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Quarta-feira, 9 de Julho de 2008

David Chapman - o assassino tranquilo


A semelhança física entre estas duas imagens é assustadora. O homem da esquerda é Mark David Chapman; o homem da direita é o actor Jared Leto a interpretar Mark David Chapman no filme "Chapter 26" de J.P. Schaefer. Chapman foi o assassino de John Lennon, no fatídico dia de 8 de Dezembro de 1980, à porta de sua casa, o famoso edifício Dakota em Nova Iorque. Horas antes, Chapman esperou por Lennon à porta de sua casa para que o ex-Beatle assinasse um autógrafo no seu recente álbum "Double Fantasy", como pode ser visto nesta perturbante fotografia. Horas depois do autógrafo, David Chapmam esperou o regresso a casa de John Lennon e, sem prévio aviso, alvejou-o com 5 tiros pelas costas, perante o horror de Yoko Ono. Depois dos disparos, Chapman esperou que a polícia o viesse prender. No passeio, John Lennon agonizava e acabaria por morrer (perdeu 80% de sangue).
Chapman dizia-se obcecado com a figura de Lennon e durante toda a vida sofreu de perturbações psicológicas e neuróticas. Referiu à polícia que a inspiração para o seu crime foi a leitura compulsiva do livro "Catcher in the Rye" do escritor J.D. Salinger, no qual se narra a história de um adolescente revoltado contra os hipócritas e falhados da sociedade. David Chapman identificava-se com essa personagem, vendo em Lennon uma figura pública que encarnava essa hipocrisia. David Chapman foi sentenciado a pena perpétua, sempre em reclusão solitária devido às ameaças de morte de outros reclusos admiradores dos Beatles. Pediu várias vezes liberdade condicional, mas foi sempre negada. Actualmente com apenas 53 anos, é possível ainda que Chapman seja posto em liberdade, para desespero de Yoko Ono, Paul McCartney e fãs de John Lennon de todo o mundo.
Quanto ao filme "Chapter 26" (relacionado com o livro de Salinger) que retrata os últimos dias de David Chapman, culminando no assassinato de Lennon, foi arrasado pela crítica (vai estrear em Portugal dia 31 de Julho). Facto relevante no filme é a interpretação do actor Jared Leto - também conhecido como cantor da banda rock 30 Seconds to Mars. Leto seguiu o exemplo de Robert De Niro no filme "Touro Enraivecido" de Scorsese, ao engordar perto de 30 quilos para entregar maior realismo à personagem de Chapman. A semelhança física é notável, mas as sequelas desta exigente prova foram dolorosas para o actor, que passou mais de um ano a recuperar (com dificuldade) a sua silhueta física normal.
Interessante é que um ano antes foi realizado um outro filme sobre a morte de John Lennon centrada na figura de David Chapman - "The Killing of John Lennon" Ainda não vi nem um nem outro, por isso não posso emitir juízos de valor precipitados, mas quase arriscaria a dizer que estes dois filmes não serão os últimos sobre o assassinato de John Lennon.

Segunda-feira, 7 de Julho de 2008

Díptico - 14


Sweeney Todd e Edward Scissorhands (Johnny Depp)

Domingo, 6 de Julho de 2008

Danny Elfman attacks!

Danny Elman passou pelo Porto, há quase 10 anos, por ocasião do Fantasporto e da estreia do filme “Sleepy Hollow” (“A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça”, 1999), desse prodigioso cineasta chamado Tim Burton. Já o disse aqui várias vezes que Danny Elfman é o meu compositor favorito para cinema dos últimos 20 anos. Não sei se é o melhor nem o mais conhecido, nem sequer o mais premiado (o músico diz que os compositores académicos não gostam do seu trabalho), mas Elfman é, seguramente, um dos mais inventivos e eclécticos criadores de bandas sonoras para filmes desde Bernard Herrmann, Nino Rota ou Ennio Morricone.
Nem toda a sua carreira é brilhante - compôs bandas sonoras banais para filmes comerciais como "Hulk", "Missão Impossível" ou "Men in Black". Mas bastava a sua colaboração com Tim Burton para ficar para a história. Aliás, é a Tim Burton que Elfman deve a sua entrada fulgurante no mundo do cinema, quando o cineasta o convidou a fazer a sublime música para o filme "As Aventuras de Pee-Wee" (1985). (Danny Elfman começou por compor para teatro musical, antes de fundar a interessante banda rock Oingo Boingo em 1978). De resto, Danny Elfman só não criou duas bandas sonoras de filmes de Burton: "Ed Wood" (2004) e "Sweeney Todd" (2007). No primeiro filme, Danny Elfman estava chateado com Tim Burton (reconciliaram-se logo a seguir); no segundo, a música original era de Stephen Sondheim. Burton e Elfman encetaram, pois, uma colaboração artística das mais esfuziantes e originais das últimas duas décadas.
São da responsabilidade de Danny Elfman as notáveis bandas sonoras dos filmes “Eduardo Mãos de Tesoura”, “Batman”, “The Big Fish”, "The Corpse Bride", “Marte Ataca!”, "Charlie e a Fábrica de Chocolate" (todos de Tim Burton), ou ainda “Dick Tracy”, e mesmo a música do genérico da série “Os Simpsons” (Elfman refere que na Índia é mais conhecido pela música dos "Simpsons" do que qualquer outra). O trabalho de Elfman é devedor da tradição musical para filmes de insignes compositores clássicos como Nino Rota, Bernard Hermann, Henry Mancini ou Max Steiner, mas acrescentado sempre um toque singular de criatividade (que pode passar por música de cabaret, jazz, ou rock), refutando as convenções da comédia musical (designadamente da Broadway) e revelando uma sensibilidade rara na criação de ambintes negros e góticos. Ver aqui filmografia completa.
Porventura a obra-prima absoluta de Danny Elfman seja o filme de animação (com produção de Burton) “The Nightmare Before Christmas” (“O Estranho Mundo de Jack”). O filme é um maravilhoso conto onde se cruzam as noites das bruxas e de Natal, num registo misto de negritude teatral do Halloween e de imaginário surrealista. O perfeito contraponto musical de Danny Elfman é feito recorrendo a canções que servem de autêntico motor narrativo, socorrendo-se a uma síntese artística que funde Prokofiev, Tchaikovski e Nino Rota. Para além destas referências, a obra alemã de Kurt Weill revela-se como o elemento musical e estilístico catalisador de toda a obra. Mais a mais, ao contrário de muitas bandas sonoras, este trabalho sobrevive perfeitamente sem o recurso das imagens. Eis algumas palavras do próprio Elfman a propósito desta banda sonora: “Foi um enorme desafio compor a banda sonora para “The Nightmare...”; passei dois anos e meio a trabalhar com o Tim Burton. Escrevemos onze canções antes de haver um guião. Desprezei a regra Disney segundo a qual todos os musicais devem ter cinco temas, de 12 em 12 minutos. Queríamos fazer algo que soasse simultaneamente fresco e antiquado, quase intemporal”.
E o que está a fazer actualmente Danny Elfman? Está a preparar a composição para um peça de teatro musical a estrear na Broadway em 2010 sobre a vida do ilusionista Harry Houdini. No que toca ao cinema, compõe neste momento a música para ao filme "Hellboy: The Golden Army" (de Guillermo del Toro). E foi o responsável pelo original soundtrack de um filme que está a dar muito que falar e que estreia em Portugal daqui a dias: "Wanted" (com Angelina Jolie e Morgan Freeman). O motivo do burburinho em relação a este filme diz respeito aos revolucionários efeitos visuais (na senda de "The Matrix") e por uma alegada redefinição do conceito de filme de acção. Já ouvi a banda sonora que Danny Elfman fez para "Wanted" e, mais uma vez, não desilude. Fraqueja apenas no tema "The Little Things", um desinspirado tema hardrock. De resto, as soluções sonoras encontradas por Elfman são plenas de criatividade e ousadia estética. Ouça-se esta tema "Revenge": a mistura explosiva de orquestrações sinfónicas com riffs de guitarra resulta num momento claramente superior da sua carreira. Um estilo que se reconhece à légua, um estilo que muitos imitam (como Tyler Bates) mas poucos igualam.

Sexta-feira, 4 de Julho de 2008

Iconografia hitchcockiana








Quinta-feira, 3 de Julho de 2008

Para ler um filme


Que tal comprar os argumentos dos seus filmes preferidos? Devidamente assinados pelos seus autores (actores, realizador) e por menos de 20 dólares? Corresponde à verdade mas não propriamente nestes termos. Ou seja, não são originais, mas sim cópias genuínas dos originais. O site não pretende enganar ninguém: está bem explícito que não se trata de "scripts" originais. De resto, o nome do site não engana: Genuine Replicas. O site garante ainda a fidelidade dos textos e das próprias assinaturas da capa (digitalizadas). Não há muitos títulos de filmes disponíveis em quantidade, mas há em qualidade e diversidade. Para entrar, carregar aqui.

Excerto do guião do filme "Taxi Driver" (1976)

Quarta-feira, 2 de Julho de 2008

"Gone Baby Gone" - ficção vs. realidade


O inesgotável caso Maddie voltou à ribalta mediática por estes dias. A polícia encontrou o alegado sequestrador? Não. Deslindou o mistério? Não. A criança está morta ou viva? Nada de sabe. O que se sabe é que o caso voltou às televisões para as autoridades anunciarem que vai ser... arquivado. Certo é que este caso configurou um fenómeno inédito na forma como a comunicação social tratou da informação. O circo mediático montado à escala planetária, durante meses, para cobrir todos os pormenores deste caso, é já um "case study nas escolas de comunicação e jornalismo.

Como sabemos também, realidade e ficção (ou vice-versa) confundem-se. Veja-se o caso do filme "Gone Baby Gone" ("Vista Pela Última Vez..."), estreado no final de 2007 em Inglaterra, que despoletou polémica e sentimentos bizarros na opinião pública. Como se sabe, o filme foi realizado pelo actor Ben Aflleck e protagonizado pelo seu irmão, Casey Affleck. A estreia do filme ficou adiada vários meses por casua das óbvias semelhanças entre a história do rapto de Madeleine McCann e a ficção do filme (rapto de Amanda McCready). A Miramax (produtora do filme) adiou essa estreia para que o caso esmorecesse na opinião pública e para que, desta forma, o rótulo de oportunismo não lhe fosse atribuído. Baseado no romance de Dennis Lehane (que já tinha escrito "Mystic River", adaptado para cinema por Clint Eastwood) e adaptado para o ecrã por Affleck, o filme "Gone Baby Gone" conta a história de dois detectives privados que procuram uma menina de 4 anos, raptada no bairro mais degradado no sub-mundo de Boston. Entre a rocambolesca história da família britânica no Algarve e a do filme, muitos elementos existem em comum, sendo o principal, o facto de uma menina loura de 4 anos ser raptada do seu próprio quarto. Para além destes aspectos, o filme, sendo uma ficção, acaba por desviar-se narrativamente do percurso da história da menina McCann.
A primeira realização de Ben Affleck denota uma considerável consistência narrativa e um arrojo técnico que é de salientar, mas Affleck envereda por um caminho mais de discussão em redor da legitimidade da instituição família do que propriamente em explorar o rapto em si. O rapto acaba por ser, in extremis, um pretexto para uma reflexão profunda sobre o valor da família como instituição protectora e propiciadora de felicidade aos filhos. O personagem desempenhado por Casey Affleck tem de tomar uma decisão dramática que vai proporcionar o desenlace da história. O seu dilema moral é dilacerante e o final do filme é, sem dúvida, muito amargo e deprimente. No filme a questão principal é: que limites morais e sociais se devem respeitar em benefício da segurança de uma criança? Aflleck resolve muito satisfatoriamente esta dúvida (basta assistir aos dois últimos momentos do filme, num belíssimo plano). No mundo real, o drama moderno dos hediondos crimes pedófilos e dos raptos de crianças constituem matéria vasta para futuras obras literárias ou cinematográficas. A arte imita a vida, só que por vezes a realidade é bem mais cruel e dura do que a ficção...
O casal McCann na realidade. O casal de namorados-detectives no filme: o cinema como espelho duplo da realidade.

Terça-feira, 1 de Julho de 2008

O culto do poster



Quem nunca teve posters colados na porta ou nas paredes do quarto, que atire a primeira pedra. Posters dos ídolos musicais, desportivos ou artísticos. Posters. Tenho um amigo que, quando era adolescente, conseguiu forrar, literalmente, as paredes e a porta do seu quarto com posters. O que vale é que tinha bom gosto nos artistas que expunha, mas o amontoado de papel colado à parede (ao ponto de não se conseguir vislumbrar a cor da mesma) metia uma certa impressão. O culto à volta da colecção de posters corresponde a uma paixão efémera que hoje já não tem correspondência real nos jovens. Na maior parte dos casos, as revistas actuais já não publicam, nas páginas centrais (como era habitual), posters dos artistas da moda. O culto dos fenómenos culturais faz-se, uma vez mais, através da cultura digital.
Mesmo como veículos de promoção e divulgação, os posters perderam grande parte do encanto e da funcionalidade. No que se refere especificamente aos filmes, o poster (ou cartaz), já não tem o mesmo papel de outrora. Hoje há muitas outras formas de promoção de um filme, quando antigamente o poster era o grande meio de promoção. A verdade é que o poster faz parte da cultura histórica do cinema, do seu imaginário, da sua linguagem iconográfica. Ainda hoje sinto que gostaria de ter ainda paredes disponíveis em casa para poder colocar, qual adolescente, posters e posters de cinema. Dos clássicos do período mudo aos filmes de autor da actualidade. Daqueles com design intemporal e que fizeram história na cultura visual do século XX. Ainda hoje se me assalta a vontade indómita de comprar posters e cartazes. Sobretudo os posteres de cinema de tamanho grande, que guardam memórias infinitas do prazer da fruição cinematográfica.
Há pelo menos três bons sites na internet que vendem posteres e que promovem o culto dos mesmos - o movieposters; allposters; e o vintagefilmposters. Estes sites vendem reproduções fidedignas de cartazes de cinema antigos e actuais. O allposters vende não só posteres de cinema mas de muitos outros temas: fotografia, arte, pintura, ilustração, etc. Em Portugal tenho conhecimento de uma loja que vende posters de cinema e outros artigos relacionados com a 7ª Arte: Cinecittà

Segunda-feira, 30 de Junho de 2008

À procura do som da velocidade


Há pelo menos dois anos que quero comprar este livro espanhol: "El Sonido de la Velocidad - Cine y Música Electrónica". Trata-se de um livro que compila diversos textos de jornalistas e críticos de música espanhóis (mais um excelente prólogo do DJ Spooky, aka Paul D. Miller - pode-se descarregar o PDF no link). A abordagem do livro é sobre a relação entre o cinema e a música electrónica, desde as primeiras experiências até à actualidade. Como me interessa tanto o cinema como a música e as interligações estéticas daí resultantes, este livro é uma prioridade para mim. Acontece que não o consigo encontrar à venda em lado nenhum. Só tentando na tal livraria madrilena especializada em cinema.

Domingo, 29 de Junho de 2008

Cinema - os italianos


O cinema italiano, à semelhança do francês, é um cinema que teve períodos de grande relevância histórica, cultural e estética na história do cinema mundial. São dois países cujas marcas de autor e de originalidade mais se fizeram sentir ao longo de décadas. Se em Itália emergiu o movimento "Neo-Realista" (Rossellini, Vittorio De Sica, Visconti) logo no pós-guerra, em França surgiu a não menos importante "Nova Vaga" na década de 60 (Godard, Truffaut, Rohmer, Rivette...), que trouxe uma nova sensibilidade e uma nova forma de fazer cinema que marcaria para sempre a sétima arte.
Numa deambulação pela internet, deparo-me com uma lista dos 10 melhores cineastas italianos de sempre. E é esta:
10 - Robert Benigni
9 - Sergio Leone
8 - Pier Paolo Pasolini
7 - Franco Zeffirelli
6 - Roberto Rossellini
5 - Luchino Visconti
4 - Vittorio De Sica
3 - Bernardo Bertolucci
2 - Michelangelo Antonioni
1 - Federico Fellini

As listas valem o que valem, mas custa-me a acreditar que Bertolucci seja considerado melhor realizador do que Visconti ou Vittorio De Sica. Assim como me causa certa estranheza ver o Zeffirelli à frente de Pasolini e do Sergio Leone. Já os dois primeiros lugares - Fellini e Antonioni - são, quanto a mim, inquestionáveis.

Díptico - 12


Sexta-feira, 27 de Junho de 2008

Cristo inspira Greenaway


O controverso realizador Peter Greenaway anunciou que vai iniciar as filmagens de uma longa-metragem sobre a vida de Jesus Cristo, inspirado pela filha de sete anos, que lhe perguntou "por que é que Jesus teve dois pais". O cineasta de "Os Livros de Próspero" ficou pensativo e, num repente, sentou-se a escrever o guião para um filme sobre a dúvida suscitada pela filha. Mais: o filme sobre Cristo será um filme cru e denso e dirigido a adultos, pelo que a filha não o vai poder ver.
Agora imagine-se se a filha tivesse perguntado ao pai: "por que é que a Virgem Maria deu à luz Jesus se ela era virgem?" Gostaria de ver um filme realizado por Greenaway dissecando este insondável enigma metafísico.

Díptico - 11


O actor Guy Pearce interpreta duas personalidades reais: Andy Warhol no filme "Factory Girl" (2006) e Harry Houdini em "Houdini - O Último Grande Mágico" (2007 - estreia esta semana).

Quinta-feira, 26 de Junho de 2008

"Haxan" - a bruxaria através dos tempos


O site dvdgo.com anuncia uma edição em DVD como um grande destaque editorial no panorama da cinefilia caseira. E não é para menos. Trata-se da versão especial remasterizada (som e imagem) de um dos mais míticos e sublimes filmes do período mudo: "Häxan", realizado em 1922 pelo cineasta dinamarquês Benjamim Christensen. "Häxan", um dos primeiros grandes filmes fantásticos de sempre (é do mesmo ano de "Nosferatu" de Murnau), documenta as perseguições movidas contra as feiticeiras e os actos de bruxaria numa Europa medieval conspurcada pela intolerância religiosa e pela Inquisição. A prodigiosa fotografia do filme, as encenações de rituais e de possessões demoníacas, e o ambiente visual expressionista recriado viria a influenciar outras obras-primas do cinema, como o clássico de Carl Dreyer, "A Paixão de Joana D'Arc" (1928). Muito do imaginário de terror psicológico e visual dos filmes das décadas posteriores (aliás, até aos nossos dias), foi gerado a partir deste filme escandinavo. Há muito de "Häxan" no filme "O Exorcista" (1973); e os produtores do filme-fenómeno "The Blair Witch Project" (1999), deram o nome de "Häxan Films" à sua produtora. E até inspirou a criação de um grupo homónimo de música... Black Metal.
Também é verdade que o filme de Christensen foi, durante décadas, censurado e banido, quer pelas autoridades religiosas, quer pelas autoridades políticas, tornando-se num filme marginal e num verdadeiro fenómeno de culto internacional. Mas nessa suposta marginalidade existia imensa criatividade e inovação estética.
Esta edição especial traz além da versão original restaurada, a rara edição americana lançada em 1968 com narração do poeta beat William S. Burroughs (grande admirador do filme) e com o subtítulo "A Bruxaria Através dos Tempos" (no segundo disco do DVD). Imperdível, portanto.

Quarta-feira, 25 de Junho de 2008

Díptico - 10


Joy Division: o regresso em documentário


Já tem estreia marcada para Portugal: 17 de Julho. Falo do filme "Joy Division" de Grant Gee, um documentário que promete revelações sobre o quarteto fantástico de Manchester e do malogrado Ian Curtis. Depois do sucesso de "Control" de Anton Corbijn, "Joy Division" trará, certamente, um novo olhar sobre um dos mais influentes e importantes grupos de sempre. isto porque o filme de Grant Gee se baseia em entrevistas aos músicos sobreviventes do grupo, assim como a amigos, técnicos e pessoas que conheceram e viveram de perto todo o fenómeno meteórico dos Joy Division. Uma das pessoas entrevistadas é a jornalista Hanick Honoré, amante de Ian Curtis na fase final da vida do cantor e letrista. Será particularmente interessante verificar a versão de Honoré em relação à sua ligação a Curtis, uma vez que a mulher legítima, Deborah Curtis, discordou da versão sentimental apresentada no filme de Corbijn. O filme estreou há pouco mais de um mês na Inglaterra e teve óptimas críticas. Grant Lee não é novato em documentários sobre música, visto ter realizado um sobre os Radiohead e outros sobre Scott Walker.
O documentário, com distribuição da Midas Filmes, será apresentado à imprensa no dia 27 de Junho e a estreia comercial será no dia 17 de Julho.

Segunda-feira, 23 de Junho de 2008

Marcar na agenda: Maio 2011


Estamos em Junho de 2008 e foi agora anunciado a estreia do filme "Homem-Aranha 4" para Maio de... 2011. Que me recorde, é a primeira vez que uma produtora publicita a estreia de um filme com tanto tempo de antecedência (o máximo habitual é de um ano). A forma de produzir, realizar e promover um filme mudou muito nos últimos anos. Na vertigem da sociedade de informação digital, interessa às produtoras cinematográficas fazerem uma espécie de marcação do território, mas por antecipação. Antigamente, os filmes eram produzidos e realizados sem especiais campanhas de marketing (a não ser que houvesse problemas ou escândalos mediáticos durante a produção do mesmo). Essa campanha de marketing comercial à volta de um filme tinha início umas semanas antes para promover o filme. Agora publicita-se a estreia de um filme ainda mesmo antes de se saber qual vai ser o seu realizador, quais serão os actores principais (Tobey Maguire ainda nem foi sondado para interpretar o papel do super-aracnídeo), sem se saber, sequer, qual o argumento definitivo. No entanto, o mundo tem de saber que em Maio de 2011, "Homem-aranha 4" vai estar nas salas de cinema. Isso é que é importante. Sobretudo para marcar posição comercial face aos filmes blockbusters concorrentes.
O exagero deste anúncio da saída de um filme com 3 anos de antecedência revela novas formas de fazer marketing a longo prazo. Com que resultados práticos? Com que objectivos definidos? Para que os fãs do "Homem-Aranha" contem, ansiosamente, os anos, meses e dias que faltam para ver mais um filme de super-herói igual aos outros?
PS - Não me admira que brevemente possamos assistir ao anúncio da estreia de "Harry Potter 6" para Junho de 2012, "O Pirata das Caraíbas 5" para Dezembro de 2014 ou o regresso de uma mega-produção do "Super-Homem" para Julho de 2016.

Quarta-feira, 18 de Junho de 2008

O exemplo de John Williams

Não é dos meus compositores para cinema favoritos, mas é indiscutivelmente, um dos maiores: John Williams. Recebeu o incrível número de 6 Óscares ao longo da sua brilhante carreira, entre os quais, as memoráveis bandas sonoras de "Tubarão", "E.T.", "Star Wars" ou "A Lista de Schindler". Todos realizados por Steven Spielberg, pois claro (corrijo: "Star Wars" foi realizado por George Lucas). Por vezes, creio que John Williams se enreda demasiado por um clacissismo académico que tende a explorar fórmulas orquestrais repetitivas, sem grandes explosões de criatividade e de abertura estética (ao contrário de um Howard Shore, um Tyler Bates ou de um Danny Elfman). Porém, é bem verdade que algumas das mais impactantes bandas sonoras feitas, desde os anos 70 aos nossos dias, foram compostas por Williams. E como se prepara e trabalha este compositor para compor a música dos filmes? Tomemos como exemplo a música do filme "O Resgate do Soldado Ryan" (1988) de Steven Spielberg. No clip a seguir, John Williams explica como abordou o trabalho de relacionar a música com o dramatismo das imagens.

Díptico - 8


A boa televisão às 2h da madrugada


Boa notícia: para quem nunca viu ou quer rever o magnífico filme “O Pianista” de Roman Polanski, pode fazê-lo hoje na RTP1.
Má notícia: o filme está programado passar às 02h00!
Há muitos anos atrás, a RTP fazia verdadeiro serviço público quando passava, às quartas-feiras à noite (21h30), a sessão de cinema. Filmes de qualidade em horário nobre com apenas um intervalo pelo meio. Isto já para não falar da programação cinéfila de cinema clássico da RTP2, que teve o seu auge até meados da década de 90. Desde há uns anos a esta parte, a programação das televisões em horário nobre tem sido monopolizada com telelixo: telenovelas aos molhos, futebol e programas medíocres de entretenimento. E, claro, intervalos infindáveis de publicidade maçuda...
Por isso os filmes, séries e programas de informação de qualidade são relegados para secundaríssimo plano, sempre depois da meia-noite (pior: madrugada dentro). Claro que há alternativas: televisão por cabo e clubes de vídeo. Só que há dezenas de milhares de famílias portuguesas que não podem pagar televisão por cabo ou ser sócio de videoclubes. E assim estupidificam-se, de forma passiva, assistindo à boçalidade televisiva diária. A nova televisão digital e os novos pacotes multimédia (Zon e Meo) podem atenuar a nefasta formatação da televisão actual e alargar as possibilidades de visionamento do espectador, mas estes produtos vão levar muitos anos a generalizar-se por toda a população. Voltando ao filme de Polanski: a obscenidade de programar um filme desta qualidade às duas da manhã, a meio da semana, deveria ser um acto punido com uma severa coima aplicada pela Alta Autoridade Para a Comunicação Social.

Díptico - 7


"Dogville" (2003) e "Maderlay" (2005) - Lars von Trier