sexta-feira, 25 de Julho de 2014

Fazer como Tati a olhar a praia

Tal como representa Jacques Tati nesta imagem ("As Férias do Sr. Hulot", 1953), também eu a partir de amanhã estarei a olhar a praia e o mar a partir de uma janela. Digo mais: estarei até com os pés bem assentes no areal a gozar uns merecidos dias de descanso com sol e calor. 
Por isso, as actualizações deste blogue serão menos frequentes nos próximos dias. 
Afinal de contas, férias são férias... 

quinta-feira, 24 de Julho de 2014

"Ida"

"Ida" é um belo filme do realizador polaco Pawel Pawlikowski. Filmado numa estupenda fotografia a preto e branco, há planos que fazem lembrar a estética plástica de um Béla Tarr. Porventura um dos melhores filmes actualmente em exibição. Só há um ponto negativo: este filme apenas está em duas salas do país, uma de Lisboa e outra do Porto. O resto é paisagem...

quarta-feira, 23 de Julho de 2014

A moda de Lynch

David Lynch é um realizador que gosta do bizarro e do inesperado. Pelo menos no seu cinema. Mas pelos vistos, não só: para espanto de todos, Lynch anunciou que se tem dedicado ao design e criação de moda feminina desportiva! Fora do cinema só se lhe conhecia a faceta de amante e praticante de meditação, agora a moda...
Este blogue nunca foi dado a modas ou estilismo, mas agora abro uma excepção porque se trata de uma moda muito especial - a do irreverente David Lynch.
Sobre a notícia.



Rock para o Verão

Um quarteto de Brooklyn com visual de jovens surfistas da Califórnia fazem um rock de guitarras a meio termo entre os The Feelies de boa memória e uns Velvet Underground mais regrados. São os Parquet Courts e esta música serve para acompanhar as tardes de sol e calor deste verão. 
 Enjoy. 

terça-feira, 22 de Julho de 2014

Filmes de qualidade à descrição

Caro leitor: aproveite estas férias para ver bom cinema... em casa. O site Sonata Première é uma mina irresistível de bom cinema: filmes de culto de muitas nacionalidades diferentes, títulos clássicos de todas as épocas e contemporâneos de grande qualidade que palmilham os melhores festivais europeus. 
Basta escolher e fazer o respectivo download. 
Nunca diga que não tem nenhum filme "de jeito" para ver este verão, portanto. 

domingo, 20 de Julho de 2014

Sexo: masculino vs. feminino

No filme "Annie Hall" (1977), o casal Alvy Singer e Annie Hall frequentam sessões de psiquiatria.
Em determinado momento, os terapeutas fazem a mesma pergunta aos dois: com que frequência têm sexo? “Quase nunca, para aí três vezes por semana”, responde ele.  
“Constantemente, diria que três vezes por semana”, diz ela.

terça-feira, 15 de Julho de 2014

O último plano de um grande filme

Em 1949, ainda a Europa sofria da terrível ressaca da 2ª Guerra Mundial, um realizador de nome Carol Reed realizou em Viena um dos mais emblemáticos filmes 'noir' de sempre: "The Third Man", baseado num livro do mestre Graham Greene com Orson Welles e Joseph Cotten como protagonistas.
Ora, este filme ficou marcado por uma realização superlativa, fotografia contrastante (ganhou o Óscar nesta categoria) e uma narrativa de puro suspense. O filme de Reed marcou também o imaginário dos cinéfilos pela música, com um dos mais memoráveis temas de abertura da autoria do músico Anton Karas (pode ouvir aqui). 
Mas o que queria chamar a atenção do caro leitor era para a última sequência do filme (pode ser vista em vídeo aqui), com um dos planos finais mais belos da história do cinema: Joseph Cotten (na pele de Holly Martins) aguarda a chegada de Alida Valli (como Anna Schmidt). Esta, altiva e quase cínica, passa por ele sem sequer desviar o olhar. É um plano fixo magnífico, pela simetria do mesmo, pela beleza plástica e visual do enquadramento.
Sempre me interroguei se esta rua ainda existia. E existe. Trata-se de um cemitério de Viena e actualmente está nas condições que pode ver na imagem em baixo.


segunda-feira, 14 de Julho de 2014

O consumo de cultura em Portugal: a desgraça

E assim caminhamos, aos poucos, para o abismo: "Portugal na cauda da Europa no que diz respeito à participação cultural".
Ver aqui.

domingo, 13 de Julho de 2014

Hitch, bateria e peruca

Não cesso de me surpreender com o imaginário icónico que nos deixou o realizador Alfred Hitchcock. Dono de um sentido de humor muito particular (negro e sarcástico), Hitch foi um mestre na utilização mediática da sua própria imagem. 
Quando julgava que já conhecia todas as suas divertidas e originais fotografias encenadas, eis que me deparo com uma imagem (de 1964) que me surpreendeu totalmente: o realizador sentado num banco de uma bateria, aparentemente a rezar (?) e com uma peruca de terceira categoria. 
A irreverência que Hitchcock cultivou dá realmente que pensar...

segunda-feira, 7 de Julho de 2014

Grandes filmes que nunca veremos

Há três anos escrevi neste blogue sobre uma lista de "10 Grandes Filmes Frustrados", ou seja, 10 filmes que nunca passaram do papel (ver link). Filmes de grandes realizadores que, por motivos diversos, nunca foram concretizados.
Ora, agora deparei-me com um livro que aborda precisamente este interessante assunto: "The Greatest Movies You'll Never See". Histórias rocambolescas sobre projectos cinematográficos que nunca viram a luz do dia.

sábado, 5 de Julho de 2014

Estórias e Misérias de Hollywood #7

"A Casa Branca também foi uma Cinemateca. Eram conhecidos os domingos cinéfilos organizados pelo presidente Ronald Reagan. Eventos de gala exclusivos com 30 estrelas convidadas por sessão, como Spielberg ou Warren Beaty e outros liberais democratas. Parece que Reagan ficou particularmente tocado por 'The Day After'. O seu biógrafo conta que a única vez que viu Reagan publicamente deprimido foi depois do visionamento desse filme que narra os devastadores e sinistros efeitos de uma guerra nuclear em solo americano.
Há quem acredite que esse filme quase documental te-lo-á feito repensar a sua estratégia no auge da Guerra Fria. Reza a lenda que Reagan enviou um telegrama ao realizador Nicholas Meyer a confessar-lhe a influência do seu filme no pacto de desarmamento nuclear assinado na conferência de Reykjavik"

In: "Hollywood: Estórias de Glamour e Miséria no Império do Cinema" - Edgar Pêra

quinta-feira, 3 de Julho de 2014

O rock faz levitar

Há imagens que valem por mil palavras. E na iconografia do rock, há imagens que valem muito mais do que mil palavras. Como esta, em que se vê o grupo The Who em plena actuação ao vivo. Pete Townshend, o guitarrista, eleva-se incrivelmente no ar como que por mágica levitação numa salto que liberta pura energia rock, enquanto o vocalista Roger Daltrey rodopia (como era habitual no cantor) de forma ágil o microfone.
Pura energia rock!
PS - Carregar na imagem para aumentar.


segunda-feira, 30 de Junho de 2014

As crianças das capas de discos...


Empire: The End

Ao fim de três de existência, a única revista de cinema em Portugal, a Empire, chega ao fim este mês de Julho. Claro que era uma réplica da Empire britânica e que estava vocacionada essencialmente para o cinema comercial e de super-heróis, mas não deixa de ser penoso constatar o desaparecimento sucessivo de títulos da imprensa escrita especializada.
Em relação à Empire, comprava-a muito esporadicamente, quando via que tinha uma reportagem ou entrevista que me interessava. 
Este último número vou comprá-lo. Por dois motivos: porque quero ficar com a última edição como coleccionador (também tenho a última da revista também desaparecida Premiere); e porque traz um "Especial realizadores: Mann, Fincher e Lynch na Primeira Pessoa".
A notícia.


sábado, 28 de Junho de 2014

A música para Max Cady

Um das bandas sonoras compostas para cinema de que mais gosto é a do filme "Cape Fear" ("Cabo do Medo"), original de J. Lee Thompson (1962) e alvo de um brilhante remake de Martin Scorsese em 1991. Fui vê-lo duas vezes seguidas à sala de cinema, não só pela realização, pelas interpretações, pela história ou pela montagem. Foi também pela música. Originalmente foi composta pelo grande Bernard Herrmann e adaptada por Elmer Bernstein para o filme de Scorsese.
A cada segundo de música cria-se o ambiente soturno e inquietante adequado à história de vingança de Max Cady (magnético Robert De Niro). Uma música que é, igualmente, uma espécie de personagem do próprio filme.
Vale a pena, por isso, rever o genérico inicial do genial Saul Bass (trabalhou com Hitchcock) e sentir os arrepios na pele com o tema principal do filme:

quinta-feira, 26 de Junho de 2014

O que diz Tarkovski #13

"O artista existe porque o mundo não é perfeito. A arte seria inútil se houvesse perfeição no mundo e o que  o homem tem de fazer é procurar a harmonia neste mundo imperfeito."

quarta-feira, 25 de Junho de 2014

Realizadores "lentos"

Esta é uma lista definitiva que comprova uma coisa tão simples quanto isto: os realizadores que filmam longos planos fixos ou planos-sequência, são todos grandes realizadores da história. Basta constatar esta lista de 15 cineastas que "exigem a paciência do espectador". Ninguém que saiba apreciar bom cinema se arriscaria a denegrir qualquer um destes nomes e, no entanto, fazem (ou faziam) filmes de várias horas com planos fixos, seja por uma questão estética ou narrativa - ou ambas. Uma boa lista para destruir o preconceito de que filmes "lentos" são chatos e sem mérito artístico.
Abrir a lista aqui.

segunda-feira, 23 de Junho de 2014

"A primeira vez que ouvi..."

Que impacto tem ouvir pela primeira vez determinadas bandas ou músicos? De que forma a música de uma banda influencia a nossa vida? Partindo desta premissa, uma editora britânica editou esta colecção de quatro livros "The First Time I Heard...".
Os testemunhos são de outros músicos, escritores e artistas que foram (ou não) influenciados por bandas como Joy Division, The Smiths ou David Bowie.
Eis mais pormenores.

sábado, 21 de Junho de 2014

Uma selfie (23 anos depois)

Como qualquer outra moda da era digital, a selfie é agora o expoente máximo da exposição mediática nas redes sociais. Como se a auto-fotografia fosse uma invenção de agora e dos smartphones com muitos pixeis de resolução de câmara. Aliás, praticamente desde a invenção da fotografia que o auto-retrato fotográfico é um recurso normal. Mas adiante...
No cinema, há muitos anos que a selfie é revelada no grande ecrã. Um dos exemplos mais paradigmáticos aconteceu no filme "Thelma & Louise" (1991) de Ridley Scott. As actrizes Geena Davis e Susan Sarandon faziam uma - agora chamada - selfie com uma câmara fotográfica Polaroid. 
23 anos mais tarde, Susan e Geena voltaram a encontrar-se para uma selfie à moda do presente.
E a verdade é que parece que o tempo nem passou por elas...