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quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Trilogias

Há mais trilogias no cinema do que se pensa. Trilogias unidas por uma temática, uma estética, uma ideia narrativa. Eis algumas das mais célebres trilogias da história do cinema:

Trilogia das Cores de Krzysztof Kieslowski: Bleu | Blanc | Rouge 

Trilogia da Era Glacial de Michael Haneke: O Sétimo Continente | O Vídeo de Benny | 71 Fragmentos... 

Trilogia Alemã de Hans-Jürgen Syberberg: Ludwig | Karl May | Hitler 

Trilogia do Silêncio de Ingmar Bergman: Através de um Espelho | Luz de Inverno | O Silêncio 

Trilogia da Incomunicabilidade de Michelangelo Antonioni: A Aventura | A Noite | O Eclipse 

Trilogia da Alemanha Ocidental de Rainer Werner Fassbinder: Maria Braun | Lola | Veronika Voss

Trilogia Gangster de Rainer Werner Fassbinder: O Amor É Mais Frio Que A Morte | O Soldado Americano | Os Deuses da Peste 

Trilogia dos Apartamentos de Roman Polanski: Repulsa | O Bebé de Rosemary | O Inquilino

Trilogia de Hollywood de David Lynch: Estrada Perdida | Mulholland Drive | Inland Empire 

Trilogia da Vida de Pier Paolo Pasolini: Decameron | Os Contos de Canterbury | As Mil e Uma Noites

Trilogia das Fronteiras de Theodoros Angelopoulos: O Passo Suspenso da Cegonha | Um Olhar a Cada Dia | A Eternidade e Um Dia

Trilogia da Vida de Apu de Satyajit Ray: A Canção da Estrada | O Invencível | O Mundo de Apu 

Trilogia do Amor de Andrzej Zulawski: O Importante é Amar | A Mulher Pública | A Revolta do Amor 

Trilogia da Desvirtude de Luis Buñuel: Viridiana | O Anjo Exterminador | Simão do Deserto 

Trilogia Flamenca de Carlos Saura: Bodas de Sangue | Carmen | Amor Bruxo 

Trilogia da Injustiça Social de Pedro Costa: Ossos | No Quarto da Vanda | Juventude em Marcha 

Trilogia da Arte de Alain Resnais: Van Gogh | Gauguin | Guernica 

Trilogia da Memória de Alain Resnais: Hiroshima, Meu Amor | Ano Passado em Marienbad | Muriel ou o Tempo de um Retorno 

Trilogia Dr. Mabuse de Fritz Lang: Dr. Mabuse | O Testamento do Dr. Mabuse | Os Mil Olhos do Dr. Mabuse  

Trilogia da Guerra de Roberto Rossellini: Roma, Cidade Aberta | Paisà | Alemanha, Ano Zero 

Trilogia Qatsi de Godfrey Reggio: Koyaanisqatsi | Powaqqatsi | Naqoyqatsi  

Trilogia do Casamento de John Cassavetes: Faces | Assim Falou o Amor | Uma Mulher Sob Influência 

Trilogia da Depressão de Lars von Trier: Anticristo | Melancolia | Ninfomaníaca: Volume 1 & 2

Trilogia da Morte de Alejandro González Iñárritu: Amores Perros | 21 Gramas | Babel 

Trilogia O Padrinho de Francis Ford Coppola: Parte I | Parte II | Parte III 

Trilogia da Vingança de Chan-wook Park: Mr. Vingança | Oldboy | Lady Vingança 

Trilogia O Senhor dos Anéis de Peter Jackson: A Sociedade do Anel | As Duas Torres | O Retorno do Rei  

Trilogia dos Dólares de Sergio Leone: Por um Punhado de Dólares | Por uns Dólares a Mais | Três Homens em Conflito 

Trilogia Regresso ao Futuro de Robert Zemeckis: Parte I | Parte II | Parte III

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

O fabuloso e desconhecido Pelechian


Há dois anos, o Lisbon Estoril Film Festival tinha no seu programa uma secção denominada "Cineastas Raros". Um dos cineastas raros que o festival promoveu foi o fascinante Artavazd Pelechian (1938), realizador arménio praticamente desconhecido (mesmo do público cinéfilo).
Tive a ocasião de conhecer o seu trabalho há uns anos devido a uma edição em DVD das obras documentais (1967 - 1993) de Pelechian (edição Costa do Castelo).

Pelechian é de facto um cineasta raro pela forma como encena e constrói os seus filmes (recorrendo a filmagens originais mas também a imagens de arquivo), pela linguagem cinematográfica que utiliza (reminiscências de Eisenstein e Vertov) e pela forma como nos revela o mundo. O seu cinema documental assenta num trabalho plástico e poético das imagens em sintonia magistral com a música e o espantoso trabalho de sonoplastia. O realizador considera indissociáveis a imagem e a música como elementos que dão ritmo e coerência estética ao seu trabalho.

Pelechian praticamente só realizou curtas-metragens (oito) e a duração total da sua filmografia não ultrapassa - imagine-se - as 3 horas. Mas não é pela curta duração do seu trabalho que o cineasta deixa de ser um grande cineasta. Os seus filmes centram-se no homem e na sua relação íntima com a natureza. Para o realizador arménio, a natureza é o laço que une todos os seres vivos. Os filmes de Pelechian revelam-nos a consciência humana através de uma sensibilidade única. Não têm diálogos nem narração. As imagens explicam tudo.

Não terá sido por acaso que Jean-Luc Godard referiu uma vez que Pelechian é "um dos maiores cineastas vivos" e que Sergei Paradjanov disse que o cineasta arménio "é um dos poucos génios do cinema universal". Por sua vez, o grande realizador da Trilogia Qatsi, Godfrey Reggio, referiu que conheceu a obra de Pelechian em 1988 e que foi uma "experiência espiritual".

Uma das suas obras mais aclamadas é "Seasons", na qual Pelechian aborda os costumes da sua terra e a ligação que une o homem com a natureza. Ou o fabuloso "The End" com o início do comboio, os incrível trabalho sonoro com os sons e a música.

O seu cinema está repleto de pura poesia visual e é um cineasta de génio que urge conhecer.

(No Youtube encontram-se outros filmes do realizador, inclusive um documentário sobre a sua obra).

Recensão crítica da sua filmografia.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

"Manhattan" vs "Koyaanisqatsi"

Que belo e tão simples exercício: alguém se lembrou de pegar no filme "Manhattan" de Woody Allen  e na sua famosa  sequência inicial e transformá-la numa filme assinado por... Godfrey Reggio. Este realizador é o autor da extraordinária Trilogia Qatsi, já por diversas vezes abordada neste blogue. O primeiro filme desta trilogia, "Koyaanisqatsi" (1982), foi um marco inovador no documentário não-narrativo, pela forma como foi filmado, pelo poder das imagens e pela relação com a inspirada música do compositor Philip Glass. 
Voltando ao início: alguém adaptou a música que Glass compôs para o filme de Reggio e colou-a na sequência inicial do clássico de Woody Allen. Adaptou também o título do filme para se assemelhar ao título vermelho de "Koyaanisqatsi" e não mexeu na montagem original. O resultado é desconcertante e será melhor percebido quanto mais o leitor conhecer ambos os filmes (e música) citados: é como se "Manhattan" tivesse mesmo sido feito sob a visão estética de Godfrey Reggio, tal o encaixe perfeito entre as imagens e preto e branco e a música.
Pequenas experiências do YouTube que conferem um outro significado aos filmes e à música.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Christopher Nolan - cinéfilo improvável

E já que publiquei (ver post abaixo) a lista dos 10 filmes preferios de Roger Corman, eis mais uma série de listas bem interessantes divulgadas pelo site Flavorwire. Trata-se de uma lista de 10 realizadores - de Woody Allen a Quentin Tarantino, de Francis Ford Coppola a Stanley Kubrick.
Claro que há listas mais interessantes do que outras. A de Kubrick, Scorsese ou do Woody Allen são reveladoras da sua imensa cinefilia. Mas a lista que mais me surpreendeu foi a de Christopher Nolan ("Batman" e "Inception") que demonstra ter um gosto cinéfilo deveras aguçado.
A saber: Nolan cita como filmes preferidos "Twelve Angry Men" de Sidney Lumet, "Greed" de Eric von Stroheim, "The Testament of Dr. Mabuse" de Fritz Lang, o (raramente) citado "Mr. Arkadin" (também conhecido como "Confidential Report") de Orson Welles ou "Koyaanisqatsi" de Godfrey Reggio. Sem dúvida que Nolan conhece bom cinema clássico, algo que nem sempre transparece nos seus filmes "mainstream".
Ver aqui a lista completa.

sexta-feira, 1 de março de 2013

O novo filme de Godfrey Reggio

Boa notícia: o realizador Godfrey Reggio, autor da fenomenal e ímpar Trilogia Qatsi (documentários não narrativos), encontra-se em fase de pós-produção do seu novo filme intitulado "The Holy See". Uma vez mais, conta com a colaboração do compositor Philip Glass para a música original.
"The Holy See" reflecte sobre a forma como os homens percepcionam a realidade que os rodeia num mundo ultra-saturado de referências visuais em todas as áreas da actividade humana. Mais uma vez se trata de um documentário sem palavras e com um cuidado único ao nível plástico e visual.
O trailer deste novo trabalho de Reggio é magnífico e belo na sua intrínseca concepção minimalista e estética, sempre bem relacionado com a música de Glass (aconselho ver o trailer até ao fim).
"The Holy See" deve ter estreia durante este ano.

domingo, 13 de janeiro de 2013

"Samsara" - A desilusão



Finalmente vi "Samsara".
As expectativas eram elevadas, depois da alta fasquia artística conseguida com "Baraka" (1992). Ron Fricke, o realizador, aprendeu tudo quando trabalhou - como director de fotografia - com Godfrey Reggio na fantástica trilogia Qatsi (já por diversas vezes comentada neste blogue). 
As expectativas eram altas porque "Samsara" demorou 5 anos a ser concluído e foi filmado em 25 países diferentes. Mas, quanto a mim, as expectativas não foram alcançadas. Depois de ver o filme uma frustrada sensação invadiu o meu espírito. Visualmente e esteticamente, "Samsara" é de uma notável beleza plástica, mas pouco mais há de novo. Ron Fricke limitou-se a filmar sequências da natureza e das mais variadas culturas do planeta (do Oriente ao Ocidente) sem coerência. "Koyaanisqatsi" ou "Baraka" tinham um fio condutor, uma montagem rigorosa e exigente. "Samsara" parece andar à deriva, salta abruptamente de imagem para imagem sem aparente nexo. Daí que o ritmo se ressinta, visto que a própria música não ajuda. 
Apesar de gostar muito do trabalho de Lisa Gerrard (Dead Can Dance) e de Michael Stearns, a verdade e que a música de "Samsara" quase nunca consegue estabelecer uma relação efectiva com as imagens (ou vice-versa). Ao contrário do irrepreensível trabalho de Philip Glass na trilogia Qatsi, aqui a música não impõe uma coerência ao discurso visual, parecendo mera decoração de fundo. A título de exemplo, a toada ambiental predomina em 80% do documentário e só ao fim dos primeiros 40 minutos de filme houve uma sequência musical com ritmo (para contrastar com os 39 minutos anteriores). 
Não há dinâmica, não há um climax e um anti-climax, não há surpresa nem originalidade em tudo o que "Samsara" apresenta (toda a estética é devedora da herança Qatsi). Minto: houve uma sequência verdadeiramente nova e inquietante que me deixou surpreendido - o momento de uma performance impressionante do francês Olivier de Sagazan chamada "Transfiguration" (que pode ser vista aqui). Tirando essa sequência de grande impacto, nada mais me entusiasmou. 
E é pena, porque Ron Fricke poderia ter feito uma trilogia de elevada qualidade artística à semelhança da trilogia Qatsi - "Chronos" (1985) + "Baraka" (1992) + "Samsara" (2012), mas não o conseguiu.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Trilogia Qatsi em Blu-Ray

Eis uma boa notícia para coleccionadores de edições especiais: com a extrema qualidade da editora Criterion Collection, acaba de ser colocada à venda a fantástica "Trilogia Qatsi" em Blu-Ray. Esta  trilogia de filmes representa uma revolução na linguagem audiovisual contemporânea. 

Com a herança da linguagem visual das primeiras experiências do documentário sem palavras de Dziga Vertov, Hilary Harris ou Walter Ruttmann, o realizador Godfrey Reggio preconizou uma nova forma de olhar as imagens e ouvir os sons, propondo uma nova relação expressiva entre ambos meios de comunicação e criando uma verdadeira obra de arte audiovisual. 

Com a música sublime de Philip Glass, Godfrey Reggio mostra-nos um mundo saturado de imagens pré-fabricadas, fruto da sociedade hiper-acelerada e materialista, uma sociedade onde a Natureza foi suplantada pelo advento maciço do modelo de vida moderno tecnológico e digital. Ao mesmo tempo uma meditação hipnótica em imagens e música e uma crítica feroz ao estilo de vida alienado do homem moderno, esta trilogia produz no espectador um impacto que tem tanto de emocionante como de atordoador. "Koyaanisqatsi" (1983), "Powaqqatsi" (1988) e "Naqoyqatsi" (2002), cada um à sua maneira, cada um com um notável ângulo de visão sobre o homem e a natureza, são filmes de uma beleza estonteante, uma viagem espiritual e fascinante que será, certamente, potenciada com a qualidade digital (som e image) proporcionada pelo Blu-Ray. eu já tinha adquirido há uns anos esta trilogia em DVD, numa cara edição estrangeira. Agora sinto-me compelido a comprar esta irrepreensível edição da Criterion...
É que a edição da Criterion, que pode ser vista aqui, não se resume aos três filmes. Contém um magnífico lote de extras que fará as delícias do cinéfilo mais exigente: documentários, making of, entrevistas aos criadores, ensaios de análise, fotografias, etc.
Esta obra, dado o seu enorme valor artístico, faz parte da colecção permanente do The Museum of Modern Art (Nova Iorque) e do The British Film Institute (Londres).

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Sopro de vida


"Baraka" é uma palavra sufi que significa "Sopro de Vida" ou "Benção".
E "Baraka" é um sublime documentário (1992) sem legendas nem narração em voz-off (no estilo da obra-prima "Koyaanisqatsi" de Godfrey Reggio) sobre a natureza e a condição humana no planeta Terra, revelando os contrastes entre civilizações muito diferentes.
No fundo, é um filme que enaltece a humanidade (mesmo que mostre a destruição e a degradação humanas) e a relação entre distintas raças, religiões, línguas e culturas. Realizado por Ron Fricke (ex-director de fotografia de "Koyaanisqatsi"), "Baraka" é um hipnotizante poema visual filmado em estilo "time-lapse" e "super slow-motion", no qual as imagens incluem rituais religiosos, maravilhas naturais, processos de mecanização e diversos estilos de vida. Sendo um documentário visual, a música desempenha um papel fundamental, desde logo, com a fabulosa música original de Michael Stearns; depois, com a inclusão do clássico tema "The Host of Seraphim" dos Dead Can Dance.
Particularmente impressionante é esta sequência de 6 minutos e 39 segundos: um ritual religioso (não consegui identificar a origem) seguido de espantosas imagens da natureza. Superiormente filmado, com uma leveza e elegância estética a toda a prova, "Baraka" em geral e esta sequência em particular, influenciaram grande parte da linguagem visual dos documentários, reportagens e publicidade dos últimos 20 anos. 
Pegando no significado do título do filme, é um portentoso "sopro de vida" e um hipnótico sopro de cinema.

domingo, 20 de maio de 2012

As imagens e sons da Serra Pelada


Do trabalho árduo dos mineiros da Serra Pelada (minas de ouro do Brasil) extrai-se beleza visual ao ritmo da música tribal e de um coro de crianças sul-americanas. A vida em transformação, em consonância com o chamamento original da terra, o sacrifício humano em prol do desenvolvimento civilizacional. O suor destes homens é vertido em ganância alheia. O trabalhador morto que é carregado aos ombros pelos colegas (no final do vídeo) transforma-se numa espécie de "Pietá" dos tempos modernos.
As imagens são captadas por um dos maiores documentaristas de sempre, Godfrey Reggio, musicadas por um dos maiores compositores contemporâneos, Philip Glass.
"Powaqqatsi" é o segundo capítulo de uma trilogia magistral e única na história das imagens e dos sons - "Trilogia Qatsi".
Esta sequência inicial pode ser vista aqui.

domingo, 8 de abril de 2012

Manhattan como nunca se viu

A influência é claramente da obra-prima "Koyaanisqatsi" (1982) de Godfrey Reggio, documentário que inovou com as técnicas de filmagem "time lapse" (imagens super-aceleradas em relação à realidade).
Josh Owens, conhecido pelo cognome artístico Mindrelic, passou um mês inteiro em Manhattan a filmar os planos e ângulos mais inusitados da cidade. Desse mês de filmagens resultaram 4 minutos de puro deleite visual: parece que Manhattan é suspensa no tempo e que explode em milhares de cores, movimentos e formas. Alguns movimentos de câmara e planos são verdadeiramente arrepiantes e surpreendentes, como o plano em que se vê Times Square numa perspectiva vertical (de cima para baixo). Josh Owens foi, deveras, mais além do que Godfrey Reggio (talvez também por causa da evolução técnica das máquinas de filmar digitais).
É mesmo como refere o título: "Manhattan in Motion".
Fascinante.

sexta-feira, 2 de março de 2012

A música em "Baraka"

"Baraka" (1992) é uma palavra sufi que significa "Sopro de Vida" ou "Benção". Este é um sublime documentário sem legendas nem narração em voz-off (no estilo da obra-prima "Koyaanisqatsi" de Godfrey Reggio) sobre a natureza e a condição humana no planeta Terra, revelando os contrastes entre civilizações muito diferentes. No fundo, é um filme que enaltece a humanidade (mesmo que mostre a destruição e a degradação humanas) e a relação entre distintas raças, religiões, línguas e culturas.
Realizado por Ron Fricke (ex-director de fotografia de "Koyaanisqatsi"), "Baraka" é um hipnotizante poema visual filmado em estilo "time-lapse" e "super slow-motion", no qual as imagens incluem rituais religiosos, maravilhas naturais, processos de mecanização e diversos estilos de vida. Sendo um documentário visual, a música desempenha um papel fundamental (como a música de Philip Glass desempenhava em "Koyaanisqatsi"). A música original de "Baraka" foi composta pelo compositor Michael Stearns, mas há um momento do filme - porventura o mais belo e, ao mesmo tempo, o mais triste - em que a música é dos Dead Can Dance.
O tema que acompanha a sequência (em baixo) de pobreza extrema em países subdesenvolvidos da Ásia, é "The Host of Seraphim", retirada do álbum "The Serpent's Egg" (1988). Um tema deveras pungente e quase místico, do qual emanam emoções à flor da pele, exacerbadas pela força inquietante das imagens:


O realizador Ron Fricke prepara a estreia do seu novo e muito esperado filme: "Samsara", com lançamento previsto ainda este ano.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Cinema - Desejos para 2012


Seria bom se 2012 nos trouxesse novos filmes de James Gray, Guy Maddin, Paul Thomas Anderson, Hal Hartley, Todd Solondz, Richard Linklater, Michael Haneke, Larry Clark, Carlos Reygadas, Spike Jonze, Alejandro Jodorowsky, François Ozon, Spike Lee, Wong Kar Wai, Todd Haynes, Richard Kelly, Terry Gilliam (na imagem), Abel Ferrara, Bryan Singer, Jim Jarmusch, Werner Herzog, Godfrey Reggio, Julian Schnabel, Wes Anderson, Chris Marker, Peter Greenaway, Andrei Zvyagintsev, Jean-Claude Brisseau, Kim Ki-Duk, André Téchiné, Bruno Dumont, Christian Mungiu, Emir Kusturica ou Frank Darabont.

domingo, 2 de outubro de 2011

As crianças e a televisão

Pode ler-se aqui mais em pormenor de que trata a curta-metragem "Evidence". O filme é do premiado realizador Godfrey Reggio, autor da fabulosa trilogia "Qatsi", já dissecada neste blogue.
Basicamente, "Evidence" aborda a reacção expressiva das crianças quando estão a ver televisão (e o subsequente fascínio que exerce sobre elas), neste caso, o filme "Dumbo". A música, como habitualmente nos filmes de Reggio, é de Philip Glass:

domingo, 26 de junho de 2011

A trip

Ron Fricke, ex-director de fotografia de Godfrey Reggio (responsável pela fantástica trilogia Qatsi), realizou o filme "Chronos" em 1985. Trata-se de uma possante meditação sobre o lugar do homem no mundo. O filme, em forma de documentário unicamente visual, percorre várias regiões do planeta para captar imagens da natureza em confronto com a actividade humana.
O excerto de vídeo de "Chronos" em baixo é, quiçá, o momento mais perfeito de todo o filme. Para captar toda a poderosa informação audiovisual, é imprescindível ligar as colunas de som e colocar o volume bem alto, para sentir a música que acompanha os 3'40'' de imagens frenéticas e assombrosas (até ao clímax final). Um claro exemplo de como a música e as imagens podem aliar-se de forma perfeita na experiência cinematográfica.
Há um comentário no YouTube referente a este vídeo que se adequa na perfeição: "What a trip!". E é disso mesmo que se trata.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Que grande ano cinematográfico...

Que grande ano cinematográfico seria 2011 se estreassem novos filmes de Gus Van Sant, Béla Tarr, Todd Solondz, Larry Clark, Alexander Sokurov, Wim Wenders, William Friedkin, Spike Jonze, Alejandro Jodorowsky, Nanni Moretti, François Ozon, Spike Lee, Terence Malick, Wong Kar Wai, Jim Jarmusch, Werner Herzog, Godfrey Reggio, David Cronenberg, Lars Von Trier, Julian Schnabel, Wes Anderson, Chris Marker, David Lynch, Manuel Mozos, Peter Greenaway, Andrei Zvyagintsev, Jean-Claude Brisseau, Kim Ki-Duk, André Téchiné, Pedro Almodóvar, Bruno Dumont, , Christian Mungiu, Martin Scorsese, Emir Kusturica, Frank Darabont ou Francis Ford Coppola.
Era bom, não?

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Os mineiros da Serra Pelada


Do trabalho árduo dos mineiros da Serra Pelada (minas de ouro do Brasil) extrai-se beleza visual ao ritmo da música tribal e de um coro de crianças sul-americanas.
A vida em transformação, em consonância com o chamamento original da terra, o sacrifício humano em prol do desenvolvimento civilizacional. O suor destes homens é vertido em ganância alheia. O trabalhador morto que é carregado aos ombros pelos colegas (no final do vídeo) transforma-se numa espécie de "Pietá" dos tempos modernos.
As imagens são captadas por um dos maiores documentaristas de sempre, Godfrey Reggio, musicadas por um dos maiores compositores contemporâneos, Philip Glass.
"Powaqqatsi" é o segundo capítulo de uma trilogia única na história das imagens e dos sons - "Trilogia Qatsi".
E estes cinco primeiros minutos de filme são arrebatadores. Digo eu.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Philip Glass e a música para cinema


Philip Glass já era um compositor reconhecido no final dos anos 70. Nessa altura era o porta-estandarte da estética minimal repetitiva, com Steve Reich e Terry Riley. Foi nessa altura que foi convidado para fazer a primeira banda sonora original para cinema.
Apesar de alguma relutância, aceitou o desafio de musicar a fantástica viagem através de incríveis imagens que é o documentário (faz parte de uma trilogia) "Koyaanisqatsi" (1982) de Godfrey Reggio. A partir desta bem sucedida experiência, Glass nunca mais parou de fazer música para cinema.
No site oficial do compositor, estão recenseados 36 filmes para os quais compôs a música original. Apesar de não conhecer todos esses filmes (há uns 10 que ainda não vi), arrisco a elaborar as dez bandas sonoras de que gosto mais (não necessariamente as melhores):

1 - "Koyaanisqatsi" - Real. Godfrey Reggio
2 - "Kundun" - Real. Martin Scorsese
3 - "Powaqqatsi" - Real. Godfrey Reggio
4 - "Dracula" - Real. Tod Browning
5 - "The Fog of War" - Real. Errol Morris
6 - "The Hours" - Real. Stephen Daldry
7 - "The Secret Window" - Real. David Koepp
8 - "The Illusionist" - Real. Neail Burger
9 - "Naqoyqatsi" - Real. Godfrey Reggio
10 - "North Star" - Real. François de Menil
Post sobre Philip Glass.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A tecnologia como modo de vida


“I think it's the tragedy of our time that we're not aware of the affect of the manner in which we've adopted technological tools. Those tools have become who we are.”
Godfrey Reggio, realizador da Trilogia QATSI (vários posts sobre a mesma)

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Philip Glass - um retrato em doze partes


"Glass: A Portrait of Philip in Twelve Parts" é um documentário realizado por Scott Hicks, o mesmo realizador que fez o premiado "Shine - Simplesmente Genial" (1996), sobre a vida conturbada do pianista esquizofrénico David Helfgott. Scott Hicks realizou um brilhante documentário sobre a vida e obra de um dos maiores compositores americanos dos últimos 30 anos: Philip Glass. Foi filmado em 2007, no ano em que Glass comemorou o seu 70º aniversário. Scott Hicks refere que ficou fã de Philip Glass quando viu, em 1984, a obra-prima "Koyaanisqatsi" com música original do compositor americano. Quem é que não ficou, pergunto eu.
O documentário "Glass: A Portrait of Philip in Twelve Parts" (título retirado de uma obra de Glass intitulada "Music in Twelve Parts"), aborda o passado e o presente da obra do minimalista (Glass não gosta desta definição), assim como as suas relações familiares e de amizade, e os músicos e cineastas com os quais colaborou ao longo da sua já longa carreira. Daí que haja depoimentos de Martin Scorsese, Ravi Shankar, Nico Muhly, Errol Morris, Woody Allen, Godfrey Reggio, entre outros.
Foi o próprio Scott Hicks que filmou com a câmara HD todo o filme, com uma reverência artística respeituosa e confessa admiração. O início do documentário é particularmente surpreendente, com Philip Glass a divertir-se - qual criança endiabrada - numa vertiginosa montanha russa (pode ver-se um excerto deste momento no final do trailer). A relação de Glass com o Budismo não foi esquecida, assim como os pormenores do seu processo criativo e métodos de trabalho.
Tanto quanto sei, este documentário nunca estreou comercialmente em Portugal (a não ser num eventual festival de documentários, como o DocLisboa) e também não viu a luz do dia em edição DVD. Lamentável, portanto.
Sobre a obra de Philip Glass, escrevi um texto mais desenvolvido aqui.

sábado, 6 de junho de 2009

Um olhar sobre o planeta



Vi o filme "Home - O Mundo é a Nossa Casa" na sexta-feira (RTP2), no Dia Mundial do Ambiente. O lançamento deste documentário fez-se de forma inusitada e que dá continuidade a uma ideia de Steven Soderbergh (quando fez o filme "Bubble", em 2005): uma nova política de distribuição do filme à escala planetária e nos diversos canais de comunicação: "Home" foi lançado, simultaneamente, na internet, na sala de cinema, na televisão e em DVD. E o que dizer do documentário que recupera a militância pela defesa do ambiente de filmes como o popular "Uma Verdade Inconveniente" (2007) de Al Gore e "The 11th Hour", apoiado pelo actor Leonardo DiCpario? É indiscutivelmente um filme belo, pelas imagens captadas de mais de 50 países. O realizador (também fotógrafo) francês Yann Arthurs-Bertrand, teve a preocupação de mostrar paisagens exóticas do mundo inteiro (sempre a partir da perspectiva do céu) com a clara intenção de impressionar o espectador. Mais a mais, parece que houve uma intenção de relacionar determinadas paisagens com telas de pintura, ora impressionistas, ora abstractas, facto que peca pelo exagero estético desta conotação.
A mensagem ambientalista do filme, altamente alarmista ("se a Humanidade não fizer nada dentro dez anos, pode já ser tarde...") mas com fundamentação científica, serve para agitar a consciência colectiva de todo o mundo (ainda que "Home" pareça não evitar uma certa carga panfletária). Em termos formais e de linguagem cinematográfica, o documentário produzido por Luc Besson, está bem concebido, com uma montagem bem definida e um bom ritmo visual. Não deixa de ser curioso que muitos planos e sequências de "Home" sejam decalcadas da obra-prima de Godfrey Reggio, "Koyaanisqatsi" (1982), documentário pioneiro na técnica de filmar a natureza e a cidade. Mais curioso ainda: o filme de Reggio consegue transmitir muitas das mensagens que o narrador de "Home" profere, mas sem dizer uma única palavra: só com imagens.