
Apesar de já ter visto muitos filmes, de escrever sobre a sétima arte, de me sentir cinéfilo, a verdade é que tenho uma confissão a fazer: falta-me ver muito e bom cinema clássico e de autor. Na realidade, ainda não conheço a obra integral (ou a mais importante) de realizadores como Fassbinder, Otto Preminger, John Huston, Jean Renoir, Billy Wilder, Frank Capra, Sergei Paradjanov, Howard Hawks, Douglas Sirk, Fritz Lang, Mizoguchi, Ozu, Michael Powell, Samuel Fuller, Visconti, Satyajit Ray, Sidney Lumet, Nicholas Ray, Anthony Mann, Godard, Rivette, Kurosawa, Ernst Lubitsch, etc.
Claro que já vi filmes destes realizadores todos - de alguns conheço 3 ou 4 ditos essenciais, mas dada a diversidade e quantidade de filmes realizadores por estes cineastas, revela-se difícil conhecê-los a todos. Em contrapartida, conheço a filmografia completa de Stanley Kubrick, Woody Allen, Jacques Tati, John Cassavetes, Andrei Tarkovski, Luís Buñuel, David Cronenberg, David Lynch, Steven Soderbergh, Francis Ford Coppola, Martin Scorsese, Roman Polanski, Terry Gilliam, Charles Chaplin (longas-metragens), Friedich Murnau, Steven Spielberg, Carl Th. Dreyer, Sergei Eisenstein, entre outros. Julgo que será uma condição inerente a qualquer cinéfilo: a tendência para conhecer e gostar mais de determinadas filmografias em detrimento de outras, umas estéticas face a outras, uns realizadores em comparação com outros. Ou seja, seremos sempre cinéfilos incompletos, e esta condição não é de todo negativa, mas sim construtiva.
Resumindo: como no caso de qualquer amante de música ou de literatura, o caminho do conhecimento está sempre em aberto. A sede de querer e saber mais nunca será saciada, porque, por mais que se conheça e se acumule informação, há-de haver sempre territórios novos e desconhecidos a desbravar. É esse prazer da descoberta constante que sustenta uma experiência cultural enriquecedora. A não ser que acreditemos na máxima de Goethe sobre o assunto: "Só sabemos com exactidão quando sabemos pouco; à medida que vamos adquirindo conhecimentos, instala-se a dúvida".