sábado, 31 de janeiro de 2015

Kubrick fotógrafo, 1946

Em 1946, com apenas 17 anos, Stanley Kubrick fotografou para a revista Look o dia-a-dia  do metro de Nova Iorque. Diz-se que durante duas semanas intensivas tirou cerca de 15 mil fotografias.
Eis apenas quatro exemplos do seu peculiar olhar.




quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

"Whiplash" - O poder da música



A aprendizagem de um instrumento musical (falo por experiência própria) assemelha-se à aprendizagem da própria vida. Para sermos bem sucedidos em ambas precisamos de disciplina, esforço, ambição, perseverança, paixão pelo que fazemos. É disto e de muito mais que aborda o filme que hoje estreia, "Whiplash - Nos Limites".

Não é apenas a história banal de um jovem que quer ser o melhor no seu instrumento (bateria), é também a história do mesmo jovem que quer superar-se para ser um melhor ser humano: nas relações com os colegas, com a namorada, com o professor e, não menos importante, consigo mesmo. Por isso a música tem o inefável poder de transformar as pessoas, de as arrebatar e de lhes mostrar que sangue, suor e lágrimas são ingredientes fulcrais na evolução da vida de alguém, tal como na aprendizagem de um instrumento. A música como fazendo parte da vida e vice-versa.

"Whiplash" retrata este processo de forma notável. Revela uma energia em crescendo como só o jazz pode provocar. Uma energia catártica e de puro deleite sonoro que faz o espectador perguntar-se no final: "já acabou?". O ritmo entranha-se no coração do jovem estudante a tal ponto que quase desiste de viver para querer ser "o melhor". Mas quando se apercebe que a excessiva dedicação ao instrumento lhe prejudica as suas relações com os outros (namorada), é tarde demais... Ou não. O jovem realizador soube mostrar a evolução da relação intempestiva e irregular entre o aluno dedicado e o professor implacável, calvo e que se veste sempre de preto (ambos brilhantes, sobretudo JK Simmons como professor); soube filmar os imprevisíveis e enérgicos ritmos de jazz vindos dos sopros e da percussão (incrível a frenética montagem à Vertov dos últimos 5 minutos de clímax do filme); em suma, soube espelhar o espírito de sacrifício humano necessário para cumprir o sonho. O argumento é escorreito e a realização impecável.

E assim "Whiplash" se torna num dos melhores filmes sobre música dos últimos anos.


O que diz Tarkovski # 17

"Se tentarmos agradar ao público, aceitando acriticamente as suas preferências, isso significará apenas que não temos respeito algum por ele, que só queremos o seu dinheiro. Em vez de educarmos o espectador através de obras de arte inspiradoras, estaremos apenas a ensinar o artista a garantir o seu lucro. 
Da parte do público – satisfeito com aquilo que lhe dá prazer – continuará firme na convicção de estar certo, uma convicção no mais das vezes sem fundamento. Deixar de desenvolver a capacidade crítica do público equivale a tratá-lo com total indiferença."

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Diálogo entre o cinema e a música

Que relações podemos estabelecer entre o cinema e a música? De que forma foi evoluindo esta relação ao longo das décadas? Quais os compositores mais influentes e os que mais trabalharam com realizadores consagrados?
Sem querer ter respostas científicas para todas as perguntas, eis um texto de opinião da minha autoria pulbicado no site Repórter Sombra.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Auschwitz - 70 anos depois

Dia 27 de Janeiro assinala os 70 anos da libertação do campo de extermínio de Auschwitz. A história do Holocausto sempre me interessou e resolvi fazer uma singela homenagem aos sobreviventes do genocídio de Auschwitz: Shlomo Venezia foi um sobrevivente do campo de terror e escreveu um livro a contar os horrores que viveu (como referi neste post). 

Em 2011, no meu álbum "Psicotic Jazz Hall" de Kubik dediquei-lhe uma música com o sintomático título "Shlomo Venezia is Not Dead Yet". Era uma forma de chamada de atenção para perpetuar a memória dos sobreviventes de Auschwitz. No entanto, Shlomo faleceu em 2012 e já não pode, de viva voz, revelar a sua traumática experiência. Esta música foi criada a pensar na defesa da memória do Holocausto, mais agora nos 70 anos da libertação de Auschwitz:
E já agora: este livro "Auschwitz - Um Dia de Cada Vez" foi editado há apenas uma semana. Já li 100 páginas e é um compêndio extraoridnário sobre o que realmente aconteceu e e- como aconteceu - o maior massacre programado da Humanidade. 
E reparem na citação por baixo do título: precisamente do Shlomo Venezia ("A cada dia preferia morrer... e a cada dia lutava para sobreviver")

domingo, 25 de janeiro de 2015

Sobre "Birdman"



"Birdman" será sempre um filme condenado a dividir opiniões. Haverá quem ache tratar-se de uma obra visionária e ousada, haverá quem julgue que é uma obra pretensiosa e falhada. Eu incluo-me no primeiro grupo. Passo a explicar porquê.

Alejandro González Iñárritu renunciou ao seu registo habitual pessimista-dramático de filmes como "Amores Perros" (2000), "21 Gramas" ou "Babel" (2006). Desta vez enveredou por uma experiência totalmente nova num registo de comédia negra (negríssima) que procura dar a volta às convenções do género. Através de um único admirável (falso, porém) plano-sequência, o realizador mexicano construiu toda uma fascinante arquitectura espácio-temporal e uma composição plástica e visual de uma força esmagadora (da responsabilidade do consagrado director de fotografia Emmanuel Lubezki)

Mas "Birdman" é mais do que este prodígio técnico (já alcançado anteriormente por Sokurov com "Arca Russa"). O filme revela várias camadas de leitura, várias possibilidades de interpretação psicanalítica, fruto do seu argumento bem urdido e de uma interessante abordagem ao universo do teatro como espaço de criação e de conflito. Todas as pulsões básicas do ser humano (amor, ódio, crueldade, inveja, arrogância, ambição, desejo...) estão confinadas e retratadas naquele claustrofóbico espaço de corredores, palco e camarins. Não esquecer que o filme tem um título que suscita uma leitura assaz interessante e múltipla: "A Inesperada Virtude da Ignorância".

Michael Keaton é soberbo neste regresso a um papel que lhe assenta que nem uma luva (reminiscências de"Batman"), com um desempenho memorável como alguém que procura, a todo o custo, provar ser artisticamente reconhecido sem fazer concessões comerciais, numa luta interior quase devastadora. Dentro do seu ego batalham o bem e o mal, numa derivação alucinada e esquizofrénica que o faz ouvir uma voz interior (a do super-herói que outrora encarnou), capaz de lhe arruinar a vida ou de o... salvar).  

Um ponto muito positivo para a inovadora banda sonora do filme feita a partir de solos de bateria do baterista mexicano Antonio Sanchez. Li algures que esta bateria se tornou "irritante". No meu caso, sempre que a ouvi, gostei ainda mais: é como se as batidas, as percussões derivativas, pontilhassem a confusão mental do protagonista, como se fossem o combustível sonoro para a sua vida. Todos os actores secundários estão a um nível superlativo de performance, começando no neurótico e obsessivo Edward Norton e terminando na sempre segura Emma Stone.

Além disso, o filme de Iñárritu é um precioso estudo simbólico sobre o que é o teatro (não só o da Broadway) e como ele vive e sobrevive perante choque de egos e conflitos que traduzem a complexidade e dicotomias da própria vida: Arte vs. entretenimento, realidade vs. imaginação, emoção vs. razão. E também representa um olhar aguerrido ao poder da crítica especializada de teatro capaz de incensar ou destruir carreiras e espectáculos.

Que "Birdman" tenha sido nomeado para os Óscares de Hollywood só me causou espanto: desde quando a conservadora Academia nomeia obras tão formalistas e ousadas como esta?

sábado, 24 de janeiro de 2015

British Pathé na internet

Pathé é uma importante sociedade de cinema de origem francesa. Durante décadas dedicou-se à realização, produção, exibição e arquivo de milhares de filmes e imagens. Existe a congénere inglesa, a British Pathé que possui uma extensa e valiosa colecção de imagens e filmes sobre cultura, moda, história, ciência, viagens, desporto e guerras. A maior parte deste rico e variado património está sob a forma de pequenos clips de vídeos de escassos minutos.

Talvez poucos saibam que o Youtube disponibiliza um canal dedicado em exclusivo à memória audovisual do século XX. Assim, a colecção do arquivo cinematográfico da British Pathé (um impressionante número de 85 mil registos vídeo históricos!) está oficialmente disponível no YouTube. Em alta resolução, os vídeos abrangem os anos de 1896-1976 e tratam não só de episódios da história inglesa mas de todo o mundo.

Entre os destaques do acervo estão as reportagens de eventos como o desastre do Titanic, a primeira e segunda Guerra Mundial, a destruição do dirigível Hindenburg, feitos históricos dos anos 20 ou 30, entrevista a figuras céleres da política e da história, ou esta curiosidade - com 45 anos! - da vitória no concurso de Mr. Universe de... Arnold Schwarzenegger.

Abrir aqui o link com os milhares de vídeos.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Os erros de Clint Eastwood

É o filme mais lucrativo de sempre de Clint Eastwood e está nomeado aos Óscares. Vi há dias "American Sniper" e gostei moderadamente. Tirando a toada patriótica e a visão parcial da guerra do Iraque, digamos que Eastwood não compromete e conseguiu um filme mediano sem entusiasmar.

O que não se estava à espera era que um veterano do cinema assumisse erros de principiante (o que já está a ser alvo de troça viral na internet): numa cena do filme em que o casal conversa com o filho bebé ao colo, percebe-se perfeitamente que o bebé é de plástico (ou seja, um bebé Nenuco de brincar). 
Mais: como se isto não bastasse, há um clamoroso erro de continuidade na mesma cena: Sienna Miller depois de entregar o bebé a Bradley Cooper, fecha o casaco que tem vestido. Contracampo para Cooper. Na imagem seguinte, surge a actriz novamente com o casaco desapertado!
Dois erros clamorosos em 50 segundos de filme. Eastwood, onde tinhas a cabeça?

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

O top 10 de Fellini

A lista dos 10 filmes favoritos de Federico Fellini.


Longe de uma lista surpreendente, não deixa de ser uma boa lista com referência a bons filmes e bons realizadores. Apenas se constata o espanto que advém do facto de Fellini escolher para este top 10 um filme realizado... por ele próprio.

1. The Circus/City Lights/Monsieur Verdoux (1928, 31,47, Charles Chaplin)
2  Any Marx Brothers or Laurel and Hardy 
3. Stagecoach (1939, John Ford)
4. Rashomon (1950, Akira Kurosawa)
5. The Discreet Charm of the Bourgeoisie (1972, Luis Bunuel)
6. 2001: A Space Odyssey (1968, Stanley Kubrick)
7. Paisan (1946, Roberto Rossellini)
8. The Birds (1963, Alfred Hitchcock)
9. Wild Strawberries (1957, Ingmar Bergman)
10. 8 1/2 (1963, Federico Fellini)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

A felicidade obsessiva


Numa entrevista ao jornal Expresso o psiquiatra Carlos Amaral Dias responde assim à pergunta se era um feliz: "Não acredito no conceito de felicidade. É uma nivelação por baixo daquilo que se pode esperar da vida - e o que se pode esperar da vida é a capacidade de tirar prazer da existência humana, sabendo coabitar ao mesmo tempo com o sofrimento que é inerente à espécie. Felizes, podem ser, talvez, os besouros... A felicidade é um conceito utópico e eu não gosto de utopias."

Concordo. Vivemos numa época na qual se vende felicidade ao desbarato. As livrarias encehmse quase diariamente de livros que prometem soluções mágicas para sermos mais felizes (os quatro livros destas imagens são apenas exemplos, há dezenas de outros). Ora, a sociedade do espectáculo e do consumo sugerem a venda de produtos comerciais e de bens que levam as pessoas a serem, superficialmente, mais felizes. Os livros de auto-ajuda que prometem alcançar a eterna felicidade enchem os escaparates das livrarias. A felicidade é vendida através de livros de filósofos, psicólogos, sociólogos, políticos, religiões, publicidade, televisão, que nos induzem a obrigatoriedade de ser feliz, a todo o custo. Claro que todos queremos bem-estar, segurança e paz (elementos da felicidade), mas a vida é um conjunto complexo de contradições e frustrações, de sentimentos paradoxais e é importante saber lidar com eles.

Há pessoas verdadeiramente viciadas na busca da felicidade, seja por métodos naturais (como a prática do Yoga ou do Reiki) ou por métodos artificiais (drogas e álcool). O mundo da psicologia inventou até uma nova área de investigação, a chamada "psicologia positiva", dedicada a encontrar formas de melhorar a felicidade, do envolvimento e do significado. Os psicólogos que praticam esta variante de terapia são pioneiros num novo tipo de ciência, a "ciência da felicidade", que tenta ensinar-nos a ficar felizes e a razão pela qual o devemos ser. É de tal forma um tema obsessivo que já se instituiu o "Dia Internacional da Felicidade" e o "Dia Mais Infeliz do Ano".
Daí que venha mesmo a calhar um livro que rema contra esta corrente: tem o sugestivo título "Contra a Felicidade - Em Defesa da Melancolia", do académico Eric G. Wilson. Um livro que subverte o pensamento consensual, defendendo que a melancolia e a tristeza são sentimentos inerentes à condição humana e necessários a qualquer cultura florescente, sendo a musa da grande literatura, pintura, música e inovação. Eis o que diz Eric G. Wilson: "Basta de Prozac nos nossos cérebros. Aceitemos as nossas facetas depressivas enquanto fontes de criatividade. Ao idolatrar o ideal de felicidade, o indivíduo cega-se para o mundo e vacila perante a mais pequena contrariedade. A nossa cultura parece tratar a melancolia como estado aberrante, como vil ameaça à noção de felicidade, como gratificação imediata, felicidade como conforto superficial." 

A dualidade entre sentimentos contraditórios (melancolia/tristeza versus felicidade/alegria) já proporcionou milhares de livros, poemas, ensaios, filmes e canções. No fundo, trata-se de uma discussão que se irá eternizar enquanto houver homem à superfície da terra. Seja como for, este livro de Eric G. Wilson representa um abanão face às convenções sociais da actualidade e, apesar de ter sido editado há já 6 anos, continua a ser cada vez mais actual, contrariando a avalanche incontida de livros que ajudam a encontrar a felicidade como se este fosse o único e insofismável paradigma existencial possível.

domingo, 18 de janeiro de 2015

Sobre a colecção de DVD

Um leitor deste blog perguntou-me quanto DVDs tenho. Bom, na realidade não sei ao certo, parei a contagem por volta dos 800 (sempre fui muito organizado e desde muito novo que me habituei a fazer catálogos de tudo: livros, cassetes, discos, CD's, DVDs, recortes de jornais e revistas...). Mas no total serão perto de mil exemplares. 
Os anos de maior coleccionismo já passaram. Nos finais dos anos 90 e a primeira década de 2000, investi muito em DVD, não só em edições nacionais mas sobretudo em edições de coleccionador/especiais e de importação. Era de tal forma obcecado em comprar as melhores edições que chegava a adquirir várias edições diferentes do mesmo filme. Edições Director's Cut, com extras, imagem remasterizada, etc. Por exemplo, tenho 4 edições diferentes de "Psycho" de Hitchcock e 3 diferentes de "Stalker" de Tarkovski. 
Mas também comprei muitas colecções mais baratas que saiam em jornais e revistas (as do Público eram imperdíveis, sobretudo dos filmes clássicos). Desde há uns 4 ou 5 anos perdi o hábito de comprar e coleccionar DVD. Não, não os troquei pelo formato Blu-Ray (que tenho muito pouco), mas simplesmente porque a internet tornou-se uma via privilegiada para adquirir e ver filmes. 

Eis três imagens diferentes da minha colecção de DVDs do meu escritório (à mistura com livros e CDs):



sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Cinéfilo, eu?

Por vezes discute-se o que é ser cinéfilo. Segundo João Bénard da Costa, ex-Director da Cinemateca Portuguesa, há uma significativa diferença entre "gostar" de cinema e "amar" o cinema.
E é verdade que esta diferença define o que é um verdadeiro cinéfilo e um espectador vulgar de cinema.
Repare-se na seguinte tabela comparativa que elaborei. Não se trata de um estudo científico e académico. É aquilo que a minha intuição e experiência dizem: uma pessoa que goste de cinema e que tenha alguns conhecimentos, fará uma lista de preferências como aquelas que estão na tabela da esquerda. Será, por assim dizer, um Cinéfilo QB (quanto baste). Mas para os mesmo filmes haverá o verdadeiro Cinéfilo, aquele que tem um conhecimento mais profundo da história do cinema e um gosto mais definido, por isso, escolhe outros filmes menos conhecidos dos mesmos cineastas.

Cinéfilo QB                                                                          Cinéfilo
"Citizen Kane"-------------------Orson Welles ------------------"Macbeth" (1948)
"2001 - Odisseia no Espaço"---Stanley Kubrick---------------"The Killing" (1956)
"O Sétimo Selo"-----------------Ingmar Bergman-------------"A Fonte da Donzela" (1959)
"Manhattan"----------------------Woody Allen-------------------"Zelig" (1983)
"Janela Indiscreta"---------------Alfred Hitchcock--------------"The Lodger" (1927)
"A Lista de Schindler"----------Steven Spielberg---------------"Duel" (1971)
"Nosferatu"-----------------------F.W. Murnau-------------------"Tabu" (1933)
"O Padrinho"---------------------Francis Coppola----------------"Rumble Fish" (1983)
"O Touro Enraivecido"---------Martin Scorsese-----------------"Mean Streats" (1973

Depois há outra facção de cinéfilos, que são os hardcore, aqueles "ratos de cinemateca" que acham que até os filmes da coluna da direita são demasiado mainstream para o seu gosto refinado. Estes cinéfilos hardcore gostam é dos clássicos mais obscuros, dos títulos de culto das sessões da meia-noite e de festivais de cinema independentes. São os amantes incondicionais do cinema mais alternativo/vanguardista, formando uma espécie de elite cinéfila.

Uma lista de filmes preferidos dos Cinéfilos Hardcore será por exemplo assim:

"Meshes of the Afternoon" (1943) - Maya Deren 
"Woman in The Dunes" (1964) - Hiroshi Teshigahara
"Pastoral: To Die In The Country" (1974) - Shuji Terayama
"Warning Shadows" (1923) - Arthur Robinson
"Thunderbolt" (1929) - Josef von Sternberg
"The Stranger on The Third Floor" (1940) - Boris Ingster
"Begotten" (1990) - E. Elias Merhige
"O Quadro Negro" (2000) - Samira Makhmalbaf
"Daisies" (1966) - Vera Chytilová
"Flaming Creatures" (1963) - Jack Smith
"O Anjo das Ruas" (1928) - Frank Borzage
"My Degeneration" (1990) - Jon Moritsugu
"Love Making"  (1969) - Stan Brakhage

E o caro leitor, em que categoria de cinéfilo se integra?

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

O estilo visual de cada cineasta

Eis uma reportagem bem interessante do site informativo O Observador: o realizador coreano Kogonada resolveu facilitar a vida a todos os cinéfilos do mundo e fez uma série de vídeos que ajudam a entender o principal traço visual que caracteriza o trabalho de alguns dos principais realizadores da história. 
Nascido em Seul, Kogonada é conhecido por seus vídeo-ensaios sobre cinema para a Internet e colabora para a revista Sight & Sound. A sua página do Vimeo contém os seus melhores vídeos, muitos deles escolhidos como destaque pela equipa do site.

Basicamente, em vídeo de um ou dois minutos, Kogonada revela, numa cuidada montagem, um determinado estilo visual de um realizador. Assim, o realizador mostra e prova que:

- Stanley Kubrick trabalha as perspectivas de ponto de fuga (centro).
- Wes Anderson tem uma especial fixação pela simetria do ecrã e pelos planos de cima.
- Quantin Tarantino recorre muitas vezes aos planos contra-picados.
- Robert Bresson denota uma obsessão em filmar mãos (que se tocam... ou não).
- Terrence Malick aborda a dicotomia entre o fogo e a água.
- Yasujiro Ozu filma com a câmara estática corredores ao fundo.
- Darren Aronofsky tem um cuidado minucioso com os sons de cada objecto e situação (ver vídeo em baixo).

Em suma, um exercício bem interessante para quaisquer cinéfilos.

Para ver os restantes exemplos em vídeo, ir aqui.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

A morte do cinema segundo Borges

O site de cinema À Pala de Walsh entrevistou Pedro Borges, um dos mais importantes distribuidores e produtores de cinema portugueses (responsável, por exemplo, pela Midas Filmes). Borges não tem pruridos e diz o que pensa, como nestas duas questões cujas respostas eu subscrevo:

A morte do cinema, é verdade ou é retórica? 

Isso é para as pessoas se entreterem. O grande cinema deixou de ser arte popular. Se o John Ford ou o Hitchcock hoje fizessem filmes, não tinham espectadores nenhuns. Mas não foram os filmes que mudaram, foram as pessoas. O tempo de filas, semanas a fio, para ver filmes do Bergman ou do Truffaut acabou. 

Mas porque é que acabou? Foi o blockbuster? 

Não, foram as pessoas. Havia um certo tipo de pessoas com estatuto cultural e social para quem era obrigatório ir ao cinema ver esse tipo de filmes (como hoje é obrigatório beber 3 litros de cerveja ao sábado à noite ou ir ao futebol dar urros) e que ficaram aliviadíssimas quando isso deixou de ser obrigatório.

O resto da entrevista aqui.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

No adeus a Anita

Ontem faleceu a Diva Anita Ekberg. Há 3 anos escrevi este post sobre ela:



Há dias li numa revista que há estrelas de cinema que envelhecem muito bem. Casos de actores e actrizes que são mais atraentes e "glamorosos" agora do que há 20 ou 30 anos. Não será por certo o caso da mítica actriz de Anita Ekberg, a voluptuosa mulher que contracenou com Marcello Mastroiani no filme "La Dolce Vita" de Fellini (de forma tão carismática que chegou a dizer: "Fui eu que fiz Fellini e não o contrário"). Enquanto que actrizes como Gina Lollobrigida ou Sofia Loren souberam manter a frescura e a beleza até aos 70 anos, Anita Ekberg desmazelou-se por completo e a decrepitude da velhice tornou-a quase irreconhecível.

Sinceramente, pensei que Anita Ekberg já tivesse morrido. Mas não. A ex-Miss Suécia 1950, que nas décadas de 50 e 60 foi uma sex-symbol a nível mundial (rivalizando com Brigitte Bardot), tem actualmente 79 anos e vive isolada em Itália. Não dá entrevistas e recusa-se a escrever as memórias. A sua carreira no cinema não foi tão auspiciosa como se poderia pensar. Para além de uma breve passagem por Hollywood (onde teve casos amorosos com os actores Errol Flynn, Yul Brynner, Frank Sinatra e Gary Cooper), o seu estrelato e glamour desvanceu-se a partir dos anos 70.

A sua última aparição no cinema foi, talvez de forma simbólica, num belo filme do mestre Federico Fellini, "Entrevista" (1984).

domingo, 11 de janeiro de 2015

AC/DC como nunca os ouviu

Por norma não aprecio bandas de versões (covers). Em regra geral não têm capacidade criativa para fugir dos originais sem os deturpar. É por isso que fiquei agradavelmente surpreendido com esta espantosa versão do clássico dos AC/DC, "Thunderstruck".
Aparentemente, é um grupo de agricultores que toca mas é apenas um recurso teatral, visto que são músicos finlandeses de uma banda intitulada Steven'n'Seagulls. Esta banda consegue ser fiel ao clássico do metal ao mesmo tempo que o reinventa no ritmo, na sonoridade, nos timbres... Fantástico trabalho musical.
Nunca fui fã dos AC/DC nem deste tema em particular, mas ao escutar esta incrível versão ao som de banjo, acordeão, contrabaixo, tarola e bigorna (!), deu-me uma inusitada vontade de... dançar. E já agora de afirmar: aqui está uma versão bem mais interessante do que a canção original.

sábado, 10 de janeiro de 2015

44 minutos de tiroteio (na realidade e na ficção)



Como muito bem referiu o Sam na caixa de comentário do meu post anterior sobre a violência na realidade e na ficção, consta-se que o filme "Heat- Cidade Sob Pressão" (1995) poderá ter servido de inspiração para um dos maiores tiroteios contemporâneos que houve nos EUA. Mais propriamente em Los Angeles, a norte de Hollywood, pelo que ficou conhecido como "The North Hollywood Shootout". 
Aconteceu em 1997 (dois anos após o filme de Michael Mann, portanto) e resultou numa troca de tiros bem real que causou diversos ferimentos em polícias e  transeuntes e na morte dos dois assaltantes do Bank of America. O assalto ao banco correu mal (como no filme), com a polícia a ripostar violentamente os dois homens vestidos de preto e fortemente armados que disparavam contra tudo o que mexia. Foram apenas 44 minutos de intenso tiroteio com milhares de balas disparadas, numa acontecimento real que quase ridiculariza, em termos de violência, o filme "Heat" (toda a história aqui).

Em 2003 um telefilme reproduziu os acontecimentos verídicos deste assalto numa manhã quente de Los Angeles. De título "44 Minutes - The North Hollywood Shootout", o telefilme é de qualidade meramente mediana (apesar de ter um actor consagrado, Michael Madsen), mas a violência dos tiroteios está bem retratada. 

PS - Agora é esperar que resulte um bom filme do caso do massacre e tiroteio de Paris, de preferência, com Michael Mann no comando da realização.

De seguida, o telefilme na íntegra que retrata o episódio real:

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Violência do real e da ficção

Três imagens. Três imagens que poderiam ser de um filme. 
Por acaso a segunda e a terceira imagens são oriundas de um grande filme de acção: "Heat - Cidade Sob Pressão" (1995) de Michael Mann. A primeira imagem também poderia ser de um qualquer filme de acção policial, mas é de um acontecimento bem real: o massacre de 12 pessoas do jornal Charlie Hebdo ocorrido ontem no centro de Paris.

Algumas semelhanças e diferenças entre a ficção e a realidade:

- No filme de Michael Mann, os atiradores estão no meio da rua, têm a cara destapada, disparam indiscriminadamente armas automáticas contra a polícia escondendo-se atrás de carros e fogem de um assalto a um banco no meio da cidade.

- Na situação real de Paris, os dois homens também se encontram no meio da rua com veículos e envergam indumentária militar com a cara tapada, usam metralhadoras contra a polícia, executam um polícia na nuca e fogem no rebuliço urbano da cidade a grande velocidade.

A violência da ficção e da realidade não é, afinal, muito diferente. O que nos leva à eterna questão: a realidade imita a ficção ou a ficção imita a realidade?



terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Joy Division - A visão de Peter Hook

O baixista Peter Hook dos míticos Joy Division lançou há um ano este livro que aprofunda a vida atribulada da banda e dos seu carismático vocalista, Ian Curtis.

“Vivid, funny, and unexpectedly touching, Peter Hook’s memoir strips away the shroud of myth surrounding Joy Division to offer a refreshingly gritty perspective on the story of four ordinary young men who together made extraordinary music.” 
Simon Reynolds 

À venda aqui.