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quarta-feira, 1 de julho de 2009

Bugs Bunny maestro!

Quem acompanha este blogue já deverá saber que gosto de listas. Listas sobre muitas coisas, mas essencialmente sobre música e cinema. Gosto porque compilam o melhor e o pior de determinado assunto que me interessa. Suscitam discussão e reflexão. Por isso tenho divulgado aqui muitas listas. Ora, um dos sites especializados em listas de todo o género, o List Universe, acaba de apresentar uma das listas mais interessantes para mim - pessoal e profissionalmente falando: "As dez melhores utilizações de música clássica nos cartoons clássicos". Como referi neste post, considero o período de ouro da música para cartoons como um dos mais criativos e ricos de toda a história do cinema (no âmbito da relação música-imagens), com génios musicais como Spike Jones, Carl Stalling ou Raymond Scott que compuseram verdadeiras obras-primas para os cartoons da Warner Brothers, numa abordagem musical erudita e lúdica e com uma precisão estética perfeita entre imagem e som. A lista que o site List Universe apresenta é um compêndio irresistível dos melhores momentos da animação clássica (desde os anos 30) da WB e da Disney com personagens como Mickey Mouse, Bugs Bunny ou Tom & Jerry.
Nesta colecção de 10 brilhantes momentos, vemos algumas das mais originais sequências musicais de sempre (com muita diversão à mistura), com a utilização de peças eruditas bem conhecidas: de Wagner a Rossini, de Liszt a Strauss, de Brahms a Tchaikovsky. É caso para dizer: já não se fazem desenhos animados como estes que, deleitado, via em criança na televisão.
Abrir aqui. E ver o Rato Mickey a conduzir uma louca orquestra:

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Raymond Scott - documentário a caminho


Em Setembro próximo assinalam-se 100 anos do nascimento de Raymond Scott (1908 - 1994), um dos mestres musicais mais polivalentes do século XX. E quando me refiro a polivalente refiro-me ao facto de Scott ter sido, durante décadas (dos anos 50 aos 80): músico de jazz, orquestrador, inventor de instrumentos electrónicos (colaborou com Robert Moog), sonoplasta, engenheiro electrónico, pianista, percursor dos estúdios de música electrónica (nos anos 50!) e de música de computador (quando os computadores eram uma excentricidade cara que ocupavam o espaço de uma sala inteira). Destacou-se, igualmente, como um inovador compositor de bandas sonoras para cartoons da Looney Tunes (Bugs Bunny, Daffy Duck...), juntamente com Carl Stalling e Spike Jones.
Em suma, Raymond Scott foi uma das figuras mais originais e influentes da música da segunda metade do século passado, um visionário possuidor de uma criatividade e engenho únicos. O seu génio fez-se (faz-se, ainda) sentir numa vastíssima legião de músicos, de bandas e de campos de criação musical muito diversificados: do rock ao jazz, da electrónica experimental à electro-acústica, da pop à vanguarda, do easy-listening à composição musical para cinema e audiovisual. A música de Raymond Scott ajudou a desenvolver o imaginário de músicos tão diferentes como Hal Wilner, DJ Spooky, Henry Rollins ou David J, dos Bauhaus e Love and Rockets, que refere: "As for millions of other kids raised on Bugs and Daffy, Raymond Scott's wonderful idiosyncratic music seeped into my childhood subconscious and never left. It became the abstract soundtrack to my-dreams."
No centenário do seu nascimento, o seu filho Stan Warnow (realizador) está a ultimar um documentário sobre a vida e o imenso legado de seu pai. Chama-se "Raymond Scott: On To Something" e vai trazer, com toda a certeza, mais visibilidade a um autor e a uma obra que mercem um reconhecimento mais alargado.

segunda-feira, 10 de março de 2008

A Big Band tresloucada


Esta é bem capaz de ser uma das mais delirantes big bands que alguma vez pisou a face da terra. Chamam-se Flat Earth Society, são 22 músicos de formações distintas liderados pelo clarinetista Peter Vermeerche. Misturam músicas num caldeirão onde cabe: Frank Zappa, John Zorn, Mike Patton, Duke Ellington, Sun Ra, Henry Mancini, Carl Stalling (compositor de cartoons), Ennio Morricone, jazz, blues, rock, experimental, e o mais que se queira imaginar. O resultado musical é uma orquestra em completa ebulição criativa, em estado de delírio frenético e constante. Diversão e profundidade são duas das muitas nuances da big band, que de big band convencional nada tem. Acabei de ouvir o último registo do grupo - "Psychscout" e ainda tenho os pelos em pé. Diz-se que ver os Flat Earth Society ao vivo é uma experiência irrepetível e surpreendente. Acredito. E eu acreditarei na Virgem Maria quando ler a notícia que esta tresloucada orquestra vem tocar um dia em solo português.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Música para Bugs Bunny & Comp.ª

A música para cartoons (“desenhos animados”, dizia-se quando era miúdo) é uma arte. Uma arte exigente. Warner Bros e os seus Lonney Tunes foram preponderantes com a introdução de personagens icónicas como Bugs Bunny, Coyote, Daffy Duck, Speedy Gonzales, Sylvester the Cat, Road Runner, entre outros. A época de ouro destes filmes de animação foi nas décadas de 30 a 50. Enquanto Walt Disney filmava filmes politicamente correctos, de grande apelo aos valores familiares, a Warner Bros. arrasava com a irreverência visual e o ritmo alucinado da acção resultante da imaginação dos maiores realizadores de cartoons: Chuck Jones e Tex Avery. A música para estes filmes era constituída de uma precisão cirúrgica tremendamente eficaz, na qual a sonoplastia (gravada em estúdios caseiros e com objectos quotidianos) era totalmente síncrona com cada imagem. As bandas sonoras, frenéticas e imparáveis, muitas das vezes subvertendo a estética dos compositores clássicos estabelecidos, eram pequenas obras-primas de composição, de rebeldia formal e de criatividade sonora. Os grandes mestres da música para cartoons foram Spike Jones, Carl Stalling e Raymond Scott, autênticos génios de originalidade musical, extravasando o próprio conceito exíguo de “música para cartoons”. A música para cartoons exerce um enorme fascínio, não só nos adultos mas também nas crianças (ou será que a ordem é inversa?). O próprio guru da música avantgarde, John Zorn, é um fã dos compositores acima referidos.

Lá fora – é sempre lá fora – existe uma literatura interessante sobre esta temática da música para cartoons, da qual destaco o livro que encabeça este post. A prova de que a música de cartoons é um assunto sério e de reconhecida identidade artística.