domingo, 10 de novembro de 2013

Smartphone faz cinema?


A revista Sábado conta que o documentário "A vida de Rafi" foi filmado apenas em três dias com o recurso de um smartphone. Sem lentes, tripés, câmara de filmar ou equipa técnica especializada. Foi divulgado pelas redes sociais e vai ser exibido num festival de curtas-metragens de Amesterdão.
A ideia partiu de duas irmãs, Daniela e Inês Leitão (realizadora e guionista). Rafi é uma graffiter da Maia, estudou arquitectura, canta hip-hop, usa saltos altos e tem 47 (!) gatos em casa. Este documentário mostra, durante 17 minutos, o espaço onde Rafi gosta de pintar, entrevistas à artista e a Sam The Kid. 
Eu vi o documentário, achei interessante o conteúdo mas fiquei a reflectir sobre um assunto sério: apesar da qualidade técnica de um smartphone moderno, será que se pode considerar "cinema" a este documentário? 
Sinceramente, julgo que não. Este suposto filme tem diversos problemas (som, luz, montagem...), parece um vídeo escolar feito com algum esmero e planificação, mas sem os meios considerados ideais nem uma ideia estrutural para o documentário. O cinema é outra linguagem, é outra exigência formal e estética que dificilmente um smartphone, algum dia, poderá garantir ou proporcionar. 
Segundo a notícia, as irmãs Daniela e Inês Leitão acabam de filmar um documentário sobre o bairro do Zambujal. Este foi filmado com uma câmara tradicional, e não com o telemóvel. Sendo assim, esperemos que tenha havido um considerável salto qualitativo.

3 comentários:

Marcelo Castro Moraes disse...

Ainda é muito sedo considerar isso, mas quem sabe mais pra frente.

Inês Leitão disse...

Caro Blogger,
este doc não é - nem nunca pretendeu ser - cinematográfico. Foi uma experiência. Teve um tratamento de áudio apenas (e intencionalmente essa foi a nossa única intervenção). Queríamos saber se era possível fazer um doc/shotcut com um smartphone numa realidade "what you see is what you get": descobrimos que é. Esse objetivo foi cumprido. E a história é boa...mas eu sou suspeita.
Quanto à qualidade dos nossos trabalhos sugiro que veja o doc "Mulheres de Deus". Um abraço
Inês Leitão

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Inês Leitão: obrigado pela sua mensagem esclarecedora. Tentarei ver o documentário que sugere.
Cumprimentos.