sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Graffiti de luz

Já havia o graffiti de parede e latas de spray, agora há o "light graffiti" (ou "light paint"). Uma tendência recente que proporciona a qualquer pessoa poder criar imagens de grande beleza visual (sem recurso a Photoshop). Para tal, é só necessário uma boa câmara fotográfica digital, umas lanternas de várias cores e alguma imaginação. A câmara tem que estar fixa num tripé e o segredo para captar os movimentos de luz tem a ver com o tempo de exposição, em redor de 10 a 30 segundos. E claro, deve-se fotografar à noite para conseguir um maior impacto visual com os desenhos de luz.
E assim se conseguem estas imagens surpreendentes:



quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Musicofilia



Estou a ler e a adorar. O cérebro e a música, a música e o cérebro. Uma relação extraordinária, complexa, e ainda não totalmente conhecida, que o famoso neurologista inglês desvenda. Neste livro, Oliver Sacks aborda múltiplos casos clínicos acerca da influência que a música exerce nas funções cerebrais. Nesta obra, podemos também ficar a conhecer casos raros, como pacientes com doenças degenerativas cujos sintomas recuam através do seu contacto com a música, homens adultos que apanhados por um relâmpago desenvolvem um gosto obsessivo por música para piano, chegando a conseguir atingir um significativo domínio do instrumento, maestros que são atacados por estranhas formas de amnésia que os fazem tudo esquecer, menos a sua capacidade para dirigir e cantar, etc.
"Musicofilia" tem a tradução, nalguns países (como o Brasil), de "Alucinações Musicais". Não esqueçamos que Oliver Sacks é o autor de dois livros célebres sobre psiquiatria: "O Homem que Confundiu a sua Mulher Com um Chapéu" e "Despertares", este último, adaptado ao cinema por Penny Marshall em 1990 (com Robert de Niro). Um excelente livro para conhecer melhor as diferentes dimensões da audição musical e do efeito que a música tem na psicologia humana. Mais informação brevemente.

Discos que mudam uma vida - 48


Bauhaus - "In The Flat Field" (1980)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

The Joy of Sex Education

Agora que se fala tanto em educação sexual nas escolas, este DVD é uma preciosidade histórica, mas que, provavelmente, não se adequa aos tempos modernos. "The Joy of Sex Education" contém uma colecção de curtas-metragens sobre educação sexual dos tempos dos nossos avós (ou mais): compreende o período entre 1917 e 1973. Ainda não vi nenhum destes filmes, mas pelo que se conta aqui, parece que são verdadeiras relíquias sobre como encarar as relações sexuais, as doenças sexualmente transmissíveis, etc. Deve ser interessante conhecer que "educação sexual" é este concebida em décadas de moral altamente conservadora e repleta de tabus (e não, não tem a chancela do Vaticano).

Show dos TV On The Radio (on TV)

Uma das mais estimulantes bandas pop-rock (e não só) da actualidade, responsável por um dos grandes discos de 2008 - "Dear Science" - actuou recentemente no The Colbert Report. Os TV On The Radio ao vivo com o viciante tema "Dancing Choose":
Visto no forum sons

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

A revolução na leitura de livros


Jeff Bezos, fundador e presidente da poderosa Amazon.com, com a ajuda do escritor Stephen King, apresentou há dias o novo e revolucionário (dizem os especialistas) leitor multimédia de livros, o Kindle 2. Para se perceber a importância desta apresentação, basta referir que estavam presentes mais de duzentos jornalistas de todo o mundo. O Kindle 2 tem a altura de um lápis, é mais fino que um iPhone, tem melhor resolução e pode armazenar uma biblioteca de 1.500 livros em formato electrónico (a livraria online Amazon.com disponibiliza 230 mil livros neste formato). O Kindle 2 permite ainda navegar na internet (fazer download directo dos livros), ver vídeos, fotografias e ouvir mp3. Vai estar à venda nos EUA a partir de 24 de Fevereiro a um preço de 359 dólares.
O primeiro Kindle vendeu uma soma de meio milhão de exemplares. As previsões é que este novo e moderno modelo venha suplantar o milhão de vendas e ser um autêntico fenómeno popular como aconteceu com o iPod. Todos os estudos e especialistas do mercado livreiro apontam este leitor (entre outros modelos concorrentes) como a próxima revolução no domínio da cultura digital. Vivemos mesmo tempos incertos para o formato livro tal como o conhecemos.

A Academia lembrou-se, mas pouco


A cerimónia dos Óscares vai ficar assinalada pelo facto de Jerry Lewis receber o Prémio Humanitário Jean Hersholt pela sua luta de 50 anos contra a distrofia muscular (angariando muito dinheiro para essa causa). Não discuto a justiça e nobreza deste prémio humanitário, mas julgo que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood deveria premiar, igualmente (ou em alternativa), a extraordinária carreira artística de Jerry Lewis com um Óscar honorífico e de carreira. Seria um acto de reconhecimento artístico de elementar justiça para quem, como Jerry, representou uma das figuras mais excelsas da comédia de Hollywood das décadas de 50 e 60. Fosse com o actor Dean Martin (com quem fez dupla em muitos filmes), fosse a solo como actor, produtor, argumentista e realizador, Jerry Lewis foi o mais icónico e inovador dos humoristas americanos, com notáveis obras como "The Nutty Professor" (1963), "The Bellboy" (1960) ou "The Errand Boy" (1961), Lewis assinou algumas das mais brilhantes páginas de humor do cinema americano, com o seu estilo visual único, o seu registo interpretativo expressivo e o seu sentido milimétrico do "gag".
No entanto, a criatividade de Jerry Lewis nunca foi devidamente valorizada, nem pelo público (apesar de alguns êxitos de bilheteira), nem pela crítica de cinema. Nem, sequer, foi alguma vez considerado um "autor", no sentido em que é aplicado, por exemplo, quando falamos do comediante francês Jacques Tati. A sua criatividade foi (quase) sempre empregue ao serviço da comédia (não esqueçamos a sua espantosa prestação na comédia dramática "O Rei da Comédia" de Martin Scorsese, com Robert De Niro), género considerado menor pela Academia que atribui os Óscares. Creio que, como é infelizmente habitual nestas coisas, teremos de aguardar pela sua morte (esperemos que longínqua) para lermos páginas e páginas de elogios póstumos à arte de Jerry Lewis (tem actualmente 82 anos).
Post complementar que escrevi há um ano sobre Jerry Lewis.

Singularidades de um cineasta


Manoel de Oliveira soma e segue. “Singularidades de uma Rapariga Loura” (na imagem), título do mais recente filme do mestre centenário, com base num conto de Eça de Queirós, foi apresentado no Festival Internacional de Cinema de Berlim. As crónicas sobre a exibição da última obra de Oliveira mostram que se trata de um filme desconcertante na filmografia do realizador português. Não duvido.
No mesmo festival e em contexto de conferência de imprensa, Manoel de Oliveira falou dos seus 100 anos e do cinema que tanto ama. Para espanto de muitos jornalistas referiu que conta estrear o seu próximo filme já no Festival de Cannes (Maio). O momento mais interessante terá sido quando Oliveira dissertou sobre as suas grandes influências no cinema: Luís Buñuel, Robert Bresson, Orson Welles e os mestres alemães - Fritz Lang, Murnau e Lubitsch (faltou citar Chaplin que, segundo Oliveira, foi o responsável por começar a fazer cinema). Só bom gosto, muito bom gosto de um cineasta verdadeiramente singular.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Mickey reborn


Este é o ano Rourke!

Cenas no WC

Alfred Hitchcock divertia-se quando lhe diziam que a cena do assassinato no duche de "Psycho" (1960) tinha provocado pesadelos a muitos espectadores. E que, inclusive, um pai se queixou que a sua filha nunca mais quis tomar banho sozinha depois de ter visto o filme. A verdade é que esse filme de Hitchcock foi dos primeiros cineastas a utilizar a casa de banho como cenário importante de um filme. Aliás, conta-se, igualmente, que nesse filme com Anthony Perkins, mostra-se pela primeira vez, alguém a fazer a descarga do autoclismo (a actriz Janet Leigh, momentos antes de entrar no chuveiro).
A verdade é que só depois do filme icónico de Hitchcock é que a casa de banho revelou ser, para os realizadores, um local onde muita coisa se passa (das situações mais cómicas às mais trágicas). Em virtude deste facto, lembrei-me de enumerar as sequências mais interessantes que ocorrem no WC no mundo do cinema:

"Trainspotting" (1996) de Danny Boyle - Uma cena surreal e grotesca de um drogado que se afunda numa retrete assustadoramente imunda.

"Nascido Para Matar" (1987) de Stanley Kubrick - uma das mais tensas e alucinantes sequências de todo o cinema de Kubrick.
"BZ, Viagem Alucinante" (1990) de Adrian Lyne - Tim Robbins é um homem que balança perigosamente entre a realidade e o delírio. A sequência da alucinação na banheira é arrepiante.

"Shining" de Stanley Kubrick - Jack Nicholson à volta com os seus fantasmas numa alucinada casa de banho quase incandescente de tão vermelha.
"Psycho" de Alfred Hitchcock - a memorável cena do terror com sons estridentes de violino de Herrmann e a faca de Norman bates.

"The Party" (1968) de Blake Edwards - a louca incursão de Peter Sellers numa festa indiana onde a casa de banho se torna num obstáculo hilariante.
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Outras cenas: o suicídio na banheira em "As Regras da Atracção" (2002) de Roger Avery; o suicídio falhado de Luke Wilson em "The Royal Tenenbaums" (2001) de Wes Anderson; a morte de Vincent em "Pulp Fiction" (1994) de Tarantino; os olhares aterrados no espelho do WC de Christian Bale no filme "O Maquinista" (2004) de Brad Anderson, etc...

Música "gadgetiana"

Aposto como nunca ouviram a música do genérico da série "Inspector Gadget" desta forma:

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Stauffenberg e a conspiração falhada


Já há muito tempo (anos) que não assistia a uma sessão de cinema à meia-noite. Foi o que fiz para ver o filme "Valquíria" de Bryan Singer. É sempre uma sensação refrescante assistir, na sala escura, no início da madrugada, a um filme com menos de 10 espectadores presentes - ainda que com um grupo ruidoso de adolescentes munido com monstruosos pacotes de pipocas e baldes de coca-cola. 
"Valquíria" não desiludiu, mas também não entusiasmou como julgava ser possível, dado o extraordinário potencial dramático que a história continha. Singer filma as peripécias da planificação do atentado a Hilter com fluidez narrativa e boa gestão do suspense. A realização é sóbria e eficaz, e a câmara filma com segurança o decorrer da história. Há uma grande secura na forma como é filmada esta complexa e incrível conspiração de um grupo de oficiais nazis de alta patente, não enveredando por abordagens excessivamente espectaculares muito ao gosto de Hollywood. A memória histórica de um momento importante da 2ª Guerra Mundial foi preservada e nunca escamoteada. Só por isso o filme já valeria a pena.
Polémicas à parte em relação à escolha de Tom Cruise para interpretar o carismático Coronel Claus von Stauffenberg (por causa do actor pertencer à Cientologia), julgo que se deve realçar o facto de Cruise encarnar com muita convicção o oficial nazi que, contra o seu juramento de devoção à pátria alemã mas em defesa dos seus princípios morais, desencadeia um meticuloso plano para derrubar o regime nacional-socialista e assim colocar um ponto final na guerra que dizimava a Europa. Particularmente sublime é a sequência (talvez a mais tensa de todo o filme) na qual Stauffenberg entrega o documento da "Operação Valquíria" a Hitler, esperando que o ditador nazi assine a nova versão, para dessa forma ser possível dar o primeiro passo para o início da conspiração. 
"Valquíria" revela-se um objecto de cinema construído eficazmente e com total rigor e respeito pelos factos históricos. O elenco é fabuloso (maioritariamente, com actores ingleses) e o crescendo de intensidade narrativa bem orquestrado. Menos convincente foi a interpretação de Adolf Hitler (David Bamber) que, nas suas curtas intervenções no filme, não conseguiu, nem de perto nem de longe, igualar a magnífica criação de Hilter levado a cabo por Bruno Ganz no filme "A Queda" (2004). No entanto, é dele (Hitler), uma das frases que definem a essência do hediondo regime nazi: "Para perceber o Nacional Socialismo é preciso perceber Wagner".

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Nirvana x 10


Ainda há dias escrevia sobre o projecto do ex-semanário BLITZ estar a ser digitalizado e eis que o site da actual revista divulga os dez números que foram publicados com os Nirvana (Kurt Cobain) na capa. Vem a propósito do único concerto dado pelos Nirvana em Portugal, no Dramático de Cascais, em 6 de Fevereiro de 1994, dois meses antes de Kurt Cobain ter cometido suicídio. Há 15 anos, precisamente. São dez capas do BLITZ que ficaram (ficam) para a história.

Discos que mudam uma vida - 47


DJ Shadow - "Endtroducing" (1996)

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Lily Allen e os homens


Lily Allen acaba de lançar um disco, "It's Not Me, It's You". Contudo, na esteira de uma Britney Spears ou de uma Amy Winehouse, Lily Allen nem sempre é notícia pela sua carreira musical, mas sim pelas condutas menos próprias ou por certas afirmações mais ou menos bizarras. Lili Allen tem 23 anos e disse à revista inglesa "Glamour" que gosta de homens mais velhos, ente os 40 e 50 anos. Mas não se fica por esta delimitação etária: "O outro dia vi Lucien Freud e pensei que seria divertido ir para a cama com ele. Tem quatro vezes a minha idade!". Lucien Freud, famoso pintor e neto de Sigmund Freud tem... 87 anos. Nesta senda passional pela maturidade masculina, imagino a química que poderá surgir se um dia Lily Allen se cruzar com Manoel de Oliveira ou Oscar Niemeyer...

Mulher (mas só no cinema)


Esta é a actriz protagonista do filme "Rage" da realizadora Sally Potter. Certo? Errado. Esta personagem feminina é encarnada pelo célebre actor Jude Law, que se submeteu a duras sessões de maquilhagem para se transformar, de forma convincente, em mulher. Law sempre foi um galã, dentro e fora dos filmes, e agora optou por esquecer esta sua faceta e enveredar por uma experiência interpretativa radical. Ao jeito do que fizeram Jack Lemmon e Tony Curtis na mítica comédia "Some Like It Hot" (1959) de Billy Wilder, ou Dustin Hoffman em "Tootsie" (1982) de Sydney Pollack. Mas a película de Wilder foi realizada há 50 anos e Jude Law, à custa da sofisticação do "make-up", parece muito mais mulher do que as toscas (mas divertidas) transformações de Lemmon e Curtis. O filme "Rage" está anunciado como uma tragicomédia que se passa no mundo da moda.

A resposta de Dustin Hoffman


A revista "Vanity Fair", de Fevereiro, entrevistou o actor Dustin Hoffman. A dada altura da entrevista, a pergunta colocada foi: "Qual a pessoa viva que mais admira?". E a resposta de Dustin Hoffman: "Manoel de Oliveira".

Tom Cruise e o Brasil


Isto da vida de estrela de cinema tem muito que se lhe diga. Tom Cruise andou por terras brasileiras a promover o seu último filme, "Valquíria". Só que as coisas não lhe saíram muito bem. Esforçou-se por falar a língua materna, o português, mas saiu-lhe o vocabulário em castelhano ("hola" e "gracias" foram as palavras proferidas), porventura por pensar que era a língua materna do Brasil. Mas esta "gaffe" nem foi a pior. Para rematar, e porventura querendo ser simpático para com os brasileiros, afirmou gostar muito do país por causa do sol e do... tango! Claro que a imprensa não gostou destes deslizes (ou melhor: manifestações de ignorância) e criticou o actor. Espero que Tom Cruise saiba, ao menos, que o personagem que interpretou em "Valquíria", o coronel Claus von Stauffenberg, falava em vida alemão e não austríaco ou holandês...

Ladrões de vidas


Um operário desempregado consegue uma vaga na Câmara como colocador de cartazes. Para retirar a bicicleta penhorada, a sua esposa empenha os lençóis. Porém, no primeiro dia de trabalho têm a sua bicicleta furtada. Sai com o seu filho à procura nos revendedores de bicicletas usadas. Consegue avistar o ladrão, perseguindo-o por toda Roma num dia de Domingo, sem conseguir prendê-lo. Desesperado pela indiferença e zombaria das pessoas, resolve então, roubar uma bicicleta. Totalmente desajeitado, é imediatamente preso...
Há poucos filmes como este. De uma extraordinária simplicidade narrativa, mas de uma notável profundidade artística. Obra-prima do movimento neo-realista italiano doa anos 40, “Ladrões de Bicicletas”, de Vittorio de Sica é, quanto a mim, o baluarte do cinema italiano do pós guerra. É certo que há Rossellini, há Visconti, há Fellini, há Zurlini, mas De Sica em geral e este "Ladrões de Bicicletas" em particular, representa, para mim, a quinta essência do cinema italiano clássico.
É uma obra comovente e dramática sobre os anos duros da depressão do pós-guerra em Itália (Roma). E é um dos mais importantes filmes europeus de sempre, tendo ganho o Óscar do Melhor Filme Estrangeiro, tornando-se um objecto cinematográfico de culto a nível mundial. Um filme sensível, numa verdadeira lição de vida e de solidariedade (ou da falta dela). Revê-lo é sempre uma emoção, pela abordagem realista dos acontecimentos, pelas impressionantes interpretações, pelo afundar da esperança dos personagens, que se vai tornando em abissal angústia pelo roubo de uma bicicleta que representa toda uma vida. Ladrões de bicicletas, ladrões de vidas.

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