segunda-feira, 6 de maio de 2013

Não pensar, não existir, só assistir




Hoje fui surpreendido por um graffiti numa parede da minha cidade. É um graffiti tão simples mas inteligente e que transmite uma imensa verdade: hoje a televisão é sobretudo um veículo comunicacional que potencia o embrutecimento da população (já o referi várias vezes neste blogue, aliás). À frente do televisor o indivíduo deixa de ter "existência" própria e age consoante a ditadura da informação e do entretenimento que são veiculados pela "caixa mágica". Isto é, através de uma lavagem cerebral mais ou menos oculta, deixa de "pensar" e assume um papel totalmente submisso e passivo ("só assisto"). E quando falo em pensar, falo em pensar de forma crítica e racional. 
A televisão é um instrumento que estupidifica, que se submete ao controlo dos grandes grupos económicos e se rege unicamente pela ditadura das audiências, produzindo cada vez mais lixo, cada vez mais conteúdos fúteis e supérfluos. Ver televisão é cada vez mais uma actividade boçal e de total perda de tempo. 
Isto leva-me a pensar no magnífico - e premonitório - filme "Eles Vivem" (1988) de John Carpenter. Filme em que todos os meios de comunicação social eram dominados por extraterrestres que mantinham a aparência de um mundo real quando, na realidade, o que existia era um conjunto de ordens subliminares para a população "obedecer", "não protestar", "consumir", "ver televisão", "não pensar", "dormir"... A verdadeira realidade, tenebrosa e refém de interesses iníquos, só podia ser contemplada com uns óculos especiais...
Voltando ao graffiti e contrariando a sua mensagem: devemos cada vez mais "pensar" (criticamente e pelas nossas próprias cabeças), cada vez mais "existir" (em conformidade com os tempos actuais) e cada vez menos "assistir" (passivamente, sem reacção).

4 comentários:

Alice N. disse...

Concordo inteiramente. É por isso que há três anos que a televisão desaparaceu em minha casa. Desapareceu literalmente, não tenho, para grande espanto das pessoas a quem digo isso e que olham para mim como se eu fosse um E.T. e... certamente uma alienada do mundo. Mas como se vive bem sem TV e como temos mais mundo sem esse aparelho que nos entorpece.
O graffito é realmente excelente e, depois de ter lido este texto, tenho mais um filme para conhecer.
Parabéns pelo blogue, que já sigo há bastante tempo e com o qual aprendo muito.

Marcelo C,M disse...

Pelo menos na tv aberta não tem nada que me prenda, sendo que as unicas coisas que eu assisto são os desenhos como os Simpsons.

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Alice: obrigado pelo comentário.

joao amorim disse...

recentemente vi o trust de hal hartley, em que a personagem repudiava totalmente a televisão, até que encontrou um emprego estável. a partir daí passou a ver televisão pois considerava ser a única forma de aguentar o seu trabalho e os sacrifícios de consciência que fazia.