Eis uma extraordinária edição em forma de pack de DVD: "Chaplin Hoje". São dez filmes geniais de Charlie Chaplin apresentados por outros tantos realizadores importantes (Bertolucci, Chabrol, Jarmusch, Kusturica...). Para além das cópias restauradas o pack da Midas Filmes vende-se ao preço quase simbólico de... 15€! Quinze euros por dez filmes grandiosos do insuperável Chaplin. Querem melhor prenda de Natal para oferecer a um amigo cinéfilo?
Link para mais informações.
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domingo, 21 de dezembro de 2014
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
A Manhã de Natal segundo...
Lembram-se há um ano ter publicado um vídeo no qual - de forma divertida - se fazia alusão ao Natal segundo o ponto de vista de vários realizadores famosos (ver aqui)?
Bom, os mesmos responsáveis, The Auteurs, decidiram realizar um segundo volume na mesma linha para assinalar o Natal de 2014. Ou seja, a "manhã de Natal" entendida segundo a estética de cineastas como Chaplin, David Lynch, Tarantino, Malick, Godard ou Hitchcock.
Nestas sequências de breves segundos estão condensadas as características visuais e temáticas de cada realizador. Muito interessante e bem divertido:
Bom, os mesmos responsáveis, The Auteurs, decidiram realizar um segundo volume na mesma linha para assinalar o Natal de 2014. Ou seja, a "manhã de Natal" entendida segundo a estética de cineastas como Chaplin, David Lynch, Tarantino, Malick, Godard ou Hitchcock.
Nestas sequências de breves segundos estão condensadas as características visuais e temáticas de cada realizador. Muito interessante e bem divertido:
quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
A experiência de "Final Cut"
Do cinema húngaro contemporâneo não vem apenas o génio de Béla Tarr. Há também um outro cineasta que explora novas dimensões da Sétima Arte. Chama-se György Pálfi, tem apenas 40 anos e notabilizou-se com o filme muito pouco ortodoxo "Taxidermia" em 2006.
A verdade é que o último filme de Pálfi (datado de 2012) é um verdadeiro monumento de amor pelo cinema. Intitula-se "Final Cut - Ladies and Gentlemen" e conta a história de amor entre um homem e uma mulher a partir de imagens de arquivo de clássicos do cinema mundial. O "homem" é representado por Marcello Mastroianni, Chaplin, Woody Allen, Al Pacino, Robert De Niro, Brad Pitt e centenas de outros atores. Já a "mulher" assume as formas de Audrey Helburn, Greta Garbo, Diane Keaton, Gina Lollobrigida, Sharon Stone e muitos outras.
Confusos?
Num primeiro momento, esta descrição pode parecer que seja um filme hermético e experimentalista sem sentido. Nada disso: é um filme fascinante e divertido que nos agarra desde o primeiro fotograma a partir de centenas de filmes diferentes (mais de 500) e que prova que a montagem é uma das mais importantes ferramentas do cinema.
Além das cenas de diversos filmes, a montagem também abarca diversas bandas sonoras deslocadas dos seus filmes originais e organizadas visando a coerência narrativa desta obra. "Final Cut", através do seu prodigioso trabalho de colagem, induz o espectador numa experiência cinematográfica e visual única. Uma experiência que une o universal e o individual e que nos transporta para a memória riquíssima da história do cinema, numa espantosa homenagem ao poder simbólico das imagens da Sétima Arte. Altamente recomendável, portanto.
Para ver o filme na íntegra abri aqui.
Eis um excerto do filme com uma sequência de dança e de beijos.
domingo, 18 de maio de 2014
A lista de Woody Allen
É sabido que Woody Allen sempre manifestou grande paixão pelo cinema europeu, não só como espectador, mas também enquanto realizador. Daí que não espante que nos seus 10 filmes preferidos de sempre apenas constem dois títulos do cinema norte-americano (Welles e Kubrick).
Outros aspecto curioso é que Allen não escolheu nenhum filme de comédia (Chaplin, irmãos Marx ou Keaton, suas referências inevitáveis).
Sem nenhuma ordem em particular:
"The 400 Blows" (François Truffaut, 1959)
"8½" (Federico Fellini, 1963)
"Amarcord" (Federico Fellini, 1972)
"The Bicycle Thieves" (Vittorio de Sica, 1948)
"Citizen Kane" (Orson Welles, 1941)
"The Discreet Charm of the Bourgeoisie" (Luis Buñuel, 1972)
"La Grand Illusion" (Jean Renoir, 1937)
"Paths of Glory" (Stanley Kubrick, 1957)
"Rashomon" (Akira Kurosawa, 1950)
"The Seventh Seal" (Ingmar Bergman, 1957)
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quinta-feira, 10 de abril de 2014
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
Os onze filmes favoritos de Bergman
Em 1994 um jornalista perguntou a Ingmar Bergman, um dos maiores cineastas do século XX, quais os seus 10 filmes preferidos de sempre. Bergman pediu para pensar um pouco e depois foi dizendo um título atrás do outro. Pensava que tinha dito 10 filmes, mas o entusiasmo levou-o a citar 11 títulos.
- Andrei Rublev (Andrei Tarkovsky, 1971)
- The Circus (Charlie Chaplin, 1928)
- The Conductor (Andrzej Wajda, 1980)
- Marianne and Juliane (Margarethe von Trotta, 1981)
- The Passion of Joan of Arc (Carl Theodor Dreyer, 1928)
- The Phantom Carriage (Victor Sjöström, 1921)
- Port of Shadows (Marcel Carné, 1938)
- Raven’s End (Bo Wilderberg, 1963)
- Rashomon (Akira Kurosawa, 1950)
- La Strada (Federico Fellini, 1954)
- Sunset Boulevard (Billy Wilder, 1950
De todos estes filmes, só não conheço o filme do Andrzej Wajda, do Bo Wilderberg (nem sei quem é!) e da Margarethe von Trotta (de quem ainda ontem publiquei na rubrica Genealogia de Fotogramas imagens do seu último filme, "Hannah Arendt").
Todos os outros filmes citados são obras-primas indiscutíveis. Confesso a minha surpresa pela escolha de um filme aparentemente menor de Charlie Chaplin - mas que eu adoro - "The Circus", assim como o maravilhoso (e pouco reverenciado) "La Strada" de Fellini.
Estas escolhas provam o gosto cinematográfico ecléctico do grande Ingmar Bergman.
domingo, 3 de novembro de 2013
Cinema mudo: com ou sem Intertítulos
É conhecida a grande resistência que muitos realizadores e actores do cinema mudo tiveram para aderir ao cinema falado. Enquanto o período mudo durou (até 1927), a história de cada filme era contada através dos célebres intertítulos, caixas pretas com as legendas dos diálogos ou pensamentos dos personagens. O curioso é que em Hollywood alguns realizadores mais audazes ambicionaram criar filmes puramente visuais, e que tivessem o mínimo de intertítulos possíveis.
O grande Buster Keaton era um desses realizadores que tentou reduzir ao mínimo o número de intertítulos, privilegiando a acção puramente visual. Foi então que Buster desafiou amigavelmente o seu rival Charlie Chaplin para ver quem dos dois realizaria o filme com menos intertítulos. Um filme mudo tinha, em média, 240 intertítulos. O máximo que Buster Keaton tinha utilizado foram 56.
Eis o resultado desse interessante desafio: Chaplin realizou um filme com apenas 21 intertítulos, enquanto que Buster fez um filme com 23.
Mas o verdadeiro record viria da Alemanha Expressionista: F.W. Murnau realizou um filme mudo sem intertítulos e puramente visual: "O Último Homem" (1924).
(Esta é uma das muitas histórias que revela o livro "Hollywood - Estórias de Glamour no Império do Cinema").
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
Sasha Grey
É sobretudo conhecida por ter sido actriz de filmes pornográficos entre os 18 e 21 anos de idade. Mas Sasha Grey é uma figura muito mais interessante do que esse epíteto (geralmente negativo) costuma acerretar.
Actualmente com 25 anos, Sasha é uma jovem mulher e artista que sabe o que quer e sabe para onde vai. Largou definitivamente a indústria pornográfica, entrou num filme de Steven Soderbergh, fez música alternatica, é fotógrafa, DJ e estreou-se na literatura, escrevendo o livro "Juliette Society" (que veio apresentar há dias a Portugal).
Sasha Grey tem um excelente gosto cinéfilo e musical, porque desde cedo um professor lhe incutiu a necessidade de ver cinema de qualidade como porta de entendimento do mundo e da vida. Por isso ficou impressionada quando viu, com apenas 12 anos, o clássico "Fahrenheit 451" de François Truffaut. Kubrick, Buñuel, Godard, Chaplin ou Hitchcock são outras das referências cinematográficas de Sasha (e sobre os quais a autora disserta no seu livro - o seu romance aborda o sexo a partir das suas próprias experiências pessoais).
Para conhecer melhor as ideias e opiniões de Sasha Grey sobre estes assuntos, nada melhor do que ler a excelente entrevista conduzida pelo site À Pala de Walsh. Abrir aqui.
sábado, 22 de junho de 2013
Chaplin imita Chaplin
Não se sabe se este episódio é real ou fictício: Geraldine Chaplin, actriz e filha do famoso realizador da comédia burlesca muda, Charlie Chaplin, disse recentemente numa entrevista que também desconhece a veracidade deste episódio.
O que se conta é que, no auge da popularidade de Charlie Chaplin, havia frequentemente concursos de imitação do personagem Charlot (tal como hoje existem os programas televisivos de imitações de celebridades).
O que se conta é que, no auge da popularidade de Charlie Chaplin, havia frequentemente concursos de imitação do personagem Charlot (tal como hoje existem os programas televisivos de imitações de celebridades).
Ora, um dia, por brincadeira, o próprio actor e realizador resolveu participar, anonimamente, num desses concursos. O objectivo era imitar o mais possível, em termos físicos e expressivos o célebre vagabundo de bigode, chapéu e bengala. Chaplin terá dado o seu melhor a interpretar-se a si mesmo e, surpresa das surpresas, ficou em terceiro lugar no 'ranking' das melhores imitações. E nunca terá revelado a sua verdadeira identidade...
domingo, 2 de junho de 2013
Chaplin e a multidão
Quando pensamos que hoje existem celebridades no mundo do espectáculo e do cinema, nem sempre nos lembramos que este não é um fenómeno recente. Desde o período do cinema mudo que grandes vedetas do cinema arrastavam multidões de fãs e seguidores.
Foi assim, por exemplo, com o génio de Charlie Chaplin. Depois da primeira década de trabalho ter sido de pouco reconhecimento (1910), a fama chegou em força a partir do final da mesma década e no início dos anos 1920.
Esta fotografia é espantosa pela forma como se revela aos nossos olhos: nela vemos Chaplin "à civil" aos ombros de um homem para que toda uma incrível multidão de pessoas o possa admirar. Foi tirada em Londres em 1921, uma cena em total apoteose popular, quase parecendo que foi encenada de tão perfeita ser.
Uma imagem como hoje não há mais (carregar na imagem para aumentar a visualização).
quarta-feira, 29 de maio de 2013
Buster Keaton na "Twilight Zone"
Talvez não seja algo que toda a gente conheça, mas o actor e realizador Buster Keaton – génio da comédia muda burlesca a par de Charlie Chaplin – protagonizou um episódio da famosa série televisiva “Twilight Zone”.
Foi em 1961, tinha Keaton 65 anos de idade. O episódio em causa tinha por título “Once Upon a Time” e conta a história de um vulgar homem que vive no final do século XIX e que é transladado para meados do século XX através de um capacete que permite viajar no tempo. “Once Upon a Time” tem 25 minutos e a primeira metade é a mais interessante porque é aquela na qual Buster Keaton se sente como peixe na água.
Ou seja, como a acção se desenrola no final do século XIX, a narrativa decorre como se de um filme mudo se tratasse, sem palavras e muitos gags visuais.
A segunda parte, já com diálogos e sonoplastia, é mais desequilibrada mas, no cômputo geral, este episódio da célebre Twilight Zone cumpre na ousadia de uma fórmula original: juntar a ficção científica, o mistério e o humor burlesco.
E claro, por ser também um dos últimos momentos de brilhantismo no pequeno ecrã de Buster Keaton – só suplantado, 4 anos depois, por essa maravilhosa curta-metragem chamada “The Railrodder”.
A segunda parte, já com diálogos e sonoplastia, é mais desequilibrada mas, no cômputo geral, este episódio da célebre Twilight Zone cumpre na ousadia de uma fórmula original: juntar a ficção científica, o mistério e o humor burlesco.
E claro, por ser também um dos últimos momentos de brilhantismo no pequeno ecrã de Buster Keaton – só suplantado, 4 anos depois, por essa maravilhosa curta-metragem chamada “The Railrodder”.
sexta-feira, 24 de maio de 2013
O grande Jerry em Cannes
O último génio da comédia burlesca ainda vivo, Jerry Lewis, foi ao festival de Cannes apresentar o seu último filme (como actor): “Max Rose”, de Daniel Noah. Aos 87 anos, Jerry interpreta um velho pianista viúvo que relembra 65 anos de um casamento feito de mentiras inesperadas.
Jerry Lewis chegou a Cannes e arrasou. Sempre bem disposto, com energia contagiante e alvo de veneração por parte do público e e da crítica, o actor e realizador mostrou toda a sua vitalidade. Na conferência de imprensa acerca do filme (que vi na íntegra aqui), Jerry Lewis refere que o seu regresso aos filmes se deveu ao “de ter lido o melhor guião dos últimos 40 anos”.
No meio de brincadeiras e provocações que geraram risos e gargalhadas na plateia (como quando respondeu “Está morto, sabia?” a um jornalista que lhe perguntou sobre Dean Martin), Jerry Lewis foi interpelado por um jornalista que lhe fez uma questão muito interessante: “Qual foi o primeiro filme que viu que o fez rir e o primeiro que o fez chorar”.
No meio de brincadeiras e provocações que geraram risos e gargalhadas na plateia (como quando respondeu “Está morto, sabia?” a um jornalista que lhe perguntou sobre Dean Martin), Jerry Lewis foi interpelado por um jornalista que lhe fez uma questão muito interessante: “Qual foi o primeiro filme que viu que o fez rir e o primeiro que o fez chorar”.
Jerry respondeu prontamente que o primeiro filme em que se riu foi “Modern Times” (1936) de Charlie Chaplin, que viu "centenas" de vezes. E o primeiro filme que lhe provocou lágrimas foi o clássico drama romântico “Camille” (1936) de George Cukor com Greta Garbo e Robert Taylor (curiosamente - ou talvez não - os dois filmes são do mesmo ano).
Jerry Lewis ainda disse que ao longo da vida viu muitos filmes que o fizeram chorar, e que os realizadores que conseguem fazer chorar o espectador têm algo de especial.
Grande Jerry.
Jerry Lewis ainda disse que ao longo da vida viu muitos filmes que o fizeram chorar, e que os realizadores que conseguem fazer chorar o espectador têm algo de especial.
Grande Jerry.
sábado, 27 de abril de 2013
Os preferidos de Kubrick
A meio dos anos 1970, um jornalista perguntou a Stanley Kubrick quais os seus filmes preferidos de sempre. Eis as escolhas do cineasta:
- "Morangos Silvestres" (1958) - Ingmar Bergman
- "Citizen Kane" (1941) - Orson Welles
- "O Tesouro de Sierra Madre" (1948) - John Huston
- "Luzes da Cidade" (1931) - Charlie Chaplin
- "Henrique V" (1948) - Lawrence Olivier
- "A Noite" (1961) - Michelangelo Antonioni
- "The Bank Dick" (1940) - Edward Cline
- "Roxie Hart" (1942) - William Wellman
- "Os Anjos do Inferno" (1939) - Howard Hughes
quarta-feira, 17 de abril de 2013
As memórias de William Friedkin
É de celebrar a edição de livros escritos por realizadores ainda vivos. Ou seja, autobiografias. Ao longo dos anos, li duas autobiografias que me marcaram bastante: a de Chaplin e a de Buñuel. Hoje em dia é raro haver um realizador que escreva as suas memórias, mais a mais, um realizador com uma carreira sólida e respeitada.
Por isso é de louvar o lançamento (hoje mesmo!) internacional (via Amazon) da autobriografia de um dos grandes cineastas norte-americanos das últimas décadas: William Friedkin (tem agora 77 anos). Apesar da carreira algo irregular e pouco sistemática no tempo, Friedkin foi o responsável por alguns dos mais emblemáticos filmes da década dourada da nova geração de cineastas americanos (1970): "The French Connection" (1971) e "O Exorcista" (1973); e na década de 1980: "Viver e Morrer em Los Angeles" (1985) e "Rampage" (1987).
Nos anos 90 andou mais parado (realizou uma adaptação para televisão do clássico "12 Angry Men" de Sidney Lumet) e regressou em força ao cinema em 2007 com o perturbador "Bug" (que já falei no blogue) e, mais recentemente (ainda sem estreia comercial em Portugal), com a controversa comédia (negríssima) "Killer Joe" (2011).
Hoje tive conhecimento que William Friedkin acaba de lançar as suas memórias em livro e, segundo a crítica, parece tratar-se de um belíssimo testemunho sobre a vida e a carreira deste tão singular (e por vezes esquecido) cineasta americano.
Agora a pergunta sacramental: e para quando uma edição portuguesa?
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Os injustiçados
Enquanto não se conhecem os vencedores da 85ª Cerimónia dos Óscares, eis algumas curiosidades que geraram grandes injustiças:
- Charlie Chaplin ganhou um Óscar honorário em 1929, na primeira edição dos Óscares. Recebeu um outro Óscar Honorário em 1972 e em 1973 ganhou o seu único Óscar em competição pela banda sonora de "Limelight", um filme originalmente realizado em 1952.
- Alfred Hitchcock recebeu o seu Óscar Honorário em 1968 e nunca ganhou em regime de competição apesar de ter sido nomeado cinco vezes como melhor realizador e de ter recebido 50 nomeações no total.
- Henry Fonda foi nomeado duas vezes pelos grandes filmes clássicos "The Grapes of Wrath" e "12 Angry Men" mas não ganhou. Para compensar, recebeu em 1981 o habitual Óscar Honorário.
- Stanley Kubrick, nomeado inúmeras vezes, apenas ganhou uma vez pelos efeitos especiais de "2001: Odisseia no Espaço".
- Steven Spielberg foi nomeado para os filmes de grande espectáculo "Encontros Imediatos do 3º Grau", "Indiana Jones e a Arca Perdida" e ET - O Extraterreste" mas não ganhou qualquer Óscar por estes filmes. Apenas viria a ganhar com os seus filmes ditos "sérios": "A Lista de Schindler" e "O Resgate do Soldado Ryan".
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Woody e o canguru
Em 1966, um jovem cómico em ascensão de nome Woody Allen participa no programa britânico "Hippodrome" dedicado a variados números de circo.
Allen escolheu um duelo de boxe com um... canguru. Já Charlie Chaplin e Jacques Tati tinham demonstrado em seus filmes cenas hilariantes num ringue de boxe. Woody Allen não tem a mesma expressividade física que os dois autores citados, mas este torneio de boxe de um só round tem momentos bem divertidos com um final surpreendente (ou talvez não).
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Música para cinema - uma abordagem

O cinema existe desde 28 de Dezembro de 1895, data em que as experiências incipientes dos irmãos Auguste e Louis Lumière, com o “cinematógrafo”, espantaram o público burguês do Grand Café de Paris. Os inventores do cinema lançaram as bases desta emergente linguagem artística com filmagens de um minuto, nas quais mostravam a vida quotidiana de cidadãos comuns.
Apesar do sucesso popular imediato daquelas sessões de projecção cinematográfica (por onde passou o escritor Eça de Queiroz), os irmãos Lumière não auguravam futuro para o cinema. Felizmente que outro francês, George Méliès (realizador do célebre filme “Viagem à Lua”, considerada a primeira ficção do cinema), não pensava da mesma forma e desenvolveu, sobremaneira, a linguagem cinematográfica, ainda que muito ligada à estética teatral. Depois, outros notáveis realizadores se encarregariam de desenvolver a linguagem do cinema de distintas formas.
O que é certo é que durante os primeiros 30 anos da sua história, o cinema foi mudo, mas não totalmente silencioso. Significa isto que o som estava ausente das imagens, apenas havendo um ou outro acompanhamento de piano ou de uma pequena orquestra durante a exibição pública, geralmente tocado por detrás da tela de projecção. Algumas ténues experiências foram feitas na conjugação som-imagem, nomeadamente, na utilização que alguns realizadores fizeram utilizando a música de compositores clássicos, como Saint-Saëns, Pizzetti ou Satie. Curiosamente, outros grandes compositores como Stravinsky, Bartók, Ravel ou Schoenberg, que se aventuraram na criação de música para filmes, manifestaram-se ineptos criadores de bandas sonoras para cinema. Daí que a relação entre o cinema e a música seja uma relação artística complexa e problemática, uma vez que se reveste de múltiplas facetas e visões distintas, levantando determinadas questões pertinentes que praticamente se mantêm vivas até hoje: será a música para cinema meramente ilustrativa? Os compositores para cinema são compositores de primeira ou de segunda? A banda sonora para filme é um género à parte da restante produção musical? Um filme fica mais rico se tiver sempre uma partitura original (como nos filmes Spielberg) ou bandas sonoras adaptadas (como nos filmes de Kubrick)?
Nos primórdios, por impossibilidade técnica, o filme era desprovido de som (banda sonora ou diálogos), e os realizadores e espectadores pouco se importavam com isso. A interpretação dos actores era mais física e expressiva, uma vez que o som dos diálogos era inexistente. Dava-se relevo às imagens e suas múltiplas formas expressivas. Quando o sonoro surgiu, no filme “The Jazz Singer” (1927, com o actor Al Jonhson a imitar um cantor de jazz negro), houve alguma resistência por parte de grandes vultos do cinema à novidade técnica do som. O próprio Charlie Chaplin chegou a dizer que o som iria “matar o cinema”. E Greta Garbo foi das poucas actrizes que se conseguiu afirmar no período sonoro com a mesma veemência com que o tinha feito no mudo. A revolução do sonoro tinha começado. Apesar da ausência de som e de música, este foi um período extremamente criativo no que se refere à consolidação da linguagem artística do cinema, enquanto forma estética (montagem, realização, fotografia, cenários) e objecto semiótico (narrativo, ficcional, documental).
Determinados filmes foram efectivamente silenciosos durante décadas. Chaplin musicou, ele próprio, os filmes “Luzes da Cidade” (1931) e “Tempos Modernos” (1936) apenas durante a década de 60.
Buñuel fez o mesmo com a obra-prima “Un Chien Andalou” (1929), à qual adicionou a banda sonora (tango argentino) 35 anos depois da estreia. Ou seja, os realizadores de cinema cedo se aperceberam da grande importância que a música detinha como complemento das imagens. Por isso Eisenstein trabalhou logo em 1938 com o compositor Sergei Prokofiev, que compôs a banda sonora épica do filme “Alexander Nevsky”, num exemplo acabado da perfeita sincronia criativa entre imagem e som. Os sons (no sentido da sonorização da narrativa) e a banda sonora (a música propriamente dita com funcionalidade dramática) desempenham um motor emocional próprio no espectador, desencadeando reacções que não seriam possíveis caso não houvesse essa componente sonora.
Buñuel fez o mesmo com a obra-prima “Un Chien Andalou” (1929), à qual adicionou a banda sonora (tango argentino) 35 anos depois da estreia. Ou seja, os realizadores de cinema cedo se aperceberam da grande importância que a música detinha como complemento das imagens. Por isso Eisenstein trabalhou logo em 1938 com o compositor Sergei Prokofiev, que compôs a banda sonora épica do filme “Alexander Nevsky”, num exemplo acabado da perfeita sincronia criativa entre imagem e som. Os sons (no sentido da sonorização da narrativa) e a banda sonora (a música propriamente dita com funcionalidade dramática) desempenham um motor emocional próprio no espectador, desencadeando reacções que não seriam possíveis caso não houvesse essa componente sonora.
Durante o período áureo da indústria de Hollywood - dos anos 40 a 60 do Século XX – revelaram-se grandes compositores para cinema: Bernard Herrmann. Elmer Bernstein, Nino Rota, Ennio Morricone, Henri Mancini, Alfred Newman entre muitos outros. Hoje qualquer cinéfilo identifica a ligação estética entre determinados cineastas e músicos: David Cronenberg e a música de Howard Shore, Sergio Leone e a música de Ennio Morricone, Steven Spielberg e a música de John Williams, Hitchcock e a música de Bernard Herrmann, Tim Burton e a música de Danny Elfman, Peter Greenaway e a música de Michael Nyman, etc. Durante os últimos anos, uma das estratégias de reabilitação do cinema mudo tem sido conseguido com o fenómeno dos cine-concertos (ou filmes-concertos).
Isto é, filmes que são acompanhados com música original interpretada ao vivo e em tempo real da projecção. Há inclusive compositores e grupos musicais que se dedicam exclusivamente à criação de bandas sonoras para filmes mudos. Projectos de diversas proveniências estéticas e nacionalidades têm criado música original para filmes imortais do período mudo: Art Zoyd, Pet Shop Boys, Cinematic Orchestra, Alloy Orchestra, Clã, Mário Laginha, Nuno Rebelo, etc.
No fundo, novos campos de experiências estéticas se abriram com a confluência dos filmes com os concertos ao vivo.
No fundo, novos campos de experiências estéticas se abriram com a confluência dos filmes com os concertos ao vivo.
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segunda-feira, 3 de setembro de 2012
Cinema mudo: novo filão
Li a seguinte notícia no Portal Cinema:
"Michael Pitt está confirmado no elenco de “The First”, uma cinebiografia de Mary Pickford, uma das maiores estrelas norte-americanas do cinema mudo. O Deadline revela que Pitt será Owen Moore, o primeiro marido da atriz. A história deste filme vai explorar os principais eventos da vida e da ilustre carreira de Mary Pickford, que participou em mais de duzentos filmes e contracenou com várias estrelas masculinas como Charlie Chaplin ou Douglas Fairbanks, que nesta produção vai ser interpretado por Jude Law. Lily Rabe dará vida a Pickford. O livro "Pickford: The Woman Who Made Hollywood”, de Eileen Whitford, será a base do enredo desta obra que poderá ser realizada por Jonathan Demme. O início das suas filmagens estão agendadas parra Janeiro de 2013."
--------
Comentário: está aberto um novo filão de Hollywood. Depois da exploração, até à saciedade, dos remakes, sequelas e prequelas, os estúdios, produtores e realizadores norte-americanos viram-se agora para... o cinema mudo. Faz algum sentido depois do êxito comercial (e de crítica) do filme "O Artista", mas será que o público quer ver um "biopic" de Mary Pickford, actriz que até para os cinéfilos pouco diz nos dias que correm?
Pegando nesta ideia, eis as minhas sugestões para novas películas biográficas de artistas do período mudo que poderiam dar filmes interessantes:
- Louise Brooks
- Katlheene Cliford
- Lilian Gish
- Maria Falconetti
- Rodolfo Valentino
- Douglas Fairbanks
- Harold Lloyd
- Paulette Goddard
- F.W. Murnau
- Eric Von Stroheim
- Emil Jannings
(...)
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
London Film Museum
Na sequência de um post anterior sobre o London Film Museum que visitei há uma semana, dou agora mais pormenores: trata-se de um surpreendente museu situado em plena zona de Sout Bank, mesmo ao lado do famoso London Eye (a roda gigante panorâmica à beira do rio Tamisa). Está aberto desde 2008 num edifício antigo recuperado e adaptado para acolher as obras da coleccção. Não é um museu particularmente grande e vê-se, sem pressas e dependendo do ritmo, numa média de 2 a 3 horas. Ao contrário da gratuitidade de entrada de muitos museus londrinos, este tem o custo de 13,50 libras por adulto (com descontos para grupos e famílias).
O London Film Museum tem vários pontos de interesse: logo na primeira (e ampla) sala o visitante depara-se com peças de roupa usadas por estrelas de cinema (luvas e bolsa de Bette Davis ou a t-shirt branca usada por Anthony Hopkins em "O Silêncio dos Inocentes"), o fato do primeiro Super-Homem, claquetes de grandes realizadores, o célebre gongo do início dos filmes da produtora The Rank Organisation, o trono do filme "Elizabeth", projectores de luz e muitos adereços preciosos usados em filmes famosos (como a espada de laser de Darth Vader); ou uma bancada recheada de argumentos (guiões) com notas manuscritas dos próprios realizadores.
Depois, à medida que o visitante avança à descoberta deste museu, depara-se com salas de grande interesse para qualquer cinéfilo que se preze: uma ala enorme só dedicada a Alfred Hitchcock; outra só vocacionada para a história dos estúdios de cinema britânicos ao longo de um século de história; outra dedicada ao grande mestre do cinema de animação (terror e ficção científica) Ray Harryhausen, responsável por algumas das animações (monstros, esqueletos, dinossauros...) mais brilhantes de filmes de cultos dos anos 50 e 60; existe também uma sala sobre essa eminência cultural inglesa que dá pelo nome de Sherlock Holmes; uma sala sobre cinema de terror, etc.
Mas a parte do London Film Museum mais interessante é mesmo a ala enorme dedicada ao grande génio Charlie Chaplin. Nesta secção ficamos a saber tudo sobre a vida e obra de Chaplin, com infografias detalhadas, fotografias inéditas de família e de estúdio, cópias de certificados médicos e de residência, reproduções de cenários de filmes, o chapéu e a bengala (cedidos pelo British Film Institute), objectos pessoais, adereços utilizados em filmes, etc. A forma como toda esta informação visual é exposta é de grande qualidade e coerência.
Em suma, o London Film Museum é um fantástico museu dedicado à memória e histórias do cinema e é, por isso, uma visita imperdível para qualquer cinéfilo que visite Londres.
Nota 1: existe um outro London Film Museum no centro de Convent Garden (que não visitei) mais vocacionado para a fotografia e indústria cinematográfica inglesa.
Nota 1: existe um outro London Film Museum no centro de Convent Garden (que não visitei) mais vocacionado para a fotografia e indústria cinematográfica inglesa.
Nota 2: as fotografias em baixo são da minha autoria e foram devidamente autorizadas pelos responsáveis do Museu.
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