terça-feira, 25 de dezembro de 2012

A memória das cassetes

Tenho mais de mil cassetes (K7) gravadas arrumadas numa estante da garagem. Cada vez que passo por essa estante, não resisto a olhar de soslaio para as cassetes. E nesses momentos fico sempre com um certo sentimento nostálgico a pairar sobre mim. 
Hoje, se quiser um qualquer álbum da minha colecção de cassetes, basta pesquisar na internet e - à distância de um clique - adquiro esse mesmo álbum. Porém, nos anos da minha juventude, conseguir gravar um disco da minha preferência era quase um feito (sobretudo de música dita alternativa). Durante anos troquei gravações com amantes de música de todo o país (e até do estrangeiro) e com amigos que partilhavam os mesmos gostos estéticos que eu (também comprava discos em vinil, mas o dinheiro não dava para tudo e gravar cassetes era bem mais barato).
Depois da gravação de uma determinada cassete, arranjava uma capa a preceito, escrevia os títulos dos álbuns e artistas num pequeno papelinho que introduzia na cassete e colocava os nomes dos músicos/bandas na lombada da mesma (ver imagem). E para que não me esquecesse de nenhuma cassete, organizava toda a informação (por ordem alfabética) num catálogo em dossier próprio. Era uma tarefa que exigia tempo e empenho, mas executava-a com total entrega, carinho e prazer. 
Muitas das cassetes ouvia-as até à exaustão, que é o mesmo que dizer até que a fita magnética estrangulasse e se partisse no leitor. 
Depois... Bem, depois do surgimento do CD, comecei a deixar para trás o formato analógico para iniciar uma nova colecção no formato digital. E as cassetes foram arquivadas na garagem, numa espécie de memorial de emoções que marcaram profundamente a minha vida.
 

4 comentários:

Marcelo C,M disse...

Hoje a internet facilitou até demais na procura de filmes e musicas que queremos. Bons tempos que a gente ia atras do que a gente gostava na raça.

Jihad disse...

Tal e qual!!! Acho que a busca pela música era em si espectacular! A felicidade de encontrar discos que se queriam muito era imensa...Alguém gravava da rádio? Como adepto da metalada, tinha 10x mais dificuldade em encontrar o que queria, pelo que os programas de metal (obrigado António Sérgio!) eram fonte escassa para compor mixtapes!

Victor Jorge disse...

Eis que aparece mais um "casseteiro" - com muito orgulho (desde 1975, data em que comprei a primeira Aparelhagem, uma PIONEER, custou-me uma pipa de massa nesse tempo - 40 contos (200 Euros). Tenho 800, numeradas, datadas e com indicação dos álbums e canções. Gravei muitas da antiga (e boa) RÁDIO COMERCIAL (Programa Dois Pontos - 11.00-13.00 h aos Sábados) e o que posso prometer é que serão sempre bem estimadas. Eu vinha de férias do estrangeiro carregado com caixas das melhores cassetes (MAXELL).

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Um belo testemunho, Jorge.