sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Erros? So What?!

Ainda não vi o filme "Gravity", mas tenho lido artigos de astrofísicos reconhecidos muito preocupados com os alegados erros científicos do filme, apontando diversas inverdades científicas que passam despercebidas ao comum dos leigos em matéria espacial. E isto é, à partida, irritante.
Mas qual é o problema disso? O filme de Alfonso Cuarón é um FILME, não é uma aula de astrofísica e tem liberdade criativa, não pretende ser um documentário de ciência exacta feito por especialistas que nunca se enganam. O que importa dizer que o cabelo de Sandra Bullock devia mexer-se mais com a ausência de gravidade ou algo do género? Preciosismos sem importância...
É como o "Apocalypse Now": está listado no site Moviemistakes como tendo quase 400 erros em vários aspectos do filme (história, realização, montagem, interpretação...). E depois? Não deixa por isso de ser um dos melhores filmes de sempre. 
A cinefilia não se compadece com este tipo de obsessão pela busca da aparente verdade das coisas na arte cinematográfica.

5 comentários:

Pedro Rebelo disse...

Concordo perfeitamente. Acho que a liberdade criativa - de contar uma historia, no fundo passar uma mensagem - não deve estar amarada ao peso de ensinar ciência.

Querem aprender ciência em Hollywood, revejam o documentario "Through the wormhole" com o Morgan Freeman, por exemplo.

Sofia disse...

Eu acho que o problema aqui é que hoje em dia tudo deve ser criticado. Tudo.

Em vez de tentarmos apreciar um livro desde o ponto de vista do autor, ou desfrutar a linguagem que ele/ela usa, criticamos os pontos fracos e onde a peça falha. O mesmo com os filmes.

Como se diz por esses lados, haters gonna hate. O criticismo nunca irá terminar, mas continuará a propagar-se, com certeza.

Atenção,não há nada de mau com o criticismo construtivo, mas infelizmente estamos a falar de criticismo que não traz nada de creativo nem de valioso àquele que o recebe. Como diriamos nós, é o puro "bota-abaixo".

Rui Resende disse...

Isso é como a Guerra das Estrelas. Nunca deveríamos ouvir o som de lasers a serem disparados num Espaço de vácuo, sem ar para conduzir o som. No entanto experimentem tirar o som das batalhas espaciais da guerra das estrelas, e vejam que piada tem. Concordo contigo Victor, é totalmente irrelevante esse tipo de "nitpick".

Francisco Costa disse...

O Neil deGrasse Tyson gosta bastante de opinar sobre os filmes de ficção científica e não só.
Eu acho isto saudável, pois só aporta com que os realizadores estejam atentos aos pormenores.
Dele ficou celebre este preciosismo do filme Titanic http://www.avclub.com/articles/neil-degrasse-tyson-got-james-cameron-to-fix-titan,71829/ que foi corrigido por James Cameron na edição em DVD.

Já agora acho que Tyson é o Carl Sagan da actualidade. Se procurarem por referências dele, irão rapidamente perceber que fala de problemas bastante mais complexos e aborrecidos, numa linguagem acessível e divertida, capaz de fascinar e suscitar interesse das gerações mais novas na astrofísica.

Rui Gonçalves disse...

Essa ideia parte do princípio errado de que o cinema é ou tem de ser a representação da realidade...