Quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Os horrores de Treblinka


O jornal francês Libération escreveu o seguinte sobre este livro: "De todos os textos sobre a máquina de extermínio nazi, este é um dos mais excepcionais". Não espanta. O judeu Chil Rajchman, sobrevivente do terrível campo de extermínio de Treblinka (Polónia), guardou num caderno as suas negras memórias da experiência por que passou. E só aceitou publicá-las em 2004, após a sua morte.
Chil Rajchman contou neste livro os seus dez meses de estadia no inferno (Rajchman tinha 28 anos quando foi deportado para Treblinka, em Outubro de 1942). No momento da libertação do campo, este judeu foi um dos 57 sobreviventes entre os 750.000 judeus enviados para Treblinka para aí serem gaseados. "Sou o Último dos Judeus" não tem a verve da escrita de um Primo Levi ou de um Elie Wiesel. Não, a escrita de Rajchman é muito menos literária e muito mais descritiva, muito mais pragmática, quase ao nível jornalístico, uma espécie de documentário do abominável terror testemunhado. Ler esta obra é ser constantemente violentado pelos pormenores dos horrores do Holocausto nazi, contados com tal minúcia que chega a criar no leitor imagens visuais das torturas e dos bárbaros assassínios descritos.
O livro está à venda desde há uns dias nas livrarias e as suas 149 páginas lêem-se num ápice.
É mais um livro a perpetuar a memória histórica colectiva da Humanidade, à semelhança do livro "Sonderkommando", que conta as atrocidades cometidas em Auschwitz relatado aqui e aqui.

2 Sábio(s) comentário(s)::

Diamond disse...

"Sou o Último Judeu" é um livro que me está a dar muito gozo lê-lo.
Recomendo, a quem se interesse por este tipo de relatos, que o leia e afinal não é assim tão caro.

Cump.

Spark disse...

Não conhecia.
Dentro deste tema, li "Se isto é um Homem" de Primo Levi, há algum tempo atrás. Que é brilhante!!

Abraço