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quarta-feira, 26 de novembro de 2014

As casas dos escritores

Muito do imaginário cultural e social da América passa pela arquitectura e, especialmente, das casas. As casas do Mississipi são diferentes das casas de Nova Iorque ou de New Jersey. Cada estilo de casa representa uma forma de identidade urbana (ou rural) muito específica na experiência quotidiana dos americanos.
Ora, a Google Maps resolveu investigar e mapeou as casas americanas onde viveram, não cidadãos comuns, mas sim ilustres escritores. Como esta primeira imagem que documenta a casa onde viveu Jack Kerouac, na Florida; e a segunda imagem que ilustra a casa de John Updike na Filadelphia. 

Para conhecer muitas outras casas de escritores clicar aqui e aqui.



quinta-feira, 23 de maio de 2013

O "êxtase da mente"




O que têm em comum Raymond Chandler, John Cheever, Tennessee Williams, Dylan Thomas, Dorothy Parker, Edgar Allan Poe, Baudelaire, Paul Verlaine, Truman Capote, Jack Kerouac, William Faulkner, Charles Bukowski (na imagem), Graham Greene, F. Scott Fitzgerald, James Joyce, Fernando Pessoa, Ernest Hemingway, Hunter S. Thompson e Jack London?
Todos foram grandes escritores e grandes... alcoólicos. E são apenas alguns exemplos.

Dizia Jack Kerouac: "Quanto mais velho eu fico, mais bêbado me torno. Porquê? Porque eu gosto do êxtase da mente." Enquanto que Hunter S. Thompson defendia: "Eu odeio recomendar drogas, álcool, violência, ou insanidade para qualquer um, mas isso tudo sempre funcionou comigo."

O que farão os escritores contemporâneos para estimular o tal "êxtase da mente" de que falava Kerouac?...

quinta-feira, 21 de março de 2013

A estrada sem fim

Vi "On The Road" de Walter Salles, baseado no mítico livro homónimo de Jack Kerouac. Não vou dizer - como já li - que o livro "é melhor do que o filme". Acho que esta discussão (saber se o livro é melhor do que o filme ou vice-versa) é uma discussão estéril, na justa medida em que um filme e um livro são objectos totalmente distintos, logo, têm de ter uma avaliação estética diferenciada. 
Seja como for, apesar de estar longe de ser uma obra-prima, "On The Road" faz justiça fiel às incríveis histórias contidas na obra de Kerouac, na qual o próprio e o seu amigo Neil Cassady viajaram, durante anos, pela mítica Route 66 dos EUA, conhecendo as figuras mais excêntricas da América dos anos 40 e vivendo as mais tresloucadas experiências de vida.
"On The Road" (filme e livro), paradigma da literatura "Beat Generation", é uma verdadeira trip psicadélica pelas entranhas de uma América pós-guerra, uma viagem de um grupo de jovens em busca de uma identidade, de uma total liberdade com muito jazz à mistura, muita droga, muito sexo e, não menos importante, muita (e boa) literatura (leitura e escrita). 
Em certa medida, "On The Road" condensa um espirito que hoje já não seduz a maioria da juventude: a ânsia da descoberta de novas sensações veiculadas pela arte (literatura e jazz) numa deambulação  com a estrada sem fim (da vida e de alcatrão) como único horizonte.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Reler Kerouac e esperar pelo filme


A editora Relógio D'Água acaba de publicar uma segunda versão do romance autobiográfico "Pela Estrada Fora" (1957) de Jack Kerouac - companheiro de William S. Burroughs e Allen Ginsberg no movimento da "Beat Generation".

Trata-se de uma segunda versão porque, segundo a própria editora, "esta versão nunca tinha sido antes publicada com o texto que surgiu na forma original de rolo dactilografado. Representa a primeira e mais genuína forma de expressão das ideias originais de Jack Kerouac, o momento em que a sua visão e voz narrativa se juntaram sob a forma de um impulso contínuo de energia criativa." Esta memorável obra da "Beat Generation" conta com nova tradução da escritora e ensaísta Margarida Vale de Gato e é já, quanto a mim, um dos acontecimentos literários do ano.

Entretanto, encontra-se em fase de pós-produção a adaptação cinematográfica do romance "Pela Estrada Fora": o filme tem realização do brasileiro Walter Salles e conta com Sam Riley (o Ian Curtis de "Control") no papel de Sal Paradise, Garrett Hedlund como Dean Moriarty e Kristen Stewart como Marylou - os protagonistas da incrível aventura que Kerouac escreveu ao som de muito jazz, drogas, viagens de carro, álcool e estadas em motéis decadentes. Convém dizer que a produção é de Francis Ford Coppola, que adquiriu os direitos da adaptação cinematográfica há mais de 30 anos.
Estreia em Dezembro deste ano.

Nota: "O Uivo" de Allen Ginsberg também em versão cinematográfica.

sábado, 26 de março de 2011

Allen Ginsberg cantor

Allen Ginsberg, guru do movimento literário "Beat Generation" (com Kack Kerouac e William S. Burroughs) foi retratado no filme "Howl", com um soberbo James Franco na pele do jovem Ginsberg por altura da edição do livro homónimo. Sobre o filme escreverei numa próxima oportunidade, agora apetece-me apenas publicar a forma como termina: com a bela canção "Father Death Blues" de Allen Ginsberg interpretada pelo próprio (uma canção que escreveu em 1976 aquando da morte do pai).
Para além disso, Allen Ginsberg referiu que, enquanto escritor, gostaria de ser recordado pelo poema de "Father Death Blues".

Hey Father Death, I'm flying home
Hey poor man, you're all alone
Hey old daddy, I know where I'm going

Father Death, Don't cry any more
Mama's there, underneath the floor
Brother Death, please mind the store

Old Aunty Death Don't hide your bones
Old Uncle Death I hear your groans
O Sister Death how sweet your moans

O Children Deaths go breathe your breaths
Sobbing breasts'll ease your Deaths
Pain is gone, tears take the rest

Genius Death your art is done
Lover Death your body's gone
Father Death I'm coming home

Guru Death your words are true
Teacher Death I do thank you
For inspiring me to sing this Blues

Buddha Death, I wake with you
Dharma Death, your mind is new
Sangha Death, we'll work it through

Suffering is what was born
Ignorance made me forlorn
Tearful truths I cannot scorn

Father Breath once more farewell
Birth you gave was no thing ill
My heart is still, as time will tell.

July 8, 1976

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O jazz e a literatura


Em Portugal, que eu tenha conhecimento, há apenas um livro que versa sobre a relação entre literatura e jazz. É um livrinho editado pela Campo das Letras, há uns anos, da autoria de Miguel Martins. Lá fora há vários títulos, mas destaco este: "Ask me Now" de Sascha Feinstein, procura estabelecer pontes de ligação (e há muitas!) entre os músicos de jazz e a criação literária.
O jazz era a música de eleição da Beat Generation (Kerouac, Burroughs, Ginsberg), que servia de espécie de "carburante energético" para os davaneios criativos destes escritores.
Para além desta associação, muitos outros escritores mantiveram fortes ligações com o jazz: Boris Vian (que também foi músico), Malcolm Lowry, Georges Simenon, Milan Kundera (foi baterista de jazz!), Sam Shepard, Henry Miller, Julio Cortazár, ou os portugueses António Ferro, Carlos Oliveira ou Jorge de Sena.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

O "Uivo" de Ginsberg no cinema


Allen Ginsberg, Jack Kerouac e William S. Burroughs, incendiaram a cultura dos anos 50 e 60 com a "Beat Generation", ao som de jazz e literatura "libertária".
O poema de Ginsberg, "Howl - Uivo", (considerado por muitos obsceno e pornográfico - pode ser lido aqui) foi o livro de poesia mais vendido da história dos EUA, tendo vendido mais de 1 milhão de exemplares em pouco tempo. "Howl" foi também um enorme grito de revolta de uma geração assumidamente insurrecta e ávida de novas experiências (artísticas e existenciais), imbuída de festas hedonistas repletas de sexo, música jazz e aventuras deambulatórias pela geografia norte-americana. Juntamente com "Naked Lunch" de William S. Burroughs e "On The Road" de Jack Kerouac, "Howl" completaria a trilogia da contracultura da Geração Beat.
Bob Dylan, Jim Morrison, Lou Reed, Leonard Cohen entre muitos outros músicos, foram sempre fãs incondicionais da poesia de Allen Ginsberg. E até os portugueses Mão Morta partiram do poema "Uivo" para conceberem o seu álbum "Nus" (2004). Depois de contaminar a literatura, a música, a poesia e as artes plásticas, era uma questão de tempo até que a vida e obra do poeta beat fossem transpostas para o universo da Sétima Arte.
Rob Epsteins e Jeffrey Friedman, mais conhecidos por documentários, levaram Ginsberg ao grande ecrã, com o actor James Franco no papel do poeta. O filme, intitulado "Howl", começa no momento em que Ginsberg é julgado no tribunal de São Francisco por causa da sua controversa obra. Pelo meio, consta que o filme - a estrear em Setembro - relata as desventuras de Ginsberg com os seus amigos escritores homossexuais e todo o ambiente de contracultura que se vivia naqueles efeverscentes anos.
Na imagem da esquerda, Allen Ginsberg, na direita, James Franco como Ginsberg.
Trailer do filme "Howl":

quarta-feira, 24 de março de 2010

Perguntas indiscretas - 26

Corresponde à verdade a ideia segundo a qual o animal de estimação preferido dos artistas (escritores, músicos, actores...) é o gato?

Edward Albee

Sophie Kerr

Peter Lorre

John Cassavetes


John Cage


Raymond Chandler


Truman Capote
Jack Kerouac

domingo, 13 de setembro de 2009

Kerouac e o Buda


Numa visita à livraria Bertrand deparei-me com um livro de Jack Kerouac que desconhecia: "Acorda! A Vida de Buda". Sabia que a Beat Generation cultivava um manifesto fascínio pelo Budismo, mas daí até o autor de "On The Road" ter escrito sobre a vida de Siddharta Gautama, o Buda...

sábado, 5 de setembro de 2009

Jazz e vida


Ainda era novo quando alguém me disse que, na vida, se deveria seguir a máxima do compositor George Gershwin: "Life is a lot like jazz... It's best when you improvise." Sempre me agradou esta engenhosa analogia entre o jazz e a vida. O jazz é, de facto, uma bela metáfora da vida: é um território privilegiado de liberdade, de exploração, de rupturas de fronteiras. A improvisação sempre foi um dos principais vectores criativos do jazz (sobretudo no período do Free Jazz), e não admira que a "Beat Generation" tenha adoptado o jazz como estética musical preferencial: tinha tudo a ver com a procura de uma vivência libertária (deriva, descoberta, viagem) que presidia à literatura de escritores como Kerouac, Burroughs ou Ginsberg.
Num mundo perfeito e idílico, a vida também deveria ser assim. Sem regras programáticas definidas, sem amarras sociais castradoras de liberdade, sem convenções específicas. Uma vida incessante de descoberta "on the road", ao sabor da improvisação jazzística e das surpresas do dia-a-dia. Vida e jazz, jazz e vida.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Uma outra Beat Generation


A Beat Generation foi um importante movimento de contracultura norte-americano, sobretudo ligado à música jazz e à literatura, com nomes como Jack Kerouac, William S. Burroughs ou Allen Ginsberg. Descobri por acaso que existe um blogue no sapo com o nome Beat Generation que se dedica a noticiar coisas da vida mundana, como desfiles de moda, entrevistas ao jet-set e festas sociais. Nada contra, mas gostava de saber, caso fossem vivos, o que achariam os verdadeiros mentores do original movimento Beat Generation desta apropriação do nome para caracterizar um conceito de vida oposto ao que defendiam.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Hemingway no cinema (entre outros possíveis)


A indústria de Hollywood continua obcecada com remakes e "filmes trigémeos". O que está mesmo a dar é adaptar ao grande ecrã a vida de personalidades famosas, sobretudo oriundas do mundo das artes e do espectáculo. A notícia mais recente tem a ver com a concepção de um filme biográfico sobre a vida do escritor Ernest Hemingway (1899 - 1961). É mais uma figura das artes controversa que teve uma vida pessoal e profissional atribulada, elementos que enriquecem sempre um filme (já para não falar do facto de Hemingway se ter suicidado). Mas este filme sobre o Prémio Nobel da Literatura arrisca-se a entrar no rol dos gémeos ou trigémeos, já que existem outras produções em andamento sobre a vida do autor de "O Velhor e o Mar". Em 1996, o realizador Richard Attenborough já tinha feito uma adaptação ao cinema da vida de Hemingway, mas o filme concentrava-se apenas num período da juventude do escritor.
Se pudesse sugerir vidas de artistas para serem adaptadas ao cinema, eis alguns nomes que escolheria (que poderiam, ou não, resultar em filmes interessantes):
Estrangeiros:
- James Joyce
- Mishima
- Malevitch
- Nietzsche
- George Orwell
- Magritte
- John Cage
- Bokowski
- Marquês de Sade
- Frank Zappa
- Antonin Artaud
- Luís Buñuel
- Man Ray
- Jacques Brel
- William Burroughs
- Boris Vian
- Jack Kerouac

Portugueses:
- Almada Negreiros
- Mário de Sá-Carneiro
- Luiz Pacheco
- Amadeo de Sousa Cardoso
- Fernando Pessoa
- Mário Cesariny
- António Variações
- Adolfo Luxúria Canibal

Agora é só imaginar um realizador adequado para cada levar ao grande ecrã a vida de cada um destes nomes...

domingo, 9 de março de 2008

Kerouac & Burroughs - 60 anos depois


É uma notícia que tem tanto de surpreendente quanto de entusiasmante (vem no Expresso): vai ser editado um livro inédito dos dois gurus do movimento "beat generation" dos anos 60: Jack Kerouac e William S. Burroughs (na imagem). Foi escrito há longínquos 60 anos e relata um caso verídico de um homicídio presenciado pelos dois escritores. O título da obra é tudo menos pragmático: "And The Hippos Were Boiled in Their Tanks". Sem dúvida que se trata de uma novidade entusiasmante para os admiradores da obra literária destes dois escritores insurrectos. Quando chegará a tradução portuguesa aos escaparates das livraras é coisa para adivinhação esotérica...