Eram melhores realizadores só com um olho do que muitos com os dois: Nicholas Ray (1911 - 1979) Raoul Walsh (1887 - 1980) John Ford (1894 – 1973) André de Toth (1913 - 2002) Fritz Lang (1890 - 1976)
Não há artista que não sofra influências. Quem disser que não tem influências, directas ou indirectas, é um artistas intelectualmente desonesto. No cinema podem fazer-se muitas analogias mais ou menos óbvias que nos permitem afirmar que determinado realizador foi influenciado por outro determinado cineasta.
É o exercício que o site Taste of Cinema fez: seleccionou 15 realizadores e indicou - explicando porquê - as respectivas influências estéticas.
A título de exemplo: François Truffaut teve como mentor Jean Vigo; Michael Mann procura inspiração em Sam Peckinpah; ou Fritz Lang serviu como guia espiritual para Tim Burton.
E já que publiquei (ver post abaixo) a lista dos 10 filmes preferios de Roger Corman, eis mais uma série de listas bem interessantes divulgadas pelo site Flavorwire. Trata-se de uma lista de 10 realizadores - de Woody Allen a Quentin Tarantino, de Francis Ford Coppola a Stanley Kubrick.
Claro que há listas mais interessantes do que outras. A de Kubrick, Scorsese ou do Woody Allen são reveladoras da sua imensa cinefilia. Mas a lista que mais me surpreendeu foi a de Christopher Nolan ("Batman" e "Inception") que demonstra ter um gosto cinéfilo deveras aguçado.
A saber: Nolan cita como filmes preferidos "Twelve Angry Men" de Sidney Lumet, "Greed" de Eric von Stroheim, "The Testament of Dr. Mabuse" de Fritz Lang, o (raramente) citado "Mr. Arkadin" (também conhecido como "Confidential Report") de Orson Welles ou "Koyaanisqatsi" de Godfrey Reggio. Sem dúvida que Nolan conhece bom cinema clássico, algo que nem sempre transparece nos seus filmes "mainstream".
Ver aqui a lista completa.
Eis o meu primeiro grande momento cinematográfico de 2013: um filme mudo com quase 90 anos que representou o início de uma retumbante carreira de um então jovem (26 anos) realizador chamado Alfred Hitchcock: "The Lodger - A Story of the London Fog" (1927).
Numa deambulação pela FNAC deparei-me com este DVD de importação (capa em baixo) com banda sonora original do músico Nitin Sawhney.
Eu tinha conhecimento deste trabalho e até já o tinha referenciado no blogue (como os leitores mais atentos se lembrarão). Para além do DVD contendo o filme digitalmente restaurado (pelo British Film Institute), a edição é acompanhada ainda de um pequeno livro (15 páginas) com informação sobre o filme e dois CDs contendo as músicas de Nitin Sawhney.
Vi o filme ontem e fiquei absolutamente deliciado. "The Lodger" é, na cronologia da filmografia de Hitchcock, o seu terceiro filme, mas é historicamente considerado o seu primeiro filme deveras importante. É a obra na qual Hitchcock lança as sementes temáticas da sua carreira (a partir do serial killer londrino "Jack, O Estripador"): crime, suspense, falso culpado, assassínio, mulher fatal e loura, conflito psicológico e moral, mistério, sexo e morte...
E no final do período mudo, Hitch soube trabalhar na perfeição o legado visual e estético de filmes expressionistas de Fritz Lang ou Murnau, recorrendo a uma realização estilizada, uma fotografia feita de sombras insinuantes e um ritmo crescente de tensão. Ivor Novello é o misterioso "inquilino" deste filme, à época o actor (e cantor) mais popular da Inglaterra. E Ivor Novello consegue uma interpretação perturbadora, com um olhar frio e uma atitude dúbia, revela ser uma personagem na linha entre a culpa e a inocência. Uma personagem acusada de um crime monstruoso mas que, afinal, poderá ser apenas um homem solitário à procura do amor...
Sem ser uma obra-prima, "The Lodger" é um crucial e superlativo filme de Hitchcock, com uma sólida estrutura dramática e visual e um ritmo narrativo escorreito (este é também o filme no qual Hitchcock fez o seu primeiro "cameo").
A música original criada por Nitin Sawhney, músico britânico de ascendência índia com larga experiência musical, inclusive no campo da composição para cinema, está à altura da qualidade do filme: Nitin compôs a banda sonora com uma clara alusão à música de Bernard Herrmann, compositor icónico que trabalhou com Hitchcock em vários filmes. A música de Nitin estabelece uma relação específica com as imagens e o desenrolar da acção, pontuando os momentos dramáticos e os momentos românticos com igual brilhantismo.
Novidade na música para cinema mudo é o facto de Nitin Sawhney ter utilizado dois momentos musicais cantados para acompanhar a paixão entre o casal protagonista. Ao contrário do que eu temia, o resultado é bastante positivo e encaixa na perfeição na estrutura estilística do resto da música. O bom gosto musical impera durante todo o trabalho criativo de Nitin.
A música de Nitin Sawhney foi interpretada e gravada pela prestigiada London Symphony Orchestra, e resultou numa música de teor orquestral, com recurso à percussão e às cordas e misturando a linguagem clássica com o jazz e a pop (num dos extras do DVD, o compositor explica o método de criação da banda sonora original).
Foi uma experiência deveras entusiasmante ver (e ouvir) este "The Lodger", num trabalho notável de Hitchcock que ajudou a definir as regras do thriller futuro e numa abordagem musical digna e competente de Nitin Sawhney.
Altamente recomendável, portanto.
O filme "Metropolis" (1927) do mestre realizador alemão Fritz Lang é, porventura, um dos melhores filmes do período mudo. Esta obra expressionista de ficção científica tem sido, igualmente, uma das obras mudas mais musicadas ao longo das décadas. A composição original encomendada por Lang foi criada pelo compositor Gottfried Huppertz, mas durante as décadas posteriores foram muitos os músicos e grupos que fizeram música original para acompanhar as imagens inesquecíveis de "Metropolis".
Eis alguns nomes - oriundos dos mais variados universos musicais - que já criaram sons para o filme de Fritz Lang: Kraftwerk, Philip Glass, Model 500, Jeff Mills, Yellow Magic Orchestra, Michael Nyman, Ronnie Cramer, John Foxx, Autechre, The Alloy Orchestra, Giorgio Moroder e Abel Korzeniowski.
Imagem: 10 de Janeiro de 1927, Berlim: estreia mundial do filme "Metropolis" do mestre e visionário alemão Fritz Lang. Filme futurista e pessimista, filme absorvente e revolucionário.
Para saber tudo, mas tudo, sobre esta obra expressionista tão influente na história do cinema, é favor explorar este fantástico site dedicado ao filme de Lang.
O primeiro filme realizado por George Lucas é uma obra de autor espantosa que, à altura da estreia (1971), fazia prever uma carreira altamente promissora (o filme é uma adaptação da curta-metragem que Lucas fez na época na faculdade).
"THX 1138" é uma obra negra e apocalíptica sobre um futuro asséptico onde a população é forçada a viver em grandes cidades subterrâneas controladas por computadores. Valores como liberdade, religião, desejos, indivualidade e sexo são proibidos, numa visão fria e perturbadora do futuro.
Todos são controlados por drogas que reprimem os seus pensamentos e os deixam dóceis para fazerem as suas funções na sociedade de maneira que não interfiram no "equilíbrio" da máquina social. Até que o humano THX-1138 (magnífico Robert Duvall) com a sua parceira desafiam o sistema, não apenas para defender o seu amor (que é proibido), mas para tentar escapar da cidade subterrânea e viverem livres no "mundo de cima". Parábola amarga, "THX 1138" faz uma avaliação do perigo da crescente dependência de tecnologia nas nossas vidas, coisa que já "Metropolis" (1927) de Fritz Lang antecipara. Mas George Lucas não abandona a crença de que, mesmo o homem mais comum, pode ser um rebelde e insurgir-se contra regimes altamente opressores.
Os cenários e a densa fotografia transmitem o vazio da sociedade, os personagens todos carecas assustam com as suas expressões mórbidas e padronizadas, os agentes da autoridade são autómatos com máscaras e o branco asséptico predomina como elemento de forte perturbação visual, psicológica e emocional.
A supressão do indivíduo pelo totalitarismo do sistema ganhou uma dimensão nova neste filme. E não é dificil notar as profundas influências de obras famosas como "Admirável Mundo Novo" de Aldous Huxley e "1984" de George Orwell.
George Lucas foi muito ousado e criativo nesta fabulosa estreia no cinema. Curiosamente, tão ousado e brilhante como a estreia do seu colega e amigo Steven Spielberg com a sua primeira longa-metragem "Duel" (também realizada em 1971).
Para quem nunca viu, poderá fazer o download do filme aqui.
Quem viu o post mais abaixo sobre o projecto "Movie Poster" sabe que eu me interesso sobre a iconografia visual dos posters clássicos de cinema. Ora, um amigo chamou-me a a tenção para um dos mais originais e icónicos posters do cinema mudo: "Metropolis" (1927) de Fritz Lang, obra-prima do expressionismo alemão.
Acontece que esta imagem reproduz o poster original concebido pelo artista de arte deco Heinz Schulz-Neudamm que, ao que consta, criou apenas quatro cópias. Duas estão em museus e a outra encontra-se numa colecção privada.
O site MoviePosterExchange disponibiliza o quarto exemplar deste poster para venda. Seria uma boa oportunidade para adquirir um clássico da história do cinema com mais de 80 anos de vida. O problema é o preço: 850,000.00 dólares!
Para os interessados na eventual compra desta raridade dos posters, é favor clicar aqui.
O jornal Daily Mail divulgou há dias uma interessante reportagem subordinada a uma simples e desafiadora questão: "E se os modernos blockbusters tivessem sido feitos na década de 50?" Pegando nesta premissa, o artista gráfico americano Peter Stults reinventou os posters de filmes como "Inception", "Pulp Fiction" ou "Trainspotting", criando imagens totalmente vintage. Para além da óbvia curiosidade dos posters feitos na forma estética dos anos 50 e 60, é também curioso os nomes dos créditos artísticos.
Assim, o filme "Trainspotting" seria realizado por Jean-Luc Godard e interpretado por uns jovens Michael Caine e Anthony Hopkins; ou o "Inception" realizado por Fritz Lang e interpretado por Burt Lancaster e Rita Hayworth! E quem melhor para actor em "Drive" do que... James Dean?!
É o grande fenómeno do momento no mundo do cinema: o filme "The Artist" do realizador francês Michel Hazanavicius. A estreia deste filme aconteceu no último Festival de Cannes, competindo à Palma de Ouro (perdeu para "The Tree of Life") e o actor principal, Jean Dujardin, ganhou mesmo o Prémio de Melhor Actor. Recentemente foi nomeado para seis prémios Globos de Ouro e já se fala, insistentemente, nas nomeações para os almejados Óscares. A sensação à volta de "The Artist" é que se trata de um filme... mudo. Toda a sua estética visual remete para os filmes mudos dos gloriosos anos 1920. O realizador demorou 10 anos a convencer os produtores a investir neste projecto. E o resultado está à vista. A crítica e o público (já estreou comercialmente no final de Novembro nos EUA) têm sido quase unânimes nos elogios a este filme que foi pensado como se fosse realizado, de facto, entre 1927 e 1933 (época em que o sonoro veio substituir o mudo e que serve de pano de fundo para a história de "The Artist").
Michel Hazanavicius não é o primeiro realizador a explorar a estética do cinema mudo. O canadiano Guy Maddin (escrevi sobe ele aqui) já o fizera com brilhantes resultados formais. A inovação que "The Artist" acarreta é que não se limita a ser um mero exercício de estilo saudosista a preto e branco. Os valores de produção, as interpretações marcantes, a realização, a fotografia, a banda sonora e a história de amor (também amor ao cinema) são, tudo o indica, razões para considerar "The Artist" como uma obra absolutamente singular dos tempos modernos.
Além do mais, este filme de Hazanavicius tem outro mérito: o de chamar a atenção - sobretudo para as novas gerações de cinéfilos - para a história do cinema mudo. Vendo "The Artist", os jovens espectadores que desconhecem o período mudo, poderão ficar sensibilizados e motivados a descobrir e ver os grandes mestres desta época da história do cinema: Fritz Lang, Charlie Chaplin, Buster Keaton, Eisenstein, Murnau, etc.
Eram melhores realizadores só com um olho do que muitos com os dois: Nicholas Ray (1911 - 1979) Raoul Walsh (1887 - 1980) John Ford (1894 – 1973) André de Toth (1913 - 2002) Fritz Lang (1890 - 1976)
Li na biografia de Alfred Hitchcock que o seu filme preferido era o expressionista "A Morte Cansada" (1921) de Fritz Lang e que considerava o espanhol Luís Buñuel como o melhor realizador... de sempre!
Confesso que estas preferências são, para mim, surpreendentes, sobretudo vindas de um cineasta como Hitchcock. Por conseguinte, não posso deixar de manifestar o meu regozijo perante tais preferências (facto que aumenta a minha estima por Hitchcock).
Uma excelente edição DVD: o lançamento do filme "Metropolis" (1927), obra-prima de FritzLang. Já havia várias edições desta película marcante do Expressionismo Alemão, mas esta edição revela-se especialíssima: é restaurada digitalmente, tem mais 16 minutos de duração relativamente à versão conhecida (ou seja, corresponde à versão original do realizador) e contém dois discos (um com o filme e outro só com extras).
Há dois anos, esta autêntica instituição do cinema europeu solicitou a 75 personalidades ligadas ao cinema e às artes, uma votação intitulada "Visions For The Future", para cada uma delas nomear apenas um filme que fosse uma marca para o futuro do cinema.
Entre artistas consagrados e outros desconhecidos, revelaram-se algumas boas surpresas: a actriz Cate Blanchett escolheu "Stalker" de Tarkovski; o realizador Ken Russell optou por "Metropolis"; Julien Temple seleccionou a obra-prima de Jean Vigo, "L'Atalante"; para o compositor Michael Nyman, o filme que marcaria o futuro é "Silent Light" do mexicano Carlos Reygadas (de quem se diz ser o maior discípulo de Tarkovski); o produtor Mark Herbert escolheu um dos últimos filmes de Werner Herzog, "Grizzly Man".
Outros filmes escolhidos: "Do The Right Thing" de Spike Lee, "Pulp Fiction" de Tarantino, "Raging Bull" de Scorsese, entre dezenas de outros.
Este é um tipo de iniciativa que raramente vemos acontecer no panorama cultural e institucional nacional. A título de exemplo: a Cinemateca vive encerrada sobre si mesma, não solicita ou desafia a comunidade artística e muito menos a sociedade em geral. Era importante que as estruturas culturais se abrissem mais à comunidade artística (e não só), lançando desafios de colaboração e de envolvimento, apelando à contribuição dos cidadãos (anónimos ou reconhecidos) para uma dinâmica cultural mais interactiva e actuante na sociedade.
Nota: para além da qualidade óbvia do filme (e do seu conteúdo político/social), chamo a atenção para a extraordinária banda sonora original criada pelaAlloy Orchestra(é um ensemble de apenas 3 músicos!), que já musicou filmes de Dziga Vertov, Buster Keaton, Murnau, Sternberg ou Fritz Lang.
A este respeito aconselho vivamente a ver e ouvira parte 9/9 do filme de Eisenstein.
Nas históricas entrevistas que Alfred Hitchcock deu a François Truffaut, o realizador britânico sempre disse que havia um filme mudo (dos 12 que realizou) essencial na sua filmografia, mas que poucos tinham tido oportunidade de ver. Falava da película "The Lodger", realizada em 1927, em pleno período do final do mudo. Um filme fortemente influenciado pelos mestre do Expressionismo Alemão, como Murnau ou Fritz Lang, mas que já espelhava alguns dos temas centrais da sua filmografia futura: o conceito de culpa e inocência, a ambiguidade moral, o suspense psicológico, a obsessão sexual, o crime...
O filme já era conhecido da filmografia de Hitchcock (vagamente inspirado no assassino Jack, O Estripador), mas só agora foi resgatado do esquecimento para ser exibido, comercialmente, em sala (Inglaterra) e na sua duração integral.
Enquanto, por cá, não o conseguirmos ver, podemos apreciar alguns minutos dos 74 deste "The Lodger" (que tem como subtítulo "A Story Of The London Fog"):
Consta-se que o primeiro "Cameo" de Hitchcock nos seus filmes aconteceu com "The Lodger":
É considerado o David Lynch canadiano e a comparação, apesar de compreensível, só peca por redundante. O realizador Guy Maddin é muito mais do que o "David Lynch" do Canadá. É também o Eisenstein, o Tim Burton, o Fritz Lang e o Dziga Vertov do Canadá. Tudo somado e espremido dá um cineasta profundamente original que transforma o cinema em qualquer coisa de novo. Mesmo se 90% da sua inspiração e referências estéticas estejam ancoradas no período do cinema... mudo.
Ou seja, Guy Maddin, que deixou o curso de economia para se dedicar à exploração das imagens, assimilou até ao tutano as coordenadas da vanguarda dos anos 20 e 30: o cinema expressionista alemão e o soviético.
Juntando a isto a imaginação visual delirante de Maddin, a provocação surreal de Salvador Dalí e o universo sinistro de Edgar Allan Poe, chegamos a um resultado artístico único.
É nas curtas-metragens que Guy Maddin revela toda a sua arte da manipulação da imagem, numa linguagem estética que bebe do passado mas aponta, claramente, para o futuro. Da sua relativa vasta produção, veja-se apenas esta incrível e multipremiada curta-metragem intitulada "The Heart of the World" do ano 2000.
Um filme mudo (paradoxal nos tempos de hoje fazer filmes mudos!) que em pouco mais de 5 minutos, o realizador homenageia a arte suprema do cinema mudo com uma surrealista história de dois irmãos que amam a mesma mulher responsável pela "saúde do coração do mundo".
O ritmo frenético da montagem, a composição plástica das imagens, o fulgor expressivo dos planos e a fabulosa música do compositor russo Georgy Sviridov, constituem elementos que fazem lembrar os áureos filmes de Eisenstein e Vertov.
Neste "The Heart of the World", em particular, com um acrescento de pitada de Fritz Lang (piscadela de olho à obra-prima "Metropolis"). Uma das mais originais curtas-metragens da última década (sugiro ouvir em volume elevado):
Mas esqueci-me de referir que essa editora tem concorrência à altura e chama-se Kino on Video. O seu catálogo de filmes é de uma qualidade desmedida, não só pela qualidade dos prórpios filmes, mas também pela qualidade das edições, muitas delas remasterizadas e com extras exclusivos.
É o que acontece com a obra-prima "O Couraçado Potemkine" de Sergei Eisenstein, totalmente restaurado digitalmente (é actualmente a edição DVD que a Kino vende mais). O site está extremamente bem desenhado e completo. Basta dizer que existe a possibilidade de fazer pesquisa por realizador, actor, compositor, argumentista, título de filme, país, género cinematográfico, etc. Tem também um bom leque de títulos disponíveis em blu-ray (como o "Metropolis"de Fritz Lang).
Apesar dos preços praticados serem relativamente mais em conta do que os da Criterion, convém ter uma carteira assaz recheada para adquirir todas as preciosidades editadas.
Se há matéria plástica que me interessa no cinema, essa matéria é a sombra. O Expressionismo Alemão foi o movimento estético, por excelência, que explorou as capacidades expressivas e dramáticas das sombras, através de uma fotografia depurada. Mas ao longo da história do cinema muitos outros realizadores e filmes souberam impressionar o espectador com o mistério, quase sempre inquietante, que a sombra acarreta. Eis apenas alguns exemplos (outros existem, como no cinema negro, mas não consegui as respectivas imagens): "The Third Man" (1949) - Carol Reed "Shadow of a Doubt" (1943) - Afred Hitchcock "I Confess" (1953) - Alfred Hitchcock "Vampyr" (1932) - Carl Dreyer "O Gabinete do Dr. Caligari" (1920) - Robert Wiene "M - Matou" (1931) - Fritz Lang "Nosferatu" (1922) - F.W. Murnau