quarta-feira, 14 de março de 2012

A sagacidade de Gonçalo M. Tavares


O escritor Gonçalo M. Tavares tem mais de 20 livros editados (em 10 anos) e está traduzido em 45 línguas. A propósito da edição do seu livro "Aprender a Rezar na Era da Técnica" em Espanha, o jornal El País entrevistou-o e o resultado é, mais uma vez, uma cabal demonstração de sagacidade e de inteligência por parte do escritor.
Com um olhar acutilante e extremamente atento ao mundo que o rodeia, Gonçalo M. Tavares disserta, numa linguagem acessível e objectiva (própria de sábios humildes), sobre os mais diversos temas: a criação literária, a religião, a crise económica, a Europa, o lugar do homem no mundo, a política, etc.
Para além de outras ideias interessantes veiculadas por Gonçalo M. Tavares, do que li ressalta-me na memória uma afirmação que dá que pensar: "Os episódios violentos na Europa não virão com metralhadoras mas sim com leis".
Vale bem a pena ler a entrevista.

5 comentários:

Loot disse...

Pessoalmente acho-o um dos melhores escritores da actualidade. Obrigado pelo link da entrevista, desconhecia e dificilmente a descobriria.

Abraço

Anónimo disse...

Uma entrevista que solidifica e que torna mais coerente e coeso todo o pensamento e palavras suas no debate com escritor ( na conversa) que tivemos, há tempos, no T.M.G.
Textos como estes (entrevistas)são teorias explícitas sobre a criação da obra literária.
Um abraço e obrigado pela divulgação do texto jornalístico
José Manuel Romana

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Obrigado a ambos.

A José Manuel Romana: na verdade, a tertúlia que assistimos no TMG revelou um homem e um escritor de plena consciência crítica e de grande valor artístico.

Anónimo disse...

Numa tertúlia mostrou o grande valor artistico? Como foi isso? Esboçou um poema ao vivo?

PortoMaravilha disse...

Olá,

Muito Obrigado pela entrevista. Considero G.M.Tavares um enorme escritor. Mas acho que a entrevista não ensina nada de novo. Se Malraux afirmou que o século XXI seria relioso ou não (será), talvez tenha sido F.Pessoa quem melhor tenha expresso na Ode Triunfal a relação demoniaca(alienante) entre a máquina-ciência e o indivíduo. Existem certas encenações teatrais da Ode Triunfal fantásticas.A análise da chegada de Hitler ao poder foi feita por Trotsky nos anos 30 e decorre da análise da natureza do que é o estalinismo. G.Orwell terá a mesma análise, vários surrealistas...Que a classe dominante queira pouco a pouco pôr em causa as conquistas sociais não é novo. Talvez exista a estratégia de evitar conflitos diretos, reconder a leis distorcidas. E aí G.M.Tavares inova dizendo-o, alertando publicamente. Algo que não deixa de ser perceptível é o desejo que têm os filhos do proletariado ou do lupen-proletariado em estudar direito. Como se o inconsciente coletivo de classe sentisse um perigo na área do estudo do direito, das leis...

Nuno