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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

"Manhattan" vs "Koyaanisqatsi"

Que belo e tão simples exercício: alguém se lembrou de pegar no filme "Manhattan" de Woody Allen  e na sua famosa  sequência inicial e transformá-la numa filme assinado por... Godfrey Reggio. Este realizador é o autor da extraordinária Trilogia Qatsi, já por diversas vezes abordada neste blogue. O primeiro filme desta trilogia, "Koyaanisqatsi" (1982), foi um marco inovador no documentário não-narrativo, pela forma como foi filmado, pelo poder das imagens e pela relação com a inspirada música do compositor Philip Glass. 
Voltando ao início: alguém adaptou a música que Glass compôs para o filme de Reggio e colou-a na sequência inicial do clássico de Woody Allen. Adaptou também o título do filme para se assemelhar ao título vermelho de "Koyaanisqatsi" e não mexeu na montagem original. O resultado é desconcertante e será melhor percebido quanto mais o leitor conhecer ambos os filmes (e música) citados: é como se "Manhattan" tivesse mesmo sido feito sob a visão estética de Godfrey Reggio, tal o encaixe perfeito entre as imagens e preto e branco e a música.
Pequenas experiências do YouTube que conferem um outro significado aos filmes e à música.

sexta-feira, 2 de março de 2012

A música em "Baraka"

"Baraka" (1992) é uma palavra sufi que significa "Sopro de Vida" ou "Benção". Este é um sublime documentário sem legendas nem narração em voz-off (no estilo da obra-prima "Koyaanisqatsi" de Godfrey Reggio) sobre a natureza e a condição humana no planeta Terra, revelando os contrastes entre civilizações muito diferentes. No fundo, é um filme que enaltece a humanidade (mesmo que mostre a destruição e a degradação humanas) e a relação entre distintas raças, religiões, línguas e culturas.
Realizado por Ron Fricke (ex-director de fotografia de "Koyaanisqatsi"), "Baraka" é um hipnotizante poema visual filmado em estilo "time-lapse" e "super slow-motion", no qual as imagens incluem rituais religiosos, maravilhas naturais, processos de mecanização e diversos estilos de vida. Sendo um documentário visual, a música desempenha um papel fundamental (como a música de Philip Glass desempenhava em "Koyaanisqatsi"). A música original de "Baraka" foi composta pelo compositor Michael Stearns, mas há um momento do filme - porventura o mais belo e, ao mesmo tempo, o mais triste - em que a música é dos Dead Can Dance.
O tema que acompanha a sequência (em baixo) de pobreza extrema em países subdesenvolvidos da Ásia, é "The Host of Seraphim", retirada do álbum "The Serpent's Egg" (1988). Um tema deveras pungente e quase místico, do qual emanam emoções à flor da pele, exacerbadas pela força inquietante das imagens:


O realizador Ron Fricke prepara a estreia do seu novo e muito esperado filme: "Samsara", com lançamento previsto ainda este ano.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Sopro de vida


"Baraka" é uma palavra sufi que significa "Sopro de Vida" ou "Benção".
E "Baraka" é um sublime documentário (1992) sem legendas nem narração em voz-off (no estilo da obra-prima "Koyaanisqatsi" de Godfrey Reggio) sobre a natureza e a condição humana no planeta Terra, revelando os contrastes entre civilizações muito diferentes.
No fundo, é um filme que enaltece a humanidade (mesmo que mostre a destruição e a degradação humanas) e a relação entre distintas raças, religiões, línguas e culturas. Realizado por Ron Fricke (ex-director de fotografia de "Koyaanisqatsi"), "Baraka" é um hipnotizante poema visual filmado em estilo "time-lapse" e "super slow-motion", no qual as imagens incluem rituais religiosos, maravilhas naturais, processos de mecanização e diversos estilos de vida. Sendo um documentário visual, a música desempenha um papel fundamental, desde logo, com a fabulosa música original de Michael Stearns; depois, com a inclusão do clássico tema "The Host of Seraphim" dos Dead Can Dance.
Particularmente impressionante é esta sequência de 6 minutos e 39 segundos: um ritual religioso (não consegui identificar a origem) seguido de espantosas imagens da natureza. Superiormente filmado, com uma leveza e elegância estética a toda a prova, "Baraka" em geral e esta sequência em particular, influenciaram grande parte da linguagem visual dos documentários, reportagens e publicidade dos últimos 20 anos. 
Pegando no significado do título do filme, é um portentoso "sopro de vida" e um hipnótico sopro de cinema.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Philip Glass e a música para cinema


Philip Glass já era um compositor reconhecido no final dos anos 70. Nessa altura era o porta-estandarte da estética minimal repetitiva, com Steve Reich e Terry Riley. Foi nessa altura que foi convidado para fazer a primeira banda sonora original para cinema.
Apesar de alguma relutância, aceitou o desafio de musicar a fantástica viagem através de incríveis imagens que é o documentário (faz parte de uma trilogia) "Koyaanisqatsi" (1982) de Godfrey Reggio. A partir desta bem sucedida experiência, Glass nunca mais parou de fazer música para cinema.
No site oficial do compositor, estão recenseados 36 filmes para os quais compôs a música original. Apesar de não conhecer todos esses filmes (há uns 10 que ainda não vi), arrisco a elaborar as dez bandas sonoras de que gosto mais (não necessariamente as melhores):

1 - "Koyaanisqatsi" - Real. Godfrey Reggio
2 - "Kundun" - Real. Martin Scorsese
3 - "Powaqqatsi" - Real. Godfrey Reggio
4 - "Dracula" - Real. Tod Browning
5 - "The Fog of War" - Real. Errol Morris
6 - "The Hours" - Real. Stephen Daldry
7 - "The Secret Window" - Real. David Koepp
8 - "The Illusionist" - Real. Neail Burger
9 - "Naqoyqatsi" - Real. Godfrey Reggio
10 - "North Star" - Real. François de Menil
Post sobre Philip Glass.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Na Cinemateca


Quem vive em Lisboa não pode perder uma sessão de cinema, esta terça-feira, na Cinemateca, pelas 21h30: "Koyaanisqatsi" (1981) de Godfrey Reggio, com música de Philip Glass. É uma rara oportunidade de ver uma das grandes obras de cinema em ecrã gigante e em formato película. "Koyaanisqatsi" é o filme mais conhecido da trilogia que inclui "Powaqqatsi" (1988) e "Naqoyqatsi" (2002), um documentário sem narração nem diálogos, com sequências visuais (e musicais) de cortar a respiração, passadas a várias velocidades e acompanhadas pela música do compositor americano. Um filme poético, contemplativo, visualmente contemplativo, que nos dá uma nova dimensão do mundo que nos rodeia.
Sobre a Trilogia Qatsi, já falei aqui.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Trilogias

Há mais trilogias no cinema do que se pensa. Trilogias unidas por uma temática, uma estética, uma ideia narrativa. Eis algumas das mais célebres trilogias da história do cinema:

Trilogia das Cores de Krzysztof Kieslowski: Bleu | Blanc | Rouge 

Trilogia da Era Glacial de Michael Haneke: O Sétimo Continente | O Vídeo de Benny | 71 Fragmentos... 

Trilogia Alemã de Hans-Jürgen Syberberg: Ludwig | Karl May | Hitler 

Trilogia do Silêncio de Ingmar Bergman: Através de um Espelho | Luz de Inverno | O Silêncio 

Trilogia da Incomunicabilidade de Michelangelo Antonioni: A Aventura | A Noite | O Eclipse 

Trilogia da Alemanha Ocidental de Rainer Werner Fassbinder: Maria Braun | Lola | Veronika Voss

Trilogia Gangster de Rainer Werner Fassbinder: O Amor É Mais Frio Que A Morte | O Soldado Americano | Os Deuses da Peste 

Trilogia dos Apartamentos de Roman Polanski: Repulsa | O Bebé de Rosemary | O Inquilino

Trilogia de Hollywood de David Lynch: Estrada Perdida | Mulholland Drive | Inland Empire 

Trilogia da Vida de Pier Paolo Pasolini: Decameron | Os Contos de Canterbury | As Mil e Uma Noites

Trilogia das Fronteiras de Theodoros Angelopoulos: O Passo Suspenso da Cegonha | Um Olhar a Cada Dia | A Eternidade e Um Dia

Trilogia da Vida de Apu de Satyajit Ray: A Canção da Estrada | O Invencível | O Mundo de Apu 

Trilogia do Amor de Andrzej Zulawski: O Importante é Amar | A Mulher Pública | A Revolta do Amor 

Trilogia da Desvirtude de Luis Buñuel: Viridiana | O Anjo Exterminador | Simão do Deserto 

Trilogia Flamenca de Carlos Saura: Bodas de Sangue | Carmen | Amor Bruxo 

Trilogia da Injustiça Social de Pedro Costa: Ossos | No Quarto da Vanda | Juventude em Marcha 

Trilogia da Arte de Alain Resnais: Van Gogh | Gauguin | Guernica 

Trilogia da Memória de Alain Resnais: Hiroshima, Meu Amor | Ano Passado em Marienbad | Muriel ou o Tempo de um Retorno 

Trilogia Dr. Mabuse de Fritz Lang: Dr. Mabuse | O Testamento do Dr. Mabuse | Os Mil Olhos do Dr. Mabuse  

Trilogia da Guerra de Roberto Rossellini: Roma, Cidade Aberta | Paisà | Alemanha, Ano Zero 

Trilogia Qatsi de Godfrey Reggio: Koyaanisqatsi | Powaqqatsi | Naqoyqatsi  

Trilogia do Casamento de John Cassavetes: Faces | Assim Falou o Amor | Uma Mulher Sob Influência 

Trilogia da Depressão de Lars von Trier: Anticristo | Melancolia | Ninfomaníaca: Volume 1 & 2

Trilogia da Morte de Alejandro González Iñárritu: Amores Perros | 21 Gramas | Babel 

Trilogia O Padrinho de Francis Ford Coppola: Parte I | Parte II | Parte III 

Trilogia da Vingança de Chan-wook Park: Mr. Vingança | Oldboy | Lady Vingança 

Trilogia O Senhor dos Anéis de Peter Jackson: A Sociedade do Anel | As Duas Torres | O Retorno do Rei  

Trilogia dos Dólares de Sergio Leone: Por um Punhado de Dólares | Por uns Dólares a Mais | Três Homens em Conflito 

Trilogia Regresso ao Futuro de Robert Zemeckis: Parte I | Parte II | Parte III

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Philip Glass no telemóvel

Não sei se este blogue tem muitos leitores fãs do compositor Philip Glass. Eu sou. Por isso fiquei muito contente com a notícia de que já está disponível na Apple Store uma aplicação com músicas de Glass para telemóveis. Intitula-se apropriadamente "Official Philip Glass Ringtones" e contém 22 melodias de obras tão emblemáticas como "Koyaanisqatsi" ou "Einstein on the Beach". 
Brevemente estará também disponível para a plataforma Android (via Google Play Store). É gratuita.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Christopher Nolan - cinéfilo improvável

E já que publiquei (ver post abaixo) a lista dos 10 filmes preferios de Roger Corman, eis mais uma série de listas bem interessantes divulgadas pelo site Flavorwire. Trata-se de uma lista de 10 realizadores - de Woody Allen a Quentin Tarantino, de Francis Ford Coppola a Stanley Kubrick.
Claro que há listas mais interessantes do que outras. A de Kubrick, Scorsese ou do Woody Allen são reveladoras da sua imensa cinefilia. Mas a lista que mais me surpreendeu foi a de Christopher Nolan ("Batman" e "Inception") que demonstra ter um gosto cinéfilo deveras aguçado.
A saber: Nolan cita como filmes preferidos "Twelve Angry Men" de Sidney Lumet, "Greed" de Eric von Stroheim, "The Testament of Dr. Mabuse" de Fritz Lang, o (raramente) citado "Mr. Arkadin" (também conhecido como "Confidential Report") de Orson Welles ou "Koyaanisqatsi" de Godfrey Reggio. Sem dúvida que Nolan conhece bom cinema clássico, algo que nem sempre transparece nos seus filmes "mainstream".
Ver aqui a lista completa.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

A Era tecnológica em ebulição


Em 2002, o realizador Godfrey Reggio e o músico Philip Glass (em colaboração com o reputado violoncelista Yo-Yo Ma), fecharam a trilogia “QATSI” com chave de ouro: “Naqoyqatsi – A Guerra Como Forma de Vida”. Não é tão impactante como o primeido filme da série -"Koyaanisqatsi", mas é um documento audiovisual que deixa o espectador estarrecido. O filme, sem narração nem história convencional, recai sobre a temática da turbulência social e cultural existente na sociedade globalizada e tecnológica do Século XXI.

A consolidação da era do computador e da electrónica impuseram-se como paradigmas culturais e sociais (quase) inabaláveis, influenciando o nosso modo de vida em todos os aspectos: media, artes, política, desporto, entretenimento, comunicação, medicina, cultura, publicidade, etc. A violência tecnológica, é, segundo o ponto de vista político do realizador, o mal civilizacional do nosso tempo, configurando uma crítica social pós-moderna.

Reggio mostra-nos um mundo saturado de imagens pré-fabricadas, fruto da sociedade hiper-acelerada e materialista, uma sociedade onde a Natureza foi suplantada pelo advento maciço da tecnologia digital. Estilisticamente, a proposta visual de "Naqoyqatsi" contrasta com os dois filmes anteriores, uma vez que proliferam as imagens digitais manipuladas e os efeitos rebuscados de imagem, em detrimento de imagens reais (numa montagem trepidante que confere a esta obra uma dimensão caleidoscópica verdadeiramente onírica, que estimula os nossos sentidos e a nossa percepção do mundo actual).
Mais info: http://www.naqoy.com/

domingo, 8 de abril de 2012

Manhattan como nunca se viu

A influência é claramente da obra-prima "Koyaanisqatsi" (1982) de Godfrey Reggio, documentário que inovou com as técnicas de filmagem "time lapse" (imagens super-aceleradas em relação à realidade).
Josh Owens, conhecido pelo cognome artístico Mindrelic, passou um mês inteiro em Manhattan a filmar os planos e ângulos mais inusitados da cidade. Desse mês de filmagens resultaram 4 minutos de puro deleite visual: parece que Manhattan é suspensa no tempo e que explode em milhares de cores, movimentos e formas. Alguns movimentos de câmara e planos são verdadeiramente arrepiantes e surpreendentes, como o plano em que se vê Times Square numa perspectiva vertical (de cima para baixo). Josh Owens foi, deveras, mais além do que Godfrey Reggio (talvez também por causa da evolução técnica das máquinas de filmar digitais).
É mesmo como refere o título: "Manhattan in Motion".
Fascinante.

domingo, 13 de janeiro de 2013

"Samsara" - A desilusão



Finalmente vi "Samsara".
As expectativas eram elevadas, depois da alta fasquia artística conseguida com "Baraka" (1992). Ron Fricke, o realizador, aprendeu tudo quando trabalhou - como director de fotografia - com Godfrey Reggio na fantástica trilogia Qatsi (já por diversas vezes comentada neste blogue). 
As expectativas eram altas porque "Samsara" demorou 5 anos a ser concluído e foi filmado em 25 países diferentes. Mas, quanto a mim, as expectativas não foram alcançadas. Depois de ver o filme uma frustrada sensação invadiu o meu espírito. Visualmente e esteticamente, "Samsara" é de uma notável beleza plástica, mas pouco mais há de novo. Ron Fricke limitou-se a filmar sequências da natureza e das mais variadas culturas do planeta (do Oriente ao Ocidente) sem coerência. "Koyaanisqatsi" ou "Baraka" tinham um fio condutor, uma montagem rigorosa e exigente. "Samsara" parece andar à deriva, salta abruptamente de imagem para imagem sem aparente nexo. Daí que o ritmo se ressinta, visto que a própria música não ajuda. 
Apesar de gostar muito do trabalho de Lisa Gerrard (Dead Can Dance) e de Michael Stearns, a verdade e que a música de "Samsara" quase nunca consegue estabelecer uma relação efectiva com as imagens (ou vice-versa). Ao contrário do irrepreensível trabalho de Philip Glass na trilogia Qatsi, aqui a música não impõe uma coerência ao discurso visual, parecendo mera decoração de fundo. A título de exemplo, a toada ambiental predomina em 80% do documentário e só ao fim dos primeiros 40 minutos de filme houve uma sequência musical com ritmo (para contrastar com os 39 minutos anteriores). 
Não há dinâmica, não há um climax e um anti-climax, não há surpresa nem originalidade em tudo o que "Samsara" apresenta (toda a estética é devedora da herança Qatsi). Minto: houve uma sequência verdadeiramente nova e inquietante que me deixou surpreendido - o momento de uma performance impressionante do francês Olivier de Sagazan chamada "Transfiguration" (que pode ser vista aqui). Tirando essa sequência de grande impacto, nada mais me entusiasmou. 
E é pena, porque Ron Fricke poderia ter feito uma trilogia de elevada qualidade artística à semelhança da trilogia Qatsi - "Chronos" (1985) + "Baraka" (1992) + "Samsara" (2012), mas não o conseguiu.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Trilogia natura #3


O filme “Baraka” é um portentoso documento audiovisual. O realizador Ron Fricke foi o director de fotografia do primeiro filme da trilogia Qatsi, “Koyaanisqatsi”. “Baraka” foi filmado em 24 países de seis continentes e pretende ser uma profunda reflexão em imagens e sons sobre o planeta em que vivemos: os segredos da natureza, o lugar do homem no mundo, as religiões ancestrais, os costumes culturais primitivos, o frenesim da vida moderna, as relações humanas, a preocupação por questões ambientais, etc. Visualmente deslumbrante e com uma banda sonora de grande impacto, “Baraka” é um dos mais surpreendentes e belos documentos sobre a vida no planeta Terra.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Philip Glass - um retrato em doze partes


"Glass: A Portrait of Philip in Twelve Parts" é um documentário realizado por Scott Hicks, o mesmo realizador que fez o premiado "Shine - Simplesmente Genial" (1996), sobre a vida conturbada do pianista esquizofrénico David Helfgott. Scott Hicks realizou um brilhante documentário sobre a vida e obra de um dos maiores compositores americanos dos últimos 30 anos: Philip Glass. Foi filmado em 2007, no ano em que Glass comemorou o seu 70º aniversário. Scott Hicks refere que ficou fã de Philip Glass quando viu, em 1984, a obra-prima "Koyaanisqatsi" com música original do compositor americano. Quem é que não ficou, pergunto eu.
O documentário "Glass: A Portrait of Philip in Twelve Parts" (título retirado de uma obra de Glass intitulada "Music in Twelve Parts"), aborda o passado e o presente da obra do minimalista (Glass não gosta desta definição), assim como as suas relações familiares e de amizade, e os músicos e cineastas com os quais colaborou ao longo da sua já longa carreira. Daí que haja depoimentos de Martin Scorsese, Ravi Shankar, Nico Muhly, Errol Morris, Woody Allen, Godfrey Reggio, entre outros.
Foi o próprio Scott Hicks que filmou com a câmara HD todo o filme, com uma reverência artística respeituosa e confessa admiração. O início do documentário é particularmente surpreendente, com Philip Glass a divertir-se - qual criança endiabrada - numa vertiginosa montanha russa (pode ver-se um excerto deste momento no final do trailer). A relação de Glass com o Budismo não foi esquecida, assim como os pormenores do seu processo criativo e métodos de trabalho.
Tanto quanto sei, este documentário nunca estreou comercialmente em Portugal (a não ser num eventual festival de documentários, como o DocLisboa) e também não viu a luz do dia em edição DVD. Lamentável, portanto.
Sobre a obra de Philip Glass, escrevi um texto mais desenvolvido aqui.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Música e cinema: possibilidades estéticas


(clicar para melhor visualização)
Nesta quinta-feira, dia 21, irei à Universidade da beira Interior, convidado pelo Departamento de Comunicação e Artes, no âmbito da primeira Jornada dedicadà à Música e ao Cinema. O tema será a abordar: "Possibilidades Estéticas da Relação entre Música e Cinema", tendo como ponto de partida a Trilogia Qatsi, de Godfrey Reggio.
A Trilogia Qatsi representa uma revolução na estética audiovisual contemporânea. Herdeiro da linguagem visual das primeiras experiências do documentário sem palavras de Dziga Vertov, Hilary Harris ou Walter Ruttmann, o realizador Godfrey Reggio preconiza uma nova forma de olhar as imagens e ouvir os sons, propondo uma nova relação expressiva entre ambos meios de comunicação e criando uma verdadeira obra de arte audiovisual. Com a música de Philip Glass, Godfrey Reggio mostra-nos um mundo saturado de imagens pré-fabricadas, fruto da sociedade hiper-acelerada e materialista, uma sociedade onde a Natureza foi suplantada pelo advento maciço do modelo de vida moderno tecnológico e digital.
Ao mesmo tempo uma meditação hipnótica em imagens e sons e uma crítica feroz ao estilo de vida alienado do homem moderno, esta primeira obra da trilogia produz no espectador um impacto que tem tanto de emocionante como de atordoador. A música minimal do genial Philip Glass, composta milimetricamente para cada sequência visual, acrescenta uma mais valia estética que enriquece de forma admirável o primeiro filme da trilogia. Esta obra, dado o seu enorme valor artístico, faz parte da colecção permanente do The Museum of Modern Art (Nova Iorque) e do The British Film Institute (Londres).
A apresentação vai procurar estabelecer as relações entre as imagens e a música do filme "Koyaanisqatsi", assim como as principais características e virtudes do cinema inovador de Godfrey Reggio e de como ele configura uma nova era da comunicação audiovisual que influenciou o cinema, a publicidade, a produção televisiva e a cultura do videoclip. Não serão descuradas as influências que o próprio Reggio assimilou oriundas de várias correntes do cinema experimental.
A jornada contará ainda com os temas “Taxi Driver: Motivos e Estilos Musicais”, por Paulo Dias, e “Significação Musical e Definição de “Espaços Cinematográficos”: Trilogia da Morte de Gus Van Sant”, por Helder Gonçalves.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Trilogia Qatsi em Blu-Ray

Eis uma boa notícia para coleccionadores de edições especiais: com a extrema qualidade da editora Criterion Collection, acaba de ser colocada à venda a fantástica "Trilogia Qatsi" em Blu-Ray. Esta  trilogia de filmes representa uma revolução na linguagem audiovisual contemporânea. 

Com a herança da linguagem visual das primeiras experiências do documentário sem palavras de Dziga Vertov, Hilary Harris ou Walter Ruttmann, o realizador Godfrey Reggio preconizou uma nova forma de olhar as imagens e ouvir os sons, propondo uma nova relação expressiva entre ambos meios de comunicação e criando uma verdadeira obra de arte audiovisual. 

Com a música sublime de Philip Glass, Godfrey Reggio mostra-nos um mundo saturado de imagens pré-fabricadas, fruto da sociedade hiper-acelerada e materialista, uma sociedade onde a Natureza foi suplantada pelo advento maciço do modelo de vida moderno tecnológico e digital. Ao mesmo tempo uma meditação hipnótica em imagens e música e uma crítica feroz ao estilo de vida alienado do homem moderno, esta trilogia produz no espectador um impacto que tem tanto de emocionante como de atordoador. "Koyaanisqatsi" (1983), "Powaqqatsi" (1988) e "Naqoyqatsi" (2002), cada um à sua maneira, cada um com um notável ângulo de visão sobre o homem e a natureza, são filmes de uma beleza estonteante, uma viagem espiritual e fascinante que será, certamente, potenciada com a qualidade digital (som e image) proporcionada pelo Blu-Ray. eu já tinha adquirido há uns anos esta trilogia em DVD, numa cara edição estrangeira. Agora sinto-me compelido a comprar esta irrepreensível edição da Criterion...
É que a edição da Criterion, que pode ser vista aqui, não se resume aos três filmes. Contém um magnífico lote de extras que fará as delícias do cinéfilo mais exigente: documentários, making of, entrevistas aos criadores, ensaios de análise, fotografias, etc.
Esta obra, dado o seu enorme valor artístico, faz parte da colecção permanente do The Museum of Modern Art (Nova Iorque) e do The British Film Institute (Londres).

domingo, 16 de novembro de 2008

A caixa de Philip Glass


Para quem já apreciava ou era mesmo admirador confesso da obra de Philip Glass, não adiantará muito adquirir a "Glass Box: A Nonesuch Retrospective", uma caixa contendo 10 CDs com alguma da melhor música do compositor norte-americano. Os melómanos que queiram iniciar-se no mundo musical de Philip Glass, esta caixa será, certamente, um excelente e proveitoso investimento. Apesar da grande produção musical de Glass, a caixa retrospectiva inclui algumas das mais emblemáticas obras musicais da sua carreira editadas pela editora Nonesuch, como a ópera revolucionária "Einstein on the Beach", música composta para filmes, peças para piano solo, obras minimalistas, sinfonias, as obras-primas "Koyaanisqatsi", "Glassworks" ou "Satyagraha", etc. A edição "Glass Box: A Nonesuch Retrospective" tem uma limitação: por se tratar de uma colectânea retrospectiva, nem todas as obras estão integralmente disponíveis nos CDs, mas os excertos são suficientes para um jovem ouvinte se sentir motivado para partir à descoberta da restante discografia completa de um dos compositores mais amados (e odiados) dos últimos 40 anos.
Para mais informação e e audição de excertos desta preciosa edição, carregar neste link.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Glass - música para cinema


No site do compositor Philip Glass estão recenseados 36 filmes para os quais compôs a música original. Apesar de não conhecer todos esses filmes (há uns 10 que ainda não vi), arrisco a elaborar as cinco bandas sonoras de que gosto mais (não necessariamente as melhores):

1 - "Koyaanisqatsi" - Real. Godfrey Reggio
2 - "Kundun" - Real. Martin Scorsese
3 - "The Fog of War" - Real. Errol Morris
4 - "Powaqqatsi" - Real. Godfrey Reggio
5 - "Dracula" - Real. Tod Browning

Seleccionar os melhores álbuns do compositor americano é um exercício muitíssimo mais árduo.

sábado, 6 de junho de 2009

Um olhar sobre o planeta



Vi o filme "Home - O Mundo é a Nossa Casa" na sexta-feira (RTP2), no Dia Mundial do Ambiente. O lançamento deste documentário fez-se de forma inusitada e que dá continuidade a uma ideia de Steven Soderbergh (quando fez o filme "Bubble", em 2005): uma nova política de distribuição do filme à escala planetária e nos diversos canais de comunicação: "Home" foi lançado, simultaneamente, na internet, na sala de cinema, na televisão e em DVD. E o que dizer do documentário que recupera a militância pela defesa do ambiente de filmes como o popular "Uma Verdade Inconveniente" (2007) de Al Gore e "The 11th Hour", apoiado pelo actor Leonardo DiCpario? É indiscutivelmente um filme belo, pelas imagens captadas de mais de 50 países. O realizador (também fotógrafo) francês Yann Arthurs-Bertrand, teve a preocupação de mostrar paisagens exóticas do mundo inteiro (sempre a partir da perspectiva do céu) com a clara intenção de impressionar o espectador. Mais a mais, parece que houve uma intenção de relacionar determinadas paisagens com telas de pintura, ora impressionistas, ora abstractas, facto que peca pelo exagero estético desta conotação.
A mensagem ambientalista do filme, altamente alarmista ("se a Humanidade não fizer nada dentro dez anos, pode já ser tarde...") mas com fundamentação científica, serve para agitar a consciência colectiva de todo o mundo (ainda que "Home" pareça não evitar uma certa carga panfletária). Em termos formais e de linguagem cinematográfica, o documentário produzido por Luc Besson, está bem concebido, com uma montagem bem definida e um bom ritmo visual. Não deixa de ser curioso que muitos planos e sequências de "Home" sejam decalcadas da obra-prima de Godfrey Reggio, "Koyaanisqatsi" (1982), documentário pioneiro na técnica de filmar a natureza e a cidade. Mais curioso ainda: o filme de Reggio consegue transmitir muitas das mensagens que o narrador de "Home" profere, mas sem dizer uma única palavra: só com imagens.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Sigur Rós


Nunca fui um especial fã dos islandeses Sigur Rós, ainda que lhes reconheça a qualidade intrínseca de uma banda que sabe conciliar a idiossincrasia tradicional do país nórdico com as correntes contemporâneas do rock. Foi editado recentemente um DVD intitulado "Heima" que mais não é do que um misto de documentário visual e de reportagens de concertos dos Sigur Rós. Ao ler hoje o texto do crítico João Lisboa (Expresso) sobre esta edição, decidi-me a comprar o DVD. Segundo a análise de Lisboa, trata-se de um registo magnificamente filmado, um belo documento no qual a música e as imagens coabitam como se de uma só linguagem se tratasse. Já o Nuno Markl tinha referido que "Heima" lhe fazia lembrar essa espantosa obra audiovisual que é "Koyaanisqatsi" (1983) de Godfrey Reggio com música de Philip Glass. A ver vamos.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Gostava...

- Gostava de ter vivido os anos de ouro do cinema clássico de Hollywood.
- Gostava de ter presenciado concertos de Charlie Parker, John Coltrane e Miles Davis em clubes nocturnos escuros e cheios de fumo de Nova Iorque de meados do século passado.
- Gostava de ter passeado nas ruas de Paris dos anos 1910 e 1920, no seio da agitação artística e cultural e ter tomado um café na esplanada do mítico Café de Flore.
- Gostava de ter ouvido ao vivo Maria Callas cantar a "Carmen" de Bizet.
- Gostava de ter assistido aos anos de criatividade fervilhante da "Factory" de Andy Warhol nos anos 60 em Nova Iorque.
- Gostava de ter assistido à gravação do primeiro álbum dos The Velvet Underground.
- Gostava de ter visto a estreia apoteótica de "Metropolis" de Fritz Lang, em Berlim (1927).
- Gostava de ter estado presente na entrega do Óscar Honorário a Charlie Chaplin em 1972.
- Gostava de ter assistido ao concerto de Jimi Hendrix no festival de Woodstock (1969).
- Gostava de ter assistido aos primeiros concertos dos Sex Pistols e dos Joy Division.
- Gostava de ter visto pintar, in loco, Salvador Dalí, Jackson Pollock e Magritte.
- Gostava de ter assistido à estreia de "A Sagração da Primavera" de Stravinsky em Paris (1913).
- Gostava de ter sido varredor do estúdio de filmagem do filme "12 Homens em Fúria" (1957) de Sidney Lumet.
- Gostava de ter tomado um copo de absinto na companhia de Fernando Pessoa no Martinho da Arcada, em Lisboa dos anos 1920.
- Gostava de ter assistido à rodagem de "The Shining" de Stanley Kubrick, "Blade Runner" de Ridley Scott e de "Stalker" de Andrei Tarkovski.
- Gostava de ter feito a viagem costa-a-costa dos EUA com Jack Kerouac que viria a dar no livro "On The Road".
- Gostava de ter visto o filme "Koyaanisqatsi" com orquestra ao vivo conduzida por Philip Glass.
- Gostava de ter acompanhado a gravação de todos os álbuns dos Dead Can Dance. 
- Gostava de ter presenciado a reacção do público aos primeiros filmes de George Méliès nos anos 1910.
- Gostava de ter tomado café em Los Angeles com Marlon Brando, Elizabeth Taylor, Buster Keaton, Sam Peckinpah, Audrey Hepburn e Maureen O'Hara.
- Gostava de ter sido figurante em todos os filmes de Alfred Hitchcock.
- Gostava...