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quinta-feira, 1 de agosto de 2013

O Top 10 de Roger Corman

O site The Criterion Collection, editora de DVD e Blu-Ray especializada em edições de cinema de autor e clássico, tem uma rubrica muito interessante. Chama-se, simplesmente, Top 10, e convida um realizador ou outra figura do cinema a revelar as suas dez preferências nos títulos do (rico e diversificado) catálogo da Criterion.
O último realizador a responder a este desafio foi o veterano Roger Corman, autor de culto na área do cinema independente e de terror. É deveras surpreendente comprovar as suas escolhas, uma vez que se trata de um Top 10 de primeiríssima qualidade no que concerne ao gosto cinéfilo mais apurado. Nada de filmes de terror (que o possam ter influenciado) ou outros títulos mais ligados ao cinema alternativo e de Série B. 
Roger Corman seleccionou filmes da elite cinéfila: Buñuel, Eisenstein, Kazan, Vittorio De Sica, entre outros. Para além da mera selecção dos títulos, Corman apresenta ainda um pequeno texto explicativo que justificam as escolhas. 
Vale muito a pena confirmar aqui.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Sabemos que no mundo do cinema muitos projectos mudam de mãos. Nesta perspectiva, eis alguns filmes clássicos que quase foram parar a outros realizadores:

- "Breakfast at Tiffany's" de Blake Edwards, quase realizado por John Frankenheimer
- "Harry Potter e a Pedra Filosofal" de Chris Columbus, quase realizado por Steven Spielberg.
- "O Padrinho" de Francis Coppola, quase realizado por Sergio Leone.
- "Tubarão" de Steven Spielberg, quase realizado por Dick Richards.
- "Dune" de David Lynch, quase realizado por Alejandro Jodorowsky.
- "O Exorcista" de William Friedkin, quase realizado por Peter Bogdanovich.
- "Alien" de Ridley Scott, quase realizado por Roger Corman.
- "A Face Oculta" de Marlon Brando, quase realizado por Stanley Kubrick.
- "Jurassic Park" de Steven Spielberg, quase realizado por Tim Burton.
- "Total Recall" de Paul Verhoeven, quase realizado por David Cronenberg.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Há Oliveira e há os outros

A idade é um posto, diz-se na gíria popular. E é verdade.
No universo do cinema, apesar do português Manoel de Oliveira liderar a lista mundial dos realizadores mais velhos no activo com os seus (quase) impensáveis 103 anos de idade, outros há que também deitaram para trás das costas a palavra "reforma" e continuam a fazer filmes com a experiência acumulada de muitas décadas de trabalho: Clint Eastwood (81 anos), Alain Resnais (89), Jean-Luc Godard (81), Roger Corman (85), Chris Marker (91), Jacques Rivette (83), Agnès Varda (83), Claude Chabrol (80), Jonas Mekas (88), Frederick Wiseman (81), Jean-Marie Straub (78), Carlos Saura (80), Roman Polanski (78), William Friedkin (76), entre outros.
Cineastas que são verdadeiros modelos a seguir - na vida como na arte - para os jovens aspirantes a realizadores.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Um grande filme de 1928



Henri Langlois, famoso director da Cinemateca Francesa, afirmou em 1953 que este filme tinha uma "riqueza técnica extraordinária". E cineastas da grandeza de um Jean Vigo e de um Carl Dreyer manifestaram a sua profunda admiração pela atmosfera poética desta obra do realizador francês Jean Epstein (1897 - 1953).
A obra em causa é uma célebre adaptação de um conto de terror gótico do escritor Edgar Allan Poe: "A Queda da Casa de Usher". Uma história de uma sinistra casa isolada no meio de lagos na qual vivem um lorde (Roderick Usher) obcecado pela sua mulher. O filme foi realizado no período de ouro do cinema mudo (1928) e, apesar da inequívoca originalidade e qualidade da obra, foi mal compreendido na época.


Filme de grande beleza plástica, de efeitos e metáforas visuais de grande impacto (câmara lenta, fotografia de sombras, cenas oníricas...) , "A Queda da Casa de Usher" (que Roger Corman recriaria em 1960 com Vincent Price como protagonista) é ainda considerado um marco do cinema de vanguarda dos anos 20. Jean Epstein, amante de filosofia, de poesia, oriundo de famílias aristocráticas e de grande cultura, foi também claramente influenciado pelo surrealismo e pelas teorias estéticas do russo Dziga Vertov. Esta obra permanece como uma das melhores adaptações cinematográficas do universo de Edgar Allan Poe, seja pela criatividade expressa no estilo abstracto da narração, seja pela prodigiosa utilização da imagem, da iluminação, dos enquadramentos ou dos jogos de montagem, que conferem ao filme uma atmosfera poética admirável, carregada de surrealismo e onirismo psicológico. De referir que o realizador espanhol Luis Buñuel foi assistente de realização neste filme, experiência que o terá levado a fazer a curta-metragem "Un Chien Andalou" (1928).

Um dos mais formidáveis filmes mudos da história do cinema, "A Queda da Casa de Usher" é um belo manifesto da arte poética e visualmente expressiva que é o cinema, numa obra plena de segundos sentidos, de um formalismo fascinante e de uma atmosfera perturbadora. Para comprovar esta teoria, basta apreciar estes escassos minutos de um excerto do filme (com música original de Stephan Micus):

sábado, 17 de abril de 2010

Olhos & olhares

"Psycho" (1960) - Alfred Hitchcock
"Whirlpool" (1949) - Otto Preminger
"The Fury" (1978) - Brian De Palma
"Repulsion" (1965) - Roman Polanski
"Reflections in a Golden Eye" (1967) - John Huston
"Not of This Earth" (1957) - Roger Corman

"Love is Colder Than Death" (1969) - R. W. Fassbinder

"Father of The Bride" (1950) - Vincente Minnelli
"The Elephant Man" (1980) - David Lynch
"Badlands" (1973) - Terrence Malick

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Os preferidos de Tarantino


É sabido que o realizador Quentin Tarantino desenvolveu o seu gosto cinéfilo quando trabalhava num videoclube de filmes alternativos. Nesses anos, viu todo o tipo de filmes de culto, desde a filmografia integral de George Romero, Sam Peckinpah e Roger Corman, até obscuros filmes de artes marciais de série B. Tarantino costuma dizer que foi graças a esses anos de intensa aprendizagem a ver filmes que se dedicou à realização. E a sua careira é o que se sabe...
Agora o cineasta de "Sacanas Sem Lei" revelou ao site "Skymovies" os seus 20 filmes preferidos dos últimos 17 anos - sensivelmente desde que começou a realizar filmes com o fulminante "Reservoir Dogs". A lista é bastante diversificada e, nalguns casos até, surpreendente. Espanta-me, por exemplo, que Tarantino escolha em 2ºlugar da lista um filme, quanto mim, totalmente menor de Woody Allen - "Anything Else", ou que escolha um filme de mero entretenimento inconsequente como "Team America" como um dos melhores das duas últimas décadas. E surpreende-me, igualmente (mas pela positiva), que o cineasta tenha nas suas preferências filmes tão singulares como "Dogville" de Lars Von Trier ou "O Protegido" de Shyamalan.

domingo, 29 de março de 2009

O prodigioso cinema americano dos 70


Que relação existe entre filmes como "O Padrinho", "Serpico", "Taxi Driver", "Easy Rider", "O Cowboy da Meia-Noite", "O Exorcista", "Sombras", "Carrie", "The French Connection", e "A Woman Under the Influence"? Todos são filmes americanos dos anos 70, marcando decididamente uma nova e entusiasmante era do cinema americano. Depois da época de ouro de Hollywood das décadas de 40 e 50, o cinema norte-americano só voltaria a regenerar-se e a afirmar-se esteticamente com o fulgurante movimento pós-60 (decorrente dos ideais do movimento hippie, da contracultura, da oposição à guerra do Vietnam, da emergência da defesa dos direitos civis, etc). Alguns desses realizadores que iniciaram essa revolução são agora nomes confirmadíssimos do cinema mundial: Francis Ford Coppola, Roger Corman, Robert Altman, Martin Scorsese, Brian de Palma, Dennis Hopper, William Friedkin, Sydney Pollack, John Cassavetes, Peter Bogdanovitch, entre outros. 
Esta nova geração americana de cineastas viria a revolucionar o cinema dos EUA, com óbvias influências da vanguarda do cinema europeu (Bergman, Godard, Antonioni, Herzog, Fellini...). Era já um cinema com novas preocupações sociais, artísticas e políticas. Em 2003, dois cineastas, Richard LaGravenese e Ted Demme (sobrinho de Jonathan Demme), realizaram um documentário sobre a excitante década de 70 do cinema americano, com depoimentos exclusivos de realizadores, produtores e actores que protagonizaram os grandes filmes que marcaram, mundialmente, os anos 70. Agora a Midas Filmes, sempre atenta ao melhor da produção do documentário, acaba de editar o filme "O Cinema Americano dos anos 70 - Uma Década em Revolução". Vale muito a pena descobrir.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Francis Ford Coppola, 1963


A década de 1960 foi extremamente pródiga no que diz respeito à produção do cinema de terror, período esse marcado por dezenas de filmes de baixo orçamento, mas com qualidades que marcaram para sempre a história do género. Um dos maiores nomes dos anos 60 associado ao cinema de terror de série B foi Roger Corman. Este realizador apoiou, por seu turno, vários outros cineastas a revelarem o seu talento. Foi o caso de Francis Ford Coppola, que em 1963 realizou o seu primeiro filme – “Dementia 13” – com o apoio e colaboração de Corman. “Dementia 13” é um filme de terror clássico de baixo orçamento, filmado a preto e branco na Irlanda, cenários com castelos góticos e mortes violentas (para a época).
No início dos anos 60, o realizador de “O Padrinho” assinava somente como Francis Coppola, sem o nome intermediário “Ford”, que passou a usar somente mais tarde, a partir de seus filmes seguintes. As semelhanças entre “Dementia 13” e o clássico de terror “Psycho” (1960), realizado três anos antes pelo mestre Alfred Hitchcock, são óbvias, mas o primeiro filme de Coppola, mesmo não sendo uma obra-prima do cinema, tornou-se num filme de culto do género e numa obra única dentro da filmografia de Coppola.
O filme pode ser visto integralmente aqui.