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domingo, 14 de agosto de 2011

Música clássica e pop: o diálogo


O livro de Alex Ross (na imagem) "O Resto é Ruído", já comentado neste post, é um manancial fascinante de informação histórica sobre a evolução da música entre 1900 e 2000: um intenso século de fervilhantes revoluções estéticas que se manifestaram em múltiplas e ricas formas de expressão musical. E como o autor refere no Epílogo desta magnífica obra, uma conclusão a tirar deste século musical é a de que os "extremos tocam-se", referindo-se mais especificamente, à ideia geralmente errónea que a música clássica e a música pop são duas linguagens que não devem ou podem encontrar-se. Nada mais falso.

A propósito desta matéria, escreve Alex Ross: "No início do século XXI, o impulso de colocar em oposição a música clássica e a cultura pop já não faz sentido racional ou emocional. Os jovens compositores cresceram com a música pop nos ouvidos e utilizam-na conforme a ocasião o exige ou não. Estão à procura do meio-termo entre a vida da mente e o ruído da rua. Do mesmo modo, algumas das reacções enérgicas à música clássica do século XX e à música contemporânea vieram da arena do pop, vagamente definida. As melodias microtonias dos Sonic Youth, os projectos harmónicos opulentos dos Radiohead, as assinaturas fracturadas e as marcações de tempo com variações rápidas do rock matemático e da música de dança inteligente, os arranjos orquestrais lamentosos que sustentam as canções de Sufjan Stevens e de Joanna Newsom, tudo serve para manter o já longo diálogo entre as tradições clássica e popular."

Nem mais.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Que grande ano literário...

Que grande ano literário seria 2011 se surgirem edições de novos livros de Oliver Sacks, Sam Harris, Bret Easton Ellis, Paul Auster, Martin Amis, Antonio Tabuchi, Slavoj Zizek, Alex Ross, Günter Grass, Richard Dawkins, Ian Kershaw, Philip Roth, Comarc McCarthy, Denis Johnson, Jonathan Littell, Julio Cortázar, Kjell Askildsen, Chuck Palahniuk, Gilles Lipovetsky, Cristopher Hitchens, Jonah Lherer, Orhan Pamuk, Imre Kertész, Francis Fukuyama, Umberto Eco, Bill Bryson, J.M. Coetzee, Bernard-Henri Levy, Le Clézio, Pedro Mexia, Eduardo Lourenço, Maria Filomena Mónica, António Barreto ou José Gil.
Era bom, não?

domingo, 27 de dezembro de 2009

2009 - Os livros


1 - "O Resto é Ruído" - Alex Ross
2 - "A Montanha Mágica" - Thomas Mann
3 - "Sou o Último Judeu" - Chil Rajchman
4 - "Kubrick: Biografia" - John Baxter
5 - "Dicionário de Cinema para Snobs" - David Kamp/Lawrence Levi
6 - "Rayuela O Jogo do Mundo" - Julio Cortazar
7 - "Invisível" - Paul Auster
8 - "O Espectáculo da Vida" - Richard Dawkins
9 - "101 Monstros" - Simon Sebac Montefiore
10 - "Os Cadernos de Picwick" - Charles Dickens
11 - "Hilter - Uma Biografia" - Ian Kershaw
12 - "Sorte do Diabo" - Ian Kershaw
13 - "Servidão Humana" - Somerset Maugham
14 - "Punk Marketing" - Richard Laermer/Mark Simmons
15 - "Contra a Felicidade" - Eric G. Wilson
16 - "The Greatest Movie Never Made" - Jan Harlen/Christiane Kubrick

Fenómeno literário do ano: "2666" de Roberto Bolaño
Polémica do ano: e-books vs. livros em papel

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

500 discos

O jornalista e escritor Alex Ross, autor do sublime livro "O Resto é Ruído" (uma história original da música ao longo do século XX), deu uma interessante entrevista ao jornal espanhol ABC, na qual explicou a essência do seu livro e as suas ideias em relação ao mundo da música em geral, e da música clássica em particular.
Alex Ross anda em digressão há cinco semanas pelo mundo a promover o seu muito elogiado livro. Enquanto crítico musical do "The New Yorker" recebe, em média, cerca de 100 discos novos todas as semanas (oferta das editoras). Quando regressar à redacção depois destas cinco semanas de ausência, terá 500 discos novos à sua espera. A vida de crítico musical é dura...

domingo, 27 de setembro de 2009

Alex Ross e a entrevista


O jornalista e escritor Alex Ross, autor do brilhante livro "O Resto é Ruído", deu uma interessantíssima entrevista ao jornal espanhol La Vanguardia, na qual aborda o conteúdo do seu premiado livro e a sua visão da música e da arte. Apesar da abordagem de Alex Ross se centrar sobretudo no campo da música clássica, o autor analisa também outras manifestações musicais como o jazz, o rock, o minimalismo, a pop e a música electrónica, contextualizando-as com outras correntes artísticas e culturais.
Prova desta diversidade de interesses, é a resposta à pergunta "que música tem no seu iPod"; Ross responde: "75% é música clássica. O resto é muito variado: Radiohead, Pavement, Dylan, Björk, Justin Timberlake, Sonic Youth...

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

À escuta do século XX - O Livro


No dia 30 de Dezembro de 2007 perguntava neste post se o livro "The Rest is Noise" iria ter algum dia edição nacional. Pelos vistos enganei-me. Demorou quase dois anos, mas aqui está o tão falado livro de Alex Ross em brilhante edição da Casa das Letras.
"O Resto é Ruído - À Escuta do Século XX" é uma notável obra com mais de 500 páginas que analisa o século XX com base na história da música desde 1900 até aos nossos dias. Cruza acontecimentos culturais, sociais e políticos para explicar os grandes compositores e as grandes obras musicais: de Mahler a Philip Glass, da música clássica ao rock, do jazz à vanguarda, da Viena de antes da Primeira Guerra Mundial até à Alemanha de Hitler, da downtown dos clubes nocturnos de Nova Iorque dos anos 60 às fusões estéticas dos 80 e 90. É que "O Resto é Ruído" não se lê como quem consulta um dicionário ou compêndio de música. A sua estrutura narrativa é rica e preciosa em pormenores, abrangente e historicamente muito bem documentada. O resultado final não é tanto uma história da música do século XX, mas sim uma elaborada história do século XX através da sua música.
Alex Ross, premiado crítico musical do mítico The New Yorker, faz uso de uma escrita extremamente escorreita e sem subterfúgios, rica em informação, detalhada e objectiva. Em 2008, o exigente New York Times incluiu "O Resto é Ruído" na lista dos 10 melhores livros do ano. Um jornalista do LA Weekly sentencia que se trata de "o melhor livro de música que alguma vez li". O circunspecto Washington Post confirma que "este é o melhor estudo sobre a complexa história da música. Verdadeiramente impressionante". E o The Guardian não faz a coisa por menos: "Só ocasionalmente alguém escreve um livro que esperámos a vida para o ler. Esta história da música do século XX é um desses livros".
O livro é algo caro (27 euros). Mas quem for cliente Bertrand pode fazer como eu: utilizar um voucher de 10€ e comprar o livro na segunda segunda-feira de cada mês (em que há um desconto de 10%). Resultado: ficou por um bem mais simpático preço de 14€.
Altamente recomendado.

Blog de Alex Ross.

domingo, 30 de dezembro de 2007

Visão da música do Século XX


Alex Ross, um eminente jornalista cultural (sobretudo musical) da eminente revista The New Yorker, acaba de lançar um (repito) eminente livro sobre a evolução dos principais movimentos musicais desde o final do Século XIX até aos dias de hoje - "The Rest is Noise". Pela descrição apercebemo-nos que se trata de um livro que aborda, de forma transversal e abrangente, os géneros, compositores, músicos e grupos que fizeram a história da música do Século XX - da erudita à experimental, do rock à vanguarda. Pelo teor do conteúdo, este livro de Alex Ross tem paralelismo com um outro que recomendo vivamente - este.
Resta saber se algum dia terá esta obra edição portuguesa.
Já agora, para perceber melhor a razão da existência de "The Rest is Noise", vale a pena ler a entrevista a Alex Ross.

E Alex Ross tem também um blog
Descrição breve do livro:
A sweeping musical history that goes from the salons of pre-war Vienna to Velvet Underground shows in the sixties. In The Rest is Noise, Alex Ross, music critic of the New Yorker, gives us a riveting tour of the wild landscape of twentieth-century classical music: portraits of individuals, cultures, and nations reveal the predicament of the composer in a noisy, chaotic century.
Taking as his starting point a production of Richard Strauss's Salome, conducted by the composer on 16 May 1906 with Puccini, Schoenberg, Berg and Adolf Hitler seated in the stalls, Ross suggests how this evening can be considered the century's musical watershed rather the riotous premiere of Stravinsky's Rite of Spring seven years later. Ross goes on to explore the mythology of modernism, Sibelius and the music of small countries, Kurt Weill, the music of the Third Reich, Britten, Boulez and the post-war avant-garde, and interactions between minimalist composers and rock bands in the sixties and seventies.