Mostrar mensagens com a etiqueta Krzysztof Kieslowski. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Krzysztof Kieslowski. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

"O Guia de Cinema do Depravado"


Slavoj Žižek, filósofo e psicanalista esloveno, é considerado um dos pensadores mais heterodoxos e estimulantes da actualidade. Filósofo e psicanalista, professor convidado em diversas universidades da Europa e dos Estados Unidos, Žižek é até considerado (por vezes num sentido pejorativo) uma espécie de “estrela mediática” do pensamento contemporâneo. É autor de uma vasta bibliografia (traduzida em 20 línguas) sobre os mais diversos temas, com um especial enfoque no cinema. É por esta faceta que me interessei por este teórico.

De Slavoj Žižek tenho apenas o livro “Lacrimae Rerum - Ensaios Sobre Kieslowski, Hitchcock, Tarkovski e Lynch”, obra que não consegui ler até ao fim (defeito meu, talvez) por ser tão hermética na sua abordagem ensaística. Gosto dos quatro realizadores referenciados nesta obra e gostei de ler a visão psicanalítica que Žižek tem do cinema de David Lynch. Aprecio também o seu peculiar sentido de humor e a sua inequívoca inteligência. Porém, no livro referido, já não consegui compreender o que o filósofo vê na obra dos outros 3 cineastas. Apesar de defender que pretende, com as suas análises, “tornar as coisas claras”, a verdade é que eu acho que, em muitos textos seus, as torna ainda mais complicadas. A linguagem técnica utilizada – formatada pela filosofia analítica e pela psicanálise – não é de fácil apreensão pelo comum dos mortais não iniciados na matéria.

Isso não significa que não queira ver – quero muito, mas ainda não tive oportunidade – o documentário que editou em 2006: “O Guia de Cinema do Depravado”, um filme estruturado em 3 partes com 150 minutos de duração, no qual Žižek tenta desmontar a linguagem escondida por detrás de filmes como “Matrix” ou os clássicos de Hitchcock.
Temo é que depois de ver o documentário acabe por ficar algo frustrado (como aconteceu com o livro), coisa que não aconteceu (muito pelo contrário) com os documentários narrados por Martin Scorsese sobre o cinema italiano e americano.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O olhar fotográfico de Kieslowski


Viviam-se os anos de todas as revoluções: anos 60. Um jovem polaco amante de fotografia e cinema, chamado Krzysztof Kieslowski, vivia na terceira maior cidade da Polónia, Lódz, uma lúgubre e industrial cidade.
Foi nesta cidade que, aos vinte anos, o aspirante a realizador fez os seus primeiros trabalhos fotográficos. As imagens captadas são da cidade e dos seus habitantes, em situações de lazer ou de trabalho. Imagens do quotidiano de uma cidade do leste europeu. Crianças sorridentes, velhos com cara cansada, prédios novos e prédios antigos. No fundo, a captação da realidade daqueles tempos, feita sob a objectiva de Kieslowski.
Krzysztof Kieslowski viria a ser, anos mais tarde, um dos mais notáveis realizadores polacos de sempre, tendo obtido larga aceitação crítica mundial por todos os festivais de cinema por onde passou (assim como tantos outros prémios).
Um cineasta de autor, de grande exigência estética, que cultivou uma linguagem formal rígida, existencialista e metafísica.
Os seus filmes maiores são os dez filmes que constituem "O Decálogo" (1988), "A Dupla Vida de Véronique" (1990) e "Trilogia das Cores" (1993/94), soberba trilogia sobre as três cores da bandeira francesa.
Kieslowski faleceu precocemente, em 1996, com 54 anos.
As fotografias que se seguem, tiradas em Lódz em 1965, fazem parte do seu espólio fotográfico:


terça-feira, 21 de abril de 2009

Três cores - três grandes filmes


Trilogia das Cores (da bandeira francesa) - "Azul", "Branco" e "Vermelho"
Realização de Krzysztof Kieslowski.
Três cores, três conceitos, três filmes e três (grandes) actrizes francesas.
1 - "Azul" (1993), cor da Liberdade: é um filme sobre a perda, dor, distância, austeridade. Juliette Binoche é uma mulher que perde o marido e a filha num brutal acidente de automóvel.
2 - "Branco" (1994), cor da Igualdade: uma tragicomédia sensível e com vinganças inesperadas pelo meio. A actriz Julie Delpy é uma jovem insatisfeita que se divorcia do marido com resultados insuspeitos...
3 - "Vermelho" (1994), cor da Fraternidade: é um filme sobre a importância da amizade, da tolerância, da vida como viagem errática. Vemos a notável actriz Irène Jacob confusa e desorientada após o atropelamento de um cão na estrada...
Magistral.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Ainda há mestres no cinema europeu?


Há sinais que mostram claramente que a imprensa escrita deixou de ter jornalistas ávidos de bons debates intelectuais. Desde a morte do escritor e jornalista Eduardo Prado Coelho - provocador e amante de boas tertúlias à volta de filmes e livros - que não me lembro de haver na imprensa debates estimulantes (tirando a polémica titânica entre Vasco Pulido Valente e Miguel Sousa Tavares a propósito do seu livro "Equador").
Quero com isto dizer que achei estranhíssimo que não houvesse reacções (pelo menos que eu me tenha apercebido) a uma crónica do realizador António-Pedro Vasconcelos (APV) sobre o estado do cinema europeu actual. É que a crónica deste colunista e cineasta tem matéria suficiente para estimular opiniões contraditórias. A crónica veio publicada no semanário SOL de há duas semanas e versava sobre a questão "O que é um mestre no cinema?". APV dizia no seu texto que houve dois grandes realizadores que personificavam o epíteto de mestres: Hitchcock e Rossellini (um dos grandes cineastas no Neo-Realismo italiano do pós-guerra, com Vittorio de Sica e Visconti). Apesar de serem realizadores muito diferentes, ambos têm uma marca autoral na história do cinema, ambos teorizaram sobre a função artística do cinema, ambos desenvolveram os adjectivos "hitchcockiano" e "rollelliniano". Na verdade, foram dois cineastas que souberam interpretar os seus tempos e tinham visões muito próprias sobre a realidade e a arte (para além de terem deixado discípulos no cinema). Em suma, duas referências absolutas do cinema europeu (claro que há outras...).
APV refere ainda que o cinema europeu entrou em decadência a partir a da morte do Rossellini (1977). Mais: sem pruridos, diz mesmo que "hoje, no cinema europeu, não há mestres, tal como não há grandes políticos - porque não os pode haver. A verdade é que a última geração de grandes cineastas formou-se num período trágico da Europa, entre duas guerras devastadoras, onde se forjaram os grandes espíritos. Alguns desses mestres morreram precocemente, como Pasolini, Fassbinder e Truffaut, e deixaram um deserto sem remissão: o cinema deixou de influenciar a sociedade, e os cineastas deixaram de ser esses 'faróis', de que falava Baudelaire a propósito dos génios. Numa palavra, onde está o Rossellini dos tempos modernos?"
Eis uma opinião que, como disse no início do post, mereceria uma debate alargado e aprofundado. Isto porque António-Pedro Vasconcelos lança uma série de opiniões pertinentes e audazes. No fim de contas, refere que o cinema europeu, apesar dos mil filmes produzidos por ano, se encontra moribundo ou mesmo morto, sem réstia de mestres com a personalidade e identidade de um Rossellini. Será mesmo assim? Se quisermos ser rigorosos, creio que, de facto, a Europa já não tem cineastas com a envergadura de um Rossellini, de um Godard, de um Bergman, de um Buñuel, de um Kieslowski, de um Antonioni, de um Hitchcock (assim como o cinema americano já tem mestres como John Ford, Orson Welles ou Nicholas Ray). Mas será que este facto representa a morte do cinema europeu?
Não serão exageradas as palavras de APV? Ou será que correspondem à realidade? Uma coisa estou de acordo com o realizador português: o cinema europeu já não suscita novos olhares sobre a realidade à nossa volta, poucos são os filmes que questionam, que arriscam uma linguagem própria, que rompem preconceitos e inventam novas formas estéticas. Continua a haver filmes europeus de qualidade, vindos da Alemanha, da França, ou de Espanha, mas essa linhagem de cineastas imbuídos desse tal espírito forjado entre as duas guerras mundiais, esses já não existem ou são já uma raça em vias de extinção.

sábado, 6 de dezembro de 2008

As fotografias de Kieslowski

Viviam-se os anos de todas as revoluções. Anos 60. Um jovem polaco amante de fotografia e cinema, chamado Krzysztof Kieslowski, vivia na terceira maior cidade da Polónia, Lódz, uma lúgubre e industrial cidade. Foi nesta cidade que, aos vinte anos, o aspirante a realizador fez os seus primeiros trabalhos fotográficos. As imagens captadas são da cidade e dos seus habitantes, em situações de lazer ou de trabalho. Imagens do quotidiano de uma cidade do leste europeu. Crianças sorridentes, velhos com cara cansada, prédios novos e prédios antigos. No fundo, a captação da realidade daqueles tempos, feita sob a objectiva de Kieslowski.
Krzysztof Kieslowski viria a ser, anos mais tarde, um dos mais notáveis realizadores polacos de sempre, tendo obtido larga aceitação crítica mundial por todos os festivais de cinema por onde passou (assim como tantos outros prémios). Um cineasta de autor, de grande exigência estética, que cultivou uma linguagem formal rígida, existencialista e metafísica. Os seus filmes maiores são os dez filmes que constituem "O Decálogo" (1988), "A Dupla Vida de Véronique" (1990) e "Trilogia das Cores" (1993/94), soberba trilogia sobre as três cores da bandeira francesa.  
Kieslowski faleceu precocemente, em 1996, com 54 anos. As fotografias que se seguem, tiradas em Lódz em 1965, fazem parte do seu espólio fotográfico, que estará exposto em Madrid a partir do dia 9 de Dezembro.




quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Filmes em 5 dias


O Guinness Book of Records está a tornar-se previsível e sem interesse. Qualquer pessoa com boa resistência (física ou psicológica) ou com alguma habilidade fora do normal, arrisca-se a entrar no livro dos recordes sem grande esforço: um canadiano e uma alemã conseguiram inscrever os seus nomes no livro de recordes do Guinness ao conseguirem ver 57 filmes em 123 horas e 10 minutos (5 dias) sem dormir. Parece um feito extraordinário, mas não é. O segredo consistiu na selecção criteriosa dos filmes. Que filmes viram? Filmes de acção e de aventuras, suficientemente barulhentos e agitados para não provocarem sonolência aos resistentes espectadores. O primeiro filme que viram foi o do super-herói "Iron Man", seguido da trilogia "Bourne", a aventura "Kill Bill Vol. 1 e 2", "O Paciente Inglês", "Hulk", e por aí fora. Quanto mais "blockbuster" de Verão, melhor.
No meu humilde parecer, a verdadeira prova de força teria sido se estes dois espectadores maratonistas tivessem conseguido visionar, durante 5 dias consecutivos e sem soçobrar um instante, a filmografia completa de Manoel de Oliveira, Pedro Costa, Kieslowski, Peter Greenaway, Andy Warhol, Straub, Bergman, Antonioni, Kiarostami, Tarkovski, Cronenberg e todo o cinema mudo expressionista (de Murnau a Lang). Não que estes realizadores sejam de pouco interesse ou de qualidade (muitíssimo pelo contrário), mas porque, pelas suas características intrínsecas, se fossem consumidos ao longo de vários dias sem descanso, poderiam provocar danos psicológicos e emocionais irreversíveis. Aí é que eu os queria ver a resistir...


sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Zizek: um novo olhar sobre o cinema


É o filósofo do momento. O filósofo que não se resigna apenas a ser filósofo, uma vez que se tornou quase numa espécie de figura académica da cultura pop contemporânea. Por onde passa a dar conferências - desde universidades conceituadas de todo o mundo a espaços culturais alternativos - como a portuguesa Fábrica de Braço de Prata (onde esteve em Julho último), deixa um rasto de inteligência, cultura e humor (há vídeos no YouTube que comprovam o seu sentido de humor "nonsense"). Extravasa, com a mais desconcertante facilidade intelectual, as fronteiras rígidas dos objectos de estudo convencionais da filosofia, e acrescenta ao seu método de análise temas como psicanálise, cinema experimental, música pop, sexo, literatura, linguística, sociologia, teoria da cultura de massas, cibernética, entre outros.
O esloveno Slavoj Zizek representa esta figura cultural pluridisciplinar, observando a realidade social, política e cultural sob os mais diversos ângulos possíveis, como se fosse o rosto crítico da globalização neo-liberal. Conheci o autor quando editou em Portugal o livro "Bem-Vindo ao Deserto do Real" (Relógio D'Água, 2006). Uma obra em que, partindo do filme "Matrix" e de toda a sua ideologia da "falsa realidade", propunha uma análise crítica das complexidades do mundo actual, sobretudo a partir dos desafios políticos impostos com o 11 de Setembro e suas consequências. A sua escrita, apesar das múltiplas referências à cultura popular, nem sempre é de fácil inteligibilidade, dado que o seu pensamento se desdobra em conceitos filosóficos, psicanalíticos, sociológicos e culturais. No entanto, da explanação das suas ideias saltam sempre motivos fortes de reflexão para o leitor, seja em que terreno temático for. A argúcia como interliga conceitos tão dispersos e os liga de forma coerente, revela um pensador que tem consciência clara que escreve/fala tanto para o público erudito/iniciado, como para o público leigo/popular (à falta de melhor classificação...).
O seu último livro, recentemente editado pela editora Orfeu Negro, "Lacrimae Rerum", é um conjunto de quatro ensaios sobre a semiótica do cinema, particularmente, de quatro realizadores: Kieslowski, Hitchcock, Lynch e Tarkovski. Sendo que três dos meus cineastas preferidos são os três últimos referenciados, não poderia deixar de me aventurar na leitura do livro. O ensaio que achei mais interessante foi o que Zizek escreveu sobre o universo de David Lynch, talvez porque o seu cinema estabeleça uma ponte, mais ou menos óbvia e directa, com a psicanálise. Sobre o cineasta russo Tarkovski, Zizek aprofunda as raízes e motivações de ordem política e cultural da Rússia do realizador de "Stalker" para caracterizar a essência de um autor metafísico e complexo. Sobre os ensaios de Hitchcock e Kieslowski, ainda só li passagens inconclusivas.
Seja como for, o livro "Lacrimae Rerum", com os seus ensaios focados na estética e na semiótica das imagens, levanta novas perspectivas críticas em relação ao cinema, ao seu poder de intervenção no real e ao simbolismo filosófico que representa na cultura contemporânea. Uma leitura surpreendente, desafiadora e exigente.

domingo, 23 de dezembro de 2007

A escola castradora


A última edição do semanário Expresso traz uma entrevista interessante com o compositor polaco Zbigniew Preisner (que acaba de editar um disco a meias com a cantora Teresa Salgueiro), conhecido pelas bandas sonoras que compôs para os filmes de Krystof Kieslowski (e também Wong Kar Wai ou Louis Malle). O seu estilo musical é facilmente reconhecível: composições orquestrais à mistura com elementos electrónicos ambientais e melodias instrumentais melancólicas. Ora, na referida entrevista, a dada altura e a propósito do auto-didactismo do músico, o jornalista pergunta: “acha que a escola pode ser um espartilho para o desenvolvimento da criatividade?”. Resposta: “Frequentemente sim, quando um aluno quer raciocinar pela própria cabeça e desenvolver autonomamente as suas ideias e o seu trabalho. Quando alguém quer fazer alguma coisa diferente, se tem espírito aberto para o exterior e para outras experiências, a escola prefere afirmar que isso não tem qualidade, ou que não se devem abrir excepções.”
Essa é uma velha questão, a de saber até que ponto a escola formata demais a cabeça dos alunos e impede a liberdade de pensar e de agir contra os fundamentos dogmáticos do ensino tradicional. Acabo por concordar com Preisner, uma vez que senti isso mesmo quando frequentava o curso superior de música: o sistema de ensino era demasiado rígido e afunilado num só sentido. Era um ensino vocacionado para o uniformidade incondicional de ideias e de conhecimentos. Basta dizer que a disciplina de História da Música parava no período da primeira Guerra Mundial (Debussy, Schoenberg, Ravel...). O estudante que quisesse conhecer a música criativa que se fez até aos nossos dias, teria de pesquisar por ele próprio. E falar aos professores de John Cage, Varèse, Stockhausen, Steve Reich ou... Velvet Underground, era quase uma heresia. Uma afronta intelectual.
E alguma vez pensaram porque é que os conservatórios de música se chamam conservatórios?

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Relação mais fascinante e frutuosa?

Selection
Votes
Federico Fellini/ Nino Rota. 5%6
Ingmar Bergman/ Erik Nordgren. 0%0
Alfred Hitchcock/ Bernard Herrmann. 11%13
Franklin J. Schaffner/ Jerry Goldsmith. 0%0
David Lean/ Maurice Jarre. 0%0
Steven Spielberg/ John Williams. 35%40
Robert Zemeckis/ Alan Silvestri. 0%0
Tim Burton/ Danny Elfman. 38%43
David Lynch/ Angelo Badalamenti. 7%8
David Cronenberg/ Howard Shore. 0%0
M. Night Shyamalan/ James Newton Howard. 4%4
O blog da extinta revista de cinema Premiere, entretanto rebaptizada Deuxieme lançou um informal questionário sobre qual a relação mais frutuosa e fascinante entre um realizador e um compositor. Faltam aqui algumas outras duplas importantes, como as do Sergio Leone com Ennio Morricone ou do cineasta polaco Krzysztof Kieslowski com Zbigniew Preisner, mas o resultado é, talvez sem surpresas, elucidativo: as duplas Spielberg/Williams e Burton/Elfman lideram o ranking de preferências dos leitores. Eu votei nos dois visionários que fascinaram com a obra "Eduardo Mãos de Tesoura". Este tema já foi por mim abordado neste post.