terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Retrato do artista quando jovem - 8


Frank Zappa

Ezra Pound

Patti Smith
John Lydon

Jimmy Page

Gore Vidal

Dennis Hopper

Catherine Deneuve

Elvis Costello

John Cale

Albert Ayler

Fred Astaire

A morte lenta dos clubes de vídeo


É mais um exemplo penoso de como o cinema em formato físico doméstico tende a desaparecer: a cadeia de lojas Blockbuster, a maior empresa mundial de aluguer de vídeos e DVD, anunciou a insolvência (antes dizia-se ”falência”) em Portugal, com prejuízos na ordem dos 60%. Resultado: 100 pessoas no desemprego.
No que ao audiovisual diz respeito, os hábitos de consumo mudaram radicalmente nos últimos anos e a culpa não pode ser atribuída apenas à pirataria da internet. A feroz concorrência da televisão por cabo, do sistema “video-on-demand”, dos video-jogos, das tecnologias de entretenimento, e das lojas virtuais de aluguer de filmes ditaram a morte lenta das lojas físicas de vídeo. Para o bem e para o mal, a próxima geração não saberá mais o significado de "Clube de Vídeo".

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Michael Gira ressuscita Swans


Michael Gira, o guru musical que nos anos 80 marcou uma poderosíssima posição estética com os industriais Swans, está de volta à cena par agitar as águas musicais. E para que não restem dúvidas sobre esse renascimento, Gira renomeou a sua antiga banda (agora sem a cantora Jarboe) com a designação Swans Are Not Dead. E não estão mesmo.
Basta ouvir alguns temas do novo disco para perceber que Michael Gira, depois de aventuras musicais mais melódicas e apaziguadoras, voltou a soltar toda a sua raiva e pessimismo incontidos. Ah, e com novo disco surge também a notícia de uma digressão europeia depois do Verão. Com sorte, pode ser que passe por cá.
Myspace.

A tecnologia como modo de vida


“I think it's the tragedy of our time that we're not aware of the affect of the manner in which we've adopted technological tools. Those tools have become who we are.”
Godfrey Reggio, realizador da Trilogia QATSI (vários posts sobre a mesma)

Lars e Penélope


Penélope Cruz continua em alta. Enquanto espera se lhe sai em sorte um segundo Óscar, a actriz espanhola vai integrar o elenco do próximo filme de... Lars Von Trier (de habitual "chica" de Almodóvar para "femme fatale" de Lars, eis o que chamo de mudança radical no cinema).
O filme do realizador dinamarquês, intitulado "Melancholia", pretende ser uma "visão psicológica sobre o desastre" (não são todos os filmes de Trier sobre "desastres"?) e será estreado no festival de Cannes de 2011. Talvez para reeditar a polémica que houve em Cannes 2009 por causa de "Anticristo".

Massive Attack e o 3D negro


"Splitting The Atom", com participação vocal do sempre excelente Horace Andy, é o primeiro single extraído do novíssimo álbum "Heligoland" dos Massive Attack, e tem direito a videoclip, revelado ao mundo no dia 4 de Fevereiro no blogue da banda. E como é habitual nos videoclips dos Massive Attack, este é igualmente brilhante. Brilhante na concepção visual e artística das imagens negras em polígonos 3D, numa espécie de mundo digital pós-apocalíptico congelado que o espectador vê num único movimento de câmara.
É assim que o realizador do videoclip, Edouard Salier, caracteriza o trabalho que fez: "The fixed moment of the catastrophe. The instant the atom bursts on the beast, the world freezes into a vitrified chaos. And we go through the slick and glistening disaster of a humanity in distress. Man or beast? The responsibility of this chaos is still to be determined."
Vale a pena ver em boa resolução aqui.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

O que os outros realizadores dizem de Kubrick

Ler comentários de realizadores consagrados sobre um determinado colega de ofício é perceber melhor a essência desse mesmo realizador. No caso, Stanley Kubrick. Recolhi um série de testemunhos de cineastas famosos sobre o autor de "Laranja Mecânica", os quais me parecem elucidativos sobre a dimensão artística de Kubrick:

MARTIN SCORSESE: “Watching a Kubrick film is like gazing up at a mountaintop. You look up and wonder, how could anyone have climbed that high?”

JAMES CAMERON: “I remember going with a great sense of anticipation to each new Stanley Kubrick film and thinking, “Can he pull it off and amaze me again?” And he always did. The lesson I learnt from Kubrick was, “Never do the same thing twice.”

STEVEN SPIELBERG: “He created more than movies. He gave us complete environmental experiences that got more, not less, intense the more you watched them.”

ORSON WELLES: “For me, Kubrick is a better director than Huston. I haven't seen Lolita but I believe that Kubrick can do everything."

DAVID LYNCH: "I really love "Eyes Wide Shut". I just wonder if Stanley Kubrick really did finish it the way he wanted to before he died."

OLIVER STONE: “He was the single greatest director of his generation. He influenced me deeply.”

LUIS BUNUEL: “A Clockwork Orange is my current favourite. I was very predisposed against the film. After seeing it, I realize it is the only movie about what the modern world really means.”

SIDNEY LUMET: “Each month Stanley Kubrick isn’t making a film is a loss to everybody.”

FLORIAN VON DONNERSMARCK: “My megalomaniac goal is to make a film that could stand next to the films of Kubrick.”

BRYAN SINGER: "Kubrick showed us something special. Every film was a challenge, and a direct assault on cinema's conventions."

LARS VON TRIER: "I don't think that matters. I have a great affection for Kubrick and this film only strips things further."

MARTIN SCORSESE: "One of his pictures is equivalent to ten of somebody elses".

BRIAN DE PALMA: "It took me 20 years to appreciate Kubrick. I put Barry Lyndon on in my hotel room and couldn't look away. That's great film making."

PAUL THOMAS ANDERSON: "We're all children of Kubrick, aren't we? Is there anything you can do that he hasn't already done?"

GUS VAN SANT: "There's usually some of Kubrick in all of my films."

sábado, 6 de fevereiro de 2010

50 anos de doce vida


"La Dolce Vita" (1960) de Federico Fellini estreou em Itália no dia 5 de Fevereiro de 1960, cumprido-se agora 50 anos dessa data. A visão aguçada de Fellini sobre a realidade social italiana da época resultou num verdadeiro filme icónico da sua filmografia e de todo o cinema europeu do pós-guerra. Para a memória histórica ficou para sempre o momento do encontro apaixonado de Marcello Mastroianni e Anita Ekberg na Fonte dos Trevos em Roma.

Discos que mudam uma vida - 94


Sofa Surfers - "Transit" (1997)

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O arrepiante espisódio de Hitchcock

Uma das séries televisivas que porventura mais marcou o imaginário popular dos anos 60 e 70 foi "Hitchcock Apresenta" (que eu vi em reposição na década de 80). Juntamente com "Twilight Zone", ambas foram séries do bizarro e do inesperado, colando os espectadores ao pequeno ecrã e influenciando diversos realizadores - John Carpenter, Steven Spiellberg, Peter Jackson, Brian de Palma, etc.
Foram mais de 300 episódios de apenas 30 minutos cada, nos quais Hitchcock apresentava pequenas histórias intrigantes, macabras, misteriosas e de desfecho quase sempre surpreendente. O humor negro (negríssimo) e a sensibilidade para gerir o suspense psicológico de Hitchcock eram elementos que não podiam faltar a esta série televisiva. Por isso se tornou viciante e houve inclusive um remake da série nos anos 80 (com realização de cineastas como Spielberg ou Joe Dante).
Recordo-me particularmente de um episódio que me marcou sobremaneira e que me causou arrepios gélidos na espinha. Conta-se numa penada: eu era adolescente, estava na cozinha a comer qualquer coisa enquanto assistia a mais um episódio de Mr. Hitch: era a história de um presidiário que tinha subornado o velho coveiro da prisão para que o deixasse esconder-se no caixão do próximo presidiário que morresse. Ambos combinaram que, assim que o caixão fosse enterrado no cemitério (no exterior da prisão), o coveiro o desenterrasse a tempo para não sufocar, para desta forma fugir rumo à liberdade.

Um dia, quando o presidiário ouviu o sino a indicar o falecimento de um outro presidiário, dirigiu-se à morgue e, no escuro, escondeu-se dentro do caixão ao lado do cadáver. Esperou ansioso. Pelo movimento do caixão, percebe que o estão a enterrar. Não vê a hora do coveiro o desenterrar. Angustiado pela demora, o presidiário, assomado por uma curiosidade mórbida, acende um fósforo para ver quem tinha morrido. Assim que ilumina o rosto do cadáver, vê a cara... do coveiro! O episódio termina com um grito lancinante e a luz do fósforo a esfumar-se. Lembro-me que fiquei estarrecido e muito incomodado psicologicamente com aquele desfecho arrepiante, e naquela noite dormi mal a pensar como teria sido se alguém passasse por aquela situação horrenda. E fiquei também a saber outra coisa: que o sentido mórbido de Alfred Hitchcock não tinha limites para impressionar o espectador.
Nota: faz parte do mito urbano que esse episódio despoletou nalguns espectadores a tafofobia (ou tafefobia), ou seja, a fobia que se caracteriza pelo medo mórbido de ser enterrado vivo e acordar preso dentro de um caixão sob o solo, tão caro a escritores como Edgar Allan Poe. Para quem sentir arrepios na espinha só de pensar em tal situação, não aconselho a ler esta lista de dez casos reais de pessoas enterradas vivas. Brrrr!...

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Um novo Tati em registo animado


A isto eu chamo uma boa notícia para os cinéfilos: o argumento nunca filmado do cineasta francês Jacques Tati, "O Ilusionista", foi adaptado, 54 anos depois, para versão de cinema de animação pelo realizador do magnífico "Belleville Rendez-Vous", Sylvain Chomet.
Mais: estreia já no festival de cinema de Berlim!
Informação completa.
Lido aqui.
Imagem do filme de Sylvan Chomet.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Cinéfilo incompleto


Apesar de já ter visto muitos filmes, de escrever sobre a sétima arte, de me sentir cinéfilo, a verdade é que tenho uma confissão a fazer: falta-me ver muito e bom cinema clássico e de autor. Na realidade, ainda não conheço a obra integral (ou a mais importante) de realizadores como Fassbinder, Otto Preminger, John Huston, Jean Renoir, Billy Wilder, Frank Capra, Sergei Paradjanov, Howard Hawks, Douglas Sirk, Fritz Lang, Mizoguchi, Ozu, Michael Powell, Samuel Fuller, Visconti, Satyajit Ray, Sidney Lumet, Nicholas Ray, Anthony Mann, Godard, Rivette, Kurosawa, Ernst Lubitsch, etc.
Claro que já vi filmes destes realizadores todos - de alguns conheço 3 ou 4 ditos essenciais, mas dada a diversidade e quantidade de filmes realizadores por estes cineastas, revela-se difícil conhecê-los a todos. Em contrapartida, conheço a filmografia completa de Stanley Kubrick, Woody Allen, Jacques Tati, John Cassavetes, Andrei Tarkovski, Luís Buñuel, David Cronenberg, David Lynch, Steven Soderbergh, Francis Ford Coppola, Martin Scorsese, Roman Polanski, Terry Gilliam, Charles Chaplin (longas-metragens), Friedich Murnau, Steven Spielberg, Carl Th. Dreyer, Sergei Eisenstein, entre outros. Julgo que será uma condição inerente a qualquer cinéfilo: a tendência para conhecer e gostar mais de determinadas filmografias em detrimento de outras, umas estéticas face a outras, uns realizadores em comparação com outros. Ou seja, seremos sempre cinéfilos incompletos, e esta condição não é de todo negativa, mas sim construtiva.
Resumindo: como no caso de qualquer amante de música ou de literatura, o caminho do conhecimento está sempre em aberto. A sede de querer e saber mais nunca será saciada, porque, por mais que se conheça e se acumule informação, há-de haver sempre territórios novos e desconhecidos a desbravar. É esse prazer da descoberta constante que sustenta uma experiência cultural enriquecedora. A não ser que acreditemos na máxima de Goethe sobre o assunto: "Só sabemos com exactidão quando sabemos pouco; à medida que vamos adquirindo conhecimentos, instala-se a dúvida".

Momentos e Imagens - 56


Hitchcock e os filhos.

A cena que faltava

Já é conhecida a cena de sexo no filme "Avatar"
(aumentar o volume!):

Metade dos Dead Can Dance em Portugal


Já em tempos tinha aqui manifestado o lamento pelo facto do projecto Dead Can Dance nunca ter actuado em Portugal. Do mal o menos: hoje é notícia a vinda ao nosso país da voz masculina (e compositor) do grupo que marcou os anos 80 e 90: Brendan Perry vai tocar ao vivo em Braga e Lisboa nos dias 14 e 15 de Março. Agora só faltava Lisa Gerrard...

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Óscares - a presença espanhola


No que diz respeito à lista de nomeações aos Óscares, Espanha volta a dar cartas no panorama internacional, havendo boas razões para celebrar (não só agora, como de há uns anos a esta parte, com os Óscares de Fernando Trueba, Pedro Almodóvar e Javier Bardem): a actriz Penélope Cruz foi nomeada (a terceira vez na sua carreira) pela sua interpretação no filme "Nine" e arrisca-se a levar para casa a estatueta dourada, apenas dois anos depois de ter ganho com "Vicky Cristina Barcelona" de Woody Allen. Mas há mais: Espanha não está apenas representada nos Óscares unicamente pela actriz, mas também através de co-produções internacionais importantes.
Produtores espanhóis co-produziram dois filmes que estão nomeados à categoria de Melhor Filme Estrangeiro: "La Teta Asustada" (Peru) e "El Secreto de Sus Ojos" (Argentina). Gostava um dia de poder abrir um post sobre este tema e substituir "Espanha" por "Portugal" na primeira frase...

Perguntas indiscretas - 19

Há filmes que são tão medíocres (pelos motivos mais diferentes), que apetece deixar de os ver ao cabo de 20 minutos. A pergunta é: o espectador deve sair da sala caso se sinta defraudado com o filme ou deverá manter-se até ao final da sessão por respeito aos outros espectadores (e para que possa dizer aos amigos: "O filme é mesmo mau, mas vi-o, estoicamente, até ao fim!"?

Terminator do Gana

Não deve ser fácil ser cinéfilo num país africano como o Gana.
O site Empire revelou uma lista bem curiosa de posters de filmes de Hollywood devidamente adaptados, quem sabe, às exigências e necessidades do povo daquele país. Só que adaptação, significa, pelos vistos, adulteração pura e dura do conceito gráfico original.
Ora digam lá se este Terminator, versão ganense, não assusta muito mais do que o original encarnado por Schwarzenegger (repare-se no "O" em forma de coração)?
Mais exemplos aqui.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Díptico - 80


"The Cabinet of Dr. Caligari" (1920) - Robert Wiene

"Frankenstein" (1931) - James Whale

A energia tribal dos Olive Tree Dance


Excelente videoclip do projecto Olive Tree Dance. Quem já os viu ao vivo sabe que se trata de uma banda tribal, totalmente acústica, com inesgotável energia rítmica. Didjeridoo, bateria e multi-percussão são os instrumentos que chegam e sobram para fazer festa noite fora.
A capacidade de respiração e a técnica expressiva do Renato Oliveira (didjeridoo) é assombrosa que, aliada aos vertiginosos ritmos dos outros dois músicos, proporcionam calafrios de energia no espectador/ouvinte.
Juntando ritmos africanos, brasileiros e sonoridades de world-music e jazz, os Olive Tree Dance são uma máquina de dança verdadeiramente imparável. O video para o tema "Airport Tunnel" é notável. Feito de animação tradicional (filmagem desenho a desenho) e com sincronia entre a cadência das imagens e os sons do didjeridoo, este é já um dos grandes videoclips do ano. Os Olive Tree Dance começam dia 3 de Fevereiro uma digressão nacional. Estejam atentos às datas e locais de espectáculo. Se passarem por perto, não deixem de ver ao vivo uma das mais fantásticas bandas portuguesas em palco. Bem vindos à "música de dança orgânica":