explica que o storyboard expressa a forma como ele pretende comunicar. Para compreender a importância que esta técnica tem para Scorsese, basta visualizar esta sequência do filme "Taxi Driver", em que podemos comprovar que a realização seguiu, praticamente à risca, os desenhos do storyboard:
É o próprio cineasta norte-americano que explica que o storyboard expressa a forma como ele pretende comunicar. Para compreender a importância que esta técnica tem para Scorsese, basta visualizar esta sequência do filme "Taxi Driver", em que podemos comprovar que a realização seguiu, praticamente à risca, os desenhos do storyboard:
Não pensar, não existir, só assistir
Hoje fui surpreendido por um graffiti numa parede da minha cidade. É um graffiti tão simples mas inteligente e que transmite uma imensa verdade: hoje a televisão é sobretudo um veículo comunicacional que potencia o embrutecimento da população (já o referi várias vezes neste blogue, aliás). À frente do televisor o indivíduo deixa de ter "existência" própria e age consoante a ditadura da informação e do entretenimento que são veiculados pela "caixa mágica". Isto é, através de uma lavagem cerebral mais ou menos oculta, deixa de "pensar" e assume um papel totalmente submisso e passivo ("só assisto"). E quando falo em pensar, falo em pensar de forma crítica e racional.
A televisão é um instrumento que estupidifica, que se submete ao controlo dos grandes grupos económicos e se rege unicamente pela ditadura das audiências, produzindo cada vez mais lixo, cada vez mais conteúdos fúteis e supérfluos. Ver televisão é cada vez mais uma actividade boçal e de total perda de tempo.
Isto leva-me a pensar no magnífico - e premonitório - filme "Eles Vivem" (1988) de John Carpenter. Filme em que todos os meios de comunicação social eram dominados por extraterrestres que mantinham a aparência de um mundo real quando, na realidade, o que existia era um conjunto de ordens subliminares para a população "obedecer", "não protestar", "consumir", "ver televisão", "não pensar", "dormir"... A verdadeira realidade, tenebrosa e refém de interesses iníquos, só podia ser contemplada com uns óculos especiais...
Voltando ao graffiti e contrariando a sua mensagem: devemos cada vez mais "pensar" (criticamente e pelas nossas próprias cabeças), cada vez mais "existir" (em conformidade com os tempos actuais) e cada vez menos "assistir" (passivamente, sem reacção).
Voltando ao graffiti e contrariando a sua mensagem: devemos cada vez mais "pensar" (criticamente e pelas nossas próprias cabeças), cada vez mais "existir" (em conformidade com os tempos actuais) e cada vez menos "assistir" (passivamente, sem reacção).
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6.5.13
Sexta-feira, 3 de Maio de 2013
Elogio de Tarkovski
O realizador experimental Stan Brakhage elogiou um dia o cineasta russo Andrei Tarkovski pelos seus filmes a três níveis:
1) Por contar as lendas épicas das "tribos do mundo".
2) Manter a sua obra pessoal, alcançando a verdade por esse caminho.
3) Fazer um trabalho de sonho que ilumina as fronteiras do inconsciente.
Quando disse isto, Stan Brahkage tinha em mente o filme "O Espelho" (na imagem), que considerava um exemplo impressionante e dominador desta tripla premissa. Para Brakhage, esta obra de Tarkovski era, ao mesmo tempo, textura e aura, sensibilidade e confissão íntima, chamamento histórico e poema críptico.
E não é preciso dizer mais nada...
Quando disse isto, Stan Brahkage tinha em mente o filme "O Espelho" (na imagem), que considerava um exemplo impressionante e dominador desta tripla premissa. Para Brakhage, esta obra de Tarkovski era, ao mesmo tempo, textura e aura, sensibilidade e confissão íntima, chamamento histórico e poema críptico.
E não é preciso dizer mais nada...
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3.5.13
Quinta-feira, 2 de Maio de 2013
Lars e o poster
Poster do novo filme de Lars Von Trier: minimalista e enigmático, como de resto é apanágio do seu cinema.
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2.5.13
Quarta-feira, 1 de Maio de 2013
O prazer (ou não) de rever filmes

João Bénard da Costa, saudoso ex-director da Cinemateca Nacional, disse um dia que o filme que mais “amava” e que mais vezes tinha visto na vida era “Johnny Guitar” (1954) de Nicholas Ray. Bénard da Costa viu este western 60 vezes (!). Sessenta visionamentos de mesmo filme, ao longo de uma vida. Pode parecer um exagero, mas o ex-director da Cinemateca defendia que, a cada novo visionamento, descobria pormenores novos.
Mais: conforme a idade com que via o filme, a disposição mental ou as circunstâncias mais diversas, “Johnny Guitar” parecia-lhe sempre um filme “novo”. Também lhe dava especial prazer - à força de tanto ver o filme – saber os diálogos de cor e citá-los à mesa do café com os amigos.
Mais: conforme a idade com que via o filme, a disposição mental ou as circunstâncias mais diversas, “Johnny Guitar” parecia-lhe sempre um filme “novo”. Também lhe dava especial prazer - à força de tanto ver o filme – saber os diálogos de cor e citá-los à mesa do café com os amigos.
Não tenho a certeza, mas creio que o filme que já vi mais vezes foi o “The Shining” do Kubrick (ou o “Psico” do Hitchcock). Vi-o umas 7 ou 8 vezes. E na verdade nunca me cansei nem julgo que me cansarei a cada novo visionamento. Já outros filmes não resistem a um segundo visionamento, quanto mais ao quinto ou ao décimo quarto.


Há quem tenha reservas em rever um filme porque “já foi visto”. Mas tenho para mim que um bom filme deve e pode rever-se sempre quando necessitemos de o rever (com a disposição mental da primeira vez, sem reservas ou preconceitos), da mesma forma como se deve reler um bom livro dezenas de vezes ou ouvir uma música que já ouvimos centenas de vezes. A experiência é sempre diferente. Nem que seja um pouquinho diferente. O prazer estético que se retira desta fruição repetitiva é sempre positivo e enriquecedor, e não ofusca ou prejudica o prazer de descobrir objectos artísticos novos. Um prazer complementa o outro.
Já agora, como só vi o “Johnny Guitar” uma vez, vou aproveitar para vê-lo outra vez. Se gostar da experiência, talvez consiga igualar (ou superar) o record de visionamento de João Bénard da Costa.
Já agora, como só vi o “Johnny Guitar” uma vez, vou aproveitar para vê-lo outra vez. Se gostar da experiência, talvez consiga igualar (ou superar) o record de visionamento de João Bénard da Costa.
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1.5.13
Segunda-feira, 29 de Abril de 2013
Waits na objectiva de Corbijn
Uma excelente novidade para quem gosta do músico Tom Waits ou do fotógrafo (e realizador) Anton Corbijn. Ou então para quem gosta de ambos, como é o meu caso: vai ser editado dentro de uma semana um fantástico álbum de fotografias com 200 páginas contendo fotografias de Tom Waits tiradas por Anton Corbijn (autor do filme "Control" sobre os Joy Division).
As fotografias, todas as preto e branco como é marca estética de Corbijn, retratam mais de três décadas de relação (1977 - 2011), resultando agora neste precioso livro limitado a apenas 6.600 cópias. Mais: tem prefácio do realizador Jim Jarmusch, amigo de Waits e de Corbijn.
O problema neste tipo de edições de coleccionador é o preço: nos EUA, via Amazon, custa 179 Dólares.
Domingo, 28 de Abril de 2013
As 42 palavras de Bowie
Segundo esta notícia, David Bowie aceitou o desafio de escolher um conjunto de palavras que definissem o seu novo álbum "The Next Day". Bowie surpreendeu e enviou mesmo ao jornalista 42 palavras que, segundo o músico, "ajudam" a compreender o conceito por detrás do seu novo trabalho.
Agora ficará ao critério de cada um tentar interpretar e relacionar - segundo os conhecimentos de semiótica de cada um - este conjunto de palavras à luz da música de David Bowie:
Agora ficará ao critério de cada um tentar interpretar e relacionar - segundo os conhecimentos de semiótica de cada um - este conjunto de palavras à luz da música de David Bowie:
Efígies
Indulgências
AnarquistaViolência
Ctónico
Intimidação
Vampírico
Panteão
Súcubo
Refém
Transferência
Identidade
Mauer
Interface
Esvoaçando
Isolamento
Vingança
Osmose
Cruzada
Tirano
Dominação
Indiferença
Miasma
Pressgang
Deslocado
Vôo
Restabelecimento
Fúnebre
Deslizar
Traço
Balkan
Enterro
Reverter
Manipular
Origem
Texto
Traidor
Urbano
Réplica
Trágico
Nervo
Mistificação
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28.4.13
Sábado, 27 de Abril de 2013
Os preferidos de Kubrick
A meio dos anos 1970, um jornalista perguntou a Stanley Kubrick quais os seus filmes preferidos de sempre. Eis as escolhas do cineasta:
- "Morangos Silvestres" (1958) - Ingmar Bergman
- "Citizen Kane" (1941) - Orson Welles
- "O Tesouro de Sierra Madre" (1948) - John Huston
- "Luzes da Cidade" (1931) - Charlie Chaplin
- "Henrique V" (1948) - Lawrence Olivier
- "A Noite" (1961) - Michelangelo Antonioni
- "The Bank Dick" (1940) - Edward Cline
- "Roxie Hart" (1942) - William Wellman
- "Os Anjos do Inferno" (1939) - Howard Hughes
Sexta-feira, 26 de Abril de 2013
Cinemateca a definhar
O drama da falta de apoio à cultura continua em Portugal. Neste caso, a Cinemateca Portuguesa (Lisboa), verdadeira instituição de utilidade pública e espaço de preservação da memória e difusão da história do cinema, debate-se com graves problemas financeiros que põem em causa toda a sua estrutura e função (no fundo, este é um caso paradigmático que comprova o estado geral da cultura e das artes em Portugal).
Desde há meses que os cortes do Estado têm condicionado de forma directa a acção da Cinemateca, como a suspensão da publicação da programação, a redução de exibições diárias e a não legendagem electrónica dos filmes.
Agora são os ciclos temáticos que são afectados, facto que deteriora gravemente a qualidade do serviço prestado por esta instituição. Basta ler o pragmático comunicado da própria Cinemateca para ficar a conhecer a situação deveras periclitante com que se debate a Cinemateca:
"Por falta de dinheiro, a Cinemateca Portuguesa suspendeu os ciclos de cinema para o mês de maio. A direcção da Cinemateca afirma não poder assumir compromissos financeiros com a importação de filmes e legendagem. A falta de receitas foi agravada por causa da acentuada quebra na publicidade que fez baixar a taxa cobrada às televisões. Se não houver um reforço das receitas a direcção da Cinemateca diz que não vai poder assumir encargos com o aluguer, transporte ou legendagem dos filme."
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26.4.13
Quarta-feira, 24 de Abril de 2013
12 Estreias numa semana?!
Li hoje um artigo na imprensa espanhola que dá conta que o último fim-de-semana foi o pior (repito: o pior) de sempre em termos de bilheteira nas salas de cinema. Já por diversas vezes dei aqui conta que a crise e outros factores estão a afastar os espectadores das salas de cinema e que Espanha é um dos países onde mais se faz sentir a queda brutal de receitas.
O artigo enumera três causas principais para este descalabro: a crise económica, o excesso de centros comerciais com salas de cinema com programação comercial e, por fim, o número exorbitante e desproporcional de estreias por semana (outro aspecto negativo de que já escrevi também). Para se ter uma ideia, em Portugal estreiam, em média por semana, 6 a 8 filmes; em Espanha, a média são 10, e a última semana foram estreados 12 (doze!) filmes! Como é óbvio, é uma oferta completamente descabida e que só pode provocar salas vazias (com a inevitável concorrência da internet a ajudar).
Torna-se urgente redimensionar o mercado de distribuição de cinema para que este não morra de vez.
Torna-se urgente redimensionar o mercado de distribuição de cinema para que este não morra de vez.
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24.4.13
Terça-feira, 23 de Abril de 2013
O que diz Tarkovski #1
"Buñuel é, sobretudo, portador de uma consciência poética. Ele sabe que a estrutura estética não necessita de manifestos, e que a força da arte não se encontra aí, mas sim no poder de persuasão, naquela força vital única a que se referia Gogol. E há que salientar que a obra de Buñuel está profundamente enraizada na cultura clásica espanhola. É impossível pensar nele sem o seu vínculo inspirado com Cervantes e El Greco, Lorca e Picasso, Salvador Dalí e Arrabal."
Segunda-feira, 22 de Abril de 2013
Domingo, 21 de Abril de 2013
Mastroianni e Oliveira
Na autobriografia "Eu Lembro-me, Sim, Bem Me Lembro" de Marcello Mastroianni, o actor italiano divaga sobre as suas incríveis aventuras (na vida e no cinema) com actores, actrizes, e realizadores como Fellini, Marco Ferreri ou o português Manoel de Oliveira.
Quando Mastroianni veio em 1996 a Portugal realizar o filme "Viagem ao Princípio do Mundo" de Manoel Oliveira, nunca imaginaria que seria o seu último filme em 50 anos de carreira (morreu pouco depois de participar no filme).
Na altura, Mastroianni tinha 72 anos e Oliveira 88 anos. No livro que mencionei, eis o que Mastroianni escreve sobre Oliveira pouco antes do início da rodagem do filme:
Na altura, Mastroianni tinha 72 anos e Oliveira 88 anos. No livro que mencionei, eis o que Mastroianni escreve sobre Oliveira pouco antes do início da rodagem do filme:
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"Manoel de Oliveira tem 88 anos. Nunca vi os filmes dele, mas conheço-e de nome, é um papa do cinema internacional. Achei a ideia de trabalhar com um realizador de 88 ano um privilégio. Trabalhar com um homem de trinta ou trinta e cinco anos é normal. Mas digo: oitenta e oito anos! Chega a ser irritante ver a sua energia. De manhã à 8h já está na piscina a tomar banho, e faz frio!"
Sábado, 20 de Abril de 2013
A loja dos suicídios
Fixem este filme: "A Pequena Loja dos Suicídios" ("Le Magasin des Suicides", 2012).
Trata-se de um dos melhores filmes de animação que vi nos últimos anos. É a primeira experiência na animação do consagrado cineasta francês Patrice Leconte, estreou no último Festival de Cannes e irá estrear em breve em Portugal.
"A Pequena Loja dos Suicídios" é baseado num livro homónimo do escritor francês Jean Teulé e revela-se de uma comédia musical negra sobre uma cidade tão triste, deprimida e desesperada que os cidadãos (e até os animais) se suicidam de forma quotidiana. Para tal, muito contribui uma loja que vende todo o tipo de material e instrumentos facilitadores do acto suicida (cordas para enforcamento, venenos, armas, etc). O filme está brilhantemente bem realizado, tem personagens icónicas e todo o ambiente e a história fazem lembrar o universo macabro de Tim Burton (até na referência à música de Danny Elfman, aqui da autoria do compositor francês Étienne Perruchon - ouvir aqui uma excelente canção de introdução à excêntrica família Tuvache que gere a loja dos suicídios).
O filme destila um humor bastante negro e absurdo, mais vocacionado para os adultos do que para as crianças (a ideia de que o cinema de animação é só para público infanto-juvenil é um dogma que tem de ser desfeito). E tal como o realizador Leconte explicou numa entrevista, "A Pequena Loja dos Suicídios" é uma metáfora da sociedade actual que tem como pano de fundo a crise económica, o desespero da incerteza do futuro, a angústia existencial e a ausência de valores. Tudo isto é abordado nesta brilhante animação com inteligência e criatividade.
A animação francesa a marcar pontos, portanto.
Eis o trailer:
Eis o trailer:
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20.4.13
Quinta-feira, 18 de Abril de 2013
Perguntas retóricas


Custa a crer que seja uma história verídica.
Seja verídica ou não, tem a sua piada: um dia, nos anos 40 do século passado, o realizador Howard Hawks convidou para uma caçada o escritor William Faulkner (prémio Nobel da Literatura) e o actor Clark Gable (imortalizado no papel do galã Rhett Butler em "E Tudo o Vento Levou").
Para fazer conversa, o actor - que nunca lera um livro na vida - perguntou:
- "Ah, então escreve, senhor Faulkner?". O escritor, que raramente ia ao cinema, admitiu:
- "Sim. E o senhor faz o quê?"
Seja verídica ou não, tem a sua piada: um dia, nos anos 40 do século passado, o realizador Howard Hawks convidou para uma caçada o escritor William Faulkner (prémio Nobel da Literatura) e o actor Clark Gable (imortalizado no papel do galã Rhett Butler em "E Tudo o Vento Levou").
Para fazer conversa, o actor - que nunca lera um livro na vida - perguntou:
- "Ah, então escreve, senhor Faulkner?". O escritor, que raramente ia ao cinema, admitiu:
- "Sim. E o senhor faz o quê?"
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18.4.13
Quarta-feira, 17 de Abril de 2013
As memórias de William Friedkin
É de celebrar a edição de livros escritos por realizadores ainda vivos. Ou seja, autobiografias. Ao longo dos anos, li duas autobiografias que me marcaram bastante: a de Chaplin e a de Buñuel. Hoje em dia é raro haver um realizador que escreva as suas memórias, mais a mais, um realizador com uma carreira sólida e respeitada.
Por isso é de louvar o lançamento (hoje mesmo!) internacional (via Amazon) da autobriografia de um dos grandes cineastas norte-americanos das últimas décadas: William Friedkin (tem agora 77 anos). Apesar da carreira algo irregular e pouco sistemática no tempo, Friedkin foi o responsável por alguns dos mais emblemáticos filmes da década dourada da nova geração de cineastas americanos (1970): "The French Connection" (1971) e "O Exorcista" (1973); e na década de 1980: "Viver e Morrer em Los Angeles" (1985) e "Rampage" (1987).
Nos anos 90 andou mais parado (realizou uma adaptação para televisão do clássico "12 Angry Men" de Sidney Lumet) e regressou em força ao cinema em 2007 com o perturbador "Bug" (que já falei no blogue) e, mais recentemente (ainda sem estreia comercial em Portugal), com a controversa comédia (negríssima) "Killer Joe" (2011).
Hoje tive conhecimento que William Friedkin acaba de lançar as suas memórias em livro e, segundo a crítica, parece tratar-se de um belíssimo testemunho sobre a vida e a carreira deste tão singular (e por vezes esquecido) cineasta americano.
Agora a pergunta sacramental: e para quando uma edição portuguesa?
Terça-feira, 16 de Abril de 2013
Godard dixit

"Julgo que não devemos sentir nada em relação a um filme. Devemos sentir em relação a uma mulher, não em relação a um filme. Não podemos beijar um filme."
"Tenho pena do cinema francês porque não tem dinheiro. Tenho pena do cinema americano porque não tem ideias."
"Penso que um filme deve ter um princípio, um meio e um fim, mas não necessariamente por esta ordem."
"Tudo o que é preciso para fazer um bom filme é ter uma pistola e uma rapariga bonita."
"A fotografia é verdade. E o cinema é a verdade vinte e quatro vezes por segundo."
"O cinema é a fraude mais bela do mundo."
Jean-Luc Godard
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16.4.13
Pfeiffer sedutora
Saudades de ver a Michelle Pfeiffer a cantar, sedutora e bela, em cima do piano no filme "Os Fabulosos Irmãos Baker" (1989):
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16.4.13
Segunda-feira, 15 de Abril de 2013
Domingo, 14 de Abril de 2013
Um disco-missil
Há discos que ouvimos e que funcionam como mísseis directos à cabeça. Reduzem a cinzas tudo o que se conhecia e criam todo um novo mundo aos nossos olhos e ouvidos. Foi o que me aconteceu, quando tinha apenas 16 anos, e ouvi pela primeira vez o primeiro álbum dos The Jesus and Mary Chain, "Psychocandy":
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14.4.13
Um documentário original
Li no semanário Expresso sobre este documentário que irá ser exibido no festival de cinema IndieLisboa. Chama-se "Leviathan" e retrata a pesca comercial no Atlântico Norte. Está filmado com câmaras digitais GoPro (à prova de água) e que permitem ângulos e planos nada convencionais.
Trata-se de um documentário que tem recebido os maiores elogios da crítica pela forma original como está filmado, pela extraordinária sonoplastia e pelo conteúdo duro e drástico.
O trailer deixa antever, de facto, um documentário deveras singular:
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14.4.13
Sexta-feira, 12 de Abril de 2013
Originalidade
"John acorda enterrado no meio da floresta sem memória de como foi parar lá. Perseguido por um psicopata, ele deve lutar contra o tempo para encontrar e salvar sua família."
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Pode parecer mentira, mas este é mais um originalíssimo argumento de um filme ("Modus Anomali") em 2013.
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12.4.13
Quinta-feira, 11 de Abril de 2013
Filmes brasileiros online
Para os portugueses e, porventura, para a grande parte do mundo, a cinematografia brasileira é ainda uma espécie de segredo bem guardado. Tirando alguns nomes mais sonantes que fizeram história e alguns filmes dos últimos anos que tiveram muita projecção mediática, a verdade é que se conhece pouco do cinema do Brasil. Em Portugal as estreias comerciais em sala são praticamente inexistentes, restando os festivais de cinema, o mercado DVD e os canais de televisão por cabo.
Ah, e resta também a abençoada Internet! E porquê? Porque este exacto link dá acesso a - nem mais nem menos - do que a 169 filmes brasileiros completos para ver online. Filmes de várias décadas, clássicos e raros, e de muitos realizadores distintos, dos mais conceituados aos novatos.
Uma bela oportunidade para conhecer a Sétima Arte brasileira, até para os leitores brasileiros deste blogue.
Uma bela oportunidade para conhecer a Sétima Arte brasileira, até para os leitores brasileiros deste blogue.
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11.4.13
Quarta-feira, 10 de Abril de 2013
O que o filme diz de si
A revista Sábado gosta de publicar, de quando em vez, artigos sobre temática cinematográfica. Os artigos têm quase sempre pouca profundidade e ficam-se mais pelo lado da curiosidade histórica. Nada contra. Um cinéfilo não vive apenas de artigos eruditos e académicos.
A propósito desta tendência, a Sábado publicou uma curiosa secção na qual tenta relacionar o tipo de filmes que um indivíduo vê (ou gosta) com a sua própria personalidade.
"O Que o Seu Filme Preferido Diz de Si", é o título desta rubrica assinada pelo psicólogo Nuno Amado. Longe de se tratar de um estudo académico, não deixa por isso de ser uma análise interessante, divertida e com alguma coerência.
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Por exemplo, se o seu filme preferido é o clássico "Casablanca" de Michael Curtiz, eis o que (supostamente) o filme significa e o que "diz de si":
"Quem gosta do 'Casablanca' pode revelar alguma tendência para a melancolia. A identificação com este filme mostra uma visão do mundo como belo mas trágico. O que melhor se pode fazer é suspirar e, se possível, fumar com melancolia. Fumar como se cada cigarro dissesse: “Pois, este mundo está mesmo de pernas para o ar, isto vai mesmo tudo pelo cano abaixo, não há salvação possível. Mas, diabos me levem se eu não fumo este cigarro como se me fosse indiferente que o mundo acabasse hoje!”
Não é incomum que os adeptos deste filme sejam nostálgicos, sendo frequente que se ponham a olhar para o vazio lembrando tempos melhores. Alguns fazem-no já na infância lembrando com saudades a barriga da mãe."
Os outros filme analisados são "Cinema Paraíso", "Matrix", "O Sétimo Selo" e "Twilight".
Ver neste Link.
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10.4.13
"Kon-Tiki"
"Kon-Tiki" foi o filme norueguês candidato ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro na edição 2012 dos Óscares. Trata-se de um magnífico filme sobre a expedição "Kon-Tiki" de 1947 levada a cabo pelo eantropólogo Thor Heyerdahl e mais cinco homens, no intuito de tentar provar que os moradores da América do Sul poderiam ter ocupado a Polinésia em épocas pré-colombianas. Para isso, Thor construiu uma balsa com as técnicas e materiais da época e partiu numa aventura de quatro meses através do perigoso Pacífico.
Em 1947, Thor filmou esta aventura que resultaria num documentário que pode ser visto aqui.
Por sua vez, em 2012, o realizador norueguês Espen Sandberg filmou um filme de ficção baseado nos factos verídicos ocorridos antes, durante e após a famosa expedição.
"Kon-Tiki" é, por isso, um filme altamente recomendável pela forma como expressa a força do espírito humano perante as maiores adversidades.
Trailer.
"Kon-Tiki" é, por isso, um filme altamente recomendável pela forma como expressa a força do espírito humano perante as maiores adversidades.
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O Homem Que Sabia Demasiado
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10.4.13
Segunda-feira, 8 de Abril de 2013
Um milhão
Não sei se isto é um dado importante ou relevante por aí além: apenas me limito a constatar este facto: este blog ultrapassou hoje o milhão de visualizações de páginas (pageviews) ao fim de 5 anos e meio de actividade. Ok.
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8.4.13
Domingo, 7 de Abril de 2013
"Cultura de celebridades"

"Penso que há muitos jovens realizadores que só o querem ser porque querem ser estrelas rock. Isso é parte do problema da cultura de celebridades. Os melhores cineastas estão lá (na indústria) porque têm algo para dizer através do cinema. Há 20 anos não o diria porque os jovens de então tinham o cinema como um meio de expressão, mas agora por causa da cultura de celebridades isso é um problema."
David Cronenberg
Sexta-feira, 5 de Abril de 2013
Documentário explica "The Shining"
"The Shining" é, juntamente com "2001: Odisseia no Espaço", o filme mais enigmático e fascinante da filmografia de Stanley Kubrick. Isto porque o filme interpretado por Jack Nicholson é um manancial de enigmas e de significados (considerados) ocultos. Aliás, este é talvez o filme de Kubrick que mais teorias de explicação tem suscitado desde que estreou há 30 anos. Há versões e teorias para todos os gostos, até uma teoria delirante que defende que todo o filme "The Shining" representa uma mensagem subliminar sobre a conspiração da viagem do homem à Lua (segundo a qual teria sido Kubrick a filmar e a encenar a ida do homem à Lua - pode ser visto neste link).
De uma forma mais séria, para tentar dar resposta ao mistério que é "The Shining", o realizador Rodney Ascher realizou o documentário "Room 237", que é estruturado em 9 secções, cada uma relacionada com um aspecto determinado do filme e com depoimentos de especialistas e simples fãs obcecados com o filme. O trailer do documentário é brilhante na sua concepção minimalista e visual (a música também é excelente).
O documentário pode ser visto online (versão original) aqui.
O documentário pode ser visto online (versão original) aqui.
Quinta-feira, 4 de Abril de 2013
Quarta-feira, 3 de Abril de 2013
Um filme para os tempos de hoje
Vivemos um tempo histórico que parece manipulado e dirigido pelos grandes grupos de interesses (económicos e políticos) à escala global. Um tempo de profundo descrédito das instituições que julgamos defenderem os interesses da sociedade e do indivíduo. Um tempo de paranóia informativa, de puro desnorte de valores válidos. Estes pensamentos trouxeram-me à memória um filme. Um filme que, de forma arrasadora, aborda todos estes assuntos.
Falo de "Bug", do realizador William Friedkin, película que passou ao lado de muita gente quando estreou em Portugal, em Julho de 2007 (o Verão não é altura propícia para se dar atenção a este tipo de filmes).
Do mesmo realizador do essencial thriller dos anos 70 "Os Incorruptíveis Contra a Droga" (1971) e um dos mais assustadores filmes de terror de sempre, "O Exorcista" (1973), "Bug" é um filme-catarse dos traumas reminiscentes do pós-11 de Setembro. Um filme sobre as conspirações do Estado sobre o indivíduo, sobre a crescente loucura que se apodera do homem quando este se sente ameaçado pelo medo e pelo desespero. Ou seja, um olhar sobre a influência nefasta que a crise económica e suas convulsões provocam na mente de um homem.
A história decorre numa contenção rara de recursos - um cenário de hotel decrépito e 4 personagens - o argumento é baseado numa peça de teatro de sucesso e tem um fabuloso Michael Shannon como actor principal.
Paranóia, viagem aos abismos negros dos fantasmas interiores, claustrofobia psicológica, metáfora política em jeito de pesadelo kafkiano num filme portentoso capaz de colocar em causa toda a ideia de segurança humana, social e política contemporânea com múltiplas camadas de leitura.
"Bug" é, por isso, um filme cada vez mais actual para a sociedade em que vivemos.
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O Homem Que Sabia Demasiado
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3.4.13
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