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sábado, 7 de novembro de 2009

A filosofia segundo Homer Simpson


Tal como referi neste post, existe uma interessante coleccção de livros editados em Portugal que relacionam princípios filosóficos com determinados realizadores de cinema, como os títulos "A Filosofia Segundo Woody Allen", "A Filosofia Segundo Jerry Seinfeld", e "A Filosofia Segundo Hitchcock" (todos da editora Estrela Polar).
Agora há mais um título a acrescentar a estes já publicados, mas por enquanto só em Espanha (ao mercado nacional deverá chegar mais tarde): "A Filosofia e os Simpsons". A edição coincide com os 20 anos da famosa série televisiva de animação que agitou a cultura americana, verdadeiro barómetro do modo de vida norte-americano. O próprio autor da série, Matt Groening, tem formação em filosofia e o resultado deste livro pretende explorar diversos problemas de índole filosófica, tendo como ponto de partida a família Simpson, a partir de princípios filosóficos conotados com autores como Marx, Sartre, Aristótles, Kierkegaard, Camus, Nietzsche, ou Kant.
Esta obra, claramente de teor ensaístico, divide-se em quatro capítulos: "Personagens", "Temas Simpsonianos", "A Ética dos Simpsons" e "Os Simpsons e os Filósofos". Vinte filósofos e professores universitários americanos, coordenados pelo prestigiado professor William Irwin do Kings College, esmiuçam as conexões filosóficas entre a visão da vida fictícia dos Simpsons e a realidade da sociedade americana.
Agora aguardemos pela edição portuguesa.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

A filosofia segundo...


Tal como referi, de forma mais desenvolvida, neste post a propósito do livro "A Filosofia Segundo Woody Allen", queria agora lembrar que acabaram de ser lançados mais dois interessantíssimos volumes que dão continuidade ao primeiro: "A Filosofia Segundo Seinfeld" e a "Filosofia Segundo Monty Python". A temática continua a focar-se na ralação entre o cinema, o exercício humorístico e os ensinamentos de carácter filosófico, características bem patentes em qualquer destes três grandes criadores (Allen, Seinfeld e Python). Os livros são escritos por reputados filósofos admiradores dos artistas focados. Apesar de ser mais fã da trupe de "O Sentido da Vida" do que de Seinfeld, conto adquirir os dois livros. Se forem tão lúcidos e pragmáticos quanto o livro dedicado ao cinema de Woody Allen, valerá bem a pena.
Os três livros são editados pela Estrela Polar.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Woody Allen filósofo


Há uns tempos foi editado o livro "O Que Sócrates Diria a Woody Allen", um interessante livro que analisava as relações entre as questões universais da filosofia com o cinema - partindo precisamente da obra do cineasta de "Match Point". Agora sai para as bancas um livro cujo título resume tudo: "A Filosofia Segundo Woody Allen". Ou seja, filósofos e ensaístas pegaram na filmografia de Woody Allen e extrairam-lhe todos os ensinamentos filosóficos para uma análise e contextualização filosófica. Desde o início da sua carreira que Allen revela um especial interesse em dissecar os grandes enigmas da vida sob o ponto de vista filosófico (vida, morte, amor, religião, sexo, incomunicabilidade). A sua veia filosófica é a de um existencialista ateu, amaldiçoado pelas obsessões terrenas, dúvidas e temores, usando o humor como ferramenta cirúrgica para debelar o seu espírito atormentado. Nos seus filmes, sejam nas comédias, sejam nos dramas ditos sérios, perpassa sempre um "mal de vivre", uma busca incessante pelo sentido da vida num mundo que é, todo ele, imperfeito e cruel de A a Z. O pessimismo de Woody é militante e irreversível, como o de um Schopenhauer ou de um Cioran, mas no seu espírito pessimista reside muita da sua força criadora. O optimismo nos filmes de Woody Allen é fugaz, efémero como uma bola de sabão. Recordo uma cena de "Hanna e Suas Irmãs": o personagem interpretado por Allen pressente que tem cancro. Vai ao médico que lhe garante que nada tem. Sai do consultório a pular de contente porque está bem de saúde. De repente pára e o seu entusiasmo desvanece até ao abismo e volta ao estado de espírito depressivo. Pensa: "mas porque raio estou contente? Não estou doente agora mas vou acabar por morrer à mesma!" (cito de memória).
Na realidade, no filmes de Woody Allen (já para não falar dos seus livros), existem centenas de alusões a questões filosóficas, centenas de referências a escritores, pensadores, filósofos, poetas. Houve outros cineastas filósofos, como Bergman, Tarkovski, Wenders ou Dreyer, mas Woody Allen desenvolveu uma identidade única, uma sensibilidade que diz tanto aos pensadores mais especializados como ao cidadão comum. É esta característica - para além da sua linguagem trágico-cómica e do seu enorme talento criativo - que fazem de Woody Allen um dos poucos autores geniais do nosso tempo. A cultura de Woody é quase enciclopédica e demonstra-o em muitas das suas obras. Revela-o abordando as mais diversas questões; das terranas (sexo, literatura) às complexas (metafísica, religião). E dessa forma interpela o espectador, obrigando-o a uma auto-reflexão. Porque os problemas existenciais de Allen são, quer queiramos quer não, os mesmos que os nossos, vulgares terráqueos que um dia vão morrer sem ter percebido porque raios passaram por este mundo.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Top 2008

Balanço

Último dia do ano. Tal como fiz o balanço no final de 2007, estas são as minhas escolhas para o ano de 2008. Não sei se são as melhores. São aquelas que gostei de desfrutar ao longo do ano. Uma selecção pessoal. Nada mais. Mas há uma confissão a fazer: no fim de um ano de imensa produção cultural, a sensação com que fico é de uma certa frustração incómoda. Isto porque, depois das escolhas feitas, fico sempre com a nítida impressão de que ficaram muitas mais referências de fora que não tive oportunidade de conhecer. Muitos filmes que não vi, muitos discos que não ouvi, muitos livros que não li. A produção cultural é cada vez maior e torrencial a cada ano que passa. Milhares e milhares de objectos culturais são despejados para o mercado, quase indistintamente. Descortinar a qualidade no meio da quantidade é cada vez mais difícil e ingrato.

A própria comunicação social sente-se incapaz de dar vazão a tanta informação. E por isso, certos discos e filmes importantes são por vezes relegados para o fundo da prateleira por falta de espaço editorial ou por conflitos de interesses jornalísticos. Conseguir fazer uma selecção criteriosa dos produtos de qualidade dos que não têm interesse nenhum, exige esforço redobrado do cidadão comum para recolher cada vez mais informação (através de revistas, internet, jornais, rádio…) de molde a definir a sua própria opinião. O tempo é escasso para fruir (e usufruir) as propostas mais interessantes (no fundo, resume-se tudo ao que disse neste post). Ainda há filmes, discos e livros que ainda não conheço mas que provavelmente entrariam para a lista de preferências que se seguem... Agora é esperar que 2009 entre em força com boas e novas propostas.

Filmes:

Ainda não vi “Corações” de Alain Resnais, “A Turma” de Laurent Cantet, “Quatro Noites com Anna” de Jerzy Skolimowski, “O Homem de Londres” de Béla Tarr, “Destruir Depois de Ler” de Ethan e Joel Coen, “A Ronda da Noite” de Peter Greenaway, “Antes que o Diabo Saiba que Morreste” de Sidney Lumet, “Fome” de Steve McQueen, “Gomorra” de Matteo Garrone, “Em Bruges” de Martin McDonagh, “Austrália” de Baz Luhrmann…

1 – “Este País Não é Para Velhos” – Ethan e Joel Coen
2 – “Alexandra” – Alexander Sokurov
3 – “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias” – Cristian Mungiu
4 – “No Vale de Elah” – Paul Haggis
5 – “Haverá Sangue” – Paul Thomas Anderson
6 – “O Segredo de um Cuzcuz” - Abdellatif Kechiche
7 – “O Lado Selvagem” – Sean Penn
8 – “Sweeney Todd” – Tim Burton
9 – “The Darjeeling Limited” – Wes Anderson
10 – “Os Falsificadores” - Stefan Ruzowitzky
11 – “Wall-E” – Andrew Stanton
12 – “Nós Controlamos a Noite” – James Gray
13 – “O Assassínio de Jesse James pelo Cobarde Robert Ford” – Andrew Dominik
14 – “O Orfanato” - Juan Antonio Bayona
15 – “Michael Clayton” – Tony Gilroy
16 – “Joy Division” – Grant Gee
17 – “The Mist” – Frank Darabont
18 – “O Acontecimento” - M. Night Shyamalan

Discos:

Apesar do hype da imprensa, ainda não ouvi discos como Fleet Foxes, Beach House, Dirty Projectors, Bon Iver, Evan Parker, Hercules & Love Affair, Silver Jews, The Dodos, Fennesz, Cut Copy, Hot Chip, She and Him…

1 - Secret Chiefs 3 – “Xaphan Book of Angels Volume 9”
2 - Leila – “Blood, Looms and Blooms””
3 - Clutchy Hopkins – “Walking Backwards”
4 - TV On The Radio – “Dear Science”
5 - Man Man – “Rabbit Habits”
6 - Portishead – “Third”
7 - Bombay Dub Orchestra – “3 Cities”
8 - Metaform – “Standing on the Shouders og Giants”
9 - Tricky – “Knowle West Boy”
10 - Stag Hare – “Black Medicine Music”
11 - Amon Tobin – “Foley Room Recorded Live In Brussels”
12 - Camille – “Music Hole”
13 - Nico Muhly – “Mothertongue”
14 - Gang Gang Dance – “Saint Dymphna”
15 - Devotchka – “A Mad And Faithful Telling”
16 - Girl Talk – “Feed the Animals”
17 – DJ Rupture – “Uproot”
18 - Fuck Buttons – “Street Horrrsing”
19 - Original Silence – “The Second Original Silence”
20 - Santogold – “Santogold”
21 - Firewater – “The Golden Hour”
22 - Matmos – “Supreme Baloon”
23 - Boredoms – “Super Roots #9”
25 - Paavoharju – “Laulu Laakson Kukista”
25 - Vampire Weekend – “Vampire Weekend”
26 - Ladytron – “Velocifero”
27 - The Bug – “London Zoo”
28 - Brazillian Girls – “New York City”
29 - Melvins – “Nude With Boots”
30 - Spiritualized – “Songs in A & E”

Discos portugueses:

Confesso que não fui um ouvinte regular de música portuguesa em 2008. Mas do que fui ouvindo ao longo do ano, gostei de: Deolinda, A Naifa, Mandrágora, Rocky Marsiano, peixe : avião, Linda Martini, Mesa, Melech Mechaya, Mikado Lab, Gala Drop, The Vicious Five, Mão Morta, Dead Combo…

Livros

Queria ter lido (espero ainda ler durante 2009): “Os Nus e os Mortos” de Norman Mailer, “Histórias de Amor” de Robert Wasler, “A Derrocada de Baliverna” de Dino Buzzati, “Contos Completos” de Truman Capote, “Correcção” de Thomas Bernhard, “Castelos Perigosos” de Céline, “Musicofilia” de Oliver Sacks, “O Jovem Estaline” de Simon Montefiore…

1 - “Sonderkommando” – Shlomo Venezia
2 – “Lacrimae Rerum” – Slavoj Zizek
3 – “A Monstruosidade de Cristo” – Slavoj Zizek
4 – “A Filosofia Segundo Woody Allen” - Vários autores
5 – “A Filosofia Segundo Alfred Hitchcock” – Vários autores
6 – “Em Busca do Grande Peixe” – David Lynch
7 – “A Febre” – Jean-Marie Le Clézio
8 – “O Jogo do Mundo” – Júlio Cortázar
9 – “O Homem Sem Qualidades Vol.1” – Robert Musil
10 – “Património” - Philip Roth
11 – “Toda a Música que eu Conheço” – António Victorino D’Almeida
12 – “Homem na Escuridão” - Paul Auster

Edições em DVD

Caixa “John Cassavetes”
Caixa “Hal Hartley”
Caixa “Wim Wenders”
Caixa "Mel Brooks"
“O Estranho Mundo de Jack”
– Edição Especial
“Casablanca” – Edição Coleccionador
“The General – Pamplinas Maquinista” – Ed. Especial
“Vertigo – A Mulher que Viveu Duas Vezes” – Ed. Especial
“Hstória(s) do Cinema” – Jean-Luc Godard
“Holocausto”
“Um Coração Selvagem” – Ed. Limitada
“Eraserhead” – Ed. Especial
"Vem e Vê" - Elem Klimov
“Control” – Ed. Especial
Coleccção Manoel de Oliveira
Coleccção “The Godfather – O Padrinho” – Ed. De Luxo
(...)

Embirrações do ano: Amy Winehouse, Tony Carreira, Tokio Hotel e "Rock in Rio"
Conflito do ano: concertos simultâneos de Leonard Cohen e Lou Reed
Acontecimento do ano: centenário de Manoel de Oliveira e Elliott Carter
Adeus: Luiz Pacheco, Bettie Page, Paul Newman, Sydney Pollack, Heath Ledger, Eartha Kitt, Albert Cossery, Harold Pinter, Humberto Solas, Pedro Bandeira Freire, Arthur C. Clarke
Boa notícia: regresso às bancas da revista de cinema Premiere e experiência 3D no cinema ("Bolt", "Viagem ao Centro da Terra"...). Abertura da Cinemateca do Porto.
Má notícia: encerramento da livraria Byblos. Preço dos livros, DVDs e CDs.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

A filosofia segundo Hitchcock



Tal como tinha referido aqui, continua de vento em popa a magnífica colecção "A Filosofia Segundo..." (edição Estrela Polar). Depois de Woody Allen, Seinfeld e Monty Python, agora a vez é do mestre Alfred Hitchcock ser analisado à lupa de diversos filósofos e correntes filosóficas. Filtrados por múltiplas teorias, os filmes de Hitchcock sugerem significados que nunca poderíamos ter imaginado. O que nos podem ensinar os filmes de Hitchcock no domínio da filosofia? Quais as implicações filosóficas da visão artística de Alfred Hitchcock? Saberemos mais sobre a complexa natureza humana vendo os seus filmes? Que perspectivas existem no cinema hitchcockiano sobre o problema do mal e das questões morais?
Eis algumas pistas mais concretas:
- O que é que o filme "À 1h45", com o seu clássico retrato do terrorista, nos ensina sobre o 11 de Setembro?
- Poderá "Os Pássaros" revelar-nos as características distintivas da natureza humana?
- "Psico" poderá ajudar os teólogos preocupados com o problema do Mal?
- Que perspectiva é que "Um Barco e Nove Destinos" fornece sobre o confronto da democracia com a mentalidade totalitária?
- Em que medida "A Mulher que Viveu Duas Vezes" ilustra a dificuldade em conhecer realmente outra pessoa?
- Em que medida o sentimento de medo nos perturba ou nos causa insegurança?
Indispensável leitura para amantes de Alfred Hitchcock, de cinema em geral e de filosofia em particular.