domingo, 21 de Setembro de 2014

A inspiração de Jackson Pollock

Bela curta-metragem de animação sobre o tema da inspiração na arte tendo como protagonista o pintor expressionista abstracto, Jackson Pollock.

sexta-feira, 19 de Setembro de 2014

Tarkovsky: pai e filho

A relação e influência que a poesia de Arsenii Tartkovsky teve junto do seu filho realizador Andrei. Livro sobre poesia e cinema, duas artes maiores e centrais no universo tarkovskiano, numa edição acabada de editar e à venda na Amazon. 
Imperdível.


A propósito da poesia de Arseni Tarkovsky, descobri uma entrevista realizada pelo jornal espanhol ABC (2002) à irmã do cineasta russo, Marina Tarkovskaia, na qual aborda a poesia do pai e a relação com os filmes do irmão. Nas duas perguntas sobre a poesia do pai e a sua relação com a arte cinematográfica do irmão, Marina diz isto:

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Desconhecia a poesia do seu pai. Pode falar-me dela?
Marina Tarkovskaia: Desde pequeno, Andrei e eu conhecíamos a poesia do meu pai, ainda que no regime soviético não se podia publicar os seus poemas porque ele não elogiava o partido Comunista nem Estaline. O seu primeiro livro devia ter sido publicado depois da segunda Grande Guerra mas quando já estava pronto, o Partido Comunista proibiu a sua edição. Só em 1962, quando tinha 55 anos, o meu pai conseguiu editar um livro. Chamava-se "Antes Que a neve Caia". O curioso é que nesse mesmo ano o meu irmão Andrei ganhou em Veneza com "A Infância de Ivan". Comecei a a conhecer mais a fundo a sua poesia mais tarde, quando compreendi que era um grande poeta.

Quais são os principais temas poéticos que aborda o seu pai?
Marina Tarkovskaia: Os mesmos temas que o Andrei abordava nos seus filmes. Os mundos criativos dos dois estão entrecruzados ao longo dos anos. Não é nenhuma surpresa se a poesia do meu pai está incluída nos filmes do meu irmão, como é o caso de "Stalker", "Nostalgia" e "O Espelho". O tema central destes filmes é o conhecimento de si mesmo. O meu pai tem poemas muito belos que falam de patriotas e de patriotismo, mas não no sentido social e propagandístico na velha tradição da União Soviética, mas numa perspectiva cultural

quarta-feira, 17 de Setembro de 2014

Woody e eu

Ao longo da minha vida, várias vezes as pessoas me disseram que era parecido com o Woody Allen. Tirei a prova dos nove e fiz um teste fotográfico para testar as parecenças físicas:

terça-feira, 16 de Setembro de 2014

Reagan e Charlie Parker?

O Pedro Mexia conta no seu último livro de crónicas, "Lei Seca", um episódio delicioso com o Tom Waits como protagonista: numa entrevista ao jornal "Observer", em 1984, tentaram pôr Tom Waits a comentar assuntos políticos, coisa que ele não aprecia. 
A resposta de Waits foi lacónica e desarmante: "Nunca pediriam a Ronald Reagan uma opinião sobre Charlie Parker, pois não?"

domingo, 14 de Setembro de 2014

Já não há tempo nem paciência


Quando era novo tinha tempo para tudo. Não havia internet nem gadgets electrónicos. Nesse tempo, escrevia e recebia centenas de cartas com pessoas que partilhavam os mesmos interesses que eu: música, cinema e artes. Lia muito e via muitos filmes. E sempre me dediquei aos estudos. Aos 17, 18, 20 anos, ia ao cinema ver tudo: filmes bons, razoáveis e maus (era uma sofreguidão). Só em contacto com experiências artísticas boas e más é que formei o meu gosto cultural. E conversas, muitas conversas de partilha de conhecimento com amigos mais velhos e sabedores. Repito: num tempo sem internet.

Mas agora tenho 45 anos. E sinto que já não tenho tempo, nem paciência, para conhecer objectos culturais e artísticos superficiais que a sociedade de consumo nos impinge diariamente. Só tenho tempo para fruir o que é realmente muito bom. Ou, pelo menos, bom. Estou cada vez mais selectivo no que consumo culturalmente. Isto é, já não perco tempo a ver filmes que sei que, à partida, são fracassos ou medíocres. Nem ler livros que não sejam realmente muito bons. Ou ouvir discos que não me proporcionem prazer, que me surpreendam ou me inquietem o espírito. 

Ou seja, cheguei a uma fase da minha vida que não arrisco perder tempo com coisas fúteis ou até, minimamente, razoáveis. Numa era de avalanche de informação (e não de conhecimento), de uma oferta de livros nunca vista, de semanas de estreias com 10 filmes, de overdose de música na internet, há que saber distinguir a qualidade (cada vez mais escassa) do puro lixo ou do entretenimento disfarçado de cultura.

Tento concentrar-me no que realmente interessa e exijo o melhor: o grande cinema, a grande música, a grande literatura. Perguntam: e qual é o meu entendimento de "grande cinema", "grande música" e "grande literatura"? Bom, se acompanham há algum tempo este blog acho que já terei deixado algumas pistas. Seja como for, serão sempre aquelas manifestações que eu considero verdadeiramente de grande valor artístico e que estimulam o nosso intelecto e mudam a nossa vida (para melhor).

E é só com isto que eu quero concentrar-me para o resto da minha vida. 

sábado, 13 de Setembro de 2014

Música que se desintegra

Ainda a propósito do 11 de Setembro - este vídeo deve ser dos mais simples e belos momentos de homenagem aos mortos da tragédia: o compositor americano William Basinski filmou num único plano fixo, a partir do terraço do seu apartamento de Brooklyn, a enorme coluna de fumo proveniente dos destroços da torres gémeas. E filmou esta cena rigorosamente até o fumo ser obscurecido pelo anoitecer desse primeiro dia de horror.

Para musicar esta sequência filmada, Basinski utilizou as suas peças "Desintegration Loops" (são quatro peças), nas quais parece ouvir-se uma espécie de orquestra onírica e lânguida a desintegrar-se suavemente em câmara lenta. É uma banda sonora perfeita para o processo lento do fumo e do escurecimento do dia, como que servindo de elegia lírica e imortal à tragédia que assolou a América.
 

terça-feira, 9 de Setembro de 2014

Hopper Now

"Apocalypse Now" foi dos filmes que mais me impressionou enquanto jovem espectador.  Sobre esse efeito que teve em mim já o referi neste post.
O que queria realçar é que das coisas que mais me impressionaram na obra-prima de Coppola - para além da história e da realização - foram as notáveis interpretações de Martin Sheen, Robert Duvall e Marlon Brando.
Mas a verdade é que há uma tendência para esquecer essa espantosa performance do "louco" fotógrafo interpretada pelo grande Dennis Hopper (ele que na vida real também foi um talentoso fotógrafo). Uma interpretação que surge apenas no último terço do filme mas que impressiona pela sua exuberância, energia e contundência. 
Hopper é um elemento que dá mais substância à loucura da guerra do Vietnam, complementando os delírios do inesquecível Coronel Kurtz (Marlon Brando).

segunda-feira, 8 de Setembro de 2014

Cinema: imagens visuais

Como muito bem defende (aqui) o crítico de cinema Mark Cousins, o que faz evoluir a história do cinema é, essencialmente, a associação de ideias visuais. 
Reparem neste exemplo: três imagens de três filmes e épocas muito diferentes demonstram isso mesmo. 

Os filmes são (por ordem):
- "Nymphomaniac" (2013) de Lars Von Trier
- "The Virgin Spring" (1960) de Ingmar Bergman  
- "The Sacrifice" (1986) de Andrei Tarkovski


sábado, 6 de Setembro de 2014

Woody Allen: enquanto espero...

Enquanto não vejo o último filme de Woody Allen, "Magia ao Luar", revi "Midnight in Paris" (2011) e reconfirmei: este filme é uma das melhores obras de Allen dos últimos 10 anos (ok, se somarmos também o fabuloso "Match Point" de 2006 e o mais recente "Blue Jasmine" de 2013).
Uma das melhores cenas - das muitas que o filme contém - é esta com três personagens artísticas históricas da vanguarda surrealista dos anos 1920: Salvador Dalí, Man Ray e Luis Buñuel. Adrien Brody é brilhante na pela de um irreverente Dalí, na forma como fala e nos seus devaneios imaginários.
Os diálogos deste sequência estão ao melhor nível do que Allen nos habituou, assim como a inteligência e a criatividade na forma como faz referências às obras dos próprios artistas, como é o caso do diálogo final entre Pender (Owen Wilson) e Luis Buñuel: aquele diz a este que lhe surgiu uma excelente ideia para um filme: "Um grupo de pessoas estão num jantar muito elegante e no fim do jantar tentam sair da sala mas não podem". Ao que Buñuel pergunta: "Não podem sair porquê?"

Ora, esta referência mais não é do que ao filme "O Anjo Exterminador" que Buñuel realizou em 1962. E não fica por aqui: Pender diz: "Talvez um dia ao barbear-se encontre a resposta". Mais uma referência ao filme surrealista "Un Chien Andalou" (1928) que tem a famosa cena do corte do olho com a lâmina de barbear. É este tipo de diálogos que torna este (como outros do mesmo realizador) filme num belíssimo tratado de escrita para cinema.  

quinta-feira, 4 de Setembro de 2014

Reacções para todos os gostos

Não sou de falsas modéstias: gosto que os meus textos/posts tenham reacções positivas por parte dos leitores. Mas também aprecio quando os mesmos provocam reacções contraditórias. A pluralidade de opiniões é sempre positiva e salutar. 
Como previra, foi o que aconteceu com o post abaixo deste sobre o filme "Os Maias" do João Botelho: um leitor achou este post "Interessante", um outro "Fantástico" e, por fim, um leitor considerou "Desinteressante"

Preparem-se porque estas reacções extremadas vão continuar quando o filme estrear (não só da parte da crítica mas também do público).

quarta-feira, 3 de Setembro de 2014

"Os Maias" no cinema

Depois de uma bem sucedida adaptação ao cinema da difícil obra literária "O Livro do Desassossego" de Fernando Pessoa, o realizador João Botelho arrisca agora ainda mais ao adaptar - segundo consta, com total respeito pelo texto literário - uma das obras maiores da literatura portuguesa: "Os Maias" de Eça de Queirós. 
Pelo trailer, constata-se uma realização segura e uma boa recriação de época (com cenários assumidamente pintados) da Lisboa de final do século XIX. Mas certamente que não será um filme que irá agradar a todos, mas poderá confirmar-se como um marco do cinema português contemporâneo. 
 Estreia no dia 11 de Setembro. 

segunda-feira, 1 de Setembro de 2014

Um musical desconhecido de David Lynch

Lá por me considerar um bom cinéfilo e seguidor da obra, por exemplo, de David Lynch, não quer dizer que conheça tudo o que já criou. Prova do que acabei de dizer (escrever) é que desconhecia por completo um musical de Lynch intitulado "Industrial Symphony Nº1: Dream of The Broken Hearted" (1989). Para minha surpresa, fiquei a saber hoje mesmo.
Trata-se de uma peça teatral-musical concebida quando o realizador filmava "Wild At Heart" nesse mesmo ano. Teve a sua estreia na Brooklyn Academy of Music em 1989 e a sua versão televisiva foi exibida em 1990, o mesmo ano da estreia da série "Twin Peaks".
Este musical, que em nada é um musical convencional (ou não se tratasse de uma obra de Lynch), baseia-se num conjunto de canções (ambiente cool-jazz nocturno) do compositor Angelo Badalamenti (que compôs para "Twin Peaks"), interpretadas por Julie Cruise (que cantou na banda sonora da mesma série). As letras são do próprio David Lynch.
Como seria de esperar, o universo visual e estético deste musical deve muito à criatividade bizarra e surreal que Lynch sempre demonstrou nos seus filmes. Aliás, ao longo da peça, vemos desfilar alguns dos seus actores, como Nicholas Cage e Laura Dern logo no início do musical.

Eis o registo integral de "Industrial Symphony Nº1: Dream of The Broken Hearted":

sábado, 30 de Agosto de 2014

Bio-pics musicais



Martin Scorsese anunciou que se prepara para fazer um filme sobre os Ramones, mítica banda punk.
Neste contexto, gostava de ver a vida dos seguintes músicos em cinema adaptados pelos seguintes realizadores:

- Sun Ra, por Spike Lee.
- Lou Reed (The Velvet Underground), por Steven Soderbergh.
- John Coltrane, por Clint Eastwood.
- Freddy Mercury (Queen), por Anton Corbijn.
- Sex Pistols, por Quentin Tarantino.
- Maria Callas, por Milos Forman.
- John Lee Hooker, por Joel e Ethan Coen.
- Elvis Presley, por Wes Anderson.
(...)

quarta-feira, 27 de Agosto de 2014

"Lucy"

Vi o filme "Lucy" de Luc Besson: medíocre. 
Apesar das estrelas Scarlett Johansson e Morgan Freeman, Besson desbarata uma potencial boa ideia num filme que mistura, de forma atabalhoada, thriller, ficção científica e acção. Mais: a partir da segunda parte da película, "Lucy" envereda por uma toada metafísica à Terrence Malick que só redunda em fracasso.
A história desenrola-se num ambiente de pura ficção científica, mas a história encerra tantas pontas soltas, cenas patéticas e mal resolvidas no filme que até desencoraja vê-lo até ao fim. Seja como for, não deixa de ser um blockbuster de verão de puro entretenimento que se esquece assim que se sai do cinema.
Já agora, só para quem viu o filme, vale a pena ver este trailer de paródia que foi feito sobre "Lucy". Em 4 minutos há mais ideias interessantes do que nos 90 minutos que dura o filme de Luc Besson.

terça-feira, 26 de Agosto de 2014

Fnac: as boas promoções

Talvez fruto da crise, a Fnac tem revelado sentido de oportunidade com uma política de promoções particularmente interessante (como já dei nota aqui várias vezes). É claro que muitos dos produtos que vende continuam caros, mas é preciso estar sempre atento às boas promoções, sobretudo da secção de DVDs (agora que o mercado anda em queda...).
É o caso destes dois produtos da imagem: fiquei espantado com estes dois títulos a preços altamente convidativos e, por isso, não hesitei em adquiri-los: um pack da série de televisão de culto "The Twilight Zone" (série 2) - são 6 discos e 19 episódios.
E o pack "Fados" do realizador espanhol Carlos Saura, com dois DVDs (o filme e outro com montes de extras) e dois magníficos livros com mais de 100 páginas cada um. Por apenas 5€!
Assim vale a pena fazer compras na Fnac.

segunda-feira, 25 de Agosto de 2014

O que diz Tarkovski #14

"O cinema é um mistério. É um mistério para o próprio realizador. O resultado de um filme depois de terminado deve continuar a ser um mistério para o realizador, porque de outra forma o processo criativo não seria interessante."

sábado, 23 de Agosto de 2014

Como ser Não-Humano



É o melhor livro que li nestas férias e, por ser pequeno (130 páginas), lê-se de um fòlego. Uma das mais importantes obras literárias japonesas "malditas" do pós-guerra de um atormentado escritor - Ozamu Dazai (na imagem) - que cometeu suicídio aos 39 anos.
Obra literária profundamente existencialista sobre a condição humana, pungente na narrativa e "directa ao osso".

Eis a sinopse:
"Não-Humano apresenta-nos a imagem de um homem que carrega as suas misérias, fraquezas e amores, como um sino de um leproso pelo mundo, a imagem da nossa simples humanidade.  uma das obras mais influentes e mais populares da literatura japonesa do pós-Guerra. Último romance de Osamu Dazai, o livro faz eco dos sentimentos da jovem geração que vive a dolorosa passagem para uma nova sociedade individualizada e tecnológica.
Descrevendo-se como um falhado e alguém que vive à margem da sociedade, Yozo, o protagonista de Não-humano, enfrenta desde a sua infância uma existência de extrema solidão, causada pela sua total incapacidade em compreender os seres humanos, que teme e dos quais se esconde atrás de uma máscara cómica. Esta sua insuperável inadequação a uma vida normal, pautada por tormentosas relações com as mulheres e crescente desespero, levá-lo-á a uma progressiva alienação da sociedade com consequências trágicas."

Edição Cavalo de Ferro, 2014. À venda na Fnac ou Bertrand.

quinta-feira, 21 de Agosto de 2014

"Eraserhead", agora em Blu-Ray

A Criterion Collection vai lançar no dia 14 de Setembro, em esplendorosa cópia Blu-Ray, o primeiro filme de David Lynch, "Eraserhead". Este é um dos meus filmes favoritos de sempre. O único problema? Encomendando pela Criterion custará mais de 40€...