A apresentar mensagens correspondentes à consulta tarkovski ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens
A apresentar mensagens correspondentes à consulta tarkovski ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Polaroids de Tarkovski


Andrei Tarkovski, para além de ter sido um genial cineasta, foi um excelente escritor, pensador(basta ler o seu único livro "Esculpir o Tempo") e um fotógrafo talentoso. O realizador russo fotografou sempre ao longo da vida, especialmente nos momentos em que fazia pesquisa para os seus filmes. Há uns tempos foi editado um livro com fotografias (polaroids) do autor de "Stalker", acompanhadas de poemas do seu pai, Arseni Tarkovski e prefácio do filho, Andrei Tarkovski Jr.
O livro tem o belo título de “Bright, Bright Day” e é uma edição conjunta da Galeria White Space e da Fundação Tarkovski de Florença. Tarkovski era um aficionado amador da fotografia, gostava dela como antecâmara das imagens em movimento que tão bem conseguiu explorar no grande ecrã. O cineasta fotografava actores, familiares (mãe, filho), cenários de filmes, paisagens para estudar enquadramentos de câmara, a realidade do dia-a-dia do seu exílio forçado em Itália e na Suécia. Certamente que será um documento precioso para compreender melhor toda a complexidade artística e visual de um dos criadores mais fascinantes e místicos da Sétima Arte. Um livro que um dia hei-de adquirir.
Para ler mais informação e encomendar o livro (tem o preço pouco simpático de 30£) é favor abrir o link. Para mais informação sobre esta edição, aqui.

Tema relacionado - "A Luz Instantânea de Tarkovski"

segunda-feira, 29 de março de 2010

Bresson, Tarkovski e Welles juntos

Esta sequência é uma preciosidade histórica e um momento raríssimo. No Festival de Cannes de 1983, três génios do cinema encontram-se no mesmo palco: Orson Welles (como apresentador), o francês Robert Bresson e o russo Andrei Tarkovski. Repare-se na forma como Welles apresenta o prémio para o último filme de Bresson ("L'Argent"). Não só não o cumprimenta como nem sequer olha para ele. E a reacção do público? Uma indescritível mistura de palmas e... assobios. Depois, entra Tarkovski a receber um prémio pelo magnífico filme "Nostalgia". Orson Welles já cumprimenta o realizador russo. Teria o cineasta de "Citizen Kane" mais admiração por Tarkovski do que por Bresson?
Tarkovski dirige-se ao microfone apenas para dizer um seco "Merci Beaucoup" (fazendo lembrar o também seco "thank you" de Hitchcock quando recebeu o seu único Óscar).
Bresson e Tarkovski nutriam grande admiração mútua e, ao que consta, foi a única vez que estiveram juntos. O realizador de "Stalker" morreria apenas 3 anos depois deste evento, logo após ter terminado o filme-testamento "O Sacrifício". O cineasta francês viveria até 1999, mas nunca mais conseguiu realizar nenhum filme. No fim, ao saírem do palco, Bresson puxa pelo braço de Tarkovski, numa manifestação clara de companheirismo e respeito.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Welles, Bresson, Tarkovski

Esta sequência é uma preciosidade histórica e um momento raríssimo. No Festival de Cannes de 1983, três génios do cinema encontram-se no mesmo palco: Orson Welles (como apresentador), o francês Robert Bresson e o russo Andrei Tarkovski. Repare-se na forma como Welles apresenta o prémio para o último filme de Bresson ("L'Argent"). Não só não o cumprimenta como nem sequer olha para ele. E a reacção do público? Uma indescritível mistura de palmas e... assobios. Depois, entra Tarkovski a receber um prémio pelo magnífico filme "Nostalgia". Orson Welles já cumprimenta o realizador russo. Teria o cineasta de "Citizen Kane" mais admiração por Tarkovski do que por Bresson? Tarkovski dirige-se ao microfone apenas para dizer um seco "Merci Beaucoup". Bresson e Tarkovski nutriam grande admiração mútua e, ao que consta, foi a única vez que estiveram juntos. O realizador de "Stalker" morreria apenas 3 anos depois deste evento, logo após ter terminado o filme-testamento "O Sacrifício". O cineasta francês viveria até 1999, mas nunca mais conseguiu realizar nenhum filme. No fim, ao saírem do palco, Bresson puxa pelo braço de Tarkovski, numa manifestação clara de companheirismo e respeito.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Um novo livro sobre Tarkovski


Portugal é um país parco em edições de livros sobre cinema.
Diria mesmo: um país extremamente pobre neste capítulo. São escassos os críticos, historiadores ou jornalistas que se dedicam à escrita sobre cinema em Portugal (à excepção de estudos de teor mais académico ou no âmbito de uma instituição como a Cinemateca). Panorama totalmente diferente é o espanhol.
Desde há longos anos que, vivendo perto da fronteira de Espanha, acompanho o mercado livreiro (e da comunicação social em geral) me deparo com constantes e importantes novidades no mercado da edição de livros de arte, cultura, música, cinema, literatura, etc.
Sobre cinema, há até uma fascinante livraria em Madrid unicamente dedicada ao cinema, da qual dei conta neste post. No mercado livreiro espanhol existe uma diversidade e um dinamismo editorial avassalador, com obras muito interessantes sobre os mais variados temas do universo cinematográfico.
Um dos mais respeitados especialistas mundiais do realizador russo Andrei Tarkovski é espanhol: Rafael Llano. É da sua autoria uma monumental biografia em dois volumes sobre o autor de "Stalker" e é ele, igualmente, um dos responsáveis por um dos melhores e mais completos sites sobre o cineasta russo. Ora, este preciso site acaba de informar da edição de mais um livro sobre Tarkovski, da autoria do professor, jornalista e ensaísta espanhol Carlos Tejeda. Tal como conta neste site, Carlos Tejeda classifica da seguinte forma o cinema de Tarkovski: "Tarkovski representa um cinema de nostalgia. Nostalgia do passado, do presente e do futuro. Tudo está impregnado de recordações, memórias, melancolia, evocações, visões, desassossego, rituais, viagens. Muitas viagens: a viagem como permanente procura." Um novo livro sobre Tarkovski é, quanto a mim, sempre motivo de interesse e regozijo.
O autor mantém um interessante blog no qual publica os seus textos e, como se nota pelas imagens em baixo, para além de admirador de Tarkovski, Carlos Tejeda é também um admirador confesso de Jacques Tati!

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Tarkovski - as fotografias

É uma notícia que já tem vários meses, mas só hoje soube dela através do blogue sound + vision: o lançamento de um livro com fotografias (polaroids) do realizador russo Andrei Tarkovski, poemas do seu pai, Arseni Tarkovski e prefácio do filho, Andrei Tarkovski Jr. O livro tem o belo título de “Bright, Bright Day” e é uma edição conjunta da Galeria White Space e da Fundação Tarkovski de Florença. Tarkovski era um aficionado amador da fotografia, gostava dela como antecâmara das imagens em movimento que tão bem conseguiu explorar no grande ecrã. O cineasta fotografava actores, familiares (mãe, filho), cenários de filmes, paisagens para estudar enquadramentos de câmara, a realidade do dia-a-dia do seu exílio forçado em Itália e na Suécia. Certamente que será um documento precioso para compreender melhor toda a complexidade artística e visual de um dos criadores mais fascinantes e místicos da Sétima Arte.
Para ler mais informação e encomendar o livro (tem o preço pouco simpático de 30£) é favor abrir o link. Complementarmente, o site andreitarkovski.org, informa sobre 4 novas edições de livros de ensaios sabre o autor de “O Sacrifício”.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Elegia - Em Memória de Tarkovski


Como se filma um cemitério para honrar a memória de um artista? Que planos? Que montagem? Que música? As opções não devem ser fáceis de executar, de forma a não resvalar para o sentimentalismo fácil ou para uma estética demasiado formatada.
O realizador Marc Benería tentou e conseguiu levar a bom porto esta empreitada: esteve no dia 29 de Dezembro de 2008 no cemitério St. Genieve des Bois (Paris) a filmar uma curta-metragem em memória de Andrei Tarkovski. O realizador russo morreu nesse preciso dia, em 1986, e o simbolismo do momento terá pesado na hora de filmar.
Marc Benería teve a sensibilidade suficiente para fazer um pequeno e singelo filme em honra do grande artista russo. Nos 15 minutos da curta-metragem, intitulada "Elegia - Em Memória de Andrei Tarkovski", Pressente-se o olhar cuidado na selecção dos planos, no ritmo da montagem, na forma como as imagens vão compondo uma espécie de espaço plástico cujas imagens (a cores e a preto e branco) se tornam o cerne da estética. As folhas caídas, uma pedra tumular, gotas de água, ramos de árvores, os pormenores de um espaço aparentemente trágico e frio (como o cemitério), que nos recorda que somos todos mortais. Dá a sensação que o realizador andava à procura do espírito de Tarkovski nas pequenas coisas materiais e mundanas, à procura de sentido, de ordem no Caos. Não há morbidez nestas imagens, no sentido em que não se exibe a morte e o seu lugar.
Por vezes há uma voz off que recita umas palavras, por vezes há sons de uma flauta. Na segunda parte, surge uma mulher desconhecida que coloca velas na campa de Tarkovski, numa sequência que traz à memória do espectador a cena das velas do filme "Nostalgia" (1983).
Simplicidade, despojamento, imagens em poesia, num curto filme dividido em duas partes.
Aqui.
Nota - Para os interessados, há um Guia minucioso para visitar o túmulo de Andrei Tarkovski.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Andrei Tarkovski - O Escultor do Tempo


Quem é este realizador que é comparado, em dimensão artística, ao escritor Dostoievski? Quem é este cineasta que, em todo o seu percurso cinematográfico, efectuou um intenso mergulho na árdua e intrincada jornada rumo ao autoconhecimento e à mais elevada espiritualidade? Na História do Cinema houve poucos realizadores tão exigentes, inovadores e visionários como o russo Andrei Tarkovski. A sua obra cinematográfica é profundamente original, fruto de uma progressiva maturação artística obtida ao longo de três décadas e da decisiva influência cultural paterna (o pai, Arseni Tarkovski, era um importante poeta russo). No mundo do cinema, talvez se possa citar nomes da mesma estirpe como Ingmar Bergman, Akira Kurosawa, Robert Bresson, Carl Dreyer, Alain Resnais ou Luís Buñuel (Tarkovski admirava todos estes cineastas). Realizou apenas sete filmes (sete obras-primas?) ao longo da sua carreira, apenas sete longas-metragens que constituem a expressão máxima de um dos maiores criadores de imagens da segunda metade do século XX.

Homem de uma cultura erudita e abrangente (pintura, poesia, música, cinema, literatura, geologia), teve muitas dificuldades em trabalhar livremente fruto das pressões censórias das autoridades soviéticas. Por isso se exilou e procurou desenvolver o seu trabalho singular em países como Itália, França ou Suécia. Foi acusado de elitista e austero, mas insistia que eram as crianças que melhor entendiam os seus filmes. O seu cinema é um cinema de permanente confrontação dos sentidos, de depuração espiritual, de um formalismo estético sem paralelo, que pouco tem de entretenimento gratuito; a sua demanda prende-se com a procura do sentido para a arte, para a existência humana, num mundo cada vez menos preocupado com as questões culturais e mais com as questões da sociedade de consumo e do espectáculo. Conceitos como nostalgia, fé, simbolismo, sonho, lirismo, poética, sombra, meditação, arte, tempo, introspecção, mistério, subjectividade, metafísica, misticismo ou memória, são abordados recorrentemente nos filmes de Tarkovski. O cineasta fazia filmes “esculpindo no tempo”.

A sua filmografia é absolutamente ímpar em toda a história do cinema, tendo granjeado inúmeros prémios internacionais (Cannes, Veneza, Berlim): “Andrei Rubliev” (1966), “Solaris” (1972), “Stalker” (1979), “Nostalgia” (1983) ou “Sacrifício” (1986), são testemunhos de uma arte das imagens que deve tanto à pintura como à literatura. A mestria da realização (planos, movimentos de câmara, enquadramentos), a sua mise-en-scène (rigorosa e despojada), a utilização subtil da banda sonora e da sonoplastia (o som como elemento dramático), o soberbo domínio da fotografia (composição plástica da imagem), os argumentos sólidos (diálogos profundos, dramas envolventes), fazem de Tarkovski um autor de rara qualidade artística.

terça-feira, 13 de julho de 2010

O som no cinema de Tarkovski


"In the 'The Sacrifice' there is no music only the S:t Matthew Passion at the beginning and the end. There is this woman's voice and the Japanese flute. Which is why all the other sounds functioned as music instead. So it all grow into something quite natural."
Estas palavras pertencem a Owe Svensson, editor de som sueco que trabalhou com o realizador russo Andrei Tarkovski no seu último filme, "O Sacrifício" (1986). É sabido que Tarkovski era um perfeccionista a todos os níveis da arte cinematográfica: realização, fotografia, montagem, interpretação, som e música. Neste último capítulo, a edição de som e a música (banda sonora original ou adaptada), o cineasta dedicava uma atenção muito especial. Para os seus filmes alternou a composição original do compositor Eduard Artemiev (o primeiro músico a compor música electrónica para filmes russos, em 1963) e composições clássicas de Bach, Haendel, Beethoven, entre outros.
Na sua última obra, "O Sacrifício", que contou com o extraordinário trabalho de fotografia do já desaparecido director Sven Nykvist (colaborador de Ingmar Bergman), Tarkovski utilizou apenas excerto da obra "Paixão Segundo São Mateus" de Bach e uma melodia de uma flauta japonesa - sem contar com o sempre minucioso trabalho de sonoplastia.
Owe Svensson, citado no início, foi o responsável pelo som deste filme de Tarkovski e nesta interessante entrevista explica como foi trabalhar com o realizador russo, quais foram os critérios artísticos envolvidos e como Tarkovski interpretava a importância do som no (seu) cinema.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Tarkvoski: a importância do som


"In the «The Sacrifice» there is no music only the S:t Matthew Passion at the beginning and the end. There is this woman's voice and the Japanese flute. Which is why all the other sounds functioned as music instead. So it all grow into something quite natural."
Estas palavras pertecem a Owe Svensson, editor de som sueco que trabalhou com o realizador russo Andrei Tarkovski no seu último filme, "O Sacrifício" (1986). É sabido que Tarkovski era um perfeccionista a todos os níveis da arte cinematográfica: realização, fotografia, montagem, interpretação, som e música. Neste último capítulo, a edição de som e a música (banda sonora original ou adaptada), o cineasta dedicava uma atenção muito especial. Para os seus filmes alternou a composição original do compositor Eduard Artemiev (o primeiro músico a compor música electrónica para filmes russos, em 1963) e composições clássicas de Bach, Haendel, Beethoven, entre outros.
Na sua última obra, "O Sacrifício", que contou com o extraordinário trabalho de fotografia do já desaparecido director Sven Nykvist (colaborador de Ingmar Bergman), Tarkovski utilizou apenas excerto da obra "Paixão Segundo São Mateus" de Bach e uma melodia de uma flauta japonesa - sem contar com o sempre minucioso trabalho de sonoplastia.
Owe Svensson, citado no início, foi o responsável pelo som deste filme de Tarkovski e nesta interessante entrevista explica como foi trabalhar com o realizador russo, quais foram os critérios artísticos envolvidos e como Tarkovski interpretava a importância do som no (seu) cinema.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Tarkovski no Público

Hoje sai no Público o volume 17 da colecção "Grandes Realizadores" dos Cahiers du Cinema. Esta edição é dedicada ao realizador russo Andrei Tarkovski (ou Tarkovsky), o meu cineasta de eleição. O DVD traz o seu último filme, "O Sacrifício" (1986). Quem quiser uma edição realmente definitiva e completa sobre este filme pode sempre comprar esta magnífica edição espanhola, com 3 discos de extras (entrevistas, documentários...) e um livro de 80 páginas sobre o filme e seus intervenientes. Como habitualmente, a edição DVD do Público vem acompanhada por um livro de 100 páginas da colecção Cahiers du Cinema. Este livro é deveras imprescindível para todos os amantes de Tarkovski, pelo simples facto de ser da autoria de um grande especialista em cinema (tem livros sobre Lynch, Kubrick, Chaplin e Tati): Michel Chion. Chion é escritor, argumentista, ensaísta e compositor de música concreta (tem vários livros sobre música electrónica e concreta) e um especialista no cinema russo. No livro aborda a arte das imagens de Tarkovski mas também a sua relação com o som e a música. Imprescindível.
Entre muitos planos-sequências geniais que Andrei Tarkovski filmou ao longo da sua brilhante carreira, este plano-sequência final de "O Sacrifício" é dos mais geniais - e que deu muitas dores de cabeça ao realizador russo, pois teve de ser filmado duas vezes (repare-se nos movimentos de câmara, no cenário, na mise-en-scène, no ambiente criado...).

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Conversa de génios


Este livro sobre Andrei Tarkovski, que comprei em Madrid, tem algumas saborosas histórias. Como o livro é escrito por actores e familiares que conviveram de perto com o realizador russo, os relatos são, por isso, fidedignos.
Há um episódio curioso contado pela actriz russa Natalia Bondarchuk: um dia Tarkovski visita Itália e assiste, numa sala de cinema, ao filme "Amarcord" de Fellini, que o cineasta russo adorou. Sabendo da presença de Tarkovski em Roma, Federico Fellini convidou-o para um jantar. E a conversa aconteceu como se segue:
Fellini - "Vi o teu filme "Solaris", Andrei. Claro que não o vi todo porque o filme é muito comprido, mas o que vi deu para perceber que és um génio!"
Tarkovski - "Um filme comprido? Tu também tens muitos filmes longos e eu vi-os todos até ao fim!"
Fellini - "Não te zangues, Andrei, sei que tu e eu somos génios. Aliás, quase tudo o que vem da Rússia é de génio. Já agora, como consegues filmar os teus filmes? Não se pode fazer um filme sobre qualquer tema no teu país! Eu nunca poderia fazer um filme no teu país porque todos os que faço são sobre prostitutas."
Tarkovski - "E porque é que deixaste de usar actores profissionais?"
Fellini - "São caros. E quando assinam contratos já trazem cláusulas até para o número de planos a fazer. Não estou para isso, por isso uso actores amadores. Mas sabes que agora é difícil fazer filmes, não há dinheiro. os produtores perdem dinheiro com os meus filmes. É um trabalho duro ser realizador, caro amigo, mas eu e tu, claro, somo génios!"

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

A música no cinema de Tarkovski


É um ensaio imperdível para quem gosta de música em geral e de cinema em particular. E mais em particular ainda, do cinema do russo Andrei Tarkovski (imagem à direita). Chama-se "A Criação Musical de Andrei Tarkovski" e está disponível, em documento PDF, aqui. Tal como o título deixa transparecer, trata-se de um ensaio, relativamente aprofundado e extenso, sobre a relação entre o cinema de Tarkovski e a música (e os sons). Uma relação extremamente rica e versátil pela qual sempre se pautou o exigente e formalista cinema do cineasta de "Stalker". O autor deste estudo é o crítico e investigador espanhol Paco Yáñez (imagem à esquerda).
Paco Yáñez explora individualmente cada um dos sete filmes do mestre russo, identificando as múltiplas formas expressivas que a música e os sons desempenham em cada um desses filmes. A linguagem está longe de ser académica ou conceptual, facto que facilita a leitura e a compreensão geral do ensaio. Um excerto: "A música para Tarkovski deveria fazer parte da paisagem cinematográfica existente em cada filme, contribuindo para uma carga conceptual e estética de uma extraordinária coerência em todos as suas obras. Todos os seus filmes constituem, em conjunto, um processo de depuração sonora paradigmática, que considero merecedor de análise pormenorizada a uma obra de cinema única em todo o século XX."

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Tarkovski e Dostoievski em trabalho académico

Este senhor da imagem chama-se Daniel Robledo Muñoz. É um professor espanhol de Filosofia e de Ciências da Comunicação da Universidade Complutense de Madrid e defendeu, há pouco tempo, uma tese de doutoramento sobre o realizador russo Andrei Tarkovski.
A tese intitula-se "A Santa Rússia em Andrei Tarkovski" e explora a relação entre o cineasta e o escritor Dostoievski (um autor caro a Tarkovski). A tese académica obteve a classificação máxima por unanimidade e o seu autor aguarda agora que uma editora interessada publique em livro o seu trabalho. Esperemos que assim seja.
Este tema tem relação com o trabalho académico sobre o realizador espanhol Luis Buñuel.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

A luz instantânea de Tarkovski


E volto a Andrei Tarkovski.
Desta vez, para dar conta de uma exposição na Corunha - na Fundación Luis Seoane - dedicada ao trabalho fotográfico do realizador (a imagem diz respeito à entrada da galeria de arte). Consta que o cineasta russo se fazia acompanhar, para onde quer quer fosse (mesmo durante as filmagens), de uma máquina fotográfica Polaroid. Está publicado um livro com a maior parte das suas fotografias, mas esta exposição pretende ser mais abrangente, uma vez que contempla 80 imagens captadas por Tarkovski durante a primeira metade dos anos 80 (morreu em 1986).
A exposição, patente ao público até final 31 de Maio, tem como título "Luz Instantânea", e é complementada com uma instalação audiovisual sobre o realiador de "Stalker". Quem conhece o cinema de Tarkovski sabe que a fotografia e a luz eram elementos fundamentais da sua linguagem artística. E é curioso verificar nestas simples polaroids, a sensibilidade visual do cineasta, em conformidade com a qualidade plástica dos seus filmes.
Mais informação sobre a exposição aqui.
Mais fotografias neste site.

sábado, 1 de junho de 2013

O livro de Tarkovski

Para ir directo ao assunto: este é porventura um dos mais belos livros que alguma vez li.
"Esculpir o Tempo" de Andrei Tarkovski. Escrito ao longo de muitos anos de vivências múltiplas, de momentos felizes e de infortúnios, de períodos de reflexão e de sofrimento. O realizador compilou todo os seus pensamentos, memórias e considerandos sobre a função da arte e do artista, o que deve ser ou não o cinema, qual o lugar do homem e da natureza no mundo.
São reflexões fluídas e que se lêem avidamente. Não é só um tratado sobre cinema (dos melhores que já foram escritos), é um tratado sobre a vida, sobre os valores espirituais do homem. É um tratado filosófico sobre questões terrenas e metafísicas, num estilo de escrita que tem mais de literário do que técnico. Um guia para compreendermos a sua arte e a sua visão cosmológica das coisas e dos afectos.
Mais do que Bergman, mais do que Dreyer, Tarkovski é o mestre absoluto na exploração das emoções humanas e na manipulação do tempo e da memória.
Profundamente marcado pela poesia do seu pai Arseni Tarkovski, Andrei teve uma fortíssima formação académica no campo da pintura (queria ter sido pintor), da história, da literatura e da poesia. A sua sensibilidade artística denota a extrema exigência que tinha para com a arte e o cinema. Filmar um plano era o mesmo que congelar um pedaço de tempo. Esculpi-lo. E toda a sua estética se baseia na ideia de esculpir o tempo. Em tempos houve na Fnac uma edição brasileira de "Esculpir o Tempo" (ou podem fazer o download do livro em PDF e em português).

domingo, 4 de abril de 2010

Tarkvoski, 78 anos

Se fosse vivo, Andrei Tarkovski faria hoje 78 anos. Um dos meus realizadores preferidos de sempre. Já escrevi abundantes posts sobre Tarkovski. Para tal, basta espreitar o marcador com o nome do realizador.
Tarkovski escreveu um único livro - "Esculpir o Tempo". Um livro que demorou vários anos a ser escrito e que compila os pensamentos e reflexões do cineasta russo sobre a vida, a arte e o cinema. Comprei-o há dois anos na Fnac numa edição brasileira. Não sei se ainda se encontram exemplares à venda. Porém, quem quiser conhecer esta magnífica obra literária de Tarkovski, poderá ler o e-book aqui.

sábado, 25 de abril de 2009

Tarkovski em forma de festival


Andrei Tarkovski (1932 - 1986), cineasta particularmente apreciado e abordado por aqui, é um dos mais estudados e analisados realizadores de sempre. Basta efectuar uma rápida pesquisa na internet para perceber isso mesmo. Sobre o autor de "Stalker" organizam-se conferências em todo o mundo e são publicados centenas de livros, biografias, ensaios e dissertações (não apenas no campo da estética cinematográfica, mas também no campo da análise religiosa, filosófica, artística e literária). Tarkovski será, também, um dos poucos realizadores mundiais que tem um festival de cinema só dedicado à sua obra. É na sua Rússia natal (Ivanovo), e vai já na terceira edição. O nome deste festival de cinema é o título de um dos mais belos filmes de Tarkovski, "Zerkalo" ("O Espelho", 1976): Internactional Film Festival "Zerkalo", cujo site pode ser acedido aqui. O III festival de cinema "Zerkalo" vai acontecer nos dias 28, 29 e 30 de Maio, e contará com especialistas mundiais na obra do realizador russo, bem como inúmeras outras iniciativas para homenagear a arte do cineasta.
Há muitos sites dedicados a este grandioso esteta das imagens, mas o mais completo e actualizado, que eu conheça, é o site espanhol andreitarkovski.org.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Tarkovski por Brakhage


O realizador experimental Stan Brakhage elogiou um dia o cineasta russo Andrei Tarkovski pelos seus filmes a três níveis:

1) Por contar as lendas épicas das "tribos do mundo".
2) Manter a sua obra pessoal, alcançando a verdade por esse caminho.
3) Fazer um trabalho de sonho que ilumina as fronteiras do inconsciente.
Quando disse isto, Stan Brahkage tinha em mente o filme "O Espelho" (na imagem), que considerava um exemplo impressionante e dominador desta tripla premissa. Para Brakhage, esta obra de Tarkovski era, ao mesmo tempo, textura e aura, sensibilidade e confissão íntima, chamamento histórico e poema críptico.

E não é preciso dizer mais nada.

domingo, 15 de março de 2015

A educação do meu gosto - 1

A educação do meu gosto - Cinema



Somos o que somos e gostamos do que gostamos porque estivemos sob influências de determinadas condicionantes. Ou como diria Ortega y Gasset: “Eu sou eu e a minha circunstância”.  

Durante a minha adolescência gostava de filmes do Rambo e filmes de acção em geral. Mas também nessa altura comecei a ver filmes clássicos na televisão (RTP2), épicos históricos, de gangsters e westerns. A televisão espanhola passava aos sábados à tarde grandes filmes clássicos de Hollywood que via com sofreguidão. Um dia, numa noite num bar da minha cidade encontrei-me com um amigo mais velho. Um amigo com uma cultura vasta e de qualidade. Começámos a falar de cinema e fixei para sempre uma frase que me disse: “Tens de conhecer o cinema de Andrei Tarkovski, é um cinema metafísico de grande exigência estética”. Nunca tinha ouvido falar do cineasta russo mas fiquei altamente motivado para tal. Numa época sem internet e poucas enciclopédias disponíveis, lá procurei por esse Tarkovski. Até que um outro amigo, estudante de Comunicação Social, me gravou uma cassete VHS com o filme “Stalker” (na imagem). Vi-o nessa mesma noite e quase não consegui dormir atormentado por tantas interrogações que o filme me suscitou.

A descoberta de Tarkovski foi, certamente, o início da minha formação de gosto pelo bom cinema. A partir daí comecei a ler religiosamente as críticas de cinema nos jornais e revistas, os catálogos da Cinemateca, a procurar todos os livros sobre cinema da biblioteca pública e a conhecer cada vez mais a história do cinema desde as suas origens. Ou seja, o gatilho que me despertou para o cinema de qualidade foi o encontro com esse amigo num bar em finais dos anos 80. 
Obrigado, António.

terça-feira, 29 de março de 2011

Os diários reunidos de Tarkovski


Imperdível para os fãs do realizador Andrei Tarkovski: acaba de ser editado em Espanha (pela editora de Salamanca Sígueme) um livro contendo os sete diários de Tarkovski, escritos na Rússia e na Europa a partir de 1970 até quase ao fim da sua vida (1986).

No total, são mais de 600 páginas com imensa informação sobre os pensamentos do cineasta de "Stalker" sobre o processo criativo, as suas anotações de produção, notas sobre o cinema e questões de ordem eminentemente familiar, reflexões filosóficas sobre a arte, desabafos do seu crescente isolamento artístico e consequente exílio, etc. Sem dúvida um riquíssimo documento que complementa o seu livro de memórias intitulado "Esculpir o Tempo".

O título deste volume, "Martirologio", evoca os processos judiciais contra os cristãos do Império Romano que se negaram a oferecer sacrifícios aos deuses e ao imperador, sofrendo por isso, condenações à morte.

O livro custa 39€ e está à venda online aqui.