Vi
"On The Road" de
Walter Salles, baseado no mítico livro homónimo de
Jack Kerouac. Não vou dizer - como já li - que o livro "é melhor do que o filme". Acho que esta discussão (saber se o livro é melhor do que o filme ou vice-versa) é uma discussão estéril, na justa medida em que um filme e um livro são objectos totalmente distintos, logo, têm de ter uma avaliação estética diferenciada.
Seja como for, apesar de estar longe de ser uma obra-prima, "On The Road" faz justiça fiel às incríveis histórias contidas na obra de Kerouac, na qual o próprio e o seu amigo Neil Cassady viajaram, durante anos, pela mítica Route 66 dos EUA, conhecendo as figuras mais excêntricas da América dos anos 40 e vivendo as mais tresloucadas experiências de vida.
"On The Road" (filme e livro), paradigma da literatura "Beat Generation", é uma verdadeira trip psicadélica pelas entranhas de uma América pós-guerra, uma viagem de um grupo de jovens em busca de uma identidade, de uma total liberdade com muito jazz à mistura, muita droga, muito sexo e, não menos importante, muita (e boa) literatura (leitura e escrita).
Em certa medida, "On The Road" condensa um espirito que hoje já não seduz a maioria da juventude: a ânsia da descoberta de novas sensações veiculadas pela arte (literatura e jazz) numa deambulação com a estrada sem fim (da vida e de alcatrão) como único horizonte.