sábado, 30 de novembro de 2013

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

7 anos de blogue - 7 actrizes clássicas

Para assinalar sete anos de vida deste blogue, eis sete belas fotografias de sete belas actrizes clássicas de Hollywood:



De cima para baixo: Veronica Lake, Ava Gardner, Carole Mombard, Hedy Lamarr, Gene Tierny, Maureen O'Hara e Rita Wayworth.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

A vida de um padre pedófilo





















O homem da imagem exerceu o sacerdócio durante quase 40 anos no estado da Califórnia. Este homem de olhar sereno e apaziguado, de humilde origem irlandesa, chama-se Oliver O'Grady e é o mais reconhecido pedófilo da Igreja Católica moderna. Como este padre, houve muitos outros acusados de abusos sexuais a menores, mas O'Grady é o caso mais mediático e, talvez, um dos mais perturbantes dos últimos anos. Sem qualquer vergonha ou qualquer sentimento de culpa, O'Grady usava o seu charme e autoridade para violar dezenas de crianças e famílias Católicas do Norte da Califórnia.
Durante mais de duas décadas, as suas vítimas foram desde um bebé de 9 meses à mãe de um adolescente, que também tinha sido molestado. Apesar das queixas em várias comunidades, a Igreja foi dissimulando o caso para evitar críticas (mas parece que Ratzinger não teve responsabilidade neste processo), transferindo-o de paróquia em paróquia como se isso resolvesse algum problema. Oliver O'Grady acabaria por ser preso, mas cumpriu apenas metade dos 14 anos a que foi condenado. Hoje em dia passeia-se livremente pelas ruas de Dublin.
Sobre a tumultuosa vida deste ex-padre a realizadora Amy Berg realizou um fascinante documentário em 2006 que resultou numa nomeação ao Óscar para a categoria de Melhor Documentário em 2007 (para além de ter ganho cinco outros importantes prémios). O documentário tem, apropriadamente, o título "Deliver us From Evil", com tradução portuguesa literal "Livrai-nos do Mal".
Em Portugal não estreou comercialmente em sala, mas qualquer interessado poderá conhecer o filme comprando o DVD que em qualquer Fnac custa menos de 10€.
"Deliver us From Evil" é um documentário extremamente bem conseguido pela forma inteligente como aborda um tema tão delicado e sensível. A colaboração do pedófilo assumido foi essencial para o bom resultado do filme, visto que, sem pejo nem mostras de arrependimento, O'Grady revela pormenores escabrosos dos abusos que perpetrou durante décadas. Não há recurso habitual à narração em off, nem efeitos visuais vistosos, não há moralismos condescendentes, nem montagem ou música para sensibilizar emocionalmente o espectador. Nada disso.
Toda a informação do filme é transmitida de forma seca e crua, como secos e crus foram os factos vividos pelas vítimas. É um filme perturbante porque neste homem se espelhavam os valores religiosos, os quais foram brutalmente traídos, corrompendo premissas básicas como a verdade, a fé, a inocência, a moral, o amor, a devoção. Oliver O'Grady violou e abusou de dezenas de crianças (e não só), e a hierarquia da Igreja, hipocritamente, tentou sempre ocultar o problema com soluções de supérflua validade (como a transferência do padre para outras paróquias). As vítimas são agora adultas e não revelam medo no modo como manifestam as suas emoções no filme. Sentem profunda revolta, uma revolta que lhes custou a inocência perdida (como conta uma jovem vítima).
"Livrai-nos do Mal" é um exercício de exorcismo para com o padre pedófilo, mas é também um documento para compreendermos como o mal se encerra, muitas das vezes, sob a capa do humanismo e dos valores supostamente incorruptíveis da religião - de resto, a História é pródiga em comprovar este tese (e hoje cada vez com mais acuidade).
Este homem, Oliver O'Grady, que após cada violação ia à Igreja pedir perdão a Jesus Cristo, cumpriu uma parca sentença na prisão pelos seus hediondos crimes. Agora passeia-se nas ruas de Dublin... Alguém falou em justiça?
O filme pode ser visto aqui (legendas em espanhol).

domingo, 24 de novembro de 2013

As mãos de Hitchcock

Sempre que Alfred Hitchock dizia "Acção!" o realizador estava sempre sentado com as mãos nesta posição:

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

"iDiots"

O mundo das tecnologias invadem o nosso quotidiano e somos já homens, mulheres, jovens e crianças completamente dependentes (uns mais do que outros) dos aparelhos tecnológicos. Designadamente, dos telemóveis, que usamos para tudo e para nada, comprando o último modelo da moda porque é "fashion" ou instalando aplicações inúteis que só servem para perder tempo (e às vezes dinheiro). E é nesta perspectiva crítica e satítica que os estúdios de animação Big Lazy Robot (Barcelona) criaram esta curta-metragem deliciosa sobre a dependência dos telemóveis. 
A curta tem o título de "iDiots", uma clara referência ao iPhone e à Apple, e é a história de simpáticos robots (modelos que existem à venda no Japão) que fazem fila para comprar o modelo 4 do iDiot para se entreterem com actividades inúteis... E mais não conto, porque é preciso ver até ao fim esta divertida história - muito bem filmada e sonorizada - para perceber (e meditar) o nível de dependência que a sociedade tem face à tecnologia.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

"Blade Runner" em... aguarelas

E se um pintor recriasse o filme "Blade Runner" (1982) de Ridley Scott em pinturas de aguarelas? Foi o que se lembrou o pintor Anders Ramsell. Durante um ano Anders pintou doze mil e quinhentas aguarelas que completam cerca de 34 minutos de filme, mostrando as sequências mais famosas do filme de Scott (preservando a sonoplastia, os diálogos e a música originais). 
O trabalho final é deveras impressionante, recriando plasticamente o filme numa esplêndida sequência de pinturas animadas.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

"Bodysnatchers"

"I have no idea what I am talking about
I'm trapped in this body and can't get out"

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Scorsese: 40 factos desconhecidos

É fã de Martin Scorsese? Julga que sabe tudo sobre ele?
Bom, talvez não saiba que o realizador é profundamente supersticioso e que tem fobia ao número 11. Ou que o próprio Scorsese entrou no filme "Taxi Driver" porque o actor contratado ficou doente nesse dia. Ou talvez desconheça que é o próprio Scorsese que desenha os storyboards dos seus filmes.

domingo, 17 de novembro de 2013

Posters icónicos

Na década de 50 e 60 do século XX, os posters de cinema tinham outro encanto. Um encanto talvez demasiado kitsch, mas ainda assim um encanto especial. Sobretudo os posters dos filmes de terror e de ficção científica de série B, graficamente coloridos e com frases supostamente chocantes para estimular o público a ir ao cinema:





sábado, 16 de novembro de 2013

A educação de Paul Thomas Anderson


Paul Thomas Anderson, realizador dos excelentes "Magnolia" (1999) e "There Will Be Blood" (2007), veio dizer algo com o qual eu concordo e assino por baixo.
Basicamente, defende que um realizador não tem forçosamente de estudar numa escola de cinema (no sentido da educação formal) para aprender a fazer cinema. À semelhança de Quentin Tarantino, Paul Thomas Anderson aprendeu a técnica e a estética do cinema vendo carradas e carradas de filmes. Depois, com a experiência, foi apurando a sua visão cinematográfica mas sempre num registo de autodidacta, ao ponto de ser hoje considerado um dos cineastas mais interessantes e com carácter mais cinéfilo.

Eis o que Anderson disse: 
"A minha educação cinematográfica consistiu em descobrir o que os realizadores que eu gostava viam, depois via esses filmes. As coisas técnicas aprendi de livros e revistas e com a nova tecnologia podemos ver filmes inteiros com os comentários do realizador. Podes aprender mais com a faixa áudio de John Sturges do DVD de 'Bad Day at Black Rock' do que em quatro anos numa escola de cinema. A escola de cinema é uma completa perda de tempo porque a informação está toda lá se tu a quiseres."

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Se

Se, por qualquer absurdo, algum dia tivesse de escolher entre "ouvir apenas música para o resto da vida" ou "ver apenas cinema para o resto da vida" (e não as duas coisas em simultâneo), não sei o que escolheria. Em alternativa, talvez "ler para o resto da vida"...


terça-feira, 12 de novembro de 2013

Os adereços especiais de Cronenberg

A revista Empire é considerada a revista de cinema mais vendida do mundo. Será. Mas os seus leitores são, na sua maioria, seguidores dos blockbusters de Hollywood e do cinema comercial em geral. Raramente há bons artigos sobre cinema de autor ou filmes de culto/clássicos. 
No entanto, de quando em vez surgem uns artigos interessantes sobre determinadas temáticas de cariz mais cinéfilo. É o caso da edição de Novembro que publica quatro páginas dedicadas aos objectos e adereços orgânicos que marcaram o cinema de David Cronenberg: desde os efeitos especiais do filme "A Mosca", até à arma de "eXistenZ" ou a máquina de escrever de "O Festim Nu", a reportagem explica como Cronenberg imaginou a criação destes objectos tão singulares do seu cinema de "terror orgânico".

"Down by Law"

Há qualquer coisa de belo e inquietante nesta sequência inicial do filme "Down by Law" (1986) de Jim Jarmusch. Os planos-sequência que varrem a paisagem (estado do Lousiana), a estupenda fotografia a preto e branco e a música de Tom Waits (também entra como actor), as interpretações de John Lurie (também é músico) e do então jovem Roberto Benigni, fazem deste filme de Jarmush uma verdadeira pérola do cinema independente norte-americano:

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

115 anos de René Clair

Se fosse vivo, o realizador francês René Clair faria hoje 115 anos. O seu primeiro (e talvez mais famoso) filme data do período mudo (1924): "Entr'Acte", película surrealista e iconoclasta que contou com a participação de grandes artistas da época, como Francis Picabia, Erik Satie, Man Ray, e Marcel Duchamp. 
Esta versão tem a música de Kubik:

domingo, 10 de novembro de 2013

Smartphone faz cinema?


A revista Sábado conta que o documentário "A vida de Rafi" foi filmado apenas em três dias com o recurso de um smartphone. Sem lentes, tripés, câmara de filmar ou equipa técnica especializada. Foi divulgado pelas redes sociais e vai ser exibido num festival de curtas-metragens de Amesterdão.
A ideia partiu de duas irmãs, Daniela e Inês Leitão (realizadora e guionista). Rafi é uma graffiter da Maia, estudou arquitectura, canta hip-hop, usa saltos altos e tem 47 (!) gatos em casa. Este documentário mostra, durante 17 minutos, o espaço onde Rafi gosta de pintar, entrevistas à artista e a Sam The Kid. 
Eu vi o documentário, achei interessante o conteúdo mas fiquei a reflectir sobre um assunto sério: apesar da qualidade técnica de um smartphone moderno, será que se pode considerar "cinema" a este documentário? 
Sinceramente, julgo que não. Este suposto filme tem diversos problemas (som, luz, montagem...), parece um vídeo escolar feito com algum esmero e planificação, mas sem os meios considerados ideais nem uma ideia estrutural para o documentário. O cinema é outra linguagem, é outra exigência formal e estética que dificilmente um smartphone, algum dia, poderá garantir ou proporcionar. 
Segundo a notícia, as irmãs Daniela e Inês Leitão acabam de filmar um documentário sobre o bairro do Zambujal. Este foi filmado com uma câmara tradicional, e não com o telemóvel. Sendo assim, esperemos que tenha havido um considerável salto qualitativo.

sábado, 9 de novembro de 2013

A música de "Dexter"



Daniel Licht compôs uma notável banda sonora para a série televisiva "Dexter" (actualmente a Fox transmite a oitava e última temporada).
Dada a temática sinistra e violenta da série, qualquer compositor mais exibicionista teria criado uma música histriónica para "meter medo" ao espectador.
Daniel Licht evitou, de forma inteligente, esse lugar-comum e criou uma banda sonora de grande envolvência e subtileza tímbrica, conseguindo captar a essência do carácter de Dexter Morgan. Uma música que acentua as emoções contraditórias de Dexter, que enfatiza os momentos de inquietação e incerteza, sem grandes devaneios melodramáticos. 
Daniel Licht usa vários instrumentos e objectos no seu trabalho de criação musical, inclusive ossos humanos! Licht criou um instrumento musical a partir de um fémur que, segundo ele, "produz um som horripilante e diferente".
Para compor o acompanhamento musical do Trinity Killer, na quarta temporada, Licht optou por usar vozes agonizantes, como se estivessem numa tortura, resultando num som "distorcido, demoníaco e gélido", segundo o compositor. O resultado só poderia ser um sucesso, tanto para o personagem como para a série.
Eis uma excelente versão do tema principal ("Morning Routine") interpretada por Adam Ben Ezra
A música de puro terror de Licht para aquela que é considerada a melhor temporada de Dexter:  

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Lou na Rolling Stone

De todas as publicações especializadas em música e cultura que vi sobre a morte de Lou Reed, esta foi a que mais me impressionou: a capa da célebre e icónica revista Rolling Stone é despojada e visualmente marcante. O rosto do músico falecido, ainda jovem, óculos escuros Ray Ban, ocupa todo o espaço disponível da capa. Não há necessidade de frases grandiloquentes visíveis, apenas constam o nome do artista e as respectivas datas de nascimento e de falecimento. 
É uma capa aparentemente simples e fácil de compor em termos gráficos, mas produz resultados de forte impacto no imaginário do leitor.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

O que diz Tarkovski #9

"Um realizador não pode ser compreendido por todos, mas tem o direito de ter os seus próprios admiradores - mais ou menos numerosos - entre o público. Todo o artista pensa, espera e acredita que a sua produção irá mostrar-se em sintonia com a época, e portanto, vital para o espectador, atingindo o fundo da sua alma".

terça-feira, 5 de novembro de 2013

"A Bela Suicida"

No dia 1 de Maio de 1947, Evelyn McHale, de 23 anos, depois de discutir com o seu namorado, lançou-se para o vazio desde o miradouro situado no andar 86 do famoso Empire State Building de Nova Iorque (no bolso do seu casado havia uma nota: "Ele está muito melhor sem mim, não seria uma boa esposa").
No outro lado da rua, Robert Wiles, estudante de fotografia, ao ouvir o tremendo impacto aproximou-se com  a sua câmara e fotografou o corpo da bela jovem que caíra sobre o tecto de uma limusine de um mandatário das Nações Unidas, estacionada perto da Quinta Avenida. Esta fotografia correria mundo e ficou conhecida como "The Most Beautiful Suicide".
"A Bela Suicida". 
A imagem de Evelyn morta no meio dos destroços da limusine é, ao mesmo tempo, chocante e enternecedora. E prova como a morte e o acto suicida, por mais brutal que seja, pode ter contornos poéticos. A fotografia quase parece encenada: repare-se como a sua mão esquerda parece acariciar o colar de pérolas. A serenidade do seu rosto, as pernas cruzadas e a elegância do seu corpo como se estivesse simplesmente deitada a descansar - sem vestígios de sangue - no meio da destruição, criam uma imagem quase onírica (terá sido esta imagem que motivou David Cronenberg a realizar o filme "Crash"?). 
A fotografia apareceu publicada em Maio de 1947 na revista Life e anos mais tarde, em 1963, o guru da Pop Art, Andy Warhol, fascinado pela iconografia trágica, utilizou a mesma foto de Robert Wiles para criar um quadro intitulado "Suicide" ("Fallen Body").

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Portugal: cultura é para o lixo


Este é um inquérito sobre o qual importa reflectir:
"Portugueses são dos que têm menos actividade cultural da Europa. Em termos de frequência na participação em actividades culturais, como ler ou visitar museus, os países nórdicos revelam os melhores resultados: Na Suécia, 43% dos cidadãos descrevem a sua taxa de participação como elevada ou mesmo muito elevada, seguindo-se a Dinamarca (36%) e os Países Baixos (34%).
Portugal é, com Chipre, um dos países do fim da tabela, com apenas 6% da população a registar uma participação elevada ou muito elevada, apenas ultrapassados pela Grécia, onde 5% dos cidadãos diz ter uma actividade cultural frequente. Este Eurobarómetro revela que 49% dos portugueses aponta a falta de interesse como razão para não ler livros, sendo que 35% dos portugueses dizem não ter ido a concertos no último ano por falta de dinheiro."
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Toda a restante (e deprimente notícia) aqui.

domingo, 3 de novembro de 2013

Cinema mudo: com ou sem Intertítulos

É conhecida a grande resistência que muitos realizadores e actores do cinema mudo tiveram para aderir ao cinema falado. Enquanto o período mudo durou (até 1927), a história de cada filme era contada através dos célebres intertítulos, caixas pretas com as legendas dos diálogos ou pensamentos dos personagens. O curioso é que em Hollywood alguns realizadores mais audazes ambicionaram criar filmes puramente visuais, e que tivessem o mínimo de intertítulos possíveis.
O grande Buster Keaton era um desses realizadores que tentou reduzir ao mínimo o número de intertítulos, privilegiando a acção puramente visual. Foi então que Buster desafiou amigavelmente o seu rival Charlie Chaplin para ver quem dos dois realizaria o filme com menos intertítulos. Um filme mudo tinha, em média, 240 intertítulos.  O máximo que Buster Keaton tinha utilizado foram 56.
Eis o resultado desse interessante desafio: Chaplin realizou um filme com apenas 21 intertítulos, enquanto que Buster fez um filme com 23. 
Mas o verdadeiro record viria da Alemanha Expressionista: F.W. Murnau realizou um filme mudo sem intertítulos e puramente visual: "O Último Homem" (1924).
(Esta é uma das muitas histórias que revela o livro "Hollywood - Estórias de Glamour no Império do Cinema").