terça-feira, 18 de junho de 2013

Os enigmas de "The Shining"




















Acabei de ver o documentário "Room 237" de Rodney Ascher. Trata-se de um documentário que analisa o filme "The Shining" (1980) de Stanley Kubrick, tentando desvendar elementos obscuros muito para além da óbvia história de terror de Stephen King.
Dividido em 9 capítulos diferentes - cada um dedicado a um tema específico do filme - "Room 237" escalpeliza os mais ínfimos pormenores e simbolismos que, aparentemente, um olhar distraído torna impossível de detectar. Para tal, o realizador socorreu-se de 5 ou 6 especialistas (escritores, críticos, professores) e fanáticos conhecedores da obra de Kubrick em geral e deste filme em particular. Cada um destes especialistas apresenta ideias e interpretações rebuscadas do significado oculto que "The Shining" encerra.
Sinceramente, depois de ver este documentário, fico com a noção de que, se nalguns casos as interpretações até podem fazer sentido, noutros casos, são meros delírios fantasistas de fãs que julgam que o filme está recheado de mensagens subliminares. 
Assim, resolvi apontar algumas ideias que "Room 237" apresenta, pelo que cada leitor retirará as suas próprias conclusões:

- "The Shining" é um filme sobre o genocídio dos índios americanos: O Overlook Hotel foi construído num antigo cemitério índio. Outra pista: na despensa do hotel, é possível ver latas de fermento em pó “Calumet”, que significa "cachimbo da paz e há símbolos índios espalhados no hotel.

- Existem também padrões e detalhes de subtexto sobre o Holocausto – máquina de escrever que Jack Torrance usa é da marca alemã Adler (Águia, símbolo de poder). Jack Nicholson veste uma t-shirt com uma águia. Há várias referências ao número 42 – o ano 1942 foi quando a Alemanha Nazi pôs em marcha o plano de matar judeus. Jack e Danny vêem a série “Verão de 42” na televisão. O quarto 237 tem múltiplos de 42. Na escadaria, Wendy abana o bastão 42 vezes para afugentar Jack. 

-  Kubrick é um mestre na profundidade de campo e brinca constantemente com referências visuais e no filme coloca muitas pistas especiais em segundo planos de várias cenas. Kubrick conhecia as técnicas de imagens subliminares usadas na publicidade. 

- Nos créditos inicias, logo a seguir à legenda “Directed by Stanley Kubrick”, as nuvens do céus mostram a forma do rosto do realizador. 

- No hotel há um cartaz com um homem a fazer ski mas que é entendido como um Minotauro. Jack é o Minotauro com o seu olhar desafiador. 

- Os passeios de triciclo de Danny são uma forma visual de explorar a "cabeça dos seus pais". 

- “The Shining” é uma espécie de jogo de xadrez tridimensional em que Kubrick tenta contar várias histórias que parecem separadas mas estão intimamente ligadas. 

- Kubrick falsificou a aterragem da missão Apolo na Lua e lançou pistas no filme: Kubrick mudou o número do quarto 217 para 237 porque a distância em milhas da Terra à Lua é de 237 mil milhas. Danny tem uma camisola da missão Apolo 11. O padrão hexagonal do chão do hotel é idêntico à forma da base de lançamento da missão Apolo. 

- No livro de Stephen King, o carro de Jack Torrance é um Volkswagen vermelho. Kubrick mudou a cor do carro para amarelo e mandou "à merda" o escritor quando se vê Dick Holloran a conduzir em direcção ao hotel no meio de um temporal de neve e passa por um acidente de carro em que se vê um camião que cilindrou um… Volkswagen vermelho! 

- É um filme que também tem significados e simbolismos se for visionado de trás para a frente. É um filme que tem várias leituras ao “contrário”: há personagens que andam de frente para trás (Wendy, Danny) e que escrevem palavras ao contrário (“Redrum”). Logo, é um filme sobre o impacto que o passado tem sobre todos nós.

-  Há muita coisa em “The Shining” que ainda ninguém descobriu, Por isso é preciso continuar a vê-lo e a descobrir novas interpretações.

5 comentários:

Eduardo Pinha disse...

Olá.
Você conhece a teoria de The Shining é uma análise/crítica sobre o padrão ouro com dinheiro. Achei uma teoria muito maluca mas o auto encontra diversos aspectos que fazem sentido. Gostaria de saber sua opinião sobre essa análise.
Um abraço, Eduardo

Eduardo Pinha disse...

corrigindo *padrão ouro COMO dinheiro

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Olá Eduardo.
Sinceramente, nunca ouvi nem li nada acerca dessa teoria... É verdade que é estranha, aliás, como muitas outras. Há interpretações que são meros delírios sem fundamento, só para mostrar "erudição".
A título de curiosidade, o que soube há tempos é que o primeiro filme Toy Story utiliza o mesmo padrão de chão na casa de Andy que existe no The Shining (mas aqui não há conspiração - foi apenas uma citação/referência).

Eduardo Pinha disse...

Tem a primeira parte explicada bem didaticamente aqui http://www.youtube.com/watch?v=mAQnfOXqiR0
abraço

Eduardo Pinha disse...

ah, e mesmo que as teorias sejam uma bobagem o video tem muitas informações interessantes sobre o filme e sobre o próprio Kubrick