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domingo, 6 de julho de 2008

Danny Elfman attacks!

Danny Elman passou pelo Porto, há quase 10 anos, por ocasião do Fantasporto e da estreia do filme “Sleepy Hollow” (“A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça”, 1999), desse prodigioso cineasta chamado Tim Burton. Já o disse aqui várias vezes que Danny Elfman é o meu compositor favorito para cinema dos últimos 20 anos. Não sei se é o melhor nem o mais conhecido, nem sequer o mais premiado (o músico diz que os compositores académicos não gostam do seu trabalho), mas Elfman é, seguramente, um dos mais inventivos e eclécticos criadores de bandas sonoras para filmes desde Bernard Herrmann, Nino Rota ou Ennio Morricone.
Nem toda a sua carreira é brilhante - compôs bandas sonoras banais para filmes comerciais como "Hulk", "Missão Impossível" ou "Men in Black". Mas bastava a sua colaboração com Tim Burton para ficar para a história. Aliás, é a Tim Burton que Elfman deve a sua entrada fulgurante no mundo do cinema, quando o cineasta o convidou a fazer a sublime música para o filme "As Aventuras de Pee-Wee" (1985). (Danny Elfman começou por compor para teatro musical, antes de fundar a interessante banda rock Oingo Boingo em 1978). De resto, Danny Elfman só não criou duas bandas sonoras de filmes de Burton: "Ed Wood" (2004) e "Sweeney Todd" (2007). No primeiro filme, Danny Elfman estava chateado com Tim Burton (reconciliaram-se logo a seguir); no segundo, a música original era de Stephen Sondheim. Burton e Elfman encetaram, pois, uma colaboração artística das mais esfuziantes e originais das últimas duas décadas.
São da responsabilidade de Danny Elfman as notáveis bandas sonoras dos filmes “Eduardo Mãos de Tesoura”, “Batman”, “The Big Fish”, "The Corpse Bride", “Marte Ataca!”, "Charlie e a Fábrica de Chocolate" (todos de Tim Burton), ou ainda “Dick Tracy”, e mesmo a música do genérico da série “Os Simpsons” (Elfman refere que na Índia é mais conhecido pela música dos "Simpsons" do que qualquer outra). O trabalho de Elfman é devedor da tradição musical para filmes de insignes compositores clássicos como Nino Rota, Bernard Hermann, Henry Mancini ou Max Steiner, mas acrescentado sempre um toque singular de criatividade (que pode passar por música de cabaret, jazz, ou rock), refutando as convenções da comédia musical (designadamente da Broadway) e revelando uma sensibilidade rara na criação de ambintes negros e góticos. Ver aqui filmografia completa.
Porventura a obra-prima absoluta de Danny Elfman seja o filme de animação (com produção de Burton) “The Nightmare Before Christmas” (“O Estranho Mundo de Jack”). O filme é um maravilhoso conto onde se cruzam as noites das bruxas e de Natal, num registo misto de negritude teatral do Halloween e de imaginário surrealista. O perfeito contraponto musical de Danny Elfman é feito recorrendo a canções que servem de autêntico motor narrativo, socorrendo-se a uma síntese artística que funde Prokofiev, Tchaikovski e Nino Rota. Para além destas referências, a obra alemã de Kurt Weill revela-se como o elemento musical e estilístico catalisador de toda a obra. Mais a mais, ao contrário de muitas bandas sonoras, este trabalho sobrevive perfeitamente sem o recurso das imagens. Eis algumas palavras do próprio Elfman a propósito desta banda sonora: “Foi um enorme desafio compor a banda sonora para “The Nightmare...”; passei dois anos e meio a trabalhar com o Tim Burton. Escrevemos onze canções antes de haver um guião. Desprezei a regra Disney segundo a qual todos os musicais devem ter cinco temas, de 12 em 12 minutos. Queríamos fazer algo que soasse simultaneamente fresco e antiquado, quase intemporal”.
E o que está a fazer actualmente Danny Elfman? Está a preparar a composição para um peça de teatro musical a estrear na Broadway em 2010 sobre a vida do ilusionista Harry Houdini. No que toca ao cinema, compõe neste momento a música para ao filme "Hellboy: The Golden Army" (de Guillermo del Toro). E foi o responsável pelo original soundtrack de um filme que está a dar muito que falar e que estreia em Portugal daqui a dias: "Wanted" (com Angelina Jolie e Morgan Freeman). O motivo do burburinho em relação a este filme diz respeito aos revolucionários efeitos visuais (na senda de "The Matrix") e por uma alegada redefinição do conceito de filme de acção. Já ouvi a banda sonora que Danny Elfman fez para "Wanted" e, mais uma vez, não desilude. Fraqueja apenas no tema "The Little Things", um desinspirado tema hardrock. De resto, as soluções sonoras encontradas por Elfman são plenas de criatividade e ousadia estética. Ouça-se esta tema "Revenge": a mistura explosiva de orquestrações sinfónicas com riffs de guitarra resulta num momento claramente superior da sua carreira. Um estilo que se reconhece à légua, um estilo que muitos imitam (como Tyler Bates) mas poucos igualam.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O primeiro filme de Tim Burton


A propósito do último "Playtime" (sobre a primeira película de Tim Burton), gostaria de referir que se trata de um dos meus filmes preferidos de Burton. Creio até que só os verdadeiros fãs do cinema de Tim Burton devem conhecer e apreciar a primeira longa-metragem do realizador - "A Grande Aventura de Pee-Wee" (1985). Isto porque se trata de um filme praticamente ignorado e subestimado no seio da filmografia tão singular de Tim Burton.
Este filme foi também o início da fantástica colaboração com o compositor Danny Elfman, o meu compositor para cinema preferido.
Esta obra, realizada pouco tempo do cineasta ter saído da Disney, conta a história de Pee-Wee Herman (interpretado pelo comediante Paul Reubens, que seria anos mais tarde envolvido num escândalo sexual), um excêntrico homem que parece viver eternamente o mundo da infância, embarca na maior aventura de sua vida pelos EUA para encontrar a sua amada bicicleta, que fora roubada em plena luz do dia.
"A Grande Aventura de Pee-Wee" é um maravilhoso e divertido filme de Tim Burton, repleto de um imaginário visual que Burton iria desenvolver no futuro.
Em meados de 2010 foi anunciado que este filme iria ter uma sequela intitulada "Pee-Wee's Playhouse: The Movie" (a estrear no decorrer deste ano), realizada não se sabe bem por quem (nem o Imdb informa...).
Duas coisas me parecem garantidas: Tim Burton não será, de certeza, o realziador, e a sequela dificilmente conseguirá igualar a criatividade do filme original.

sábado, 18 de outubro de 2008

Ed Wood - a homenagem de Tim Burton


Acabei de rever em DVD o filme Ed Wood (1994) de Tim Burton, sobre o alegado “pior realizador do mundo”, Edward Wood Jr. É, seguramente, o filme mais pessoal de Tim Burton e do actor Johnny Depp. Só Burton, fruto do seu imaginário polvilhado de cinema série B, de ficção científica e de figuras de culto, se podia ter lembrado de fazer um “bio-pic” de Ed Wood. Um realizador que manteve sempre uma profunda paixão pelo cinema, mas cujo talento e engenho artístico estavam longe dos parâmetros minimamente exigíveis. As enormes dificuldades financeiras e obstáculos de produção que Ed Wood enfrentou para fazer os seus filmes de ficção científica à mistura com travestis e personagens bizarras, não foram suficientes para o demover de seguir em frente ao ponto de se comparar com... Orson Welles! Ed Wood tinha uma profunda admiração por Orson Welles e durante o filme o autor deCitizen Kane aparece várias vezes citado. A este respeito, há um dialogo delicioso no filme de Tim Burton em que Ed Wood conhece uma mulher que lhe pergunta:
- O senhor o que faz?
- Trabalho no cinema: sou realizador, actor, argumentista e produtor.
- Ora, ninguém faz isso tudo!
- Oh sim, só duas pessoas: Orson Welles e eu!

Filmado numa esplendorosa fotografia a preto e branco (uma homenagem à estética visual dos filmes dos anos 50) e com uma realização irrepreensível de Burton, Ed Wood é interpretado por um inexcedível Johnny Depp, que recria na perfeição a personalidade conturbada, excêntrica e megalomaníaca de Ed Wood. Depois, há uma fabuloso Martin Landau que encarna o mítico Bela Lugosi, actor húngaro que teve uma carreira de sucesso em Hollywood interpretando Dracula (Martin ganhou o Oscar de Melhor Actor por esta interpretação) e muitos filmes de terror de segunda categoria. Ed Wood e Bela Lugosi formaram uma dupla inseparável até à morte deste último. Tim Burton presta uma sentida homenagem a este realizador que se julgava à altura de Orson Welles, mas que era um amador com uma visão muito própria da criação cinematográfica. Última referência para a musica original de “Ed Wood”. Dado que à altura da feitura do filme, Tim Burton e o seu colaborador musical habitual Danny Elfman estavam zangados, Burton contratou o compositor Howard Shore (colaborador de David Cronenberg) e o resultado é sublime, numa espécie de revisitação da musica que Henry Mancini fez para o filme “A Sede do Mal” de Orson Welles – jazz, pop e clássica e o instrumento Theremin numa ebulição sonora que pontua brilhantemente as imagens, logo a partir do genérico do filme. De resto, o genérico de “Ed Wood” é quase meio filme, manifesto exercício de estilo à Welles. Repare-se no movimento de câmara (plano sequência contínuo) que filma as lápides onde estão inscritos os nomes dos actores, até chegar aos céus de Hollywood e parar na rua onde se encontra Ed Wood, clara piscadela de olho ao famoso longo plano sequência que abre “A Sede do Mal” de Welles. Aliás, só os custos do genérico do filme de Burton foram mais elevados do que todos os filmes juntos realizados por Ed Wood! Seja como for, de tão mau realizador, Ed Wood passou para figura de culto, sobretudo com os seus dois filmes mais, digamos, “importantes”: “Glen or Glenda(1953) e Plan 9 From Outer Space(1959).


domingo, 21 de março de 2010

Um Tim Burton apenas mediano


Este fim-de-semana vi o filme de Tim Burton. Gostei, mas só moderadamente. E dizer isto de um filme do autor de "Big Fish", na verdade, não é ser muito abonatório. "Alice no País das Maravilhas" vale sobretudo pela reconfiguração visual e estética do universo de Lewis Carrol, a interpretação de Helena Bohnam Carter e pouco mais. Seria difícil, sendo um projecto da Disney, que este filme de Burton ostentasse a negritude imagética e o carácter narrativo mais irreverente com que habitualmente conotamos a criatividade de Tim Burton.
Mesmo Johnny Depp tem uma actuação pouco inspirada, parecendo uma variação do registo de Willy Wonka, experimentado em "Charlie e a Fábrica de Chocolate".
Visualmente a película é de uma imaginação irrepreensível, recorrendo a grandes contrates cromáticos (o reino da rainha vermelha e a branca, a floresta, os personagens, o castelo...), mas no final fica-se com uma sensação de pouco entusiasmo, de escassa ousadia formal, tratando-se de Tim Burton. "Alice" resume-se a um divertimento sofisticado mas que não irá marcar a carreira de Tim Burton.
De referir, por último, que o 3D funciona muito pouco como catalisador da história e de envolvimento do espectador e até a música original de Danny Elfman desilude de tão previsível.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O universo de Tim Burton em exposição

Já havia 1489 razões para visitar Nova Iorque. Mas agora há mais uma e de peso: a monumental exposição retrospectiva do trabalho criativo do realizador Tim Burton, patente no prestigiado Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA). A exposição apresenta um impressionante número de 700 obras - desenhos, fotografias, livros, pinturas, filmes e objectos - que Tim Burton fez ao longo da sua já considerável carreira (desde os tempos em que trabalhou como simples animador da Disney, no início dos anos 80, até à actualidade).
Em suma: a fantasia e os pesadelos do visionário Tim Burton em exposição - 1490ª razão que faltava para visitar a "Grande Maçã".



quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O regresso de Tim Burton à animação


Eis o poster de "Frankenweenie", um filme animado em stop-motion da Disney, filmado em preto e branco e adaptado a 3D, com a assinatura de Tim Burton. Esta longa-metragem é baseada numa curta realizada em 1984 por Burton que, segundo dizem as más línguas, decretou a saída do realizador da Disney. O filme estreia só em Outubro próximo, mas a expectativa e ansiedade estão já instalados nos admiradores de Tim Burton (sobretudo dos fãs, como eu, do genial filme de stop-motion "Nightmare Before Christmas").
A notícia aqui.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Tim Burton - uma questão de DVDs

O jornal Público irá lançar, entre o dia 22 de Maio e o dia 10 de Julho, a Colecção Tim Burton, composta por oito filmes da autoria do realizador. "Eduardo Mãos de Tesoura", "Sweeney Todd – O Terrível Barbeiro de Fleet Street", "Charlie e a Fábrica de Chocolate", "A Lenda do Caveleiro sem Cabeça", "O Grande Peixe", "A Noiva Cadáver", "Marte Ataca" e "Planeta dos Macacos" são as obras escolhidas para distribuir às terças-feiras, ao preço de 5,95€. É bom que haja, de quando em vez, edições deste género para o grande público que não costuma comprar DVD. Porque, a bem dizer, não faz grande diferença para quem é cinéfilo e tem por hábito adquirir, ao longo dos anos, filmes em DVD como um verdadeiro coleccionador.
E para ser rigoroso, a minha opinião é que faltam quatro filmes esenciais da filmografia de Tim Burton nesta colecção (alguns nunca tiveram edição nacional): "Ed Wood", "Batman", "O Estranho Mundo de Jack" e "Pee Wee's Big Adventure". E dispensavam-se os DVD de "Planeta dos Macacos" e "A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça", que considero títulos menores de Burton. Mas claro, esta é a minha opinião (como diria Herman José - "pode haver outras"). 

domingo, 1 de dezembro de 2013

A melhor prenda de Natal deste ano

"The Danny Elfman & Tim Burton 25th Anniversary Music Box": edição limitada de 1000 exemplares com 16 CDs com as bandas sonoras de Danny Elfman para filmes de Tim Burton; 18 horas de música + 7 horas de música nunca antes editada (entre raridades, inéditos e novas versões); 1 livro com 250 páginas (fotografias raras, textos de Johnny Depp, ilustrações, storyboards, dezenas de testemunhos de colaboradores e artistas de Burton e Elfman...); 1 DVD com conversas entre Danny Elfman e Tim Burton; uma pen drive em forma de Skeleton; e muito mais...
Preço: 499,99 dólares.
Caro? Sim, mas vale cada cêntimo.
Melhor prenda de Natal deste ano.
Mais informação aqui.

sábado, 3 de julho de 2010

Pee-Wee de regresso


Talvez só os verdadeiros fãs do cinema de Tim Burton conheçam e apreciem a primeira longa-metragem do realizador - "A Grande Aventura de Pee-Wee" (1985).
Este filme foi também o início da fantástica colaboração com o compositor Danny Elfman. Esta obra, realizada pouco tempo do cineasta ter saído da Disney, conta a história de Pee-Wee Herman (interpretado pelo comediante Paul Reubens), um excêntrico homem que parece viver eternamente o mundo da infância, embarca na maior aventura de sua vida pelos EUA para encontrar a sua amada bicicleta, que fora roubada em plena luz do dia. "A Grande Aventura de Pee-Wee" é um maravilhoso e divertido filme de Tim Burton, repleto de um imaginário visual que Burton iria desenvolver no futuro.
Soube agora que este filme vai ter uma sequela intitulada "Pee-Wee's Playhouse: The Movie" (a estrear em 2011), realizada ainda não se sabe bem por quem; Tim Burton não é de certeza, e é pena...

domingo, 17 de outubro de 2010

"Nightmare Before Christmas" em 4D?


Depois da moda do 3D, vem a moda do... 4D. Era inevitável.
Não é uma novidade assim tão nova quanto isso, visto que já tinha havido experiências muitos anos atrás - mas ainda incipientes. A tecnologia avançada proporcionou novas formas de imersão do espectador. E o que o 4D contribui ao 3D? Basicamente, efeitos, digamos, meteorológicos: vento, nevoeiro, chuva, neve...
Assisti uma única vez a uma sessão em 4D, numa sala especialmente preparada para tal, no Zoo Marine (Algarve), visionando um pequeno documentário sobre o reino animal. Confesso que achei piada à experiência de cair chuva (em pequenas quantidades, claro) ou vento sobre mim, mas a surpresa e a novidade depressa se esgotaram. No entanto, os produtores de cinema, ávidos de encontrar novas possibilidades comerciais para determinados filmes, têm opinião contrária. Prova disso é o facto da obra-prima "Nightmare Before Christmas" de Tim Burton ser resposta, no próximo dia 21, em Los Angeles, numa versão 4D. Este filme já tinha tido uma versão em 3D, e agora passa para o 4D.
Para quê? Por fins unicamente comerciais, porque à arte cinematográfica propriamente dita, os elementos naturais dentro da sala escura em nada contribuem para o seu enriquecimento. Não passará apenas de uma experiência mais sensorial e fugaz. O filme de Tim Burton não precisava deste tipo de complementos para se afirmar como um dos melhores filmes de animação jamais realizados.
Agora resta esperar que outros filmes serão submetidos à ditadura do 4D. Quanto esta tecnologia expirar a sensação de novidade, é provável que chegue o 5D - a quinta dimensão!
A boa notícia à volta deste assunto é o facto de, no mesmo dia da projecção 4D, ser lançado uma edição especial de discos comemorativa dos 25 anos de colaboração entre o compositor Danny Elfman e o realizador Tim Burton: 19 horas de música referente a 13 filmes em que trabalharam juntos. Isto sim vale a pena!

domingo, 21 de fevereiro de 2010

"O Estranho Mundo de Jack" em livro

Já havia o maravilhoso filme de Tim Burton. Já havia a fantástica banda sonora em CD de Danny Elfman. Já havia, inclusive, uma versão em 3D. Falo, obviamente, da obra-prima de animação "O Estranho Mundo de Jack" ("Nightmare Before Christmas") de Tim Burton e Henry Selick. A boa notícia é que vai ser editado, no mercado nacional pela Orfeu Negro, o livro do filme. É já no próximo dia 13 de Março que os fãs do filme poderão encontrar nas livrarias o livro com a história e ilustrações de Tim Burton. Já marquei na agenda.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Depp, Johnny Depp


Johnny Depp venceu ontem o Globo de Ouro para a categoria de Melhor Actor em Musical ou Comédia pelo (muito ansiado) filme "Sweeney Todd" de Tim Burton, a estrear no final de Janeiro em Portugal. Ao que consta, esta última colaboração entre Burton e Depp resultou, uma vez mais, num extraordinário trabalho artístico. Depp é um actor que tem conseguido transfigurar-se e revelar todo o seu talento versátil de filme para filme, seja em blockbusters como "Pirata das Caraíbas" ou em filmes mais independentes como em "Dead Man" de Jim Jarmusch. Mas Johnny Depp será sempre recordado pelos cinéfilos por duas inesquecíveis interpretações (que não podiam estar mais opostas): "Eduardo Mãos de Tesoura" (1990) e "Ed Wood" (1994), ambos realizados, claro está, por Tim Burton. No primeiro filme, Depp encarna uma das personagens mais memoráveis dos últimos 20 anos, o homem a quem lhe faltam as mãos, substituídas por tesouras após a morte repentina do seu criador. Em "Ed Wood" - foto do post - (filme estranhamente ainda sem edição DVD nacional), Johnny Depp interpreta aquele que é considerado o pior e mais excêntrico realizador da história do cinema, que nos anos 50 concebeu alguns dos mais inenarráveis filmes de sempre (com Bela Lugosi), mas que à custa de tão maus, resultam ser... bons ("Plan 9 From Outer Space" de 1959 é o ícone do "trash movie"). Brilhantemente filmado a preto e branco, Burton humaniza - com todos os defeitos e virtudes inerentes à figura - o cineasta que se tornou de culto, numa interpretação enérgica e segura de Depp. Quais os futuros caminhos para Depp?

sábado, 20 de março de 2010

Dois novos projectos de Tim Burton


Tim Burton não pára. Depois do sucesso de "Alice no País das Maravilhas" em 3D, o realizador anunciou mais dois projectos particularmente aliciantes:
1) A versão da "Família Addams" em animação "spot-motion"... em 3D.
2) A transformação, em longa-metragem, da curta "Frankenweenie" (que projectou Burton para a ribalta em 1984).
Sobre a "Família Adams", Burton anunciou que pouco terá a ver com a versão para cinema realizada por Barry Sonnenfeld em 1991, visto que irá basear-se na BD original criada por Charles Addams (na imagem) em 1936.
Quanto à versão para longa-metragem do filme "Frankenweenie", é um projecto que também suscita muita expectativa.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Stephen Sondheim - a alma de Sweeney Todd


Confirma-se: "Sweeney Todd - O Terrível Barbeiro de Fleet Street", última obra de Tim Burton, é um portentoso objecto cinematográfico. A todos os níveis. Obra gótica (como tão bem nos habituou Burton) repleta de lirismo deliciosamente negro, e muito, muito sangrenta. A fotografia é espantosa, fazendo parecer Londres de finais do século com Gotham City de Batman. O arrojo formal do filme é apuradíssimo, e as interpretações são nada menos do que perfeitas. Claro que, tratando-se de um musical (género em quase total desuso hoje em dia), irá provocar resistência por parte do público menos acostumado. Mas é precisamente na vertente musical que "Sweeney Todd" cumpre todas as expectativas: Stephen Sondheim, o veterano e consagrado compositor do teatro musical americano, revela ser, como muito bem referiu Nuno Markl no seu blogue, o anti-Andrew Lloyd Webber (e dizer isto é atribuir elogios a Sondheim). E isso só significa que Sondheim é um compositor muitíssimo mais original e ousado, que foge como do Diabo da cruz das convenções e regras ortodoxas da composição para teatro. Não é por acaso que um dos melhores colaboradores de Tim Burton, o músico Danny Elfman, reclama como uma das suas principais influências o compositor de Sweeney Todd. Mas não é apenas com este filme que Sondheim se tem afirmado ao longo dos anos - compôs para filmes como "Reds", "Dick Tracy", entre muitas obras musicais apra teatro (e não esqueçamos que Sweeney Todd é baseado numa peça de teatro musical da Broadway).
Johnny Depp e Helena Bonham Carter, os protagonistas do filme de Burton, são actores-cantores que absorvem toda a energia musical de Sondheim e a transplantam para o grande ecrã com uma desenvoltura desarmante. Há momentos absolutamente deliciosos, de puro encantamento musical - mas também visual - com as orquestrações e arranjos de Sondheim a ecoarem pelas ruas escuras de Londres ou na medonha barbearia de Sweeney Todd. Como disse o veterano crítico de cinema do Expresso, Manuel Cintra Ferreira, "Sweeney Todd" é uma obra-prima para ver e rever."
Nota: E pensar que este filme esteve quase a ser encomendado a Sam Mendes (realizador) e a Russell Crowe (actor)!...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

A música do novo Tim Burton


Enquanto se espera pela estreia da versão cinematográfica de Tim Burton da “Alice no País das Maravilhas” (Março), pode-se ficar já a conhecer a banda sonora. Pela lista apresentada, parece que desta vez Tim enveredou por bandas pop-rock – algumas bem comerciais (como os Tokio Hotel e Avril Lavigne), talvez para chegar mais facilmente a um público adolescente. E agora fiquei confuso: afinal o compositor habitual de Tim, o fantástico Danny Elfman, vai fazer a música original ou não?
1. "Alice (Underground)" - Avril Lavigne
2. "The Poison" - The All-American Rejects

3. "The Technicolor Phase" - Owl City
4. "Her Name is Alice" - Shinedown
5. "Painting Flowers" - All Time Low
6. "Where's My Angel" - Metro Station
7. "Strange" - Tokio Hotel y Kerli
8. "Follow Me Down" - 3OH!
9. "Very Good Advice" - Robert Smith (The Cure)
10. "In Transit" - Mark Hoppus y Pete Wentz
11. "Welcome To Mystery" - Plain White T's
12. "Tea Party" - Kerli
13. "The Lobster Quadrille" - Franz Ferdinand
14. "Running Out Of Time" - Motion City Soundtrack
15. "Fell Down A Hole" - Wolfmother
16. "White Rabbit" - Grace Potter and The Nocturnals

domingo, 8 de maio de 2011

Recriar "Eduardo Mãos de Tesoura"


Há pouco mais de 20 anos, Tim Burton criava "Eduardo Mãos de Tesoura".

Uma inesquecível e emocionante história sobre um amor impossível pintado com pormenores inauditos: uma criatura bizarra com tesouras em vez de mãos e uma adolescente inadaptada num cenário urbano idilicamente americano. Um confronto entre dois mundos: o do inventor no castelo sombrio e o dos subúrbios com as casas multicoloridas.

Tim Burton construiu um dos seus universos visuais mais espantosos; Johnny Depp foi perfeito num dos personagens mais fascinantes do imaginário cinematográfico de sempre; Danny Elfman teve, porventura, o seu momento de maior inspiração na composição musical; Winona Ryder nunca mais foi tão pura e cativante como neste filme.

20 depois do mundo conhecer "Eduardo Mãos de Tesoura", a galeria californiana Nucleus lançou um desafio aos artistas gráficos e ilustradores de todo o mundo: recriar a iconografia estética herdada do filme de Burton. Para tal, criou um blogue próprio no qual se podem apreciar essas recriações.


Lido aqui.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

The Red Queen, by Tim Burton


De todas as novas imagens divulgadas do filme "Alice no País das Mravilhas" de Tim Burton, a que gosto mais é esta, com a actriz Helena Bonham Carter, no papel de Rainha Vermelha. O rico e surreal estilo visual de Burton vai fazer, certamente, história. O filme estreia apenas no dia 5 de Março de 2010.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Filmes de Natal (ou talvez não)

Do que falamos quando falamos de "filmes de Natal"? Filmes cujas histórias decorrem no Natal? Filmes que fazem uma alusão breve ao chamado espírito natalício? Ambas as coisas?
Classificações à parte, creio que não é difícil encontrar bons filmes que abordem os sentimentos habituais associados à quadra natalícia: o amor, a concórdia, a solidariedade, a esperança, a paz, a espiritualidade.
Eis alguns exemplos:

"Eduardo Mãos de Tesoura" (1990) de Tim Burton - uma belíssima história que preenche todos os requisitos do sentimento natalício mais genuíno. E belíssima é a música de Danny Elfman com as imagens da neve a cair ao som das tesouradas de Eduardo...

"It's a Wonderful Life" (1946) de Frank Capra - inesquecível clássico de Frank Capra sobre um homem que recupera o sentido da vida na noite de Natal.

"Milagre da Rua 34" (1947) de George Seaton - apesar das diversas versões para cinema e televisão, este é o filme original e verdadeiro. A relação de uma menina que não acredita no Pai Natal e o Pai Natal que diz que é o verdadeiro... Pai Natal.

"The Muppet Christmas Carol" (1992) de Brian Henson - o primeiro filme dos Marretas feito após a morte do seu criador, Jim Henson. Talvez não tenha sido por acaso que resultou neste divertido e ternurento filme de Natal (a partir do conto "A Christmas Carol").

"Nightmare Before Christmas" (1993) de Tim Burton - Um filme que tanto é sobre o Natal como sobre o Halloween. O meu preferido de todos, com a magia da animação, a comovente história de tolerância e a estonteante música de Danny Elfman.

"The Grinch" (2000) de Ron Howard - um remake de um filme clássico sobre Grinch, o monstro (adorável) que quer roubar o Natal às criancinhas. Divertido e didáctico.
"Bad Santa" (2003) de Terry Zwigoff - Se há um Pai Natal, também há um Anti-Pai Natal, encarnado com irrefutável cinismo e perversão por Billy Bob Thornton.

"Eyes Wide Shut" (1999) de Stanley Kubrick - Não é um filme de Natal, é o reverso do filme de Natal. Não esqueçamos que toda a história do filme de Kubrick se desenrola no período natalício. O lado negro, obsessivo e maníaco das emoções humanas... em época natalícia.

"Umberto D" (1952) de Vittorio De Sica - Não se passa sequer na época natalícia. Mas apela, profundamente, aos mais essenciais sentimentos emanados pelo espírito natalício. A comovente história de um velho reformado que vive sozinho e desamparado com o seu adorado cão. Não é no Natal que se deve apelar à solidariedade, não esquecendo os idosos? Então este é o filme certo para tal.

domingo, 13 de maio de 2012

Michelle Pfeiffer

Michelle Pfeiffer já foi uma das mais talentosas, sensuais e belas actrizes dos últimos 30 anos. Filmes como "Scarface - A Força do Poder" (1983) de Brian De Palma, "Ligações Perigosas" (1988) de Stephen Frears, "Os Fabulosos Irmãos Baker" (1989) de Steven Kloves (na imagem), "A Casa da Rússia" (1990) de Fred Schepisi, "Batman Regressa" (1992) de Tim Burton, "A idade da Inocência" (1993) de Martin Scorsese, elevaram Michelle Pfeiffer a um panteão raramente alcançado.
Três vezes nomeada ao Óscar de Melhor Actriz, nunca ganhou, mas não é por isso que a sua carreira foi beliscada. É verdade que, se os anos 80 e 90, foram proveitosos para Michelle, o mesmo já não se poderá dizer da primeira década de 2000, na qual não teve nenhum papel absolutamente relevante como nos filmes citados. Pfeiffer regressa agora, aos 53 anos, num filme de grande projecção, novamente às ordens de Tim Burton - "Dark Shadows". Ainda não vi o filme, mas a fazer fé em críticas que já li, parece que a actriz se revela uma pálida imagem do que já foi. A ser verdade, é pena que assim seja, mas todos os cinéfilos sabem bem quão difícil é a para a geração de actrizes de Michele Pfeiffer (50 anos) conseguirem bons papéis em bons filmes.

terça-feira, 13 de março de 2012

Danny Elfman: três apontamentos


Apontamento 1: Fui confirmar se o compositor Danny Elfman, colaborador de longa data do realizador Tim Burton, vai continuar a compor bandas sonoras para o criador de "Eduardo Mãos de Tesoura". Resposta: sim, e este ano de 2012 vamos poder assistir a duas obras criadas em parceria. Isto porque Tim Burton vai estrear dois filmes durante este anos: já em Maio lança o filme "Dark Shadow" e em Outubro, "Frankenweenie". Ambos, claro está, com banda sonora de Danny Elfman.

Apontamento 2: Entretanto, a propósito de Danny Elfman, soube também que ele colaborou, em 2007, com a banda de rock Avenged Sevenfold. Aliás, basta ouvir o tema "A Little Piece of Heaven" para perceber que a orquestração é criação tipicamente danny 'elfmaniana'.

Apontamento 3: Danny Elfman vai fazer a música original para um filme de fantasia intitulado "Oz: The Great and Powerful", com realização de Sam Raimi (com quem já colaborou por diversas vezes). Irá estrear apenas em 2013 e será uma prequela do clássico "The Wizard of Oz".