domingo, 24 de junho de 2012

O vento

O filme "O Cavalo de Turim" de Béla Tarr, recentemente estreado em Portugal (quer dizer: em apenas duas salas de duas cidades de Portugal!), tem sido muito comentado pela suas especificidades íntrinsecas. Uma dessas especificidades que marcam a estética do realizador húngaro é a fotografia a preto e branco, os longos planos-sequência e, no caso particular da história de "O Cavalo de Turim", a forte presença do vento. Um vento hostil e perturbador que dificulta qualquer actividade humana. Um vento que avassala a esperança mas que se torna, visualmente, num expediente para Tarr provar a poesia do seu cinema.  
A verdade é que não foi neste último filme que Béla Tarr recorreu ao vento como elemento natural fundamental.
Já na sua monumental obra (em duração e em qualidade) "Satantango" (1994), o realizador tinha recorrido ao vento para acentuar o estado anímico dos personagens. O excerto vídeo que em baixo faz parte da primeira parte do referido filme e é um momento visual sublime que só Béla Tarr conseguiria alemejar.

5 comentários:

Anónimo disse...

Isto é montagem, certo?

Saudações cinéfilas

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Não, é um único plano-sequência. E não há efeitos especiais com o vento. O que o realizador terá feito para esta cena - tal como fez para o filme "O Cavalo de Turim" - foi utilizar ventoinhas gigantes.

Anónimo disse...

Fantástico(!)
Muito obrigado, já agora o que achou do filme?

Abraço

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Eis o que achei do filme -http://ohomemquesabiademasiado.blogspot.pt/search?q=o+fim+de+tudo

My One Thousand Movies disse...

Vi-o ontem no cinema, e saí de lá sem palavras...