segunda-feira, 1 de Setembro de 2014

Um musical desconhecido de David Lynch

Lá por me considerar um bom cinéfilo e seguidor da obra, por exemplo, de David Lynch, não quer dizer que conheça tudo o que já criou. Prova do que acabei de dizer (escrever) é que desconhecia por completo um musical de Lynch intitulado "Industrial Symphony Nº1: Dream of The Broken Hearted" (1989). Para minha surpresa, fiquei a saber hoje mesmo.
Trata-se de uma peça teatral-musical concebida quando o realizador filmava "Wild At Heart" nesse mesmo ano. Teve a sua estreia na Brooklyn Academy of Music em 1989 e a sua versão televisiva foi exibida em 1990, o mesmo ano da estreia da série "Twin Peaks".
Este musical, que em nada é um musical convencional (ou não se tratasse de uma obra de Lynch), baseia-se num conjunto de canções (ambiente cool-jazz nocturno) do compositor Angelo Badalamenti (que compôs para "Twin Peaks"), interpretadas por Julie Cruise (que cantou na banda sonora da mesma série). As letras são do próprio David Lynch.
Como seria de esperar, o universo visual e estético deste musical deve muito à criatividade bizarra e surreal que Lynch sempre demonstrou nos seus filmes. Aliás, ao longo da peça, vemos desfilar alguns dos seus actores, como Nicholas Cage e Laura Dern logo no início do musical.

Eis o registo integral de "Industrial Symphony Nº1: Dream of The Broken Hearted":

sábado, 30 de Agosto de 2014

Bio-pics musicais



Martin Scorsese anunciou que se prepara para fazer um filme sobre os Ramones, mítica banda punk.
Neste contexto, gostava de ver a vida dos seguintes músicos em cinema adaptados pelos seguintes realizadores:

- Sun Ra, por Spike Lee.
- Lou Reed (The Velvet Underground), por Steven Soderbergh.
- John Coltrane, por Clint Eastwood.
- Freddy Mercury (Queen), por Anton Corbijn.
- Sex Pistols, por Quentin Tarantino.
- Maria Callas, por Milos Forman.
- John Lee Hooker, por Joel e Ethan Coen.
- Elvis Presley, por Wes Anderson.
(...)

quarta-feira, 27 de Agosto de 2014

"Lucy"

Vi o filme "Lucy" de Luc Besson: medíocre. 
Apesar das estrelas Scarlett Johansson e Morgan Freeman, Besson desbarata uma potencial boa ideia num filme que mistura, de forma atabalhoada, thriller, ficção científica e acção. Mais: a partir da segunda parte da película, "Lucy" envereda por uma toada metafísica à Terrence Malick que só redunda em fracasso.
A história desenrola-se num ambiente de pura ficção científica, mas a história encerra tantas pontas soltas, cenas patéticas e mal resolvidas no filme que até desencoraja vê-lo até ao fim. Seja como for, não deixa de ser um blockbuster de verão de puro entretenimento que se esquece assim que se sai do cinema.
Já agora, só para quem viu o filme, vale a pena ver este trailer de paródia que foi feito sobre "Lucy". Em 4 minutos há mais ideias interessantes do que nos 90 minutos que dura o filme de Luc Besson.

terça-feira, 26 de Agosto de 2014

Fnac: as boas promoções

Talvez fruto da crise, a Fnac tem revelado sentido de oportunidade com uma política de promoções particularmente interessante (como já dei nota aqui várias vezes). É claro que muitos dos produtos que vende continuam caros, mas é preciso estar sempre atento às boas promoções, sobretudo da secção de DVDs (agora que o mercado anda em queda...).
É o caso destes dois produtos da imagem: fiquei espantado com estes dois títulos a preços altamente convidativos e, por isso, não hesitei em adquiri-los: um pack da série de televisão de culto "The Twilight Zone" (série 2) - são 6 discos e 19 episódios.
E o pack "Fados" do realizador espanhol Carlos Saura, com dois DVDs (o filme e outro com montes de extras) e dois magníficos livros com mais de 100 páginas cada um. Por apenas 5€!
Assim vale a pena fazer compras na Fnac.

segunda-feira, 25 de Agosto de 2014

O que diz Tarkovski #14

"O cinema é um mistério. É um mistério para o próprio realizador. O resultado de um filme depois de terminado deve continuar a ser um mistério para o realizador, porque de outra forma o processo criativo não seria interessante."

sábado, 23 de Agosto de 2014

Como ser Não-Humano



É o melhor livro que li nestas férias e, por ser pequeno (130 páginas), lê-se de um fòlego. Uma das mais importantes obras literárias japonesas "malditas" do pós-guerra de um atormentado escritor - Ozamu Dazai (na imagem) - que cometeu suicídio aos 39 anos.
Obra literária profundamente existencialista sobre a condição humana, pungente na narrativa e "directa ao osso".

Eis a sinopse:
"Não-Humano apresenta-nos a imagem de um homem que carrega as suas misérias, fraquezas e amores, como um sino de um leproso pelo mundo, a imagem da nossa simples humanidade.  uma das obras mais influentes e mais populares da literatura japonesa do pós-Guerra. Último romance de Osamu Dazai, o livro faz eco dos sentimentos da jovem geração que vive a dolorosa passagem para uma nova sociedade individualizada e tecnológica.
Descrevendo-se como um falhado e alguém que vive à margem da sociedade, Yozo, o protagonista de Não-humano, enfrenta desde a sua infância uma existência de extrema solidão, causada pela sua total incapacidade em compreender os seres humanos, que teme e dos quais se esconde atrás de uma máscara cómica. Esta sua insuperável inadequação a uma vida normal, pautada por tormentosas relações com as mulheres e crescente desespero, levá-lo-á a uma progressiva alienação da sociedade com consequências trágicas."

Edição Cavalo de Ferro, 2014. À venda na Fnac ou Bertrand.

quinta-feira, 21 de Agosto de 2014

"Eraserhead", agora em Blu-Ray

A Criterion Collection vai lançar no dia 14 de Setembro, em esplendorosa cópia Blu-Ray, o primeiro filme de David Lynch, "Eraserhead". Este é um dos meus filmes favoritos de sempre. O único problema? Encomendando pela Criterion custará mais de 40€...

quarta-feira, 20 de Agosto de 2014

Outra visão sobre Nuremberga


Interesso-me particularmente pela história da Segunda Guerra Mundial. Devoro informação sobre muitos temas relativos à guerra que devastou (pela segunda vez) a Europa: livros, filmes e documentários (ainda há poucas semanas terminei de ver o monumental documentário de 9 horas "Shoah" de Claude Lanzamann sobre o Holocausto). Gosto sobretudo de ler sobre a Alemanha nazi, a ascenção e queda de Hitler, dos seus colaboradores, das batalhas decisivas, da componente militar, económica, social e do holocausto que a Segunda Guerra suscitou.
Não esquecer que há apenas 2 anos sairam dois excelentes filmes enquadrados historicamente na Segunda Guerra Mundial: "Hannah Arendt" de Margarethe von Trota sobre o julgamento de mentor do Holocausto nazi, Adolf Eichmann, e "Lore" de Cate Shortland sobre uma adolescente em fuga da invasão nazi - ambos abordados neste blogue.

No que toca a literatura, o último livro sobre o assunto publicado em Portugal é este "Entrevistas de Nuremberga - Revelações dos Nazis a Um Psiquiatra". O seu autor (na imagem em cima), o psiquiatra americano Leon Goldensohn, foi o responsável por entrevistar (entre 1945-46), durante os julgamentos naquela cidade alemã, alguns dos mais cruéis e fanáticos militares da cúpula do temível Terceiro Reich como Goering, Ribbentrop, Donitz, Speer, Hess entre outros.
O livro foi lançado no mercado há dias pela editora Tinta da China em formato de bolso (mesmo assim são 500 páginas). O fascínio da sua leitura prende completamente a atenção do leitor (e ainda apenas li a introdução e dois capítulos): em discurso directo, os criminosos nazis explicam a sua visão das atrocidades do regime de Hitler, assim como se tenta compreender a mentalidade e a ideologia que os guiou antes e durante a terrível guerra. Estamos, pois, perante um documento histórico ímpar, frio, cerebral e puramente analítico sobre os acontecimentos da Segunda Guerra Mundial e alguns dos seus mais detacados protagonistas. Sem espinhas, portanto.

Existe um razoável filme (para televisão) de 2000 com base nos julgamentos de Nuremberga (com Alec Baldwin como protagonista) e um excelente filme realizado por Stanley Kramer em 1961. Mas porventura nenhum explorou esta faceta inédita estudada por Leon Goldensohn, uma vez que não é propriamente a análise do julgamento judicial que é o foco de estudo, mas sim o descortinar dos perfis psicológicos (e psiquiátricos) e das motivações político-ideológicas destas altas patentes militares nazis responsáveis por crimes abomináveis.
Altamente recomendável, sobretudo para os interessados no tema.

E quem sabe não poderá sair deste livro uma bela adaptação par cinema? Steven Spielberg como realizador? Martin Scorsese?...


domingo, 17 de Agosto de 2014

O leitor é Flâneur?

O que é flâneur? 

O termo flâneur vem do francês e tem o significado de "vagabundo", "vadio", " preguiçoso", que por sua vez vem do verbo francês flâner, que significa "para passear".
Charles Baudelaire desenvolveu um significado para flâneur de "uma pessoa que anda pela cidade a fim de experimentá-la".  Ou seja, um flâneur é alguém que vagueira sem compromisso por uma cidade, alguém que percorre as suas ruas sem objetivo aparente, mas secretamente atento à história dos lugares, observando as pessoas, a arquitectura e os espaços urbanos (e retirando prazer estético nisso).

O filósofo Walter Benjamin descreveu o flâneur como um produto da vida moderna, um paralelo com o advento do turismo. Benjamin tornou-se no seu próprio exemplo, observando o movimento social e estético durante longas caminhadas por Paris. De resto, a capital francesa é a cidade por excelenência do flâneur.

O flâneur é, pois, aquele que observa o mundo que o cerca de maneira real e descritiva, levando a vida para cada lugar que vê. O flâneur descreve (nem que seja mentalmente) as cidades, as ruas, os becos, o mundo exterior. A rua é o seu lar, o seu mundo. Ali nada é estranho ou prejudicial. Na rua ele sente-se confortável e protegido. O flâneur do século XIX representou a angústia da Revolução Industrial. Nos tempos modernos o flâneur confunde-se com o turista mais atento e observador.
É assim que eu gosto de descobrir uma cidade nova, é assim que eu adoro conhecer Paris, Madrid, Londres ou Barcelona - com uma atitude de flâneur: vagueando sem rumo certo, tirando o máximo partido da vida das ruelas, observando as particularidades urbanísticas, os edifícios e o movimento das pessoas nos passeios, os casais que namoram numa requintada esplanada, os belos jardins no meio da agitação urbana, etc. Em suma, sentir demoradamente o palpitar de uma cidade prestando atenção a todos os seus elementos materiais e imateriais. No fim, após processar toda a informação recolhida com a visita à cidade, fantasio sobre como seria se eu vivesse nesse mesma cidade.

Por isso, caro leitor, talvez seja também um flâneur "baudelairiano" sem o saber, caso desfrute de uma cidade desta forma.
Eis algumas fotografias que tirei em Paris e Londres imbuído deste espírito de flâneur:








quarta-feira, 13 de Agosto de 2014

Bacall, a última Diva despede-se

Depois da notícia trágica de ontem com a morte de Robin Williams, agora a notícia repete-se com o desaparecimento, aos 89 anos, da Diva do cinema clássico de Hollywood, Lauren Bacall, uma das mais belas e sedutoras actrizes de sempre. 
Onde quer que esteja, Humphrey Bogart já tem a companhia da sua amada...

Stephen Hawking no cinema

Trailer para o filme sobre a vida e obra do genial físico Stephen Hawking (estreia apenas em Janeiro de 2015). O biopic tem por título "The Theory of Everything":

terça-feira, 12 de Agosto de 2014

A morte de Robin

Poderá ser um lugar-comum dizê-lo, mas a comédia e a tragédia são faces da mesma moeda. Na arte como na vida. Robin Williams era um grande actor cómico, também o foi nos poucos desempenhos dramáticos que teve no grande ecrã. Na chamada vida real era um ser humano como qualquer outro, com fraquezas e angústias severas (quem nem sempre deixava transparecer para o grande público). Com a sua personalidade enérgica e a sua veia humorística indubitável, Robin fez milhões de pessoas felizes. Mas o seu temperamento escondia um lado deveras sombrio e emocionalmente desequilibrado. O seu suicídio foi, aparentemente, o epílogo de um longo e penoso processo depressivo e de dependências de drogas e álcool.  

Relato aqui o testemunho de uma entrevista do jornalista e crítico de cinema Eurico de Barros que foca o temperamento do malogrado actor de "O Clube dos Poetas Mortos":

"Aqui há uns anos, entrevistei Brian De Palma no Festival de Cannes. No final, já com o gravador desligado, e por De Palma se ter revelado uma das pessoas mais joviais e bem-dispostas com quem falei no mundo do cinema, a conversa derivou para os temas da felicidade e da tristeza, e o realizador de 'Vestida para Matar' disse-me isto: "Algumas das pessoas mais descontraídas, bem-humoradas e de bem com a vida que conheço realizam filmes policiais e de 'suspense' como os meus, e filmes de terror dos mais tremendos. Mas olhe que entre as pessoas mais infelizes, depressivas e instáveis com que me cruzei nesta indústria, estão os cómicos. É impressionante." E citou-me alguns nomes que considerava serem exemplos extremos, entre os quais o de Robin Williams. 
Foi logo desta confidência de Brian De Palma que me lembrei, quando soube, há pouco, da morte trágica de Robin Williams."

Eurico de Barros (via Facebook)

segunda-feira, 11 de Agosto de 2014

As gémeas

Lembra-se das gémeas Grady numa icónica sequência do filme "The Shining" de Stanley Kubrick? 
Eram representadas por Lisa e Louise Burns, na época com 12 anos (1980). Desde então, as irmãs têm andado desaparecidas do cinema. "The Shining" é, de resto, o único filme em que participaram. Agora as gémeas juntaram os vestidos azuis e os sapatos com que representaram no filme as meninas aterradoras para uma exposição no Museu Nacional de Cracóvia, Polónia.

domingo, 10 de Agosto de 2014

Christopher Nolan: o primeiro filme



Christopher Nolan notabilizou-se junto do grande público por ter feito a trilogia do Batman e o "Inception". Dois anos antes de ter realizado o original filme "Memento" (2000), Nolan realizou em 1998 a sua primeira longa-metragem. Pouco conhecida do grande público, mas enaltecida por uma minoria de cinéfilos: chama-se "Following" e narra as desventuras de um jovem escritor que, mentalmente instável, vagueia pelas ruas seguindo pessoas pouco convencionais em busca de material para a sua escrita. Numa dessas perseguições depara-se com um ladrão e golpista que o convence a participar nos seus assaltos. O escritor, fascinado com o universo apresentado, tomando-o por mais real do que qualquer um dos seus contos ou que a própria realidade, entrega-se a este mundo... 
"Following", produção independente e barata de Nolan, com apenas 69 minutos de duração, tem uma bela fotografia a preto e branco, um clima de mistério e suspense, bons diálogos e um ambiente 'noir', além de um desfecho surpreendente. Por isso vale muito a pena descobrir o primeiro filme do realizador que se especializou em blockbusters de qualidade. 

O filme completo com legendas em português:

quarta-feira, 6 de Agosto de 2014

A vida e morte de Aaron Swartz



Aaron Swartz foi uma criança prodígio, inteligente e ávida de conhecimento. Porém, aos 26 anos, em Janeiro de 2013, suicidou-se (foi encontrado enforcado no seu apartamento de Nova Iorque).

Talvez a maioria não o conheça, mas o trabalho de Aaron está presente na nossa vida quotidiana há bastante tempo. Desde os 14 anos que Aaron trabalhava como programador informático criando ferramentas, programas e organizações na Internet. Isso significa que, aos 26 anos, Aaron já tinha trabalhado praticamente metade da sua vida. E, nesta metade ele participou na criação da especificação RSS (que nos permite receber actualizações do conteúdo de sites e blogs), do Reddit (plataforma aberta em que se pode votar em histórias e discussões importantes), e do Creative Commons (licença que libera conteúdos sem a cobrança de alguns direitos por parte dos autores). Mas não só...

A grande luta de Aaron Swartz durante a sua curta vida foi uma luta eminentemente política e activista: ele queria mudar o mundo através do poder da internet e acreditava que era possível. Defendeu o acesso à informação livre na internet, fez o download de grande quantidade de artigos do MIT que lhe valeu um processo judicial, era considerado como uma das mentes mais brilhantes da sua geração. Em Janeiro deste ano, uma ano após a trágica morte de Aaron, foi apresentado no festival de cinema de Sundance o documentário "The Internet's Own Boy: The Story of Aaron Swartz", realizado por Brian Knappenberger, autor do controverso documentário "We Are Legion - The Story of the Hacktivists" (2012 - pode ser visto online aqui) sobre o grupo de activistas da internet Anonymous.

Este filme sobre a vida e visão de Aaron obteve a elevada classificação no Imdb de 8.3 e é de facto um documentário brilhante para compreender a evolução da internet nos últimos anos e as questões fracturantes da mesma (direitos de autor, liberdade de expressão, livre circulação da informação, etc). Teorias da conspiração, habituais em situações semelhantes, indicam que o governo dos EUA terá morto Aaron por este se estar a tornar demasiado perigoso para os interesses americanos (e globais). No entanto, tudo indica que Aaron sofria de depressão e que, fruto da fortíssima pressão social e mediática que era vítima (por causa também do processo judicial que decorria e que o poderia meter 30 anos na prisão), esses factores terão precipitado Aaron para a morte voluntária.

O documentário entrevista a família, as namoradas e colegas de trabalho que explicam a personalidade genial  e visionária de Aaron, para além de inúmeros depoimentos e entrevistas do próprio activista.

O documentário tem download gratuito (como gostaria Aaron) e pode ser visto com legendas em português.
Altamente recomendável, portanto.

 

terça-feira, 5 de Agosto de 2014

10 Melhores Documentários de Sempre

340 realizadores e críticos de cinema escolheram os 10 melhores documentários da História do Cinema. Desta lista não vi ainda 4 dos filmes referenciados, mas concordo totalmente com os cinco primeiros eleitos (sobretudo com a obra-prima absoluta do número 1).

Eis a lista:

10 - "Grey Gardens" - Albert e David Maysles, Muffie Meyer (1975)
9 - "Dont Look Back" - D.A. Pennebaker (1967)
8 - "The Gleaners and I" - Agnès Varda (2000)
7 - "Nanook of the North" - Robert Flaherty (1922)
6 - "Chronicle of a Summer" - Jean Rouch e Edgar Morin (1961)
5 - "The Thin Blue Line" - Errol Morris (1989)
4 - "Night and Fog" - Alain Resnais (1955)
3 - "Sans Soleil" - Chris Marker (1982)
2 - "Shoah" - Claude Lanzmann (1985)
1 - "Man With a Movie Camera" - Dziga Vertov (1929)

Oportunidade para ver ou rever uma das melhores obras cinematográficas de todos os tempos, acrescida da extraordinária banda sonora do trio Alloy Orchestra (especializado em musicar filmes mudos) que eu já tive o privilégio de ver actuar ao vivo:

domingo, 3 de Agosto de 2014

Scorsese artista aos 11 anos

Que Martin Scorsese é um realizador que recorre sempre ao storyboard, já se sabia. O que não se sabia é que este gosto especial do cineasta pelos desenhos das cenas dos filmes advém desde o tempo de criança. Scorsese sempre revelou talento para o desenho. E, com apenas 11 anos, Scorsese desenhou um storyboard para um filme imaginário com o título "The Eternal City", um épico da época romana ao estilo Cecil B. DeMille. 
Com uns ainda imberbes 11 anos, Scorsese impressiona pelo nível de detalhe plástico destes desenhos e pelos próprios enquadramentos "pensados" para o cinema. Mais: o então ainda jovem cineasta em potência tinha até um elenco perfeito para este filme: Marlon Brando, Richard Burton e Alec Guiness!
Claro que o projecto para o filme "The Eternal City" nunca foi concretizado. Mas fica o registo desta incrível precocidade artística que viria a confirmar-se, posteriormente, na brilhante carreira de um dos maiores realizadores dos últimos 35 anos.

sexta-feira, 25 de Julho de 2014

Fazer como Tati a olhar a praia

Tal como representa Jacques Tati nesta imagem ("As Férias do Sr. Hulot", 1953), também eu a partir de amanhã estarei a olhar a praia e o mar a partir de uma janela. Digo mais: estarei até com os pés bem assentes no areal a gozar uns merecidos dias de descanso com sol e calor. 
Por isso, as actualizações deste blogue serão menos frequentes nos próximos dias. 
Afinal de contas, férias são férias... 

quinta-feira, 24 de Julho de 2014

"Ida"

"Ida" é um belo filme do realizador polaco Pawel Pawlikowski. Filmado numa estupenda fotografia a preto e branco, há planos que fazem lembrar a estética plástica de um Béla Tarr. Porventura um dos melhores filmes actualmente em exibição. Só há um ponto negativo: este filme apenas está em duas salas do país, uma de Lisboa e outra do Porto. O resto é paisagem...