quinta-feira, 28 de março de 2013

"A Vida de Brian"

Fui ver ao cinema (TMG) o clássico dos Monty Python, "A Vida de Brian" (1979). Depois da exibição do filme, houve um debate (que eu próprio moderei) com convidados e com o público acerca do filme e da relação entre o humor e as religiões.
Já tinha visto o filme duas vezes há muitos anos, mas nunca me ri tanto como neste visionamento. O humor dos Monty Python exala inteligência a rodos, um humor por vezes provocatório, outras vezes, extremamente subtil e cirúrgico. Os jogos de equívocos, de linguagem/comunicação e o absurdo de situações sempre fizeram parte da estratégica cómica do grupo, mas neste filme estão mais vincados do que nunca (e o resultado é irresistivelmente cómico).
Além do mais, uma das conclusões do debate teve a ver com o facto de "A Vida de Brian" não ser apenas uma paródia sarcástica sobre as religiões (cristã e judaica), mas também uma sátira aos costumes sociais  políticos e culturais da época de Jesus Cristo, sem desvirtuar o contexto histórico em que a história se insere.
Daí que, mais de 30 anos após a realização desta obra magistral dos Python, esta mantenha uma assombrosa actualidade no contexto social, político e religioso. Os Python nunca quiseram que este filme fosse blasfemo (apesar das acusações injustas) ou insultuoso para com as crenças e dogmas religiosos. O que fizeram foi um filme sarcástico sobre o fundamentalismo de rituais e a alienação das massas perante a necessidade, a todo o custo, de criar e seguir Messias vazios de conteúdo.
E é um filme que faz pensar e aguça a inteligência (ao mesmo tempo que diverte) nesta quadra Pascal, ao contrário dos já maçadores pastelões mais do que repetidos nesta época nas televisões, como "Ben Hur" e quejandos.

5 comentários:

Anónimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Anónimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Anónimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Anónimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Ricardo disse...

Recomendo-te a veres no youtube um debate que houve na televisão britânica aquando da estreia do filme. John Cleese e Michael Palin a terem que defender o filme perante um velho académico snob e um bispo efeminado e sarcástico.