A apresentar mensagens correspondentes à consulta godfrey reggio ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens
A apresentar mensagens correspondentes à consulta godfrey reggio ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 19 de maio de 2009

Música e cinema: possibilidades estéticas


(clicar para melhor visualização)
Nesta quinta-feira, dia 21, irei à Universidade da beira Interior, convidado pelo Departamento de Comunicação e Artes, no âmbito da primeira Jornada dedicadà à Música e ao Cinema. O tema será a abordar: "Possibilidades Estéticas da Relação entre Música e Cinema", tendo como ponto de partida a Trilogia Qatsi, de Godfrey Reggio.
A Trilogia Qatsi representa uma revolução na estética audiovisual contemporânea. Herdeiro da linguagem visual das primeiras experiências do documentário sem palavras de Dziga Vertov, Hilary Harris ou Walter Ruttmann, o realizador Godfrey Reggio preconiza uma nova forma de olhar as imagens e ouvir os sons, propondo uma nova relação expressiva entre ambos meios de comunicação e criando uma verdadeira obra de arte audiovisual. Com a música de Philip Glass, Godfrey Reggio mostra-nos um mundo saturado de imagens pré-fabricadas, fruto da sociedade hiper-acelerada e materialista, uma sociedade onde a Natureza foi suplantada pelo advento maciço do modelo de vida moderno tecnológico e digital.
Ao mesmo tempo uma meditação hipnótica em imagens e sons e uma crítica feroz ao estilo de vida alienado do homem moderno, esta primeira obra da trilogia produz no espectador um impacto que tem tanto de emocionante como de atordoador. A música minimal do genial Philip Glass, composta milimetricamente para cada sequência visual, acrescenta uma mais valia estética que enriquece de forma admirável o primeiro filme da trilogia. Esta obra, dado o seu enorme valor artístico, faz parte da colecção permanente do The Museum of Modern Art (Nova Iorque) e do The British Film Institute (Londres).
A apresentação vai procurar estabelecer as relações entre as imagens e a música do filme "Koyaanisqatsi", assim como as principais características e virtudes do cinema inovador de Godfrey Reggio e de como ele configura uma nova era da comunicação audiovisual que influenciou o cinema, a publicidade, a produção televisiva e a cultura do videoclip. Não serão descuradas as influências que o próprio Reggio assimilou oriundas de várias correntes do cinema experimental.
A jornada contará ainda com os temas “Taxi Driver: Motivos e Estilos Musicais”, por Paulo Dias, e “Significação Musical e Definição de “Espaços Cinematográficos”: Trilogia da Morte de Gus Van Sant”, por Helder Gonçalves.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Philip Glass e a música para cinema


Philip Glass já era um compositor reconhecido no final dos anos 70. Nessa altura era o porta-estandarte da estética minimal repetitiva, com Steve Reich e Terry Riley. Foi nessa altura que foi convidado para fazer a primeira banda sonora original para cinema.
Apesar de alguma relutância, aceitou o desafio de musicar a fantástica viagem através de incríveis imagens que é o documentário (faz parte de uma trilogia) "Koyaanisqatsi" (1982) de Godfrey Reggio. A partir desta bem sucedida experiência, Glass nunca mais parou de fazer música para cinema.
No site oficial do compositor, estão recenseados 36 filmes para os quais compôs a música original. Apesar de não conhecer todos esses filmes (há uns 10 que ainda não vi), arrisco a elaborar as dez bandas sonoras de que gosto mais (não necessariamente as melhores):

1 - "Koyaanisqatsi" - Real. Godfrey Reggio
2 - "Kundun" - Real. Martin Scorsese
3 - "Powaqqatsi" - Real. Godfrey Reggio
4 - "Dracula" - Real. Tod Browning
5 - "The Fog of War" - Real. Errol Morris
6 - "The Hours" - Real. Stephen Daldry
7 - "The Secret Window" - Real. David Koepp
8 - "The Illusionist" - Real. Neail Burger
9 - "Naqoyqatsi" - Real. Godfrey Reggio
10 - "North Star" - Real. François de Menil
Post sobre Philip Glass.

sexta-feira, 1 de março de 2013

O novo filme de Godfrey Reggio

Boa notícia: o realizador Godfrey Reggio, autor da fenomenal e ímpar Trilogia Qatsi (documentários não narrativos), encontra-se em fase de pós-produção do seu novo filme intitulado "The Holy See". Uma vez mais, conta com a colaboração do compositor Philip Glass para a música original.
"The Holy See" reflecte sobre a forma como os homens percepcionam a realidade que os rodeia num mundo ultra-saturado de referências visuais em todas as áreas da actividade humana. Mais uma vez se trata de um documentário sem palavras e com um cuidado único ao nível plástico e visual.
O trailer deste novo trabalho de Reggio é magnífico e belo na sua intrínseca concepção minimalista e estética, sempre bem relacionado com a música de Glass (aconselho ver o trailer até ao fim).
"The Holy See" deve ter estreia durante este ano.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

"Manhattan" vs "Koyaanisqatsi"

Que belo e tão simples exercício: alguém se lembrou de pegar no filme "Manhattan" de Woody Allen  e na sua famosa  sequência inicial e transformá-la numa filme assinado por... Godfrey Reggio. Este realizador é o autor da extraordinária Trilogia Qatsi, já por diversas vezes abordada neste blogue. O primeiro filme desta trilogia, "Koyaanisqatsi" (1982), foi um marco inovador no documentário não-narrativo, pela forma como foi filmado, pelo poder das imagens e pela relação com a inspirada música do compositor Philip Glass. 
Voltando ao início: alguém adaptou a música que Glass compôs para o filme de Reggio e colou-a na sequência inicial do clássico de Woody Allen. Adaptou também o título do filme para se assemelhar ao título vermelho de "Koyaanisqatsi" e não mexeu na montagem original. O resultado é desconcertante e será melhor percebido quanto mais o leitor conhecer ambos os filmes (e música) citados: é como se "Manhattan" tivesse mesmo sido feito sob a visão estética de Godfrey Reggio, tal o encaixe perfeito entre as imagens e preto e branco e a música.
Pequenas experiências do YouTube que conferem um outro significado aos filmes e à música.

domingo, 8 de abril de 2012

Manhattan como nunca se viu

A influência é claramente da obra-prima "Koyaanisqatsi" (1982) de Godfrey Reggio, documentário que inovou com as técnicas de filmagem "time lapse" (imagens super-aceleradas em relação à realidade).
Josh Owens, conhecido pelo cognome artístico Mindrelic, passou um mês inteiro em Manhattan a filmar os planos e ângulos mais inusitados da cidade. Desse mês de filmagens resultaram 4 minutos de puro deleite visual: parece que Manhattan é suspensa no tempo e que explode em milhares de cores, movimentos e formas. Alguns movimentos de câmara e planos são verdadeiramente arrepiantes e surpreendentes, como o plano em que se vê Times Square numa perspectiva vertical (de cima para baixo). Josh Owens foi, deveras, mais além do que Godfrey Reggio (talvez também por causa da evolução técnica das máquinas de filmar digitais).
É mesmo como refere o título: "Manhattan in Motion".
Fascinante.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Trilogia natura #2


Godfrey Reggio é o realizador da célebre e aclamada Trilogia QATSI. Se esta trilogia era centralizada na relação do homem com a sociedade moderna, as culturas primitivas e a tecnologia, “Anima Mundi” coloca o ênfase no reino animal. Trata-se de uma abordagem à natureza raramente vista e suas distintas espécies animais, num olhar cinematográfico inteligente e acutilante. A música do compositor norte-americano Philip Glass, contribui decisivamente para incrementar emotividade às imagens captadas por Godfrey Reggio, numa experiência audiovisual de grande impacto no espectador. O DVD encontra-se à venda na Amazon.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

A violência como forma de vida

"Naqoyqatsi" encerra a brilhante trilogia "Qatsi" da dupla Godfrey Reggio (realizador) e Philip Glass (música). O documentário, baseado em imagens de arquivo, é uma verdadeira reflexão filosófica sobre o estado do mundo actual e da relação do homem com a tecnologia (referido já aqui). Neste último capítulo da trilogia, Godfrey Reggio aborda a violência global como tema do seu trabalho com as imagens, enquanto o compositor Philip Glass e o prestigiado violoncelista Yo-Yo Ma compõem uma música que pontua, em notável crescendo, a montagem endiabrada das imagens.
Estes 9 minutos são os mais intensos e inebriantes de todo o filme (visual e musicalmente falando), culminando em imagens pungentes de sofrimento humano. Na net, alguém escreveu, a propósito desta sequência de "Naqoyqatsi": "nunca pensei que um "art film" me fizesse chorar". Não duvido.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Trilogia Qatsi em Blu-Ray

Eis uma boa notícia para coleccionadores de edições especiais: com a extrema qualidade da editora Criterion Collection, acaba de ser colocada à venda a fantástica "Trilogia Qatsi" em Blu-Ray. Esta  trilogia de filmes representa uma revolução na linguagem audiovisual contemporânea. 

Com a herança da linguagem visual das primeiras experiências do documentário sem palavras de Dziga Vertov, Hilary Harris ou Walter Ruttmann, o realizador Godfrey Reggio preconizou uma nova forma de olhar as imagens e ouvir os sons, propondo uma nova relação expressiva entre ambos meios de comunicação e criando uma verdadeira obra de arte audiovisual. 

Com a música sublime de Philip Glass, Godfrey Reggio mostra-nos um mundo saturado de imagens pré-fabricadas, fruto da sociedade hiper-acelerada e materialista, uma sociedade onde a Natureza foi suplantada pelo advento maciço do modelo de vida moderno tecnológico e digital. Ao mesmo tempo uma meditação hipnótica em imagens e música e uma crítica feroz ao estilo de vida alienado do homem moderno, esta trilogia produz no espectador um impacto que tem tanto de emocionante como de atordoador. "Koyaanisqatsi" (1983), "Powaqqatsi" (1988) e "Naqoyqatsi" (2002), cada um à sua maneira, cada um com um notável ângulo de visão sobre o homem e a natureza, são filmes de uma beleza estonteante, uma viagem espiritual e fascinante que será, certamente, potenciada com a qualidade digital (som e image) proporcionada pelo Blu-Ray. eu já tinha adquirido há uns anos esta trilogia em DVD, numa cara edição estrangeira. Agora sinto-me compelido a comprar esta irrepreensível edição da Criterion...
É que a edição da Criterion, que pode ser vista aqui, não se resume aos três filmes. Contém um magnífico lote de extras que fará as delícias do cinéfilo mais exigente: documentários, making of, entrevistas aos criadores, ensaios de análise, fotografias, etc.
Esta obra, dado o seu enorme valor artístico, faz parte da colecção permanente do The Museum of Modern Art (Nova Iorque) e do The British Film Institute (Londres).

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Glass - música para cinema


No site do compositor Philip Glass estão recenseados 36 filmes para os quais compôs a música original. Apesar de não conhecer todos esses filmes (há uns 10 que ainda não vi), arrisco a elaborar as cinco bandas sonoras de que gosto mais (não necessariamente as melhores):

1 - "Koyaanisqatsi" - Real. Godfrey Reggio
2 - "Kundun" - Real. Martin Scorsese
3 - "The Fog of War" - Real. Errol Morris
4 - "Powaqqatsi" - Real. Godfrey Reggio
5 - "Dracula" - Real. Tod Browning

Seleccionar os melhores álbuns do compositor americano é um exercício muitíssimo mais árduo.

domingo, 13 de abril de 2008

A evidência

Pode ler-se aqui mais ao pormenor de que trata a curta-metragem "Evidence". O filme é do premiado realizador Godfrey Reggio, autor da trilogia "Qatsi", já dissecada neste blogue. Basicamente, "Evidence" aborda a reacção expressiva das crianças quando estão a ver televisão (e o subsequente poder que exerce sobre elas), neste caso, o filme "Dumbo". A música, como habitualmente nos filmes de Reggio, é de Philip Glass:

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

A Era tecnológica em ebulição


Em 2002, o realizador Godfrey Reggio e o músico Philip Glass (em colaboração com o reputado violoncelista Yo-Yo Ma), fecharam a trilogia “QATSI” com chave de ouro: “Naqoyqatsi – A Guerra Como Forma de Vida”. Não é tão impactante como o primeido filme da série -"Koyaanisqatsi", mas é um documento audiovisual que deixa o espectador estarrecido. O filme, sem narração nem história convencional, recai sobre a temática da turbulência social e cultural existente na sociedade globalizada e tecnológica do Século XXI.

A consolidação da era do computador e da electrónica impuseram-se como paradigmas culturais e sociais (quase) inabaláveis, influenciando o nosso modo de vida em todos os aspectos: media, artes, política, desporto, entretenimento, comunicação, medicina, cultura, publicidade, etc. A violência tecnológica, é, segundo o ponto de vista político do realizador, o mal civilizacional do nosso tempo, configurando uma crítica social pós-moderna.

Reggio mostra-nos um mundo saturado de imagens pré-fabricadas, fruto da sociedade hiper-acelerada e materialista, uma sociedade onde a Natureza foi suplantada pelo advento maciço da tecnologia digital. Estilisticamente, a proposta visual de "Naqoyqatsi" contrasta com os dois filmes anteriores, uma vez que proliferam as imagens digitais manipuladas e os efeitos rebuscados de imagem, em detrimento de imagens reais (numa montagem trepidante que confere a esta obra uma dimensão caleidoscópica verdadeiramente onírica, que estimula os nossos sentidos e a nossa percepção do mundo actual).
Mais info: http://www.naqoy.com/

domingo, 2 de outubro de 2011

As crianças e a televisão

Pode ler-se aqui mais em pormenor de que trata a curta-metragem "Evidence". O filme é do premiado realizador Godfrey Reggio, autor da fabulosa trilogia "Qatsi", já dissecada neste blogue.
Basicamente, "Evidence" aborda a reacção expressiva das crianças quando estão a ver televisão (e o subsequente fascínio que exerce sobre elas), neste caso, o filme "Dumbo". A música, como habitualmente nos filmes de Reggio, é de Philip Glass:

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Trilogias

Há mais trilogias no cinema do que se pensa. Trilogias unidas por uma temática, uma estética, uma ideia narrativa. Eis algumas das mais célebres trilogias da história do cinema:

Trilogia das Cores de Krzysztof Kieslowski: Bleu | Blanc | Rouge 

Trilogia da Era Glacial de Michael Haneke: O Sétimo Continente | O Vídeo de Benny | 71 Fragmentos... 

Trilogia Alemã de Hans-Jürgen Syberberg: Ludwig | Karl May | Hitler 

Trilogia do Silêncio de Ingmar Bergman: Através de um Espelho | Luz de Inverno | O Silêncio 

Trilogia da Incomunicabilidade de Michelangelo Antonioni: A Aventura | A Noite | O Eclipse 

Trilogia da Alemanha Ocidental de Rainer Werner Fassbinder: Maria Braun | Lola | Veronika Voss

Trilogia Gangster de Rainer Werner Fassbinder: O Amor É Mais Frio Que A Morte | O Soldado Americano | Os Deuses da Peste 

Trilogia dos Apartamentos de Roman Polanski: Repulsa | O Bebé de Rosemary | O Inquilino

Trilogia de Hollywood de David Lynch: Estrada Perdida | Mulholland Drive | Inland Empire 

Trilogia da Vida de Pier Paolo Pasolini: Decameron | Os Contos de Canterbury | As Mil e Uma Noites

Trilogia das Fronteiras de Theodoros Angelopoulos: O Passo Suspenso da Cegonha | Um Olhar a Cada Dia | A Eternidade e Um Dia

Trilogia da Vida de Apu de Satyajit Ray: A Canção da Estrada | O Invencível | O Mundo de Apu 

Trilogia do Amor de Andrzej Zulawski: O Importante é Amar | A Mulher Pública | A Revolta do Amor 

Trilogia da Desvirtude de Luis Buñuel: Viridiana | O Anjo Exterminador | Simão do Deserto 

Trilogia Flamenca de Carlos Saura: Bodas de Sangue | Carmen | Amor Bruxo 

Trilogia da Injustiça Social de Pedro Costa: Ossos | No Quarto da Vanda | Juventude em Marcha 

Trilogia da Arte de Alain Resnais: Van Gogh | Gauguin | Guernica 

Trilogia da Memória de Alain Resnais: Hiroshima, Meu Amor | Ano Passado em Marienbad | Muriel ou o Tempo de um Retorno 

Trilogia Dr. Mabuse de Fritz Lang: Dr. Mabuse | O Testamento do Dr. Mabuse | Os Mil Olhos do Dr. Mabuse  

Trilogia da Guerra de Roberto Rossellini: Roma, Cidade Aberta | Paisà | Alemanha, Ano Zero 

Trilogia Qatsi de Godfrey Reggio: Koyaanisqatsi | Powaqqatsi | Naqoyqatsi  

Trilogia do Casamento de John Cassavetes: Faces | Assim Falou o Amor | Uma Mulher Sob Influência 

Trilogia da Depressão de Lars von Trier: Anticristo | Melancolia | Ninfomaníaca: Volume 1 & 2

Trilogia da Morte de Alejandro González Iñárritu: Amores Perros | 21 Gramas | Babel 

Trilogia O Padrinho de Francis Ford Coppola: Parte I | Parte II | Parte III 

Trilogia da Vingança de Chan-wook Park: Mr. Vingança | Oldboy | Lady Vingança 

Trilogia O Senhor dos Anéis de Peter Jackson: A Sociedade do Anel | As Duas Torres | O Retorno do Rei  

Trilogia dos Dólares de Sergio Leone: Por um Punhado de Dólares | Por uns Dólares a Mais | Três Homens em Conflito 

Trilogia Regresso ao Futuro de Robert Zemeckis: Parte I | Parte II | Parte III

domingo, 20 de maio de 2012

As imagens e sons da Serra Pelada


Do trabalho árduo dos mineiros da Serra Pelada (minas de ouro do Brasil) extrai-se beleza visual ao ritmo da música tribal e de um coro de crianças sul-americanas. A vida em transformação, em consonância com o chamamento original da terra, o sacrifício humano em prol do desenvolvimento civilizacional. O suor destes homens é vertido em ganância alheia. O trabalhador morto que é carregado aos ombros pelos colegas (no final do vídeo) transforma-se numa espécie de "Pietá" dos tempos modernos.
As imagens são captadas por um dos maiores documentaristas de sempre, Godfrey Reggio, musicadas por um dos maiores compositores contemporâneos, Philip Glass.
"Powaqqatsi" é o segundo capítulo de uma trilogia magistral e única na história das imagens e dos sons - "Trilogia Qatsi".
Esta sequência inicial pode ser vista aqui.

domingo, 17 de agosto de 2008

A RTP tem bom gosto


Há três dias escrevi num post mais abaixo uma pequena abordagem ao documentário "Naqoyqatsi" e eis que ontem foi transmitido na RTP uma reportagem sobre a arquitectura de Pequim e o inerente crescimento económico. O que é que tem a ver uma coisa com a outra? Muita coisa. Desde logo, porque a música dessa reportagem televisiva é exactamente a mesma do filme de Godfrey Reggio e Philip Glass. Depois, a própria realização e montagem foi claramente inspirada na estética visual do documentário. Já para não falar nas semelhanças em termos de conteúdo e mensagem: quer a peça jornalística quer o filme, abordam as questões de fundo da vivência do homem em contexto urbano, subjugado à megalómana arquitectura das cidades e dos seus absorventes ritmos de vida (que por sua vez são ditados pela imparável vida económica). Depreende-se, pois, que o jornalista da RTP conhece a linguagem audiovisual contemporânea e, em particular, da trilogia Qatsi.
Mais do que acusar o jornalista de plágio (seria ridículo), parece-me mais interessante e justo felicitá-lo pelo trabalho de criação de uma peça jornalística que vai buscar referências audiovisuais de qualidade, ponto por ponto, ao filme "Naqoyqatsi". E é mais uma prova de como este filme (e os outros dois da trilogia) influenciaram grande parte da produção audiovisual dos últimos 20 anos: documentários sobre natureza, publicidade, videoclips musicais, televisão, etc. Afinal, ainda há surpresas no meio jornalístico televisivo.
A reportagem da RTP pode ser vista aqui - "Arquitectura em Pequim".

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Christopher Nolan - cinéfilo improvável

E já que publiquei (ver post abaixo) a lista dos 10 filmes preferios de Roger Corman, eis mais uma série de listas bem interessantes divulgadas pelo site Flavorwire. Trata-se de uma lista de 10 realizadores - de Woody Allen a Quentin Tarantino, de Francis Ford Coppola a Stanley Kubrick.
Claro que há listas mais interessantes do que outras. A de Kubrick, Scorsese ou do Woody Allen são reveladoras da sua imensa cinefilia. Mas a lista que mais me surpreendeu foi a de Christopher Nolan ("Batman" e "Inception") que demonstra ter um gosto cinéfilo deveras aguçado.
A saber: Nolan cita como filmes preferidos "Twelve Angry Men" de Sidney Lumet, "Greed" de Eric von Stroheim, "The Testament of Dr. Mabuse" de Fritz Lang, o (raramente) citado "Mr. Arkadin" (também conhecido como "Confidential Report") de Orson Welles ou "Koyaanisqatsi" de Godfrey Reggio. Sem dúvida que Nolan conhece bom cinema clássico, algo que nem sempre transparece nos seus filmes "mainstream".
Ver aqui a lista completa.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

A vida em transformação

O trabalho árduo dos mineiros da Serra Pelada (minas de ouro do Brasil) revela-se poesia visual ao ritmo da música tribal e do coro de crianças sul-americanas. A vida em transformação, em consonância com o chamamento original da terra, o sacrifício humano em prol do desenvolvimento civilizacional. O suor destes homens é vertido em ganância. O trabalhador morto que é carregado aos ombros pelos colegas transforma-se numa espécie de "Pietá" dos tempos modernos.
As imagens são captadas por um dos maiores documentaristas de sempre, Godfrey Reggio, musicadas por um dos maiores compositores de sempre, Philip Glass. "Powaqqatsi" é o segundo capítulo de uma trilogia única na história das imagens e dos sons - "Trilogia Qatsi".
E estes cinco primeiros minutos de filme são arrebatadores. Digo eu.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Cinema - Desejos para 2012


Seria bom se 2012 nos trouxesse novos filmes de James Gray, Guy Maddin, Paul Thomas Anderson, Hal Hartley, Todd Solondz, Richard Linklater, Michael Haneke, Larry Clark, Carlos Reygadas, Spike Jonze, Alejandro Jodorowsky, François Ozon, Spike Lee, Wong Kar Wai, Todd Haynes, Richard Kelly, Terry Gilliam (na imagem), Abel Ferrara, Bryan Singer, Jim Jarmusch, Werner Herzog, Godfrey Reggio, Julian Schnabel, Wes Anderson, Chris Marker, Peter Greenaway, Andrei Zvyagintsev, Jean-Claude Brisseau, Kim Ki-Duk, André Téchiné, Bruno Dumont, Christian Mungiu, Emir Kusturica ou Frank Darabont.

domingo, 26 de junho de 2011

A trip

Ron Fricke, ex-director de fotografia de Godfrey Reggio (responsável pela fantástica trilogia Qatsi), realizou o filme "Chronos" em 1985. Trata-se de uma possante meditação sobre o lugar do homem no mundo. O filme, em forma de documentário unicamente visual, percorre várias regiões do planeta para captar imagens da natureza em confronto com a actividade humana.
O excerto de vídeo de "Chronos" em baixo é, quiçá, o momento mais perfeito de todo o filme. Para captar toda a poderosa informação audiovisual, é imprescindível ligar as colunas de som e colocar o volume bem alto, para sentir a música que acompanha os 3'40'' de imagens frenéticas e assombrosas (até ao clímax final). Um claro exemplo de como a música e as imagens podem aliar-se de forma perfeita na experiência cinematográfica.
Há um comentário no YouTube referente a este vídeo que se adequa na perfeição: "What a trip!". E é disso mesmo que se trata.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

O fabuloso e desconhecido Pelechian


Há dois anos, o Lisbon Estoril Film Festival tinha no seu programa uma secção denominada "Cineastas Raros". Um dos cineastas raros que o festival promoveu foi o fascinante Artavazd Pelechian (1938), realizador arménio praticamente desconhecido (mesmo do público cinéfilo).
Tive a ocasião de conhecer o seu trabalho há uns anos devido a uma edição em DVD das obras documentais (1967 - 1993) de Pelechian (edição Costa do Castelo).

Pelechian é de facto um cineasta raro pela forma como encena e constrói os seus filmes (recorrendo a filmagens originais mas também a imagens de arquivo), pela linguagem cinematográfica que utiliza (reminiscências de Eisenstein e Vertov) e pela forma como nos revela o mundo. O seu cinema documental assenta num trabalho plástico e poético das imagens em sintonia magistral com a música e o espantoso trabalho de sonoplastia. O realizador considera indissociáveis a imagem e a música como elementos que dão ritmo e coerência estética ao seu trabalho.

Pelechian praticamente só realizou curtas-metragens (oito) e a duração total da sua filmografia não ultrapassa - imagine-se - as 3 horas. Mas não é pela curta duração do seu trabalho que o cineasta deixa de ser um grande cineasta. Os seus filmes centram-se no homem e na sua relação íntima com a natureza. Para o realizador arménio, a natureza é o laço que une todos os seres vivos. Os filmes de Pelechian revelam-nos a consciência humana através de uma sensibilidade única. Não têm diálogos nem narração. As imagens explicam tudo.

Não terá sido por acaso que Jean-Luc Godard referiu uma vez que Pelechian é "um dos maiores cineastas vivos" e que Sergei Paradjanov disse que o cineasta arménio "é um dos poucos génios do cinema universal". Por sua vez, o grande realizador da Trilogia Qatsi, Godfrey Reggio, referiu que conheceu a obra de Pelechian em 1988 e que foi uma "experiência espiritual".

Uma das suas obras mais aclamadas é "Seasons", na qual Pelechian aborda os costumes da sua terra e a ligação que une o homem com a natureza. Ou o fabuloso "The End" com o início do comboio, os incrível trabalho sonoro com os sons e a música.

O seu cinema está repleto de pura poesia visual e é um cineasta de génio que urge conhecer.

(No Youtube encontram-se outros filmes do realizador, inclusive um documentário sobre a sua obra).

Recensão crítica da sua filmografia.