terça-feira, 9 de junho de 2009

A exigência chamada "A Montanha Mágica"


Quando entrei na livraria Bertrand foi o primeiro livro que procurei: “A Montanha Mágica” de Thomas Mann. Uma obra literária mítica, grandiosa e influente, um marco para toda a literatura do século XX. Um livro para colocar na estante ao lado de autores como Robert Musil, Marcel Proust ou James Joyce. Nunca li “A Montanha Mágica”, obviamente, mas ressoou sempre no meu espírito a necessidade de ler este romance colossal (na forma e no conteúdo) por influência de amigos mais velhos e conhecedores. Ler este clássico da literatura universal que, pela primeira vez, foi editado no nosso país com uma tradução directa do alemão para o português europeu (e o livro já tem 100 anos!), feita por Gilda Lopes Encarnação, é uma grande responsabilidade. E um exercício exigente que se manifesta no tempo necessário para ler as mais de 800 páginas do livro de Thomas Mann. E o próprio escritor eleva a fasquia da exigência, dizendo que o leitor deve ler o romance duas vezes, para melhor se embrenhar na história de amor, morte e passagem do tempo. É neste aspecto que, confesso, me assusta um pouco aventurar-me na obra: a morosidade para ler um romance de tamanha densidade e complexidade exaspera-me, por mais prazer que possa extrair da sua leitura.
É preciso coragem para começar a ler um livro desta magnitude e importância. A mesma coragem que se deve ter para ler o monumental livro "O Homem Sem Qualidades" de Musil, para ouvir as óperas de Wagner, para ver as sete horas do filme "Sátántangó" do húngaro Béla Tarr. Mas a verdade é esta: só com coragem e determinação é que se pode extrair todo o prazer estético da fruição de uma obra de arte perfeita. Não é pela via do facilitismo intelectual.

3 comentários:

Passenger disse...

Nunca li, mas Morte Em Veneza é perfeito. Hei-de procurar mais de Mann :)

toninho disse...

Pois. "O homem sem qualidades" explica bem essa dicotomia. O facilitismo é sempre aliado ao nada. Contra-senso isso, aquilo.

EUuuuuuuu.... disse...

"...mas ressoou sempre no meu espírito a necessidade de ler este romance colossal..."

Romances??? Desde quando??!!

Que novidade... Logo to ofereço.

Beijocas, PGA.