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domingo, 1 de fevereiro de 2015

Beatles ou Kraftwerk?

O site Flavorwire lançou uma pergunta: "São os Kraftwerk mais importantes do que os Beatles?

As respostas nas redes sociais, para todos os gostos, não se fizeram esperar: houve quem afirmasse que os Beatles eram "indiscutivelmente" os mais importantes. Outros que seria a banda alemã porque "criou um género musical". Outros ainda disseram que era difícil responder porque era como comparar uma "maçã com uma laranja".

Ora, na minha humilde opinião esta é daquelas perguntas meramente retóricas que não abonam a favor de uma reflexão séria e objectiva. Primeiro, era preciso saber o que significa "mais importante": em qualidade musical? Em influência? Em discos vendidos? Em número de fãs? (só uma curiosidade: numa pesquisa no Google os Beatles têm 117 milhões de resultados e os Kraftwerk têm apenas 15 milhões).

Segundo, porque ambos foram muito importantes e influentes na evolução da história da música popular da segunda metade do século XX: os Beatles foram um meteoro inovador no pop-rock e criaram o primeiro fenómeno de fama à escala planetária. Os Kraftwerk constituíram um dos projectos de música electrónica mais influentes dos anos 70 e 80. Ou seja, no meu ponto de vista, cada um destes nomes foi importante à sua dimensão e registo. Nunca arriscaria afirmar que este ou aquele "foi o mais importante".

É o mesmo que perguntar:

"São os Joy Division mais importantes do que os Sex Pistols?"
"São os Rolling Stones mais importantes do que Bob Dylan?"
"São os The Doors mais importantes do que os Velvet Underground?"
"São os Public Enemy mais importantes do que Frank Zappa?" 

Etc, etc...

quinta-feira, 7 de março de 2013

Lojas de discos "vintage"

Houve um tempo em que comprar música significava sair de casa e dirigir-se a uma loja física de discos. Nos primórdios da indústria discográfica, só havia discos em vinil. O cliente e amante de música percorria a loja e os vários escaparates divididos, geralmente, por ordem alfabética ou por géneros musicais. Percorria esses escaparates, mexia e tocava nas capas de discos, apreciava-as demoradamente, lendo toda a informação possível.
Quando lhe agradava um determinado disco, o cliente podia pedir ao funcionário da loja para pôr a tocar esse disco no gira-discos. Se lhe agradava, comprava. Na década de 60 do século XX a indústria discográfica expandiu-se mundialmente, acompanhando o fenómeno crescente de popularidade do pop-rock (geração Beatles/Elvis Presley e afins) e da cultura de consumo de massas.
Nos EUA, as grandes lojas de discos floresciam como cogumelos. Hoje são imagens longínquas, mas estas fotografias documentam como eram as lojas antigas ("Record Stores") dos anos 60 nos EUA. Num tempo em que a música era vivida e consumida de uma forma bem diferente da actual.

domingo, 15 de abril de 2012

Lemmy - Lenda do rock


Lemmy Kilmister - que foi "roadie" de Jimi Hendrix - é um ícone do rock, o avô do heavy metal, do punk e do hardcore. Há 35 anos à frente dos Motorhead, Lemmy é uma lenda da música que adora os Beatles e Elvis Presley e que influenciou uma grande diversidade de músicos e grupos como Metallica, Alice Cooper, Mick Jones (ex-Clash), Peter Hook (ex-New Order), Slash (ex-Guns N'Roses), Henry Rollins (ex-Black Flag), Dave Navarro (ex-Jane's Addiction). Todos têm orgulho em manifestar admiração por esta lenda viva do rock, uma carismática figura com o maior bigode, a voz mais rasgada (pelo consumo excessivo de Jack Daniels), as verrugas mais feias, o chapéu inconfundível, mas também com a atitude mais humilde e pragmática que se possa imaginar.
Realizado por Greg Olliver e Wes Orshoski, "Lemmy" (2010) é um documentário (premiado em vários festivais, como Cannes) que se debruça sobre a vida incrível do vocalista e baixista dos Motorhead. Com muitos depoimentos de amigos e músicos, o documentário revisita momentos históricos da sua vida, o seu fascínio pelos símbolos nazis, a sua intensa relação com as mulheres (fez sexo com 1000 mulheres!), a sua relação com o álcool e as drogas, a sua relação com os amigos e, claro, com a música. Apesar da timidez e do ar austero de Lemmy Kilmister, o documentário consegue arrancar algumas declarações surpreendentes - e quase sempre bem-humoradas - do próprio Lemmy, como quando ele diz pela primeira vez, e na frente do filho, que a coisa mais importante da sua vida é o rapaz. Ou quando lhe perguntam: "O que tem a dizer ao facto de o acusarem de ser nazi?". Ao que Lemmy, fardado a rigor com uniforme nazi, responde: "Bom, eu tive seis namoradas negras, logo não posso ser considerado um nazi genuíno!".
"Lemmy", o filme, traz ainda imagens raras do baixista nos The Rockin' Vickers, a sua primeira banda em meados dos anos 60, além de concertos com o grupo de rock Hawkind, do qual foi despedido nos anos 1970 por ser "muito acelerado" - graças ao speed - para o espírito mais psicadélico da banda. Lemmy, no documentário, minimiza esse episódio e justifica: "Fui despedido porque estava a foder com a namorada do vocalista".
"Lemmy" é, pois, um magnífico documentário sobre uma personagem mítica do imaginário rock e um filme honesto e competente.
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quinta-feira, 12 de abril de 2012

Charles Manson, o músico


Charles Manson - líder de um grupo que há 40 anos levou a cabo uma série de assassinatos brutais - viu hoje ser-lhe negada aquela que deve ter sido a sua última oportunidade de obter a liberdade condicional. Como cidadão, só me posso congratular com esta decisão do tribunal americano. Apesar do horror dos seus crimes, Manson tem tido uma legião de fãs ao longo das últimas décadas (é o prisioneiro que mais cartas recebe na prisão). Se fosse colocado em liberdade, certamente que esses fãs o seguiriam com consequências imprevisíveis...
O que pouca gente sabe é que Charles Manson, actualmente com 77 anos, também foi (é) músico. Um músico mediano, mas ainda assim músico. A cumprir pena de prisão perpétua pelo assassinato (em 1969) de Sharon Tate, a bela actriz e mulher do realizador Roman Polanski (quando foi assassinada estava grávida de 8 meses), Manson lançou em 2008 um disco pela Internet gratuitamente.
Manson, fervoroso adepto de Bob Dylan e dos Beatles (dizia que a música "Helter Skelter" dos Beatles continha uma mensagem satânica subliminar), já fazia música no final dos anos 60 quando fundou a temível e fanática seita “The Family”, da qual Manson era o suposto Messias e que acabou por violar e assassinar a actriz em ascensão Sharon Tate (mais outros 4 amigos). O álbum chamava-se “One Mind”, foi gravado com um gravador portátil ao longo de anos na prisão de San Quentin e tem 16 canções certamente impregnadas de letras alucinadas com traquejo blues e country.
É que Manson tinha como ambição tornar-se numa estrela rock. E pelos vistos ainda continua a manter esse sonho, mesmo atrás das grades.
Sobre o caso do homicídio de Sharon Tate e a liderança “espiritual” de Charles Manson há um interessante filme (2004) que retrata a personagem conturbada e psicótica de Manson: “Helter Skelter – o Caso Sharon Tate”, de John Gray.

domingo, 20 de novembro de 2011

Toda a música dos Beatles... numa faixa


Com a tecnologia digital e de produção musical existente hoje em dia tudo é possível. Até reunir as 226 canções que os Beatles compuseram em toda a sua carreira e reuni-las numa só faixa. Para quê? Basicamente, para ouvir como soam todas essas canções misturadas ao mesmo tempo. Apesar da ideia de juntar muitas músicas numa só já não ser original, a verdade é que a iniciativa de misturar, rigorosamente, todas as músicas da banda de Liverpool deveu-se a um tal DJ Ramjac.
Ao longo dos 8 minutos que a faixa dura, conseguimos identificar diversas músicas dos Beatles, mas a partir do meio deste trabalho impressionante, a massa sonora adquire contornos totalmente indistintos e até violentos. Basicamente, aquele ruído todo é o resultado da junção das tais 226 canções dos Beatles. Certamente uma ideia que agradaria a grandes aventureiros da música contemporânea de vanguarda como John Cage ou Karlheinz Stockhausen.
E claro que o título desta experiência só podia ser um: "All Together Now" (título de uma música dos Beatles e que atribui sentido conceptual a este trabalho de DJ Ramjac).
Eis o link.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Scaruffi - O verdadeiro homem que sabe demasiado


Este homem chama-se Piero Scaruffi, tem 55 anos, é de origem italo-americana, formado em matemática pela Universidade de Turim, vive desde 1983 nos EUA, e trabalha na investigação da Inteligência Artificial e da informática.
Mas não é por estas vertentes que é mundialmente conhecido. Desde cedo que a sua paixão foi a música. Nos anos 70, quando era jovem, diz que era o especialista em música na escola. Os amigos perguntavam-lhe quais os cinco discos essenciais do jazz, quais os melhores do heavy-metal ou do rock progressivo. Piero Scaruffi respondia a tudo. De tal forma que foi elaborando listas atrás de listas temáticas, fazendo uma espécie de história da música do século XX. Começou a editar livros.
Um dos seus livros mais famosos é o “History of Jazz Music 1900 – 2000”, uma obra que aborda 100 anos de evolução e revoluções no jazz. Mas também lançou livros sobre a história do rock, da música erudita contemporânea ou da electrónica. Diz-se que é uma verdadeira enciclopédia e que mal tem tempo para respirar, tal a investigação, audição e leitura a que se dedica. Elaborou dezenas de listas dos melhores álbuns de todos os tempos e de quase todos o géneros (o seu preferido de sempre é “Trout Mask Replica" de Captain Beefheart).
Desde 1989 que Scaruffi resolveu colocar todo o seu saber acumulado na internet, publicando centenas de artigos e listas de discos desde 1955 até à actualidade, catalogadas por géneros musicais, por ano, década ou por instrumentos (o melhor cantor, guitarrista, baterista, teclista...). Para quem gosta de jazz, por exemplo, ou está a começar a gostar e precisa de referências discográficas, nada melhor do que consultar o seu site. Música clássica, idem. Rock progressivo, ibidem. O seu site contém centenas de referências a discos e edições, classificadas com um rigor quase científico e obsessivo.

Mas o seu site não aborda apenas música, mas dezenas de outros temas: cinema, literatura, filosofia, poesia, arte, ciência, política, viagens ou história. O que acarreta mais cronologias de acontecimentos culturais, críticas, biografias históricas, listagens exaustivas de acontecimentos, textos de reflexão, ensaios, etc.
Todos os conteúdos publicados são da exclusiva responsabilidade do próprio Scaruffi e não se pense que Scaruffi não faz actualizações. Quase todos os dias o site é actualizado com novos conteúdos e informações, num ritmo quase imparável. As suas preferências musicais são vastíssimas e diversificadas (e é atento às novidades estéticas, do heavy-metal à electrónica, do indie-folk à electrónica IDM).
O seu trabalho não é avesso a polémicas, e as classificações que atribui a discos clássicos nem sempre é alvo de consensos, uma vez que Scaruffi foge a sete pés do mainstream, favorecendo as manifestações estéticas mais alternativas. Outra prova de controvérsia prende-se com a sua página sobre os Beatles, na qual defende que a banda de Liverpool é a mais sobrevalorizada de todos os tempos: "The Beatles most certainly belong to the history of the 60s, but their musical merits are at best dubious."
O seu monumental site é, em termos de design, de um total mau gosto, mas é funcional e prático, e no fundo é isso que interessa.
"Last but not least" - o site é verdadeiramente internacional, visto que é traduzido em seis (!) línguas - do espanhol ao japonês. Um caso único na Internet, portanto.
Para entrar e descobrir o mundo de conhecimento de Piero Scaruffi, abrir aqui.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Viva Salinger!


Durante muitos anos ouvi falar deste livro como sendo uma referência de culto para várias gerações. Durante muitos anos li que o seu escritor, J. D. Salinger, se tinha isolado após ter escrito esta obra em 1951. Durante muitos anos ouvi dizer que se tratava de uma obra literária de grande inovação formal e estilística. Só a morte do escritor, em Janeiro deste ano, me despertou, definitivamente, para a leitura de "À Espera no Centeio" ("The Catcher in the Rye"). Atraso após atraso, lá o li este Verão. E em boa hora.
Salinger expôs neste livro uma escrita áspera e rude, mas extremamente fluída e consistente. Uma escrita repleta de humor cáustico sobre a vida de um impulsivo e depressivo adolescente - Holden Caufield - revoltado e em crise existencial. Holden Caulfield, narrador e protagonista desta história, revela-se um jovem angustiado perante as incertezas da sua vida e do seu relacionamento com os outros. Holden é expulso do colégio e foge de casa deambulando por uma Nova Iorque excitante de animação e aventura (o livro foi controverso por fazer uso de muito calão e de ter abordado, sem pudor, episódios sobre sexo promíscuo, drogas, álcool e violência).
"À Espera no Centeio" já não terá o impacto que teve nos anos 50 e 60 (em plena época dos "rebeldes sem causa" de James Dean) mas agora compreendi, após a leitura compulsiva, porque é que continua, ainda hoje a fascinar os leitores (nos EUA vende anualmente 200 mil exemplares). Uma obra de grande fulgor sobre a procura da identidade juvenil, sobre a alienação e a rebeldia.
Curioso o facto deste livro de Salinger ter, alegadamente, inspirado alguns crimes famosos: Mark David Chapman, o assassino de John Lennon, lia este livro minutos antes de disparar contra o músico dos Beatles. O atirador que tentou matar o presidente Ronald Reagan refere que foi inspirado pelo mesmo livro.
Outro aspecto interessante: dado o notável poder visual que este livro emana e a sua inerente importância literária, grandes realizadores e actores tentaram, ao longo de décadas, adaptá-lo ao cinema (ou na realização ou na interpretação do protagonista do livro): Elia Kazan, Billy Wilder, Jerry Lewis, Marlon Brando, Jack Nicholson, John Cusack, Leonardo DiCaprio, Terrence Malick, entre outros.
J.D. Salinger sempre recusou vender os direitos de autor. Agora que o escritor morreu, consta-se que a família descendente pondera cedê-los para levar ao grande ecrã esta fabulosa aventura literária. Seria uma excelente notícia!

sábado, 31 de julho de 2010

The Beatles - Uma história alternativa

Esta semana celebram-se os 50 anos dos Beatles, banda mítica e fundamental da história do pop-rock do século XX. Este livro pretende ser, não sem polémica, um contributo para uma releitura (alternativa) da história da música popular (com enfoque particular no rock) desde o início do século XX à década de 70. Os Beatles são particularmente focados nesta obra, na qual o seu autor, Elijah Wald, acusa o quarteto de Liverpool de ter construído e destruído toda uma mitologia do rock, as polémicas à volta das drogas, mulheres e outros excessos, explicando o sucesso da banda em comparação com o insucesso de outros músicos igualmente talentosos (para além de outros tópicos analisados).
O livro tem recolhido os mais rasgados elogios da imprensa internacional especializada, e até Tom Waits, tão pouco dado a comentários a discos ou a livros, disse isto a propósito de "How The Beatles Destroyed Rock'n'Roll: "I couldn't put it down. It nailed me to the wall, not bad for a grand sweeping in-depth exploration of American music with not one mention of myself. Wald's book is suave, soulful, ebullient and will blow out your speakers."
Mais informação aqui.

domingo, 25 de abril de 2010

Canções rock "extra-large"

Qual a duração que uma música pop/rock deve ter? Certamente que não existe um resposta definitiva. Nos primórdios do rock, com Elvis Presley ou os Beatles, por exemplo, uma canção não ultrapassava, em média, os três minutos. Era o tempo formatado para puderem passar nas rádios (comercialmente falando, ainda é o tempo de canção mais viável). O mesmo com as canções que emergiram do movimento punk: rápidas, incisivas e concebidas em dois ou três simples acordes de guitarra.
Mas houve outras épocas e outros géneros musicais em que o formato convencional de canção foi subvertido através da exploração de temas de duração alargada. É o caso do rock progressivo e psicadélico, fértil na criação de músicas com 10 minutos ou mais de duração, com improvisações sinfónicas, rendilhados estilísticos, e estruturas instrumentais complexas.
Neste contexto, vale a pena espreitar a lista das dez canções rock com mais de 10 minutos de duração. Jimi Hendrix, Led Zeppelin, Deep Purple, King Crimson, Television, Pink Floyd e, até, Bob Dylan, exploraram canções com mais de 10 minutos de duração. Algumas beneficiam com a duração, outras, claramente, ficam prejudicadas (quando a criatividade e a substância escasseiam).

sábado, 2 de janeiro de 2010

Música pelas barbas

Que ligação tem a música independente (sobretudo indie rock e folk) com o uso de barbas grandes dos músicos? Aparentemente, muita, tendo em conta este artigo do Times Online. O artigo assegura que alguma da melhor música que se faz agora é criada por músicos com barbas generosas. E que as barbas são, novamente, cool.
Claro que antes da nova geração, muitos músicos famosos usaram barba - Beatles, Doors, Robert Wyatt, ZZ Top (o português António Variações), etc. Mas nos últimos anos a moda da barba voltou em força, como imagem de marca, como sinal de maturidade e de diferença. E não falo da barba rala de 8 dias que qualquer músico de 20 anos gosta de ostentar. Falo da barba longa e farta de meses, orgulhosamente à eremita. Eis alguns músicos da nova geração que cultivam esta imagem:
Neil Fallon (Clutch)
Doug Martsch (Built to Spill)

Will Oldham
Warren Ellis (Grinderman)
Andy Williams (Everytime I Die)

Jarvis Cocker

Eels

Fleet Foxes

Devendra Banhart

Iron and Wine

sábado, 21 de novembro de 2009

David Lynch goes to India


A recente notícia que dá conta do próximo filme de David Lynch agradou-me sobremaneira. Lynch, um adepto da meditação transcendental (como referi aqui a propósito do seu livro "Em Busca do Grande Peixe"), vai adaptar ao cinema - já com filmagens a partir de Dezembro - a vida do guru Maharishi Mahesh Yogi, o místico indiano que deu aulas de meditação nos anos 60 a diversos músicos pop-rock, sendo os mais conhecidos, os Beatles. O quarteto de Liverpool encontrou-se por diversas vezes com Mahesh Yogi e John Lennon foi um dos mais entusiásticos seguidores do mestre.
Dizia que a notícia me tinha agradado porque julgo que é altamente promissor o resultado da simbiose entre o universo estético surreal de David Lynch e o misticismo da cultura indiana. Muito promissor mesmo.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Universos paralelos

Se "Kid A" tivesse "Artificial Intelligence"

Se "Sound of Music" se misturasse com Beatles

Se fosse Keira em vez de John

Se tivesse 14 anos em vez de 40

Se Johnny Depp fosse calvo
Se Woody Allen fosse... sei lá o quê

Se Manson fosse Charlie
Se Jim Carrey fosse Javier Bardem
Se "Taxi Driver" fosse no século XIX
Se John Goodman fosse "Batman"

Se Cassavetes tivesse feito "Feces" em vez de "Faces"

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Mashup - misturar e voltar a dar

Há um verdadeiro mundo de mashups por descobrir. Fruto da cultura do sampling e da técnica de "corte e cola" que se instalou nos anos 90 e 2000, qualquer pessoa em casa, com o seu computador e um software barato pode fazer um mashup.
E o que é um mashup musical? Basicamente, é um processo simples de colagem de duas músicas completamente diferentes, de forma a criar uma música nova. Por norma, aproveita-se a base instrumental de uma determinada música, apaga-se um ou outro elemento musical (voz ou instrumento) e cola-se por cima outra parte instrumental com voz. É preciso apenas ter alguma sensibilidade para sincronizar o ritmo ou a sequência melódica entre as duas partes para que o resultado se torne, auditivamente, uma total surpresa (principalmente se o ouvinte conhecer as duas músicas misturadas).
Há já um longo historial de criação de mashups, cujo principal objectivo é a pura diversão de juntar músicas completamente opostas. Há centenas de exemplos na internet e no Youtube, perfeitos anónimos que se dão ao trabalho de misturar as mais improváveis músicas: Metallica com Beatles, Eminem com Black Sabbath, Queen com Outkast, Abba com 50 Cent, Beatles com Nine Inch Nails, entre muitos outros exemplos. Alguns mashups são mais interessantes e eficazes do que outros, havendo exemplos que parecem ter sido feitos pelo mesmo compositor - independentemente do género musical ou da época das referências citadas.
Eis três interessantes e criativos exemplos.
O grupo hip-hop Beastie Boys misturado com Doors:

White Stripes com Prodigy:

Nirvana e Michael Jackson:

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

As capas banidas

Qual a diferença entre estas duas capas do álbum "Country Life" (1974) dos Roxy Music? Simples: a primeira é a capa original, a segunda é a capa censurada.
A música pop-rock está recheada de casos destes ao longo da história. Isto é, capas de discos redesenhadas para agradar à moral pública, segundo os dúbios e conservadores critérios de certos executivos instalados nas cadeiras do poder decisório (nos EUA, mas também na Europa e um pouco por todo o mundo). O site Dixieworld revelou uma lista dos 20 casos de capas de discos que mais chocaram a opinião pública e que foram banidas (quase sempre por conteúdo sexual/erótico ou violência explícita) ao longo das últimas quatro intensas décadas de indústria discográfica.
Esta capa dos Roxy Music é um clássico conhecido que foi alvo da implacável censura, mas há muitos outros exemplos - de Jimi Hendrix aos Beatles, de John Lennon aos Scorpions (sobre os quais já tinha falado neste post). O site mostra a capa original e a versão censurada. Aqui.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Across the Universe

A canção "Across The Universe" dos Beatles, escrita em 1969, tem múltiplas versões. Não tantas quanto o clássico "Yesterday", creditada como a canção com mais "covers" de sempre.
A cantora e compositora Fiona Apple fez uma versão deste tema que foi incluída no interessante filme "Pleasentville" (1998) de Gary Ross. A versão está muito bem conseguida, captando as belas nuances da melodia de Lennon e McCartney. Mas queria era chamar a atenção, sobretudo, para o excepectional videoclip, talvez um dos melhores de toda a década de 90. O cenário é o de um café dos anos 50 (década em que se passa a acção do filme) e vemos Fiona a cantar, com uma calma imperturbável, enquanto ao seu redor, em câmara lenta, vemos actos de violência e vandalismo.
Este contraste entre a violência das imagens e a serenidade da música, contribui para uma sensação visual de grande impacto e estranheza (a qualidade plástica das imagens é inegável). Apesar da minha pesquisa, não consegui apurar o nome do realizador deste magnífico videoclip:

domingo, 26 de julho de 2009

Uma história alternativa da música popular

Um livro que pretende ser, não sem polémica, um contributo para uma releitura (alternativa) da história da música popular (com enfoque particular no rock) desde o início do século XX à década de 70. Os Beatles são particularmente focados nesta obra, na qual o seu autor, Elijah Wald, acusa o quarteto de Liverpool de ter construído e destruído toda uma mitologia do rock, explicando o seu sucesso em comparação com o insucesso de outros músicos igualmente talentosos (para além de outros tópicos analisados).
O livro tem recolhido os mais rasgados elogios da imprensa internacional especializada, e até Tom Waits, tão pouco dado a comentários a discos ou a livros, disse isto a propósito de "How The Beatles Destroyed Rock'n'Roll:"I couldn't put it down. It nailed me to the wall, not bad for a grand sweeping in-depth exploration of American music with not one mention of myself. Wald's book is suave, soulful, ebullient and will blow out your speakers."
Mais informação aqui.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Beatles: a capa que gerou polémica



Estas duas capas correspondem ao mesmo álbum dos Beatles: "Yesterday & Today", editado em 1966. Acontece que teve duas edições de capas diferentes. A primeira (em cima), corresponde à capa original que foi censurada pela editora Capitol. A imagem dos quatros músicos de Liverpool com bocados de carne espalhados pelas batas brancas e as bonecas velhas sem cabeça constituíram elementos visuais algo perturbadores para a habitual pacatez estética do grupo. As críticas não se fizeram esperar e, pela primeira vez, a editora perdeu dinheiro com a edição de um disco dos Beatles. Mais: a banda foi mesmo forçada a lançar o disco com novo design gráfico mais "inofensivo" (imagem em baixo), o que muito irritou os músicos (pode constatar-se pelos rostos tensos dos quatro).
Aos olhos de hoje, poder-se-á criticar a capa por falta de bom gosto, mas duvido que fosse censurada "per si". Em 1966, as mentalidades eram mais conservadoras (apesar da "revolução sexual" em curso) pelo que talvez se compreenda a falta de tolerância para com este desvio estético da banda que nunca tinha sido antes provocatória. Apesar da controvérsia, após a edição da capa alternativa, este disco subiu ao top de vendas nos EUA (contém a popular canção "Yesterday") e a capa original tornou-se um objecto raro e de coleccionador. Aventuras gráficas dos Beatles...