domingo, 29 de novembro de 2009

Melhores filmes da década?


O The Hollywood Reporter elaborou uma lista dos dez melhores filmes da última década:

1 - "Cartas de Iwo Jima" (2006) - Clint Eastwood
2 - "Voo 93" (2006) - Paul Greengrass
3 - "Este País Não é Para Velhos" (2007) - Ethan and Joel Coen
4 - "Testemunhos de Guerra" (2003) - Errol Morris
5 - "4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias" (2007) - Christian Mungiu
6 - "Longe do Paraíso" (2002) - Todd Haynes
7 - "Intervenção Divina" (2002) - Elia Suleiman
8 - "Caché - Nada a Esconder" (2005) - Michael Haneke
9 - "O Escafandro e a Borboleta" (2007) - Julian Schnabel
10 - "O Laço Branco" (2009) - Michael Haneke

Esta lista deixou-me perplexo. Por vários motivos. Sabendo-se que o The Hollywood Reporter é uma importante revista norte-americana sobre a indústria do entretenimento (a outra é a Variety), fiquei surpreendido por ver referenciados 5 filmes não americanos: um palestiniano, um francês, um romeno e dois austríacos. Surpreendido porque, apesar de "Cartas de Iwo Jima" ser um bom Eastwood, julgo que o trono ficaria melhor entregue com títulos como "Gran Torino" (2008) ou "Million Dollar Baby" (2004). Surpreendido, também, por ver um razoável filme de acção - "Voo 93" - em segundo lugar. A exclamação é legítima: "Voo 93" é o segundo melhor filme da década?!
Mais uma surpresa (positiva): a nomeação do excelente documentário "Testemunhos de Guerra" de Errol Morris, de que falei aqui. E derradeira surpresa: a inclusão de 2 (!) filmes do austríaco Michael Haneke: "Caché" de 2005 e "O Laço Branco" (este filme é o único que não vi da lista), título vencedor da Palma de Ouro do último festival de Cannes (também consta outro notável filme que ganhou a Palma de Ouro do ano anterior - "4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias" do romeno Christian Mungiu).
O filme de Julian Schnabel é magnífico, como referi neste post, mas não sei se merece integrar os 10 melhores filmes de uma década (o mesmo para o título "Longe do Paraíso" de Haynes e "Intervenção Divina" de Suleiman). Já a fita dos irmãos Coen, quanto a mim, está de pleno direito na lista.
Em suma, uma lista surpreendente e improvável, tendo em conta que provém de um órgão de comunicação tão vocacionado para a promoção da indústria cultural norte-americana como é o "The Hollywood Reporter".

A morte do "Rei Lagarto"


Vi no Biography Chanel um documentário sobre os últimos dias de Jim Morrison. Como ícone da cultura rock da década de 60, o líder e vocalista dos The Doors sempre pautou a sua vida com o gosto pelo risco, vivendo sempre no fio da navalha (à beira do abismo, dizia Nietzsche). As suas maiores referências literárias, Rimbaud e Baudelaire, cedo exerceram grande fascínio no espírito jovem de Jim Morrison. Por vezes dizia aos amigos que um dia desapareceria do circo mediático e da fama - que consumia as suas energias - simulando a sua própria morte. Achava que já tinha atingido o zénite da sua arte aos 27 anos, tal como Rimbaud tinha atingido o auge criativo aos 18 anos com os seus mais importante poemas simbolistas.
O dito documentário, em vez de tentar esclarecer objectivamente o contexto da causa da morte de Morrison, lança a confusão com várias teorias contraditórias que ainda hoje são discutidas, 40 anos após os acontecimentos. A versão oficial refere que o cantor maldito dos Doors - o "Rei Lagarto" - morreu na banheira devido a uma overdose de drogas, sendo o corpo descoberto pela namorada. Mas há quem assegure que a morte ocorreu numa discoteca de Paris e que o corpo foi levado para o apartamento, ou que Morrison encenou a sua própria morte para se livrar das pressões da fama. Exactamente o que se disse em relação à morte de Elvis Presley, Jimi Hendrix, Janis Joplin ou Kurt Cobain.
Curioso foi o comentário de um amigo que fechou o documentário dizendo mais ou menos isto: "Não acredito que Jim Morrison encenasse a sua própria morte. O Morrison que eu conheci não conseguiria estar 40 anos sem, de uma forma ou de outra, voltar à ribalta." Afinal de contas, a fama deve ter um poder tão forte de sedução quanto de repulsa. E por vezes, estes poderes contraditórios fundem-se e geram o fascínio dos mitos culturais eternos.

Ligações realizadores - músicos


Já por várias vezes falei por aqui da relação entre música e cinema. Sobretudo a relação artística continuada entre realizadores e compositores, como Tim Burton com Danny Elfman (na imagem), Alfred Hitchcock com Bernard Herrmann, David Cronenberg com Howard Shore, Peter Greenaway com Michal Nyman, Ridley Scott com Hans Zimmer, etc.
Numa pesquisa sobre esta temática descobri uma lista da Wikipedia bastante completa. São, nada mais nada menos, que 90 entradas de ligações entre cineastas e músicos, compiladas a partir de toda as épocas da história do cinema - desde Eisenstein com Prokofiev (anos 30) até Sam Mendes com Thomas Newman. Link.

sábado, 28 de novembro de 2009

Díptico - 75


Elvis Presley: "Elvis Presley" (1956)

The Clash - "London Calling" (1979)

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Perguntas indiscretas - 12

Na sequência do post anterior, lanço uma pergunta: qual seria o realizador ideal para fazer um filme sobre os The Velvet Underground? Que cineasta reúne os requisitos artísticos e a sensibilidade (cinematográfica e musical) para levar a bom porto um projecto destes?
Eu arrisco:
- Anton Corbijn
- Julian Schnabel
- Gus Van Sant
- Martin Scorsese
- Jim Jarmusch
- Clint Eastwood
- Darren Aronofsky
- Steven Soderbergh
- Joel e Ethan Coen
(...)

O legado dos Velvet Underground

Quando escrevi o post sobre os The Horrors reflecti sobre um facto óbvio mas que nem sempre é reconhecido: a música rock das últimas décadas não teria sido a mesma sem a herança dos The Velvet Underground. A mítica banda nova-iorquina, constituída por Lou Reed, John Cale e Nico, revolucionou a estética rock dos anos 60 com uma pujança criativa deliberadamente "arty" por influência directa de Andy Warhol e da formação musical erudita de John Cale.
A música dos Velvet Underground era trementadamente visionária e crua, aberta à experimentação (ruído, improvisação, minimalismo) e representava o reflexo perfeito da combustão cultural e artística da Nova Iorque da segunda metade dos anos 60. Por isso foram, porventura, a banda rock mais influente e determinante para a evolução de um certo panorama rock, como o psicadelismo, o rock progressivo, o punk e o rock mais experimental. Quer em termos de sonoridade, quer em termos de imagem e de atitude, a banda de Reed e de Cale foi essencial para que grupos como os The Horrors (e tantos outros ao longo de 4 décadas) tenham aparecido.
PS - A curta mas intensa carreira dos Velvet Underground e sua relação com Andy Warhol daria, certamente, para um bom filme. Para quando um "biopic"? A mais recente biografia lançada em Outubro - "The Velvet Underground - New York Art" - poderia servir de mote para essa adaptação ao cinema.

Aufgang: dois pianos e percussão


Os Aufgang têm uma formação instrumental muito original: dois pianos clássicos de cauda e um percussionista (acústico e electrónico). Os pianistas, Rami Khalifé e Fracensco Tristano, têm uma sólida formação clássica (tocam impecavelmente as "Variações de Goldberg" de Bach) e o baterista, Aymeric Westrich, vem do rock. Juntos conheceram-se em 2000 e conceberam um projecto arrojado, que une a música clássica contemporânea com linguagens estéticas actuais, como a electrónica e o pós-rock. Em 2005 deram nas vistas num concerto no festival de música electrónica experimental Sónar, em Barcelona. Mas só agora lançam o seu primeiro disco, "Aufgang".
O álbum é magnífico nas nuances sonoras permitidas pela inusitada fusão dos dois pianos e da percussão acústica e programação electrónica de Aymeric. Musicalmente não se inserem em nenhuma classificação musical propriamente dita, fazendo abordagens tanto ao jazz como ao rock, a música erudita ao "downtempo" e a sonoridades mais dançáves.
Os Aufgang representam uma proposta original numa época em que é cada vez mais raro descobrir abordagens musicais inovadoras.
Myspace da banda.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

The Horrors


Qual o resultado da mistura destas referências - The Cure (primeira fase), Joy Division, The Cramps, Jesus and Mary Chain, Spiritualized e My Blood Valentine? O resultado pode ser - é mesmo - The Horrors, a banda que há dois anos tem dado que falar no circuito indie rock. Longe de original, o look destes músicos ingleses não engana. A filiação numa certa tendência gótica (via Bauhaus) é notória. O revivalismo pela cultura urbano-depressiva dos anos 80 é manifestada através das roupas negras em contraste com a pela branca como a cal, as calças justíssimas, os cabelos milimetricamente despenteados, o visual "fashionable", quais modernos "dark dandies".
A música dos The Horrors faz o cruzamento das bandas (e de outras tantas) citadas. Um rock directo, por vezes com reminiscências punk, outras vezes com ambiências mais melódicas com direito a órgão Farfisa para dar uma áurea estética mais "arty". Claro que não têm a visceralidade sónica de uns primeiros Jesus and Mary Chain, a criatividade de uns The Cure e, muito menos, a profundidade artística de uns Joy Division. Ainda assim, com dois álbuns editados (o último, "Primary Colours", recentemente editado) e muito hype à mistura, os The Horrors conquistam fãs por todo o lado (muito à custa de intensos concertos ao vivo). Pessoalmente, gosto muito de alguns temas e não gosto nada de outros. Do que gosto mesmo é do cuidado estético dos seus videoclips. Para isso não será alheio o facto de terem muito bom gosto nos realizadores que escolhem, como o fantástico videoclip "Sheena is a Parasite", da autoria do aclamado realizador Chris Cunningham. Ou este sublime videoclip "She is the New Thing", realizado por Corin Hardy. Uma verdadeira trip alucinogénica "dark gore" em animação (poderia ter sido realizado por Tim Burton):

Muppets meets Queen

Eles estão de volta. E mais corrosivos do que nunca. Os Muppets (Marretas, por cá). E logo com uma - para sintetizar - belíssima e divertida versão de um tema clássico da banda de Freddie Mercury, os Queen: "Bohemian Rhapsody". Impagável.
A propósito deste tema (o original, não esta versão parodiada) devo dizer que é um tema extremamente bem composto. Quando era estudante de música estudei-o nota a nota e, em termos de composição, de harmonia e estrutura formal, “Bohemian Rapsody” é um portento de música de difícil interpretação, dada a grande variedade que a música apresenta em termos de mudanças melódicas e até de géneros musicais num curto espaço de tempo.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Vampyr - A luz e a escuridão


Numa altura em que o sucesso da saga "Twillight" se impõe nas salas de cinema, importa perguntar qual o melhor filme de vampiros jamais realizado. "Nosferatu" (1922) de Murnau, dirão muitos. Talvez. Ou talvez outra obra-prima muitas vezes esquecida: "Vampyr" (1932) de Carl Theodor Dreyer. Este filme foi realizado dez anos depois do clássico de Murnau e, apesar de manter algumas semelhanças com o filme alemão, são mais as diferenças que marcam a divisão das duas obras. O realizador dinamarquês já tinha realizado, em 1928, um espantoso retrato de Joana D'Arc, com o filme "A Paixão de Joana D'Arc", uma das obras-primas do cinema mudo europeu. Foi também o seu último filme mudo, dado que a indústria cinematográfica europeia se estava já a adaptar-se ao cinema sonoro.
E que filme é "Vampyr"? Um filme em que ocorre um estonteante embate entre os poderes da luz (os vivos) e os da sombra (os mortos-vampiros), ambos possuidores de grande força anímica. Um filme de uma força plástica única, que extravasa até as premissas do Expressionismo Alemão (em que se filia "Nosferatu"). Dreyer construiu a maior parte da atmosfera do filme filmando no amanhecer e no crepúsculo, para melhor captar as nuances da luz e da escuridão. O filme tem um ritmo lento, como se o realizador estivesse a filmar um baile fantasmagórico num salão onde o sonho e o pesadelo se encontram.
A história de "Vampyr" gravita em torno do jovem Alan Gray, especialista em demonologia, a quem o próprio filme chama de “um sonhador", para quem as fronteiras entre o real e o imaginário se tornaram obscuras. Numa estalagem campestre, Gray começa a presenciar estranhos acontecimentos. Descobre a presença de um vampiro que escraviza uma bela mulher que tenta libertá-la. O vampirismo não se manifesta com capas negras e dentes caninos afiados. O poder vampiresco em "Vampyr" é puramente espiritual, abstracto, surreal. E daí este filme de Dreyer ser muito mais metafísico e poético do que "Nosferatu", que advém de um horror mais físico e material. Com Dreyer o medo é induzido no espectador de forma subtil, com os jogos de luz e sombras, com o horror estampado nos rostos do pobre homem que até sonha com o seu próprio funeral.
Uma obra imortal e sempre fascinante que se pode encontrar numa magnífica edição DVD da editora Criterion.

Polanski a nu


Roman Polanski e Sharon Tate, numa fotografia tirada em 1969 pelo conhecido fotógrafo David Bailey poucos meses antes do brutal assassínio da actriz às mãos dos fanáticos seguidores de Charles Manson. A fotografia vai agora a leilão na casa Christie's, podendo alcançar um valor na ordem dos 10.000 dólares. Claro que o facto de Polanski se encontrar preso está a inflaccionar a cotação da fotografia, mas não há dúvidas que se trata de uma bela imagem de um casal feliz captada no auge da época da libertação sexual e da queda dos valores conservadores (outro casal que explorou imagens e poses de nudismo foi John Lennon e Yoko Ono).
Pergunto-me o que pensará o realizador, agora atrás das grades, se pudesse olhar para esta imagem, quando se sabe que pouco tempo depois desta fotografia ter sido tirada a sua mulher foi chacinada grávida de oito meses...

terça-feira, 24 de novembro de 2009

The End

Durante décadas os filmes terminavam sempre com a inevitável palavra "Fim", fosse em língua inglesa ou qualquer outra. Há muitos anos que esta prática caiu em desuso e os filmes terminam sem a necessidade de dizer ao espectador: "Agora é que é o fim do filme".
Mas o "The End" encerra uma mitologia própria, dado que é um elemento informativo e visual que faz parte da cultura cinéfila clássica. Eis alguns belos exemplos de últimos fotogramas de filmes com a imortal expressão "The End" (ou "Fin", ou "Finis", ou "Fine" ou...):






















Discos que mudam uma vida - 83


Portishead - "Portishead" (1997)
(também podia ser o "Dummy")

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Momentos e Imagens - 46

Dia 1 de Maio de 1941, Nova Iorque. Estreia do filme que iria mudar para sempre o cinema: "Citizen Kane", de um jovem realizador com apenas 26 anos, Orson Welles, de seu nome. A primeira fotografia é extraordinária pelo feliz enquadramento do instante captado pela objectiva do fotógrafo: Welles sai do táxi, cigarrilha na boca, mesmo em frente ao cinema Palace que, em segundo plano, revela em néon brilhante o seu nome e o da sua primeira obra-prima. Esta terá sido, certamente, uma das estreias mais importantes de toda a história da Sétima Arte.

World Music - a música portuguesa em destaque

O Times Online continua a sua senda na divulgação dos tops da primeira década do século XXI. Agora foi a vez da publicação dos dez melhores discos de world music dos últimos dez anos. No meio de grandes artistas mundiais do género como Rachid Taha, Salif Keita, Tinariwen, Lhasa ou Youssou N'Dour, surge um surpreendente 6º lugar ocupado por um nome português bem conhecido no panorama musical internacional. Quem é?

Iggy Pop versão jazzy


Um amigo informou-me que o último disco de Iggy Pop é verdadeiramente surpreendente porque num tema cantava... em francês. Fiquei curioso e investiguei. Na verdade, nesse disco, lançado em Junho deste ano, Iggy colocou de lado o rock e optou pela exploração de novas sonoridades. De tal forma que as grandes influências para este disco, intitulado "Préliminaires", é o jazz de Nova Orleães (Louis Armstrong), a tradição da canção francesa com cantores como Yves Montand e Edith Piaf e ainda o ícone brasileiro António Carlos Jobim.
Ainda não ouvi o disco na íntegra, mas é deveras um gozo ouvir o outrora raivoso cantor rock a cantar num estilo quase "romantic crooner", acompanhado de ritmos jazz e de ambientes de cabaret decadente. Vale a pena descobrir alguns desses temas no myspace do ex-Stooges.
PS - Entretanto, li que em 2010 a vida de Iggy Pop nos primeiros anos dos Stooges vai ser adaptada ao cinema. O actor que vai interpretar tão carismática figura musical é o jovem actor Elijah Wood.

domingo, 22 de novembro de 2009

Dois anos a blogar demasiado


Faz hoje dois anos que O Homem Que Sabia Demasiado começou com este post.

Um livro de um hitchcockiano


Um novo livro sobre Alfred Hitchcock lançado no mercado nacional é sempre uma notícia bem-vinda. Mais a mais, se esse livro é escrito não por um jornalista, um historiador, um crítico de cinema ou um realizador, mas simplesmente, por um cinéfilo admirador dos filmes do chamado mestre do suspense. É que os textos escritos (desde que bem escritos) por um cinéfilo tem sempre outra envolvência passional do que a análise, muitas das vezes fria e cerebral, de um ensaísta profissional. O cinéfilo e autor em causa dá pelo nome de José Varregoso, que já mantinha um blogue com o sugestivo título "Eu, Hitchcockiano, me Confesso".
O livro, agora à venda (Chiado Editora), ostenta o mesmo nome que o blogue e foi apresentado ontem mesmo pelo realizador Lauro António, que relata o evento aqui. O livro que José Varregoso publica compila alguns dos melhores textos do autor sobre a vida e obra de Hitchcock, numa visão crítica assumidamente pessoal e sem compromissos de qualquer ordem. É, certamente, um livro escrito com a paixão devota de um admirador de um dos maiores cineastas do século XX.

sábado, 21 de novembro de 2009

David Lynch goes to India


A recente notícia que dá conta do próximo filme de David Lynch agradou-me sobremaneira. Lynch, um adepto da meditação transcendental (como referi aqui a propósito do seu livro "Em Busca do Grande Peixe"), vai adaptar ao cinema - já com filmagens a partir de Dezembro - a vida do guru Maharishi Mahesh Yogi, o místico indiano que deu aulas de meditação nos anos 60 a diversos músicos pop-rock, sendo os mais conhecidos, os Beatles. O quarteto de Liverpool encontrou-se por diversas vezes com Mahesh Yogi e John Lennon foi um dos mais entusiásticos seguidores do mestre.
Dizia que a notícia me tinha agradado porque julgo que é altamente promissor o resultado da simbiose entre o universo estético surreal de David Lynch e o misticismo da cultura indiana. Muito promissor mesmo.

Descobrir cidades através dos filmes


Para quem acumula o gosto pelo cinema e o prazer de viajar, nada melhor do que descobrir percursos de locais de rodagem de filmes. Há guias editados dos locais de filmagem do mundo inteiro, com especial destaque para as grandes metrópoles (Londres, Nova Iorque ou Paris - afinal, as cidades mais filmadas). Mas não é preciso comprar guias quando temos à disposição um óptimo site bastante completo sobre os locais de filmagem de muitos filmes (desde "cult movies" a "blockbusters"): chama-se "Movie Locations", e neste sítio encontramos informação detalhada sobre os locais (edifícios, cafés, hoteis, ruas...) onde foram filmados filmes como "O Padrinho", "Taxi Driver", "Pulp Fiction", "Laranja Mecânica" e tantos outros.
É possível pesquisar por país (Portugal tem apenas uma entrada, num filme de 1969 da série James Bond, filmado parcialmente em Cascais), cidade, realizador, actor, ou títulos de filmes. As fotografias que encontramos relativas a determinado filme correspondem aos cenários filmados, como o restaurante onde Robert DeNiro e Al Pacino se encontram em "Heat - Cidade Sob Pressão", os locais frequentados nos bairros de Paris por Amélie (na imagem) em "O Fabuloso Destino de Amélie Poulin", etc, etc.
Assim, numa eventual viagem a Bruxelas, Londres, Amesterdão, Los Angeles, Chicago ou Barcelona, poderemos programar um guia de destino turístico para conhecer os cenários reais dos nossos filmes favoritos. Ou seja, descobrir cidades através dos filmes - alia-se o prazer da viagem ao prazer cinéfilo. Link.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Tragédia e comédia segundo Keaton


“Tragedy is a close-up; comedy, a long shot.” - Buster Keaton

Rice Art

Com a chegada do Verão algumas plantações de arroz no Japão ganham um colorido muito especial. A comunidade de agricultores da região de Inakadate, na província de Aomori é uma das mais conhecidas por produzir os trabalhos mais impressionantes desta combinação fascinante de arte e agricultura. Esse resultado é conseguido plantando mudas de folhas de cores diferentes que vistas a partir de uma determinada altura, transformam-se em autênticos quadros nas plantações de arroz. Um trabalho altamente minucioso.
Mas também há quem pense que são extraterrestres que fazem estas construções...




"A arte existe no instante em que o artista se afasta da natureza"
Jean Cocteau