domingo, 13 de outubro de 2013

Hannah Arendt e Eichmann


"Hannah Arendt" devia ser um filme de visionamento obrigatório nas escolas (disciplinas de filosofia, política e história). Para além do filme de Margarethe Von Trotta ser um objecto cinematográfico de grande interesse, é também uma obra que dá azo ao debate de ideias sobre o Holocausto, o extermínio dos Judeus e, em particular, sobre o julgamento de Adolf Eichmann.
Hannah Arendt foi uma pensadora e filósofa de relevo da segunda metade do século XX, discípula de Heidegger e autora do livro "As Origens do Totalitarismo". Apesar de judia, Hannah demonstrou uma visão independente no julgamento (em 1961) de Adolf Eichmann, considerado um dos principais responsáveis pela "máquina de extermínio nazi". 
Com uma interpretação superior e imaculada da actriz Barbara Sukowa (outrora musa de Fassbinder e Lars Von Trier), "Hannah Arendt" é um filme de uma grande contenção dramática e que abre múltiplos campos de discussão ideológica e até filosófica: será que, como Arendt defendia, Eichmann era apenas um "burocrata que não pensava e se limitava a cumprir ordens superiores" (que levaria ao conceito de "Banalidade do Mal" desenvolvido por Arendt), ou este oficial Nazi era um carrasco monstruoso sem escrúpulos e com consciência total dos seus abomináveis actos?
Hannah Arendt acompanhou o julgamento em Israel e escreveu o que pensava para a revista The New Yorker. Não sem feroz polémica nos meios académicos e culturais ligados à questão judaica. 
Belo filme que motiva nos espectadores uma coisa que poucos filmes conseguem: fazer pensar e debater ideias. 

3 comentários:

Rui Gonçalves disse...

Ainda não vi o filme, mas a curiosidade é imensa. P.S. A propósito de um post mais antigo: já está nas lojas o livro do Rancière sobre o Béla Tarr.

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Sim, eu sei Rui. Encomendei via Bertrand.

Marcelo Castro Moraes disse...

Filme corajoso, que mostra um lado ainda obscuro sobre as pessoas que eram a serviço daquele regime enlouquecido.