quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Outra visão sobre Nuremberga


Interesso-me particularmente pela história da Segunda Guerra Mundial. Devoro informação sobre muitos temas relativos à guerra que devastou (pela segunda vez) a Europa: livros, filmes e documentários (ainda há poucas semanas terminei de ver o monumental documentário de 9 horas "Shoah" de Claude Lanzamann sobre o Holocausto). Gosto sobretudo de ler sobre a Alemanha nazi, a ascenção e queda de Hitler, dos seus colaboradores, das batalhas decisivas, da componente militar, económica, social e do holocausto que a Segunda Guerra suscitou.
Não esquecer que há apenas 2 anos sairam dois excelentes filmes enquadrados historicamente na Segunda Guerra Mundial: "Hannah Arendt" de Margarethe von Trota sobre o julgamento de mentor do Holocausto nazi, Adolf Eichmann, e "Lore" de Cate Shortland sobre uma adolescente em fuga da invasão nazi - ambos abordados neste blogue.

No que toca a literatura, o último livro sobre o assunto publicado em Portugal é este "Entrevistas de Nuremberga - Revelações dos Nazis a Um Psiquiatra". O seu autor (na imagem em cima), o psiquiatra americano Leon Goldensohn, foi o responsável por entrevistar (entre 1945-46), durante os julgamentos naquela cidade alemã, alguns dos mais cruéis e fanáticos militares da cúpula do temível Terceiro Reich como Goering, Ribbentrop, Donitz, Speer, Hess entre outros.
O livro foi lançado no mercado há dias pela editora Tinta da China em formato de bolso (mesmo assim são 500 páginas). O fascínio da sua leitura prende completamente a atenção do leitor (e ainda apenas li a introdução e dois capítulos): em discurso directo, os criminosos nazis explicam a sua visão das atrocidades do regime de Hitler, assim como se tenta compreender a mentalidade e a ideologia que os guiou antes e durante a terrível guerra. Estamos, pois, perante um documento histórico ímpar, frio, cerebral e puramente analítico sobre os acontecimentos da Segunda Guerra Mundial e alguns dos seus mais detacados protagonistas. Sem espinhas, portanto.

Existe um razoável filme (para televisão) de 2000 com base nos julgamentos de Nuremberga (com Alec Baldwin como protagonista) e um excelente filme realizado por Stanley Kramer em 1961. Mas porventura nenhum explorou esta faceta inédita estudada por Leon Goldensohn, uma vez que não é propriamente a análise do julgamento judicial que é o foco de estudo, mas sim o descortinar dos perfis psicológicos (e psiquiátricos) e das motivações político-ideológicas destas altas patentes militares nazis responsáveis por crimes abomináveis.
Altamente recomendável, sobretudo para os interessados no tema.

E quem sabe não poderá sair deste livro uma bela adaptação par cinema? Steven Spielberg como realizador? Martin Scorsese?...


4 comentários:

Anónimo disse...

E o psiquiatra não entrevistou o Truman nem os que lançaram um bomba atómica sobre Hiroxima e outra sobre Nagsáki?! 2 pesos duas medidas.
!!!
O extermínio de mulheres e crianças com bombas atómicas em Hiroxima e Nagasáki revela a mesma moral e a mesma ética da elite nazi.

Anónimo disse...

Não conhecia o livro, mas espero lê-lo em breve uma vez que os padrões psicologicos destes autores das atrocidades do terceiro Reich é um tema incrivelmente interessante mas de fraca exploração.
Recomenda para leitura, também, o clássico "Os Sequestrados de Altona" de Jean Paule Satre, caso ainda não tenha lido. Fica também a ideia de promover um espetáculo baseado nesta incrivel obra no TMG.

Victor Afonso disse...

O livro de Sartre conheço só de nome. Obrigado pela sugestão.

Anónimo disse...

Para o anónimo: A verdade é que por muito que nos custe, basta olhar para o que se passou em okinawa para perceber que se a guerra continuasse pelo japão adentro ia haver muitas mais baixas civis japonesas do que as provocadas pelas 2 bombas.. infelizmente parece-me que o Truman acabou por decidir por um mal menor.. que não deixa de ser enorme... obviamente.