Terça-feira, Dezembro 01, 2009


Grandes videoclips e algumas boas músicas (porque nem sempre uma coisa está ligada à outra) numa escolha do sempre atento e prestigiado Pitchfork.

Segunda-feira, Novembro 30, 2009

Momentos e Imagens - 47



Domingo, Novembro 29, 2009

Melhores filmes da década?


O The Hollywood Reporter elaborou uma lista dos dez melhores filmes da última década:

1 - "Cartas de Iwo Jima" (2006) - Clint Eastwood
2 - "Voo 93" (2006) - Paul Greengrass
3 - "Este País Não é Para Velhos" (2007) - Ethan and Joel Coen
4 - "Testemunhos de Guerra" (2003) - Errol Morris
5 - "4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias" (2007) - Christian Mungiu
6 - "Longe do Paraíso" (2002) - Todd Haynes
7 - "Intervenção Divina" (2002) - Elia Suleiman
8 - "Caché - Nada a Esconder" (2005) - Michael Haneke
9 - "O Escafandro e a Borboleta" (2007) - Julian Schnabel
10 - "O Laço Branco" (2009) - Michael Haneke

Esta lista deixou-me perplexo. Por vários motivos. Sabendo-se que o The Hollywood Reporter é uma importante revista norte-americana sobre a indústria do entretenimento (a outra é a Variety), fiquei surpreendido por ver referenciados 5 filmes não americanos: um palestiniano, um francês, um romeno e dois austríacos. Surpreendido porque, apesar de "Cartas de Iwo Jima" ser um bom Eastwood, julgo que o trono ficaria melhor entregue com títulos como "Gran Torino" (2008) ou "Million Dollar Baby" (2004). Surpreendido, também, por ver um razoável filme de acção - "Voo 93" - em segundo lugar. A exclamação é legítima: "Voo 93" é o segundo melhor filme da década?!
Mais uma surpresa (positiva): a nomeação do excelente documentário "Testemunhos de Guerra" de Errol Morris, de que falei aqui. E derradeira surpresa: a inclusão de 2 (!) filmes do austríaco Michael Haneke: "Caché" de 2005 e "O Laço Branco" (este filme é o único que não vi da lista), título vencedor da Palma de Ouro do último festival de Cannes (também consta outro notável filme que ganhou a Palma de Ouro do ano anterior - "4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias" do romeno Christian Mungiu).
O filme de Julian Schnabel é magnífico, como referi neste post, mas não sei se merece integrar os 10 melhores filmes de uma década (o mesmo para o título "Longe do Paraíso" de Haynes e "Intervenção Divina" de Suleiman). Já a fita dos irmãos Coen, quanto a mim, está de pleno direito na lista.
Em suma, uma lista surpreendente e improvável, tendo em conta que provém de um órgão de comunicação tão vocacionado para a promoção da indústria cultural norte-americana como é o "The Hollywood Reporter".

A morte do "Rei Lagarto"


Vi no Biography Chanel um documentário sobre os últimos dias de Jim Morrison. Como ícone da cultura rock da década de 60, o líder e vocalista dos The Doors sempre pautou a sua vida com o gosto pelo risco, vivendo sempre no fio da navalha (à beira do abismo, dizia Nietzsche). As suas maiores referências literárias, Rimbaud e Baudelaire, cedo exerceram grande fascínio no espírito jovem de Jim Morrison. Por vezes dizia aos amigos que um dia desapareceria do circo mediático e da fama - que consumia as suas energias - simulando a sua própria morte. Achava que já tinha atingido o zénite da sua arte aos 27 anos, tal como Rimbaud tinha atingido o auge criativo aos 18 anos com os seus mais importante poemas simbolistas.
O dito documentário, em vez de tentar esclarecer objectivamente o contexto da causa da morte de Morrison, lança a confusão com várias teorias contraditórias que ainda hoje são discutidas, 40 anos após os acontecimentos. A versão oficial refere que o cantor maldito dos Doors - o "Rei Lagarto" - morreu na banheira devido a uma overdose de drogas, sendo o corpo descoberto pela namorada. Mas há quem assegure que a morte ocorreu numa discoteca de Paris e que o corpo foi levado para o apartamento, ou que Morrison encenou a sua própria morte para se livrar das pressões da fama. Exactamente o que se disse em relação à morte de Elvis Presley, Jimi Hendrix, Janis Joplin ou Kurt Cobain.
Curioso foi o comentário de um amigo que fechou o documentário dizendo mais ou menos isto: "Não acredito que Jim Morrison encenasse a sua própria morte. O Morrison que eu conheci não conseguiria estar 40 anos sem, de uma forma ou de outra, voltar à ribalta." Afinal de contas, a fama deve ter um poder tão forte de sedução quanto de repulsa. E por vezes, estes poderes contraditórios fundem-se e geram o fascínio dos mitos culturais eternos.

Ligações realizadores - músicos


Já por várias vezes falei por aqui da relação entre música e cinema. Sobretudo a relação artística continuada entre realizadores e compositores, como Tim Burton com Danny Elfman (na imagem), Alfred Hitchcock com Bernard Herrmann, David Cronenberg com Howard Shore, Peter Greenaway com Michal Nyman, Ridley Scott com Hans Zimmer, etc.
Numa pesquisa sobre esta temática descobri uma lista da Wikipedia bastante completa. São, nada mais nada menos, que 90 entradas de ligações entre cineastas e músicos, compiladas a partir de toda as épocas da história do cinema - desde Eisenstein com Prokofiev (anos 30) até Sam Mendes com Thomas Newman. Link.

Sábado, Novembro 28, 2009

Díptico - 75


Elvis Presley: "Elvis Presley" (1956)

The Clash - "London Calling" (1979)

Sexta-feira, Novembro 27, 2009

Perguntas indiscretas - 12

Na sequência do post anterior, lanço uma pergunta: qual seria o realizador ideal para fazer um filme sobre os The Velvet Underground? Que cineasta reúne os requisitos artísticos e a sensibilidade (cinematográfica e musical) para levar a bom porto um projecto destes?
Eu arrisco:
- Anton Corbijn
- Julian Schnabel
- Gus Van Sant
- Martin Scorsese
- Jim Jarmusch
- Clint Eastwood
- Darren Aronofsky
- Steven Soderbergh
- Joel e Ethan Coen
(...)

O legado dos Velvet Underground

Quando escrevi o post sobre os The Horrors reflecti sobre um facto óbvio mas que nem sempre é reconhecido: a música rock das últimas décadas não teria sido a mesma sem a herança dos The Velvet Underground. A mítica banda nova-iorquina, constituída por Lou Reed, John Cale e Nico, revolucionou a estética rock dos anos 60 com uma pujança criativa deliberadamente "arty" por influência directa de Andy Warhol e da formação musical erudita de John Cale.
A música dos Velvet Underground era trementadamente visionária e crua, aberta à experimentação (ruído, improvisação, minimalismo) e representava o reflexo perfeito da combustão cultural e artística da Nova Iorque da segunda metade dos anos 60. Por isso foram, porventura, a banda rock mais influente e determinante para a evolução de um certo panorama rock, como o psicadelismo, o rock progressivo, o punk e o rock mais experimental. Quer em termos de sonoridade, quer em termos de imagem e de atitude, a banda de Reed e de Cale foi essencial para que grupos como os The Horrors (e tantos outros ao longo de 4 décadas) tenham aparecido.
PS - A curta mas intensa carreira dos Velvet Underground e sua relação com Andy Warhol daria, certamente, para um bom filme. Para quando um "biopic"? A mais recente biografia lançada em Outubro - "The Velvet Underground - New York Art" - poderia servir de mote para essa adaptação ao cinema.

Aufgang: dois pianos e percussão


Os Aufgang têm uma formação instrumental muito original: dois pianos clássicos de cauda e um percussionista (acústico e electrónico). Os pianistas, Rami Khalifé e Fracensco Tristano, têm uma sólida formação clássica (tocam impecavelmente as "Variações de Goldberg" de Bach) e o baterista, Aymeric Westrich, vem do rock. Juntos conheceram-se em 2000 e conceberam um projecto arrojado, que une a música clássica contemporânea com linguagens estéticas actuais, como a electrónica e o pós-rock. Em 2005 deram nas vistas num concerto no festival de música electrónica experimental Sónar, em Barcelona. Mas só agora lançam o seu primeiro disco, "Aufgang".
O álbum é magnífico nas nuances sonoras permitidas pela inusitada fusão dos dois pianos e da percussão acústica e programação electrónica de Aymeric. Musicalmente não se inserem em nenhuma classificação musical propriamente dita, fazendo abordagens tanto ao jazz como ao rock, a música erudita ao "downtempo" e a sonoridades mais dançáves.
Os Aufgang representam uma proposta original numa época em que é cada vez mais raro descobrir abordagens musicais inovadoras.
Myspace da banda.

Quinta-feira, Novembro 26, 2009

The Horrors


Qual o resultado da mistura destas referências - The Cure (primeira fase), Joy Division, The Cramps, Jesus and Mary Chain, Spiritualized e My Blood Valentine? O resultado pode ser - é mesmo - The Horrors, a banda que há dois anos tem dado que falar no circuito indie rock. Longe de original, o look destes músicos ingleses não engana. A filiação numa certa tendência gótica (via Bauhaus) é notória. O revivalismo pela cultura urbano-depressiva dos anos 80 é manifestada através das roupas negras em contraste com a pela branca como a cal, as calças justíssimas, os cabelos milimetricamente despenteados, o visual "fashionable", quais modernos "dark dandies".
A música dos The Horrors faz o cruzamento das bandas (e de outras tantas) citadas. Um rock directo, por vezes com reminiscências punk, outras vezes com ambiências mais melódicas com direito a órgão Farfisa para dar uma áurea estética mais "arty". Claro que não têm a visceralidade sónica de uns primeiros Jesus and Mary Chain, a criatividade de uns The Cure e, muito menos, a profundidade artística de uns Joy Division. Ainda assim, com dois álbuns editados (o último, "Primary Colours", recentemente editado) e muito hype à mistura, os The Horrors conquistam fãs por todo o lado (muito à custa de intensos concertos ao vivo). Pessoalmente, gosto muito de alguns temas e não gosto nada de outros. Do que gosto mesmo é do cuidado estético dos seus videoclips. Para isso não será alheio o facto de terem muito bom gosto nos realizadores que escolhem, como o fantástico videoclip "Sheena is a Parasite", da autoria do aclamado realizador Chris Cunningham. Ou este sublime videoclip "She is the New Thing", realizado por Corin Hardy. Uma verdadeira trip alucinogénica "dark gore" em animação (poderia ter sido realizado por Tim Burton):

O prazer de rever filmes


João Bénard da Costa, ex-director da Cinemateca Nacional, disse um dia que o filme que mais “amava” e que mais vezes tinha visto na vida era “Johnny Guitar” (1954) de Nicholas Ray. Bénard da Costa viu este western 60 vezes (!). Sessenta visionamentos de mesmo filme, ao longo de uma vida. Pode parecer um exagero, mas o ex-director da Cinemateca defendia que, a cada novo visionamento, descobria pormenores novos. Mais: conforme a idade com que via o filme, a disposição mental ou as circunstâncias mais diversas, “Johnny Guitar” parecia-lhe sempre um filme “novo”. Também lhe dava especial prazer - à força de tanto ver o filme – saber os diálogos de cor e citá-los à mesa do café com os amigos.
Não tenho a certeza, mas creio que o filme que já vi mais vezes foi o “The Shining” do Kubrick (ou o “Psico” do Hitchcock). Vi-o umas 7 ou 8 vezes. E na verdade nunca me cansei nem julgo que me cansarei a cada novo visionamento. Já outros filmes não resistem a um segundo visionamento, quanto mais ao quinto ou ao décimo quarto.
Há quem tenha reservas em rever um filme porque “já foi visto”. Mas tenho para mim que um bom filme deve e pode rever-se sempre quando necessitemos de o rever (com a disposição mental da primeira vez, sem reservas ou preconceitos), da mesma forma como se deve reler um bom livro dezenas de vezes ou ouvir uma música que já ouvimos centenas de vezes. A experiência é sempre diferente. Nem que seja um pouquinho diferente. O prazer estético que se retira desta fruição repetitiva é sempre positivo e enriquecedor, e não ofusca ou prejudica o prazer de descobrir objectos artísticos novos. Um prazer complementa o outro.
Já agora, como só vi o “Johnny Guitar” uma vez, vou aproveitar para vê-lo outra vez. Se gostar da experiência, talvez consiga igualar (ou superar) o record de visionamento de João Bénard da Costa.

Muppets meets Queen

Eles estão de volta. E mais corrosivos do que nunca. Os Muppets (Marretas, por cá). E logo com uma - para sintetizar - belíssima e divertida versão de um tema clássico da banda de Freddie Mercury, os Queen: "Bohemian Rhapsody". Impagável.
A propósito deste tema (o original, não esta versão parodiada) devo dizer que é um tema extremamente bem composto. Quando era estudante de música estudei-o nota a nota e, em termos de composição, de harmonia e estrutura formal, “Bohemian Rapsody” é um portento de música de difícil interpretação, dada a grande variedade que a música apresenta em termos de mudanças melódicas e até de géneros musicais num curto espaço de tempo.

Quarta-feira, Novembro 25, 2009

Vampyr - A luz e a escuridão


Numa altura em que o sucesso da saga "Twillight" se impõe nas salas de cinema, importa perguntar qual o melhor filme de vampiros jamais realizado. "Nosferatu" (1922) de Murnau, dirão muitos. Talvez. Ou talvez outra obra-prima muitas vezes esquecida: "Vampyr" (1932) de Carl Theodor Dreyer. Este filme foi realizado dez anos depois do clássico de Murnau e, apesar de manter algumas semelhanças com o filme alemão, são mais as diferenças que marcam a divisão das duas obras. O realizador dinamarquês já tinha realizado, em 1928, um espantoso retrato de Joana D'Arc, com o filme "A Paixão de Joana D'Arc", uma das obras-primas do cinema mudo europeu. Foi também o seu último filme mudo, dado que a indústria cinematográfica europeia se estava já a adaptar-se ao cinema sonoro.
E que filme é "Vampyr"? Um filme em que ocorre um estonteante embate entre os poderes da luz (os vivos) e os da sombra (os mortos-vampiros), ambos possuidores de grande força anímica. Um filme de uma força plástica única, que extravasa até as premissas do Expressionismo Alemão (em que se filia "Nosferatu"). Dreyer construiu a maior parte da atmosfera do filme filmando no amanhecer e no crepúsculo, para melhor captar as nuances da luz e da escuridão. O filme tem um ritmo lento, como se o realizador estivesse a filmar um baile fantasmagórico num salão onde o sonho e o pesadelo se encontram.
A história de "Vampyr" gravita em torno do jovem Alan Gray, especialista em demonologia, a quem o próprio filme chama de “um sonhador", para quem as fronteiras entre o real e o imaginário se tornaram obscuras. Numa estalagem campestre, Gray começa a presenciar estranhos acontecimentos. Descobre a presença de um vampiro que escraviza uma bela mulher que tenta libertá-la. O vampirismo não se manifesta com capas negras e dentes caninos afiados. O poder vampiresco em "Vampyr" é puramente espiritual, abstracto, surreal. E daí este filme de Dreyer ser muito mais metafísico e poético do que "Nosferatu", que advém de um horror mais físico e material. Com Dreyer o medo é induzido no espectador de forma subtil, com os jogos de luz e sombras, com o horror estampado nos rostos do pobre homem que até sonha com o seu próprio funeral.
Uma obra imortal e sempre fascinante que se pode encontrar numa magnífica edição DVD da editora Criterion.

Polanski a nu


Roman Polanski e Sharon Tate, numa fotografia tirada em 1969 pelo conhecido fotógrafo David Bailey poucos meses antes do brutal assassínio da actriz às mãos dos fanáticos seguidores de Charles Manson. A fotografia vai agora a leilão na casa Christie's, podendo alcançar um valor na ordem dos 10.000 dólares. Claro que o facto de Polanski se encontrar preso está a inflaccionar a cotação da fotografia, mas não há dúvidas que se trata de uma bela imagem de um casal feliz captada no auge da época da libertação sexual e da queda dos valores conservadores (outro casal que explorou imagens e poses de nudismo foi John Lennon e Yoko Ono).
Pergunto-me o que pensará o realizador, agora atrás das grades, se pudesse olhar para esta imagem, quando se sabe que pouco tempo depois desta fotografia ter sido tirada a sua mulher foi chacinada grávida de oito meses...

Terça-feira, Novembro 24, 2009

The End

Durante décadas os filmes terminavam sempre com a inevitável palavra "Fim", fosse em língua inglesa ou qualquer outra. Há muitos anos que esta prática caiu em desuso e os filmes terminam sem a necessidade de dizer ao espectador: "Agora é que é o fim do filme".
Mas o "The End" encerra uma mitologia própria, dado que é um elemento informativo e visual que faz parte da cultura cinéfila clássica. Eis alguns belos exemplos de últimos fotogramas de filmes com a imortal expressão "The End" (ou "Fin", ou "Finis", ou "Fine" ou...):






















Discos que mudam uma vida - 83


Portishead - "Portishead" (1997)
(também podia ser o "Dummy")

Segunda-feira, Novembro 23, 2009

Momentos e Imagens - 46

Dia 1 de Maio de 1941, Nova Iorque. Estreia do filme que iria mudar para sempre o cinema: "Citizen Kane", de um jovem realizador com apenas 26 anos, Orson Welles, de seu nome. A primeira fotografia é extraordinária pelo feliz enquadramento do instante captado pela objectiva do fotógrafo: Welles sai do táxi, cigarrilha na boca, mesmo em frente ao cinema Palace que, em segundo plano, revela em néon brilhante o seu nome e o da sua primeira obra-prima. Esta terá sido, certamente, uma das estreias mais importantes de toda a história da Sétima Arte.

World Music - a música portuguesa em destaque

O Times Online continua a sua senda na divulgação dos tops da primeira década do século XXI. Agora foi a vez da publicação dos dez melhores discos de world music dos últimos dez anos. No meio de grandes artistas mundiais do género como Rachid Taha, Salif Keita, Tinariwen, Lhasa ou Youssou N'Dour, surge um surpreendente 6º lugar ocupado por um nome português bem conhecido no panorama musical internacional. Quem é?

Iggy Pop versão jazzy


Um amigo informou-me que o último disco de Iggy Pop é verdadeiramente surpreendente porque num tema cantava... em francês. Fiquei curioso e investiguei. Na verdade, nesse disco, lançado em Junho deste ano, Iggy colocou de lado o rock e optou pela exploração de novas sonoridades. De tal forma que as grandes influências para este disco, intitulado "Préliminaires", é o jazz de Nova Orleães (Louis Armstrong), a tradição da canção francesa com cantores como Yves Montand e Edith Piaf e ainda o ícone brasileiro António Carlos Jobim.
Ainda não ouvi o disco na íntegra, mas é deveras um gozo ouvir o outrora raivoso cantor rock a cantar num estilo quase "romantic crooner", acompanhado de ritmos jazz e de ambientes de cabaret decadente. Vale a pena descobrir alguns desses temas no myspace do ex-Stooges.
PS - Entretanto, li que em 2010 a vida de Iggy Pop nos primeiros anos dos Stooges vai ser adaptada ao cinema. O actor que vai interpretar tão carismática figura musical é o jovem actor Elijah Wood.

Domingo, Novembro 22, 2009

Dois anos a blogar demasiado


Faz hoje dois anos que O Homem Que Sabia Demasiado começou com este post.

Um livro de um hitchcockiano


Um novo livro sobre Alfred Hitchcock lançado no mercado nacional é sempre uma notícia bem-vinda. Mais a mais, se esse livro é escrito não por um jornalista, um historiador, um crítico de cinema ou um realizador, mas simplesmente, por um cinéfilo admirador dos filmes do chamado mestre do suspense. É que os textos escritos (desde que bem escritos) por um cinéfilo tem sempre outra envolvência passional do que a análise, muitas das vezes fria e cerebral, de um ensaísta profissional. O cinéfilo e autor em causa dá pelo nome de José Varregoso, que já mantinha um blogue com o sugestivo título "Eu, Hitchcockiano, me Confesso".
O livro, agora à venda (Chiado Editora), ostenta o mesmo nome que o blogue e foi apresentado ontem mesmo pelo realizador Lauro António, que relata o evento aqui. O livro que José Varregoso publica compila alguns dos melhores textos do autor sobre a vida e obra de Hitchcock, numa visão crítica assumidamente pessoal e sem compromissos de qualquer ordem. É, certamente, um livro escrito com a paixão devota de um admirador de um dos maiores cineastas do século XX.

Sábado, Novembro 21, 2009

David Lynch goes to India


A recente notícia que dá conta do próximo filme de David Lynch agradou-me sobremaneira. Lynch, um adepto da meditação transcendental (como referi aqui a propósito do seu livro "Em Busca do Grande Peixe"), vai adaptar ao cinema - já com filmagens a partir de Dezembro - a vida do guru Maharishi Mahesh Yogi, o místico indiano que deu aulas de meditação nos anos 60 a diversos músicos pop-rock, sendo os mais conhecidos, os Beatles. O quarteto de Liverpool encontrou-se por diversas vezes com Mahesh Yogi e John Lennon foi um dos mais entusiásticos seguidores do mestre.
Dizia que a notícia me tinha agradado porque julgo que é altamente promissor o resultado da simbiose entre o universo estético surreal de David Lynch e o misticismo da cultura indiana. Muito promissor mesmo.

Descobrir cidades através dos filmes


Para quem acumula o gosto pelo cinema e o prazer de viajar, nada melhor do que descobrir percursos de locais de rodagem de filmes. Há guias editados dos locais de filmagem do mundo inteiro, com especial destaque para as grandes metrópoles (Londres, Nova Iorque ou Paris - afinal, as cidades mais filmadas). Mas não é preciso comprar guias quando temos à disposição um óptimo site bastante completo sobre os locais de filmagem de muitos filmes (desde "cult movies" a "blockbusters"): chama-se "Movie Locations", e neste sítio encontramos informação detalhada sobre os locais (edifícios, cafés, hoteis, ruas...) onde foram filmados filmes como "O Padrinho", "Taxi Driver", "Pulp Fiction", "Laranja Mecânica" e tantos outros.
É possível pesquisar por país (Portugal tem apenas uma entrada, num filme de 1969 da série James Bond, filmado parcialmente em Cascais), cidade, realizador, actor, ou títulos de filmes. As fotografias que encontramos relativas a determinado filme correspondem aos cenários filmados, como o restaurante onde Robert DeNiro e Al Pacino se encontram em "Heat - Cidade Sob Pressão", os locais frequentados nos bairros de Paris por Amélie (na imagem) em "O Fabuloso Destino de Amélie Poulin", etc, etc.
Assim, numa eventual viagem a Bruxelas, Londres, Amesterdão, Los Angeles, Chicago ou Barcelona, poderemos programar um guia de destino turístico para conhecer os cenários reais dos nossos filmes favoritos. Ou seja, descobrir cidades através dos filmes - alia-se o prazer da viagem ao prazer cinéfilo. Link.

Sexta-feira, Novembro 20, 2009

Tragédia e comédia segundo Keaton


“Tragedy is a close-up; comedy, a long shot.” - Buster Keaton

Rice Art

Com a chegada do Verão algumas plantações de arroz no Japão ganham um colorido muito especial. A comunidade de agricultores da região de Inakadate, na província de Aomori é uma das mais conhecidas por produzir os trabalhos mais impressionantes desta combinação fascinante de arte e agricultura. Esse resultado é conseguido plantando mudas de folhas de cores diferentes que vistas a partir de uma determinada altura, transformam-se em autênticos quadros nas plantações de arroz. Um trabalho altamente minucioso.
Mas também há quem pense que são extraterrestres que fazem estas construções...




"A arte existe no instante em que o artista se afasta da natureza"
Jean Cocteau

Quinta-feira, Novembro 19, 2009

Woody Allen em boa forma


"Whatever Works", o último filme de Woody Allen, é o regresso à grande forma artística do realizador nova-iorquino. Depois da pujança dramática do díptico "Match Point" (2005) e "Cassandra's Dream" (2007) e do decepcionante "Vicky Cristina Barcelona", eis que Woody Allen volta a revelar todo o seu enorme talento de realizador e argumentista. Talvez não seja por acaso que o argumento deste filme seja já de 1977, altura em que o realizador o escreveu - porventura uma das fases de maior criatividade cómica do cineasta. Entretanto, o argumento ficou na gaveta durante três década. Até agora.
"Whatever Works" revela-se um verdadeiro tratado de escrita para cinema, com acutilantes e inteligentes diálogos, ritmo minucioso da progressão narrativa, notável criatividade de recursos cómicos. É Allen no seu terreno de eleição - a "comédia intelectual" sobre temas como o amor, a morte, o desejo, as relações humanas, a angústia existencial, com Nova Iorque como cenário de fundo, à semelhança de "Manhattan" ou "Hanna e Suas Irmãs".
A interpretação de Larry David como o arrogante, misantropo, fóbico, hipocondríaco, intelectual e "genial" professor Boris Yellnikoff - claro alter-ego de Woody Allen - é notável, com diálogos hilariantes sobre os problemas da vida humana. Boris conhece uma jovem e ingénua rapariga (actriz Evan Rachel Wood) que irá mudar para sempre a sua obstinada visão pessimista das mulheres. Tenta suicidar-se duas vezes, duas vezes falhando a intenção de matar-se, abrindo oportunidade para um recomeço de vida de consequências irresistíveis. Aliás, o desenlace da história é dos mais surpreendentes e divertidos finais dos últimos anos de Woody Allen. Como é habitual nos filmes de Woody Allen, todos os papéis secundários são importantes no desenvolvimento da narrativa, e todos, sem excepção, são muito bem interpretados.
Decididamente, o regresso de Allen ao seu habitat natural (Nova Iorque), depois de uma desigual experiência europeia, só lhe fez bem.

Chaplin e as imitações


Não se sabe se este episódio é real ou fictício. Geraldine Chaplin, a filha do famoso realizador da comédia burlesca muda, disse recentemente numa entrevista que também desconhece a veracidade deste episódio. O que se conta é que, no auge da popularidade de Charlie Chaplin, havia frequentemente concursos de imitação do personagem Charlot (tal como hoje existem os programas televisivos de imitações de celebridades).
Um dia, por brincadeira, o próprio actor e realizador resolveu participar, anonimamente, num desses concursos. O objectivo era imitar o mais possível, em termos físicos e expressivos, o célebre vagabundo de bigode, chapéu e bengala. Chaplin terá dado o seu melhor a interpretar-se a si mesmo e, surpresa das surpresas, ficou em terceiro lugar no ranking das melhores imitações. E nunca terá revelado a sua verdadeira identidade...

"Shoah" em DVD... espanhol


É o documentário definitivo sobre o Holocausto nazi: "Shoah" de Claude Lanzmann (essencialmente jornalista, director da revista "Les Temps Modernes", fundada por Jean-Paul Sartre). "Shoah", palavra judaica para descrever o Holocausto, foi estreado em 1985 e é um monumental trabalho de recolha de informação (mais de 350 horas de filmagem ao longo de 11 anos de pesquisa e de entrevistas a sobreviventes), que resultou em 9 horas de filme. Um documentário (já vi pelo menos metade) que não deixa ninguém indiferente perante os horrores dos campos de extermínio como o de Treblinka e que agora é lançado comercialmente no mercado DVD espanhol pela editora Filmax.
Agora pergunta-se: para quando a urgente edição portuguesa?

Quarta-feira, Novembro 18, 2009

Momentos e Imagens - 45


Orson Welles sentado de frente para o horizonte.

Serge Gainsbourg ensina Jane Birkin como seduzir Joe Dallesandro na rodagem do filme "Je t'aime Moi Non Plus" (1976).

100 álbuns da década

Está a chegar o fim do 2009 e a consequente febre do balanço dos melhores discos, livros & etc do ano. Alguns jornais até já são mais ambiciosos e antecipam as listas dos "melhores" da década. É o caso do New Musical Express, que acaba de publicar uma especial reportagem dedicada aos 100 melhores álbuns da última década. Como o NME é um jornal musical praticamente vocacionado para a divulgação da música pop-rock, não é de admirar o sentido das escolhas. Sobretudo as que dizem respeito aos 10 primeiros lugares:
1- "Is This it" - The Strokes
2- "Up the Bracket" - The Libertines
3- "XTRMNTR" - Primal Scream
4- "Whatever People Say I Am, That's What I'm Not" - Arctic Monkeys
5- "Fever to Tell" - Yeah, Yeah, Yeahs
6- "Stories from the City, Stories from the Sea" - PJ Harvey
7- "Funeral" - Arcade Fire
8- "Turn On The Bright Lights"- Interpol
9- "Original Pirate Material" - The Streets
10- "In Rainbows"- Radiohead
Depois de ver esta lista nem tive vontade de ver os outros 90 álbuns (é que pessoalmente só colocaria o álbum dos Arcade Fire ou dos Radiohead neste top 10).

Perguntas indiscretas - 11


Quantos livros conseguimos/devemos ler numa vida?

Terça-feira, Novembro 17, 2009

"Actividade Paranormal"


De dez em dez anos há um hype assim. Há dez anos aconteceu o fenómeno "Blair Witch Project", um filme independente feito com meia dúzia de tostões que rendou milhões à custa de informação viral sobre a alegada veracidade dos factos que o filme abordava. Agora, o novo hype é o filme "Actividade Paranormal" que, à semelhança do título citado, também foi feito com escassos recursos, em apenas 15 dias de filmagem (na própria casa do realizador), com uma câmara de filmar digital doméstica (de qualidade) e unicamente com dois actores. Pretendia passar como documentário verdadeiro (a captação, em vídeo doméstico, de fenómenos estranhos ocorridos numa casa durante a noite), mas tal como "Blair Witch Project", rapidamente se percebeu que mais não era do que um "bluff" comercial.
Um filme assumidamente amador, que aborda o fenómeno paranormal durante a noite (ruídos, objectos que caem, portas que se abrem, etc), mas que foi suficientemente forte para impressionar gente experimentada como Steven Spielberg (que sugeriu um novo final para o filme). E claro, as receitas subiram na ordem dos milhões de dólares...
"Actividade Paranormal" é uma fita de terror mas não mostra sangue, nem monstros, nem violência "gore". Afinal, socorre-se da exploração da emoção humana primordial: o medo. O medo do desconhecido, do imprevisível. E parece que tem surtido efeito, com plateias aterrorizadas por todo o lado (como se pode constatar aqui), clubes de fãs criados a nível mundial, pesadelos registados, filas para comprar bilhetes e críticas de jornais que classificam o filme como o "mais assustador de sempre". Exagero ou não, veremos qual será a reacção quando estrear por cá (e se o "hype" se confirma), no próximo dia 10 de Dezembro.

O universo de Tim Burton em exposição

Já havia 1489 razões para visitar Nova Iorque. Mas agora há mais uma e de peso: a monumental exposição retrospectiva do trabalho criativo do realizador Tim Burton, patente no prestigiado Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA). A exposição apresenta um impressionante número de 700 obras - desenhos, fotografias, livros, pinturas, filmes e objectos - que Tim Burton fez ao longo da sua já considerável carreira (desde os tempos em que trabalhou como simples animador da Disney, no início dos anos 80, até à actualidade).
Em suma: a fantasia e os pesadelos do visionário Tim Burton em exposição - 1490ª razão que faltava para visitar a "Grande Maçã".



Discos que mudam uma vida - 82


Underworld - "Second Toughest in the Infants" (1996)

Segunda-feira, Novembro 16, 2009

Shh... Não digas quem é o assassino

A excelência de Tom Waits

Tom Waits editou em 1988 o filme "Big Time" (1988) que é, basicamente, a gravação de um concerto ao vivo dado pelo músico americano. É um fabuloso documento audiovisual de uma das melhores fases criativas de Tom Waits. Todos os temas são superiormente interpretados, naquele misto de atitude excessiva e de loucura genial que sempre caracterizou o talentoso trabalho de Waits ao longo dos anos.
Esta recriação do clássico "Rain Dogs" é de arrepiar. É Tom Waits no máximo esplendor das suas capacidades interpretativas (é preciso ver até ao fim para perceber). Teria doado um rim para poder assistir a este momento mágico (as hipérboles servem para dizer coisas destas).

Domingo, Novembro 15, 2009

Os maus-bons filmes


Música suína?


Em 2001, o músico britânico Matthew Herbert gravou um disco de música electrónica (bom, por sinal) chamado "Bodily Functions", baseado em samples de sons produzidos pelo corpo humano; em 2006, utilizou mais de 600 objectos que produziam sons de caixas de cereais no álbum "Scale". Agora, Herbert volta à carga com um novo disco que já está a causar controvérsia. Matthew Herbert quer criar um porco para o abater e depois construir flautas com os respectivos ossos do animal. Será que Herbert quer regressar ao primitivismo do homem pré-histórico, quando este fazia música com ossos de animais? Quererá Herbert criar um novo género musical - "música suína"? Se for essa a perspectiva, esta ideia do músico já nem sequer é inédita. Além do mais, nos anos 80, lembro-me de ouvir um disco experimental (creio que dos Zoviet France) que, constava-se, tinha sido feito com base em percussões e sons obtidos de... ossos humanos.
Seja como for, parece que as associações de defesa dos animais ainda não se pronunciaram sobre esta intenção de Herbert. E na página da revista Blitz onde li esta notícia, há um comentário de um leitor que resume aquilo que também passou pela minha mente: "Se ele (Herbert) fosse a Trás-os-Montes, na altura da matança, podia fazer uma ópera inteira."
Fica a sugestão.

Sábado, Novembro 14, 2009

Filmoterapia


Já li este livro há dois anos mas volta e meia regresso a ele com o mesmo prazer de descoberta. É um livro que trata o cinema de um forma bem diferente do habitual, que concebe a sétima arte como uma terapia. Aliás, o autor, Pedro Marta Santos, diz mesmo que se trata de uma filmoterapia: filmes clássicos e modernos, para todas as doenças e estados de espírito. Escrito de forma divertida (mas explorando o cinema como matéria bem séria), "Guia Terapêutico de Cinema" está talhado para curar doenças, indisposições ou estados de alma, receitando filmes como terapia para os mais variados sintomas e maleitas. Seja para curar insónias, para enfrentar problemas psíquicos, para usar como fonte de relaxamento, o guia sugere o uso de filmes (e indica o DVD certo) para - em doses bem medidas - enfrentar com sucesso as mais diversas eventualidades.
Jacques Tati está na categoria dos antidepressivos; Vincent Minelli na classe dos ansiolíticos (como antídotos estão Bergman ou Antonioni). É uma espécie de livro de auto-ajuda com recurso a uma estrutura que mima a literatura médica (receita, genéricos, subtância activa, dispensário…), é um guia imprescindível para todos os amantes de cinema. O autor sugere filmes para curar insónias, excessos, traumas de infância, dúvidas existenciais, problemas morais, depressões, ansiedade... E divulga listas improváveis como "Os dez Melhores Filmes com freiras", "Os dez Piores Filmes com padres e Transsexuais", "Filmes Para Ver na Cama em Noite Chuvosa de Inverno", "Filmes Que os Homens Gostam e Elas Fingem Que Gostam Para Lhes Agradar", etc
Cataloga mais de 2000 filmes - indicando a sua disponibilidade em DVD - em temas bastante originais: "Puro Vómito", "O sexo e a Idade", "De Fazer Chorar as Pedrinhas da Calçada", "filmes Que Dão Vontade de Praticar Exercício Físico", entre outras abordagens pouco heterodoxas.
Em suma: seja qual for o seu problema, não vá ao médico: leia este livro e veja filmes, muitos filmes.

A voz de Lisa Gerrard em novo disco


"The Black Opal" é o mais recente disco a solo de Lisa Gerrard, a magnética ex-cantora dos essenciais Dead Cand Dance. Do pouco que ouvi até agora, gostei sobremaneira, mas vai exigir novas audições para formar uma opinião mais consistente.
Para ouvir excertos dos temas do álbum, aqui, para aceder ao álbum, aqui.

Momentos e Imagens - 44


'Apocalypse Now' não é sobre o Vietname, é o próprio Vietname"
Francis Ford Coppola

Sexta-feira, Novembro 13, 2009

Sozinho na sala escura


Há dias um amigo meu foi ao cinema ver o filme “Estado de Guerra” e foi o único espectador na sala (relatou o caso neste post). Nunca passei por tal experiência. Mas julgo que deve ser interessante estar sozinho numa sala escura a ver um filme, ainda que considere que nem todos os filmes sejam adequados para se verem sozinhos. Mas é preferível ver um filme sozinho - seja ele qual for - do que ser constantemente incomodado por adolescentes faladores e inveterados comedores de pipocas.

Quinta-feira, Novembro 12, 2009

A música do Dia da Ira

Na globalidade, prefiro o "Requiem" de Mozart (como referi aqui), obra-prima absoluta da história da música (tão bem retratada num grande filme, "Amadeus", de Milos Forman). No entanto, empolgo-me muito mais a ouvir o "Dies Irae" do "Requiem" do compositor italiano Giuseppe Verdi.
"Dies Irae" significa "Dia da Ira" e é uma importante secção estrutural de qualquer "Requiem". Verdi compôs um extraordinário "Dies Irae", ritmicamente vibrante, com harmonias bem orquestradas e intervenções instrumentais que quase exalam fogo (timbales, sopros, cordas e um possante coro). É um trecho musical de uma intensidade avassaladora. O exemplo a seguir não faz justiça a essa tremenda intensidade (fraca qualidade de som). Mas imaginem ouvir isto ao vivo com uma orquestra de 100 músicos e outros tantos cantores de coro. Ah, e com a entrega total da direcção da orquestra por parte do grande maestro Claudio Abbado.
Deve ser uma experiência "extrema".

Scorsese vai receber um Cecil B. DeMille


Curiosa coincidência: ontem publiquei um post com um diálogo do "Goodfellas" de Martin Scorsese e hoje é anunciado que o realizador italo-americano vai receber o prémio honorífico Cecil B. DeMille na 67ª edição dos Globos de Ouro, a realizar no dia 17 de Janeiro em Los Angeles. Merecidíssima condecoração, mais a mais, no ano em que Scorsese estreará o muito aguardado "Shutter Island".

Um Warhol na parede da sala


Em tempos de crise financeira, nada como investir no negócio de arte para afirmar um poder de compra milionário. Um coleccionador comprou ontem uma tela de Andy Warhol - "200 One Dollar Bills" (na imagem) - no valor de 43,76 milhões de dólares (29 milhões de euros) num leilão de arte contemporânea que decorreu ontem. Se eu tivesse este dinheiro, apesar de gostar de Warhol, não compraria esta tela. É que na minha sala ficaria melhor uma serigrafia de Marilyn Monroe, de Elvis Presley ou uma tela com as latas de sopa Campbell's.

A ambição


"As far back as I can remember, I always wanted to be a gangster. To me, being a gangster was better than being President of the United States."
Henry Hill (Ray Liotta) in "Goodfellas" (1990) - Martin Scorsese

Quarta-feira, Novembro 11, 2009

Música "extrema"


Afinal, o que significa música "extrema"? Para alguns, será a música mais inaudível possível, aquela que explora os domínios sonoros e estéticos mais ousados e radicais. Mas os conceitos podem ser relativos: Merzbow, o músico japonês mestre da "noise music" disse um dia: "Se as pessoas entendem a música "noise" como ruído inaudível, então para mim a música pop é ruído inaudível".
Sempre considerei música extrema a música mais abrasiva, agressiva, intensa e ruidosa (numa conotação esteticamente noise), como as sonoridades conotadas com a música industrial (Throbbing Gristle, Einstürzende Neubauten, SPK), o death-metal (Napalm Death, Carcass), o free-jazz mais libertário (Albert Ayler, Cecil Taylor), a música electrónica noise, etc.
No entanto, na óptica do site List Universe, especialista em listas de tudo e de nada, a música "extrema" tem um outro significado. Um significado, quanto a mim, confuso e leviano. Confuso porque, por um lado, conota música extrema com música de difícil execução técnica (música indiana ou o canto tradicional da Mongólia), por outro, considera na lista o hip-hop de cariz político, a música coral renascentista (!) e, no lugar cimeiro dos 10 géneros mais extremos, Aphex Twin. Ou seja, apesar de Aphex Twin ser um músico (e nem ser, sequer, o mais radical ou extremo dentro do seu género), é classificado como "género". Redundante e superficial abordagem, a meu ver. Pedia-se maior rigor e objectividade num trabalho como este.
Na imagem - Einstürzende Neubauten em concerto

"Never Gonna Give Your Teen Spirit up"

Terça-feira, Novembro 10, 2009

O filme mais esperado


"O Laço Branco" de Michael Haneke
(integra a programação do Estoril Film Festival. A estreia comercial vai ser só em Janeiro).

Christopher Lee e o negócio do cinema


Se David Cronenberg se queixa que o cinema se tornou numa "cultura de celebridades", o decano actor inglês Christopher Lee, por seu lado, refere que o "negócio deu cabo da Sétima Arte". Christopher Lee, que conta com uma carreira de 50 anos, ficará para sempre recordado pela sua interpretação de Drácula. O actor referiu em Madrid (onde apresentou o seu último filme), que o negócio deveria ser apenas uma parte do cinema, mas é o negócio que tudo consome. E não se ficou por aqui, acusando os produtores e realizadores de valorizarem apenas os jovens actores: "Agora todos apostam por uma audiência muito jovem, com actores muito jovens. Os filmes são caríssimos; os cachets dos actores são caríssimos e tudo depende se o filme tem ou não êxito na bilheteira. Eu comecei no auge do cinema clássico, nos anos 40 e 50, quando os realizadores faziam fantásticos filmes para todos."
Em jeito de remate da sua carreira, Christopher Lee contou ao jornal espanhol El Mundo, que não sabe ao certo em quantos filmes participou. "Entre 250 e 300, não consigo lembrar-me de todos. Talvez seja o actor vivo com mais filmes feitos. Neste momento tenho oito filmes por estrear."