quinta-feira, 21 de março de 2013

A estrada sem fim

Vi "On The Road" de Walter Salles, baseado no mítico livro homónimo de Jack Kerouac. Não vou dizer - como já li - que o livro "é melhor do que o filme". Acho que esta discussão (saber se o livro é melhor do que o filme ou vice-versa) é uma discussão estéril, na justa medida em que um filme e um livro são objectos totalmente distintos, logo, têm de ter uma avaliação estética diferenciada. 
Seja como for, apesar de estar longe de ser uma obra-prima, "On The Road" faz justiça fiel às incríveis histórias contidas na obra de Kerouac, na qual o próprio e o seu amigo Neil Cassady viajaram, durante anos, pela mítica Route 66 dos EUA, conhecendo as figuras mais excêntricas da América dos anos 40 e vivendo as mais tresloucadas experiências de vida.
"On The Road" (filme e livro), paradigma da literatura "Beat Generation", é uma verdadeira trip psicadélica pelas entranhas de uma América pós-guerra, uma viagem de um grupo de jovens em busca de uma identidade, de uma total liberdade com muito jazz à mistura, muita droga, muito sexo e, não menos importante, muita (e boa) literatura (leitura e escrita). 
Em certa medida, "On The Road" condensa um espirito que hoje já não seduz a maioria da juventude: a ânsia da descoberta de novas sensações veiculadas pela arte (literatura e jazz) numa deambulação  com a estrada sem fim (da vida e de alcatrão) como único horizonte.

3 comentários:

Carlos Branco disse...

outros tempos de juventude de facto, mas penso que o filme consegue transmitir uma certa fúria sem medida e genuina na descoberta das sensações "cultas". gostei do filme.

Arm Paulo Fer disse...

Apesar de o filme não deslumbrar totalmente e não o achar verdadeiramente Bom, é ainda assim muito interessante de ver, pois é um road-movie que aponta sobre o saber viver a vida e a perseguição de serem pessoas livres a fazerem o que querem.
Também é bem ilustrada uma certa onda de liberdade sexual, a que o trio de protagonistas corresponde (e aqui a jovem Kristen Stewart regressa aos seus bons papeis - tentando até emancipar-se duma certa imagem que ela bem que quer ver distanciada).
A realização é visualmente boa, com bom aspecto da época em que o filme se situa.
6/10 interessante

Marcelo C,M disse...

Assisti duas vezes no cinema. Recomendo bastante.