quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Chomet e Tati


Como referi aqui, a apresentação do filme "O Ilusionista" de Sylvan Chomet com base num guião do realizador Jacques Tati, é um dos grandes acontecimentos do Festival de Cinema de Berlim. Pelos vistos, as expectativas foram amplamente cumpridas (ou até superadas), a fazer fé nas críticas ao filme de animação que ontem foi revelado no Festival. O crítico do Público Jorge Mourinha, por exemplo, refere mesmo que se trata do melhor filme que passou, até à data, na Berlinale. E chega a qualificar o filme como "pura poesia visual".
Grande parte do mérito para este suceso artístico deverá ser atribuído, concerteza, ao realizador Sylvan Chomet (que já tinha dado provas no excelente "Belleville Rendez-Vous"), mas estará também assente no irresistível universo cómico de Tati que, com o seu guião nunca filmado "O Ilusionista", revela 50 anos depois, a inteligência e a magia de um tipo de humor tão pessoal.

Momentos e Imagens - 57


Marguerite Duras e Michelangelo Antonioni à conversa.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Um actor pintor

Não é o primeiro actor, realizador ou músico a revelar talento nas artes plásticas. Sir Anthony Hopkins, actor inglês galardoado com um Óscar, é mais um desses exemplos - revelados pelo Telegraph. Prova disso é a exposição que se encontra patente em Londres, na qual Hopkins mostra 50 pinturas do seu trabalho mais recente. O actor confessa que a pintura é um escape para o stress profissional, um exercício criativo que executa por puro prazer e sem ansiedades face a eventuais críticas. E foi a sua mulher, Stella, que o convenceu a começar a pintar depois de ver os desenhos rabiscados que o actor fazia nos guiões de filmes que lia.
O trabalho com as cores fortes, a temática dos rostos e a expressividade visual são algumas das características das pinturas de Sir Anthony Hopkins.


O blogue de Thurston Moore


Um dos mais criativos e influente guitarristas rock das últimas décadas, Thurston Moore, criou um blogue. O guitarrista dos Sonic Youth (banda que em Abril toca em Portugal) criou há pouco tempo o blogue "Flowers & Cream", no qual expõe pensamentos, textos e fotografias pessoais, quase todas relacionadas com música.

Discos que mudam uma vida - 96


TV on The Radio: "Dear Science" (2008)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Espreitar "Shutter Island"

Não é legal, já se sabe, mas um determinado site publicou online os primeiros 10 minutos do filme “Shutter Island” de Martin Scorsese. E logo em alta definição! Por aquilo que se vê neste curto excerto, há obra de génio neste novo filme de Scorsese. Aqui.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Dia de São Valentim

A história do cinema está recheada de filmes sobre o amor, o romance, a paixão (a este pretexto, espreite-se a interessante lista de 14 filmes para o dia de São Valentim proposta pelo blogue O Sétimo Continente). Eu fico-me apenas por três sugestões.
Três filmes que exploram a mesma dimensão fulgurante da paixão e do amor, sem esquecer a abordagem do seu reverso: a mágoa, o ressentimento, a separação: "Sunrise" ("Aurora", 1927) de F. W. Murnau, "Casablanca" (1942) de Michael Curtiz, e "As Pontes de Madison County" (1995) de Clint Eastwood.


Remake de "Taxi Driver"?


Uma revista dinamarquesa de cinema, "Ekko", publicou uma notícia deveras surpreendente: a possibilidade de Martin Scorsese e Lars Von Trier, juntos, poderem realizar um remake de... "Taxi Driver"! Não há dados concretos, mas parece certo que Scorsese terá falado deste projecto com um sócio da produtora "Zentropa" de Von Trier (no Festival de Berlim), e que brevemente emitirá um comunicado oficial. O projecto envolve o actor Robert De Niro que, com 66 anos, voltaria a ser o protagonista do clássico de Scorsese.
É uma história bizarra: por que motivo quereria o realizador fazer um remake de uma obra-prima, e ainda para mais, com a colaboração de um cineasta como Lars Von Trier?
Aguardemos por novidades esclarecedoras...

A música de "Shutter Island"


As reacções à nova obra de Martin Scorsese, "Shutter Island", revelada no Festival de Cinema de Berlim têm sido entusiásticas. A prová-lo, leia-se este artigo de opinião do crítico de cinema do Público Jorge Mourinha. Está lá tudo o que se espera do mestre Scorsese. Já estava à espera que o filme fosse de um grande virtuosismo formal, estético, narrativo e uma ode à cinefilia do realizador, mas o que me surpreendeu foi ler, no referido artigo, que Scorsese recorreu a uma inesperada banda sonora para amplificar a sensação de paranóia e loucura que atravessa todo o filme: "Já o dissemos e voltamos a repetir, Shutter Island é um espantoso exercício de virtuosismo formal, um manual de como bem filmar, montar, organizar. Um exemplo: a extraordinária banda-sonora, escolhida pelo velho cúmplice Robbie Robertson, é uma colecção de peças de música contemporânea de autores como Krzsyztof Penderecki, György Ligeti ou John Cage, que amplificam a sensação de paranóia e opressão dos cenários.
Se pensarmos que Stanley Kubrick também recorreu à música atonal de Penderecki e Ligeti para criar o ambiente de terror sonoro no filme "The Shining", constataremos que "Shutter Island" se deve elevar a um patamar avassalador de expectativas estéticas.
(Nunca mais estreia?!)

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Nunca mais estreia?!

"Metropolis" para todos


Um dos grandes momentos do festival de Berlim foi a exibição do filme "Metropolis" (1927) de Frtiz Lang, na versão original (e agora restaurada) do realizador alemão. E foi uma exibição especial - ao ar livre, num ecrã gigante, posicionado bem no meio da icónica Porta de Brandenburgo da capital alemã. Duas mil pessoas resistiram ao frio e à neve para assistirem, durante duas horas e meia, a um dos maiores filmes do período mudo. O festival saiu, assim, à rua, numa prova de que as grandes obras da Sétima Arte podem ser partilhadas e usufruídas por toda a gente.
Vale a pena ver a reportagem vídeo e fotografias aqui.

"O Meu Tio" ao preço da chuva


Saiu hoje à venda na Série Ípsilon do jornal Público o DVD "O Meu Tio" de Jacques Tati, por um preço irrisório de €1,94. E pensar que há uns anos comprei este filme inserido num pack com outras três películas do realizador francês por quase €40!
Não será preciso dizer que qualquer cinéfilo que se preze deve ter "O Meu Tio" em casa (tal como toda a restante obra de Tati, diga-se a verdade), para ver ou rever. E a este preço tão baixo, mais imperdoável se torna a sua não aquisição por parte de quem ainda não conhece ou não possui.
Obrigatório, portanto.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

"Cancer?"


Há lapsos de linguagem que provocam reacções hilariantes. É o caso de uma cena do filme “Up in The Air” (“Nas Nuvens”): o personagem interpretado por George Clooney está no avião e chega ao pé dele uma sorridente assistente de bordo, com uma lata de bebida na mão, que lhe pergunta: “cancer?”. Clooney, com ar espantado, riposta: “sorry?”.
A assistente volta à carga: “cancer?”. Até que, vendo que Clooney não percebia, a assistente aperfeiçoa a dicção: “A can, sir?” A senhora perguntava apenas se o passageiro queria “uma lata de bebida”, mas ao dizer rápido “Can, sir”, foneticamente transformava-se em “cancer”.
...
Ok, admito que tenha mais piada a ver o filme do que com esta explicação…

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

5 mil

A caixinha aqui ao lado registou 5000 comentários.
Que venham mais 5 mil.

O malfadado "Fade Out"


Não gosto de músicas que acabem em "fade out", isto é, em diminuição progressiva da intensidade do volume até restar apenas silêncio. Por melhor que seja a música e o compositor, sempre me deu a sensação que o "fade out" é um recurso fácil e pouco original para terminar uma composição musical. É como se o músico dissesse, de forma subliminar ao ouvinte: "Não tenho inspiração para terminar a música de outra maneira, por isso acabo-a em "fade out" no software de edição áudio (na imagem)". E há grandes artistas da constelação pop que fizeram (e continuam a fazer) músicas que acabam desta maneira.
Como ouvinte, não gosto e não aprovo.

Berlim, nome de cinema


Hoje começou o Festival de Cinema de Berlim. Em apenas 10 dias vai ser possível ver 400 filmes, dos quais apenas 20 poderão conquistar o Urso de Ouro. 400 filmes. Aposto que apenas meia-dúzia chegará ao circuito comercial português. Ao fim de 60 edições, pela "Berlinale" já passaram 15 mil filmes, milhares de jornalistas, actores e realizadores.
E, claro está, 60 filmes galardoados com o prémio máximo. Não vi, obviamente, todos esses 60 filmes, mas dos que vi saliento como realmente importantes os seguintes vencedores do Urso de Ouro:
- "Tropa de Elite" (2008) - José Padilha
- "Bloody Sunday" (2002) - Paul Greengrass
- "Magnolia" (2000) - Paul Thomas Anderson
- "The Thin Red Line" (1999) - Terrence Malick
- "In The Name of the Father" (1994) - Jim Sheridan
- "Rain Man" (1989) - Barry Levinson
- "Grand Canyon" (1992) - Lawrence Kasdan
- "Alphaville" (1965) - Jean-Luc Godard
- "Cul-de-Sac" (1966) - Roman Polanski
- "A Noite" (1961) - Michelangelo Antonioni
- "Morangos Silvestres" (1958) - Ingmar Bergman
- "Twelve Angry Men" (1957) - Sidney Lumet
- "O Salário do Medo" (1953) - Henri-George Clouzot

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Discos que mudam uma vida - 95


The Cure - "The Head on The Door" (1985)

Educação sexual no horário nobre da TV

19h30. Ligo a televisão e, ao fazer zapping, vejo dois minutos da TVI, canal que transmite a série "Morangos com Açucar". Durante esses dois minutos, acontece isto: um casal de namorados adolescentes beija-se na rua; a seguir, os dois vão para casa e rebolam no sofá em poses eróticas. Entra um rapaz na casa (amigo, irmão, não sei) que faz um comentário do tipo: "Outra vez enroscados um no outro? Só pensam nisto!". O namorado da miúda pergunta: "Mas qual é o problema dele?". A namorada, com olhar cínico, esclarece. "Falta de sexo!". A cena imediatamente a seguir: um outro casal imberbe, deitado na cama superior de um beliche, deleita-se em beijos ardentes. Tudo no espaço de um ou dois minutos, tudo em horário nobre.
Não é que me choquem estas cenas. De todo. A questão é que não percebo o primarismo desta obsessão pela erupção das hormonas sexuais nos adolescentes. Será culpa apenas dos argumentistas que querem incutir dicas de "educação sexual" nos espectadores teenagers? Ou tem mesmo a ver com a má ficção generalizada que se faz na televisão portuguesa e nos lugares comuns fúteis ao nível do argumento, da interpretação, dos diálogos, da realização? Esta série, como outras, tenta projectar a complexidade social ao nível mais baixo dos instintos básicos, reproduzindo os estereótipos sociais da maneira mais fácil, e reduzindo o universo adolescente a um paradigma de índole meramente sexual. Haja paciência...

Um "guest-post" no Bitaites

O Bitaites é, quanto a mim, um dos blogues nacionais mais interessantes de toda a blogosfera nacional (sigo-o há uns três anos, ainda nem tinha criado O Homem Que Sabia Demasiado). O seu autor, Marco Santos, convidou-me a escrever um “guest-post”, um artigo para ser publicado no Bitaites. Foi o que fiz, com muito prazer.
Parti de um tema que já tinha abordado no meu blogue – a relação da música com o cinema – para desenvolver um texto mais aprofundado, resultando no artigo que foi publicado no Bitaites – “A Banda Sonora que Kubrick Recusou”.
Quem quiser ler, basta clicar aqui.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Perguntas indiscretas - 20

Se pudessem convidar um actor e uma actriz - de qualquer época histórica do cinema - para jantar, quem escolheriam?
Começo eu:
Actor - Marlon Brando

Actriz - Ingrid Bergman