sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

Os Gags de Tati

Para quem tenha dúvidas sobre a genialidade do humor visual de Jacques Tati, eis uma breve explicação de alguns dos melhores gags do filme "Playtime" (1967)

terça-feira, 28 de Outubro de 2014

Transformar o blogue em livro?



Desde há uns anos a esta parte, o mercado livreiro em Portugal edita uma avalanche de livros sem interesse nenhum: livros escritos, supostamente, por celebridades oriundas dos meandros da televisão e da moda (que escrevem "romances"), de reality shows desprezíveis, do futebol, da gastronomia dita gourmet, do jornalismo sensacionalista, da blogosfera, etc. 

Resultado: todos os dias vemos nos escaparates, em grande destaque, livros inúteis sobre auto-ajuda, sobre como atingir os vários estados de felicidade, sobre astrologia e tarot, sobre viagens de sonho à Gronelândia sem gastar dinheiro, sobre políticos e banqueiros corruptos, sobre temas históricos mais do que explorados, livros de "literatura ultra-light" formatada, fútil e supérflua, livros sobre histórias eróticas (como se fossem novidade literária!), sobre crónicas políticas anteriormente editadas num jornal dito de "referência", sobre a problemática das relações amorosas em tempos de crise, sobre como nos devemos vestir em estilo "trendy", sobre dietas milagrosas, enfim, uma montanha de edições prontas-a-consumir  num tempo de vacuidade cultural como diria o filósofo contemporâneo francês Gilles Lipovetsky. 

E a verdade é que, paradoxalmente, apesar da crise da venda de livros, é cada vez mais fácil a qualquer pessoa com o mínimo de visibilidade mediática (sim, porque esta é uma premissa importante para as editoras) editar um livro sobre a mais improvável temática. Ainda que não tenha interesse nenhum. Dir-me-ão: "Mas há público para comprar estes produtos". Claro que há. Assim como há público para ver programas de puro lixo televisivo. 

Pensando bem, indo ao encontro da tendência do mercado livreiro, eu próprio poderia apanhar a onda e editar um livro com o muito material que já publiquei, ao longo de oito anos, neste blogue O Homem Que Sabia Demasiado. Reunia as publicações que considerava serem as mais interessantes e editava um livro. Mas havia vários problemas para ultrapassar:

Problema número 1: Dificilmente conseguiria reunir um conjunto de textos suficientemente bons para incluir num livro.

Problema número 2: Mesmo que o conseguisse, dificilmente encontraria alguma editora interessada para concretizar a edição.

Problema número 3: Ainda que houvesse alguma editora interessada, o autor deste blogue não é mediático, não aparece na televisão nem tem milhares de page views por dia como o blogue A Pipoca Mais Doce (que já vai no terceiro livro).  

Problema número 4: Mesmo que o livro fosse, deveras, editado, quase de certeza que só o compraria a meia-dúzia de leitores mais fiéis deste blogue, os meus pais e o meu amigo de infância que, mesmo não gostando do cinema de Béla Tarr, diz que aprecia só para me agradar.

E é isto. 

segunda-feira, 27 de Outubro de 2014

Representação: arte mimética

Não é raro assistirmos a determinados filmes e acharmos que o actor (ou actriz) que está a interpretar o papel é mesmo a celebridade representada, de tão espantosas serem as semelhanças físicas. É como se a celebridade e o actor que lhe dá vida fossem sósias naturais. 

Eis alguns exemplos (pela ordem das imagens):

- Eddie Redmayne e Felicity Jones como Stephen e Jane Hawking em "A Teoria de Tudo"
- Daniel Day-Lewis como Abraham Lincoln em "Lincoln"
- Robert Downey Jr. como Charlie Chaplin em "Chaplin"
- Bruno Ganz como Adolf Hitler em "A Queda"
- Andre 3000 como Jimi Hendrix em "Jimi: All Is By My Side"
- Ashton Kutcher como Steve Jobs em "Jobs"
- Denzel Washington como Malcolm X em "Malcolm X"
- Jamie Foxx como Ray Charles em "Ray"
- Val Kilmer como Jim Morrison em "The Doors"
























domingo, 26 de Outubro de 2014

O primeiro Jodorowsky

Enquanto não chega a última extravagância cinematográfica de Alejandro Jodorowsky - "A Dança da Realidade" (que deu que falar no último festival de Cannes) nada como voltar ao início da carreira deste singular realizador e perceber como tudo começou. 
Em 1957, o ainda jovem Jodorowsky, quase sem experiência no cinema - mas motivado por Jean Cocteau - filmou em Paris a sua primeira curta-metragem, "La Cravate" ("A Gravata"), uma versão muda de um conto do grande escritor Thomas Mann.
A história tem uma forte vertente surrealista (que marcaria a carreira futura do cineasta), porque a história centra-se numa mulher que vende cabeças. Um jovem que quer conquistá-la (o próprio Jodorowsky como actor) muda de cabeça e de personalidade como estratégia para os seus objectivos. 
Ao mesmo tempo divertido, bizarro e visualmente sugestivo, eis o primeiríssimo filme do realizador chileno.

O filme, considerado perdido, foi encontrado na Alemanha em 2006. Tem apenas 20 minutos.

sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Jerry para o fim-de-semana

Uma boa forma de entrar no fim-de-semana é assistir a estes dois preciosos e divertidos minutos de puro génio de Jerry Lewis: 

quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

Um homem toma banho sereno na margem do rio Tamisa. Só podia ser Hitchcock.

Introdução à obra de Tarr

Para quem não sabe quem é o realizador Béla Tarr nem conhece os seus filmes; para quem já conhece superficialmente e considera que o seu cinema é "aborrecido" e "lento"; ou para quem ache que Béla Tarr é uma marca de cereais gourmet, o melhor é mesmo ler este excelente e elucidativo artigo da Taste of Cinema: analisa objectivamente os sete filmes deste realizador húngaro com total clareza. 
Pode ser que no final da leitura o leitor se motive a conhecer melhor a obra deste cineasta e que passe, como eu, a admirá-lo profundamente.
Link para o artigo.

terça-feira, 21 de Outubro de 2014

Danny Elfman ao vivo!

Vai acontecer no dia do Halloween, dia 31 de Outubro e também dia 1 de Novembro no Nokia Theatre de Los Angeles: Danny Elfman interpreta (canta) ao vivo, acompanhado de uma orquestra, a banda sonora do filme "The Nightmare Before Christmas", obra prima de Tim Burton. Já o tinha feito há precisamente um ano em Londres e agora volta a fazê-lo - segundo o próprio - pela última vez.
Meu deus... Tivesse eu dinheiro e a esta hora já teria comprado o bilhete de avião e o do respectivo espectáculo!

Ver aqui mais informação e uma breve entrevista a Danny Elfman.

segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

Vivemos num mundo como o de Truman Burbank?



"The Truman Show" (1998) de Peter Weir mostrava uma gigantesca produção televisiva em formato reality show acerca da vida de um homem comum inserido num mundo totalmente fabricado e fictício. Truman Burbank (Jim Carrey) vivia uma vida repetitiva, monótona, quase igual dia após dia: os mesmos rituais, as mesmas situações quotidianas, os mesmos cenários existenciais, em suma, uma vida votada à total ausência de surpresa, de liberdade e de espontaneidade. Todos o sabiam, só ele desconhecia essa tenebrosa montagem mediática.
  
O filme remete para diversas questões de ordem filosófica e sociológica: o poder manipulador dos media na sociedade contemporânea; a "alegoria da caverna" de Platão; o sentido de liberdade do indivíduo; a teoria distópica ("1984") de George Orwell; a dicotomia entre "realidade" e "simulacro" de Jean Baudrillard, conotações religiosas, teoria dos "universos paralelos", etc. O filme de Peter Weir até originou um síndrome psiquiátrico designado "Síndrome de Truman" (conceito do psiquiatra Joel Gold), aplicado a doentes mentais que sofrem de delírios esquizofrénicos como o de pensar que a sua vida é, de facto, um reality show. 

Eu próprio, que me julgo racionalmente saudável, penso às vezes que a minha vida faz parte de uma "realidade de simulacro", manipulada por uma força superior que me obriga a cumprir repetidamente os mesmos rituais, os mesmos gestos quotidianos, numa espiral vivencial pré-programada onde a minha liberdade é fortemente condicionada. Sim, este conceito também remete para o universo original de "Matrix".

Pensando bem, talvez seja bom marcar uma consulta com o dr. Joel Gold...

domingo, 19 de Outubro de 2014

Um jovem realizador chamado Trakovsky


Há uns anos, um jovem estudante russo de cinema chamado - curioso nome - Dmitry Trakovsky, realizou um documentário sobre o cineasta Andrei Tarkovsky (a propósito do vigésimo aniversário da sua morte). O documentário procurava aprofundar o legado artístico e filosófico do realizador russo, partindo de alguns dos seus principais temas (explanados no livro "Esculpir o Tempo" e em todos os seus filmes): tempo, memória, morte, espírito, arte, fé, razão, humanidade...
Nesse sentido, o jovem Dmitry Trakovsky procurou em "Meeting Andrei Tarkovsky" um olhar poético e conciso sobre a herança do pensamento e da arte de Tarkovsky, através de inúmeras entrevistas com actores que trabalharam com o realizador e familiares directos (o filho e a irmã de Andrei). O documentário foi aclamado pela crítica e foi editado em DVD via Amazon. numa edição limitada e assinada pelo realizador.

Por certo um filme a guardar juntamente com outros três documentários (reunidos numa só edição DVD) que fazem luz sobre a obra deste realizador único: "The Andrei Tarkovsky Companion" (com filmes de Chris Marker, Sokurov e Tonino Guerra).

Links úteis: o site oficial do documentário de Dmitry Trakovsky e o Facebook respectivo.

O jovem realizador (nasceu em 1985) Dmitry Trakovsky:

quinta-feira, 16 de Outubro de 2014

Três livros

Uma rápida passagem pela Amazon e descobri muito boas edições de música e de cinema. Sobre música, três apetitosos livros que acabam de ser lançados (ou vão ser lançados brevemente):



terça-feira, 14 de Outubro de 2014

O livro de notas de Ian Curtis

Para os fãs incondicionais dos Joy Division e, especialmente, do seu carismático cantor e líder, Ian Curtis, aqui está um objecto que fará as delícias de todos: um livro escrito pela viúva de Ian, Deborah Curtis, e pelo reputado jornalista musical Jon Savage. 
Trata-se de um livro que contém os manuscritos das letras que Ian Curtis escreveu para a banda de Manchester, para além de material escrito original e nunca publicado. intitula-se "So This is Permanence" - primeira frase da letra "Twent-Four Hours" - conta com 300 páginas e está à venda online esta mesma semana (pode ser encomendado via Amazon). A revista New Musical Express dedicou esta semana a capa a Ian Curtis com uma grande reportagem sobre o livro.
Imperdível, portanto.

Aqui uma entrevista com o co-autor do livro, Jon Savage.

segunda-feira, 13 de Outubro de 2014

O fabuloso e desconhecido Pelechian


Há dois anos, o Lisbon Estoril Film Festival tinha no seu programa uma secção denominada "Cineastas Raros". Um dos cineastas raros que o festival promoveu foi o fascinante Artavazd Pelechian (1938), realizador arménio praticamente desconhecido (mesmo do público cinéfilo).
Tive a ocasião de conhecer o seu trabalho há uns anos devido a uma edição em DVD das obras documentais (1967 - 1993) de Pelechian (edição Costa do Castelo).

Pelechian é de facto um cineasta raro pela forma como encena e constrói os seus filmes (recorrendo a filmagens originais mas também a imagens de arquivo), pela linguagem cinematográfica que utiliza (reminiscências de Eisenstein e Vertov) e pela forma como nos revela o mundo. O seu cinema documental assenta num trabalho plástico e poético das imagens em sintonia magistral com a música e o espantoso trabalho de sonoplastia. O realizador considera indissociáveis a imagem e a música como elementos que dão ritmo e coerência estética ao seu trabalho.

Pelechian praticamente só realizou curtas-metragens (oito) e a duração total da sua filmografia não ultrapassa - imagine-se - as 3 horas. Mas não é pela curta duração do seu trabalho que o cineasta deixa de ser um grande cineasta. Os seus filmes centram-se no homem e na sua relação íntima com a natureza. Para o realizador arménio, a natureza é o laço que une todos os seres vivos. Os filmes de Pelechian revelam-nos a consciência humana através de uma sensibilidade única. Não têm diálogos nem narração. As imagens explicam tudo.

Não terá sido por acaso que Jean-Luc Godard referiu uma vez que Pelechian é "um dos maiores cineastas vivos" e que Sergei Paradjanov disse que o cineasta arménio "é um dos poucos génios do cinema universal". Por sua vez, o grande realizador da Trilogia Qatsi, Godfrey Reggio, referiu que conheceu a obra de Pelechian em 1988 e que foi uma "experiência espiritual".

Uma das suas obras mais aclamadas é "Seasons", na qual Pelechian aborda os costumes da sua terra e a ligação que une o homem com a natureza. Ou o fabuloso "The End" com o início do comboio, os incrível trabalho sonoro com os sons e a música.

O seu cinema está repleto de pura poesia visual e é um cineasta de génio que urge conhecer.

(No Youtube encontram-se outros filmes do realizador, inclusive um documentário sobre a sua obra).

Recensão crítica da sua filmografia.

sábado, 11 de Outubro de 2014

O regresso (épico) de "Twin Peaks"

O regresso da série "Twin Peaks" em 2016 com nove novos episódios pela mão do próprio David Lynch encheu de regozijo os fãs de ambos. A expectativa é grande. Veremos quais serão os contornos narrativos da continuação desta mítica e influente série. 
Felizmente que todos os actores originais estão vivos e no activo. E os anos parece que passam por alguns actores e por outros não.
Por exemplo, o actor principal, Kyle MacLachlan, parece o mesmo, enquanto que Sheryl Lee (Laura Palmer) se constata um envelhecimento natural.
Ver aqui outras comparações com o restante elenco.

O que diz Tarkovski #15

"Qual a essência do trabalho de um realizador? Poderia defini-la como 'esculpir o tempo'. Assim como o escultor trabalha um bloco de mármore e, guiado pela visão interior da sua futura obra, elimina tudo o que não faz parte dela, do mesmo modo o cineasta, a partir de um 'bloco de tempo', corta e rejeita tudo aquilo que não necessita. Desta forma deixa apenas o que deverá ser um elemento do futuro filme, revelando uma componente essencial da imagem cinematográfica."

quarta-feira, 8 de Outubro de 2014

Perfume Genious

Perfume Genius é, provavelmente, o músico mais sofisticado do panorama actual da música pop.

segunda-feira, 6 de Outubro de 2014

Robert Mitchum (em boneco)

A Evil Corporation é uma empresa de animação que trabalha para empresas de publicidade. Mas também cria merchandise relativo à cultura popular, nomeadamente, relacionada com o cinema e a televisão. 
É o caso destas duas imagens que retratam, em forma de bonecos, os protagonistas do filme "The Shining" (1989) de Kubrick e o inesquecível Robert Mitchum no papel do inquietante reverendo no filme "A Noite do Caçador" (1955) de Charles Laughton. 
Este boneco de Robert Mitchum não ficaria mal na prateleira de qualquer cinéfilo...
Ver mais aqui.

 

domingo, 5 de Outubro de 2014

Uma noite inesquecível (e imaginária)

À primeira vista, este é um cartaz aparentemente antigo que noticia uma noite de concertos com as bandas que indica na mítica sala londrina Electric Ballroom de Camden Town. Porém, nada mais falso.
Trata-se de um cartaz forjado que apanhei a vaguear pela internet. Era impossível ter estas bandas no mesmo palco e na mesma noite, uma vez que os Clash, os Sex Pistols e os Joy Division terminaram a carreira uns anos antes de os Smiths começarem a deles.

Mas a verdade é que este cartaz deu-me que pensar numa coisa óbvia: que grande e inesquecível noite de música teria sido se este cartaz correspondesse à realidade!

sexta-feira, 3 de Outubro de 2014

Para que serve a literatura?

Para que serve a literatura? Mesmo que julgue ter a resposta, sugiro ver esta pequena e surpreendente animação que explica a função dos livros nas nossas vidas.
 

quarta-feira, 1 de Outubro de 2014

Dia Mundial da Música - 30 discos

Neste Dia Mundial da Música resolvi fazer uma lista de 30 discos da minha vida. É uma lista de discos que, sobretudo, marcaram a minha adolescência e juventude, que me formaram melómano e me fizeram acreditar no poder da música como expressão estruturante das nossas vidas.
São 30 títulos - podiam ser 50 ou 80 - muito eclécticos. Mas estes são discos que considero, cada um no seu género, obras-primas intemporais às quais ainda hoje regresso com inesgotável prazer.
Estão listados por ordem cronológica.

Captain Beefheart - “Safe as Milk” (1967)
The Velvet Underground – “White Light/White Heat” (1968)
Miles Davis – “Bitches Brew” (1970)
Suicide – “Suicide” (1977)
Joy Division - "Closer" (1980)
The Loung Lizards – “The Lounge Lizards” (1981)
David Byrne & Brian Eno - "My Life in the Bush of Ghosts" (1981)
Virgin Prunes – “…If I Die I Die” (1982)
Tom Waits – “Swordfishtrombones” (1983)
Philip Glass – “Songs From The Liquid Glass” (1984)
Cocteau Twins – “Treasure” (1984)
Prefab Sprout – “Steve McQueen” (1985)
Love & Rockets - "Seventh Dream of Teenage Heaven" (1985)
XTC - "Skylarking" (1986)
The Cure – “The Head on The Door” (1986)
Public Enemy – “It Takes a Nation of Millions To Hold Us Back” (1986)
Diamanda Galás - “The Divine Punishment” (1986)
The Young Gods – “The Young Gods” (1987)
Dead Can Dance – “Within The Realm of a Dying Sun” (1987)
Spacemen 3 – “Playing With Fire” (1988)
Wim Mertens – “Maximizing The Audience” (1988)
Naked City – “Naked City” (1990)
Cheikha Rimitti – "Sidi Mansour” (1994)
Danny Elfman – “The Nightmare’s Before Christmas” (1995)
Aphex Twin – “Richard D. James Album” (1996)
Squarepusher – “Feed Me Weird Things” (1996)
Mr. Bungle – “California” (1999)
Amon Tobin – “Supermodified” (2000)
Fantômas – “The Director’s Cut” (2001)
Swans - "To Be Kind" (2014)

John Cleese, a autobiografia

É sempre discutível afirmar quem foi o melhor humorista do grupo Monty Python. Quanto a mim, não tenho dúvidas: John Cleese. Agora, aos 74 anos, John Cleese publica a autobiografia, "So, Anyway...". Sai dia 9 de Outubro em Inglaterra e nos EUA. 
Mais informação (e venda) na Amazon.

terça-feira, 30 de Setembro de 2014

domingo, 28 de Setembro de 2014

Vasconcelos




António-Pedro Vasconcelos é um veterano do cinema português. Tem, indubitavelmente, uma sólida formação cinéfila e conhecimentos teóricos e práticos sobre o cinema, tanto mais que contactou directamente nos anos 60 com inúmeros realizadores da Nova Vaga francesa. 
Nesta entrevista que deu ao site C7nema, Vasconcelos explica como foi o seu percurso no cinema, a sua experiência decisiva em Paris e explana as suas opinões sobre o cinema português. Percebe-se, pelo que diz, que existem muitos ódios no pequeno circuito do cinema nacional e que ele se sente um bom exemplo de um "autor com público". 
António-Pedro Vasconcelos aproveita também para destilar veneno - coisa que já se sabia - contra a crítica de cinema portuguesa, que acusa de analfabeta e indigente. Uma opinião certamente controversa e que só alimenta o ódio entre o realizador e a crítica (já o público, ficará dividido entre ambos).

Repare-se no que Vasconcelos diz:

A crítica em Portugal é uma lástima, condicionada por preconceitos, nomeadamente esse, de que o quem tem público não faz cinema de autor, a não ser no caso do caso do cinema americano. Se for americano já aceitam. Pode não gostar do Spielberg, ou do Kubrick, mas eram autores. Eles têm público. Essa ideia foi letal para o cinema português e a crítica embarcou nisto completamente. O Truffaut e o Godard, quando eram críticos, tinham toda uma visão do mundo. Aqui em Portugal, além de não terem nada disto, não fazem ideia do que estão a falar. Como costumo dizer, não sabem distinguir um travelling de um ovo estrelado. Assim como o cinema português não cria nenhuma empatia com o público, os críticos de cá também não o fazem. Não servem de guia para os espetadores.