A apresentar mensagens correspondentes à consulta mike patton ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens
A apresentar mensagens correspondentes à consulta mike patton ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens

domingo, 9 de agosto de 2009

Mike Patton - a propósito dos Faith No More


Ao fazer zapping na televisão apanhei, na SIC Radical, o início do concerto dos Faith No More no festival Sudoeste. Por questões contratuais, só foi possível assistir a três temas em directo, mas foram suficientes para comprovar a boa forma da banda e, especialmente, do vocalista Mike Patton. Os músicos entraram em palco vestidos com fato e gravata cor de salmão e, para espanto de todos, Patton surgiu de bengala. Talvez representasse uma mordaz crítica às vozes que questionaram o regresso da banda após mais de dez anos de inactividade. A presença em palco de Patton, o seu carisma e, principalmente, a sua extraordinária capacidade vocal, provam que os Faith No More têm ainda muito a dar ao panorama rock internacional.
Os Faith No More não estão velhos, e muito menos o multifacetado e genial Mike Patton, considerado por muita gente (eu incluído) o mais versátil e original cantor/músico de rock da última década (pelo menos). Devo dizer que, dos muitos projectos em que esteve envolvido Mike Patton ao longo da sua carreira, o que menos me interessou foram, precisamente, os Faith No More. Não era tanto por se tratar de uma banda com maior sucesso comercial, que influenciou o movimento grunge. Apenas porque, musicalmente, nunca me interessaram tanto como as outras bandas que liderou, os Mr. Bungle e os Fantômas, verdadeiros projectos de vanguarda onde Mike Patton explorou todos (?) os limites da sua criatividade.
No dia 21 de Maio de 2004 tive a oportunidade e o privilégio de conhecer pessoalmente o músico e cantor, num (grande) concerto dos Fantômas na Aula Magna, em Lisboa. Foi o próprio Mike Patton que me convidou pessoalmente a fazer a primeira parte desse concerto. A impressão com que fiquei do Mike é que se trata de uma pessoa extremamente afável e humilde, características que me habituei a associar a artistas de grande talento. Sem tiques de vedetismo, sem maneirismos de estrela rock, sem pose altiva e hermética (pelo contrário, é um excelente conversador e possui um surpreendente sentido de humor).
Artisticamente, Mike Patton é uma das figuras musicais que mais admiro e uma das minhas referências absolutas dos últimos dez anos (um músico que gosta de estilhaçar convenções e que procura a inovação estética). Não tanto com os Faith No More. Muito mais com as superbandas Fantômas, Mr. Bungle, Tomahawk e com muitas outras colaborações/projectos musicais com outros músicos de muitas proveniências estéticas. Um músico que gosta tanto de rock hardcore como de canção tradicional italiana dos anos 50; de bandas sonoras de "western spaghetti" como de electrónica mais experimental; de hip-hop como de improvisação noise. Patton já experimentou estes e outros terrenos fusionistas, (quase) sempre com resultados fantásticos. Por isso Mike Patton é único.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Patton: a colaboração que faltava


Era inevitável. Mike Patton, o talentoso e multifacetado músico/vocalista camaleónico que tem pautado o seu intenso percurso artístico por milhentos projectos musicais paralelos, abarcando diversos espectros estéticos (jazz, rock, pop, experimental, improvisação, metal, hip-hop, electrónica...) e colaborando com dezenas de músicos e grupos à escala planetária, colaborou há quase três meses com uma orquestra. Era um desejo antigo expresso pelo ex-cantor dos Mr. Bungle. Mike Patton deu ao projecto o nome de "Mondo Cane", título de um filme italiano de 1962 realizado por Paolo Cavara, um documentário chocante sobre violência animal, rituais macabros e comportamentos perversos (um imaginário bem ao gosto do cantor, portanto).
E em que consistiu "Mondo Cane"? Basicamente, pegar num rico e variado repertório de canções tradicionais italianas das décadas de 50, 60 e 70, e apresentá-las ao vivo com novos arranjos e interpretados por Mike Patton (voz) e pela holandesa Metropole Orchestra. Os arranjos e orquestrações das canções foram da responsabilidade do compositor italiano do momento - Danielle Luppi, com experiência em música para cinema. O concerto de apresentação deste espectáculo aconteceu no passado dia 12 de Junho no Paradiso - Main Hall de Amesterdão. O resultado desta junção entre a voz de Mike Patton e a orquestra clássica (com instrumentos de banda rock como guitarra eléctrica e bateria) é sublime. Patton assume a postura de um verdadeiro "crooner" à antiga, cantando em italiano, as canções românticas, sentimentais e semi-trovadorescas que marcaram o imaginário musical italiano durante décadas. Ao longo das diversas canções, Mike Patton desfila invejável carisma e total entrega na interpretação vocal. Apenas num tema se revela a veia mais enérgica do cantor, quando dá largas à sua irrepreensível expressividade vocal.
Não admira esta paixão de Patton pela música italiana, visto que é um confesso admirador de compositores como Ennio Morricone (a sua editora, Ipecac Recordings, lançou há dois anos um disco de Morricone), Nino Rota ou o cantor Paolo Conte.
Seria interessante que este espectáculo resultasse em disco.
Todo os temas do espectáculo podem ser visionados (e ouvidos) neste sítio.

quarta-feira, 26 de março de 2008

O jazz também mora aqui


Mr. Bungle, Fantômas, Secret Chiefs 3, Junk Genius, John Zorn. O que têm estas bandas e músicos em comum? Não, não é Mike Patton (mas até podia ser). É antes Trevor Dunn, eminente baixista e, à semelhança de Patton, igualmente criador visionário e destemido. Ou seja, um músico que soube distanciar-se da figura tutelar do mestre com o fito de desbravar um caminho artístico próprio.
Para além de todas as bandas mencionadas das quais Trevor Dunn faz (ou fez) parte, há ainda a salientar a colaboração com muitos outros músicos provenientes de distintas geografias musicais. Ou seja, este imprevisível baixista nascido em São Francisco comunga da mesma veia artística de Mike Patton: o gosto pela experimentação musical, o prazer pela descoberta de novos caminhos estéticos, a destreza na exploração de coordenadas musicais tão díspares quanto o hardcore, o rock de fusão, o avantgarde ou o jazz. É o próprio a assumir a dificuldade de caracterizar a sua música, explicando que toca apenas o que gosta, sem sentir o ímpeto (por vezes desconfortável) de recorrer a compartimentações estilísticas auto-impostas. Enquanto baixista dos Mr. Bungle, ou mais dos Fantômas, Trevor Dunn já destilou malhas de baixo em quase todos os cenários musicais possíveis e imaginários. Faltava o jazz. E foi a pensar na exploração jazzística que Trevor Dunn encetou o projecto chamado Trevor Dunn’s Trio-Convulsant em 1999, editando o seu primeiro registo de originais pela etiqueta Buzz Records, intitulado “Debutantes & Centipedes”. Entretanto, os dois músicos que o acompanhavam neste projecto saíram (Adam Levy e Kenny Wollesen), dando lugar a outros dois: Ches Smith na bateria (membro dos Theory of Ruin e ex-Mr. Bungle) e - surpresa! – uma guitarrista com formação de jazz, Mary Halvorson. Dunn, por seu turno, deixa de lado o baixo eléctrico que tanto o caracteriza e explora nesta formação o contrabaixo acústico, qual Charles Mingus reencarnado.
Trevor Dunn’s Trio-Convulsant é manifestamente um trio de jazz, com espaço para a experimentação de fórmulas composicionais tipificadas, clara e objectivamente, com a linguagem jazz (free-jazz e improvisação, sobretudo). Mas tratando-se de um músico irrequieto como Trevor Dunn, seria de esperar mais do que jazz: e assim há também espaço para desvarios rock, em óbvia referência aos Mr. Bungle de boa memória. “Sister Phantom Owl Fish”, editado pela Ipecac Recordings em 2004, é um disco com temas instrumentais de cariz eminentemente jazzístico, mas com rasgados traços rock a obliterar essa fervura jazz. Não é fusão de género que aqui está em causa, é antes a conjugação de linguagens musicais aparentemente antagónicas. E neste contexto, a guitarrista Mary Halvorson retira, de certo modo, o protagonismo a Trevor Dunn (apesar deste ter um tema a solo e de a maior parte das composições serem da sua autoria), saltitando por entre rasgados riffs distorcidos com lânguidos solos de pura improvisação jazz. Um disco que prova que Trevor Dunn tem ideias próprias e é detentor de uma abundante criatividade. Mais importante ainda, prova que não se quer acomodar à sombra da reconhecida genialidade de Mike Patton, trilhando um percurso musical tão singular quanto possível. Depois deste disco, Dunn já lançou mais três outras obras em parceria com músicos de reconhecida notoriedade: Shelley Burgon e Brett Larner.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Mike Patton de regresso!


Fiquei a saber através da página de fãs do Facebook do Mike Patton, que o músico dos Faith No More - mas também dos Tomahawk, Fantômas ou Mr. Bungle... - vai lançar no dia 4 de Maio o disco "Mondo Cane" (pela habitual Ipecac Recordings), um projecto híbrido rock orquestrado à mistura com canções italianas pop e românticas das décadas de 50 e 60.
Gravado numa série de concertos europeus, incluindo um concerto ao ar livre numa praça no norte da Itália, o álbum auto-intitulado revela as tais músicas pop italianas bem como uma releitura de “Deep Down” de Ennio Morricone (desde sempre uma referência para Patton). Mike Patton trabalhou com uma orquestra de trinta instrumentos e um coro para criar a sonoridade única de Mondo Cane (nome retirado do controverso filme italiano homónimo de 1962 realizador por Paolo Cavara). Um projecto que foge à habitual experimentação rock do músico, mas que nem por isso deixa de ser interessante.
O engraçado é que eu já falei deste projecto há um ano e meio, aqui, desejando que fosse editado o disco do espectáculo, o que vai acabar por acontecer.
Capa do disco:

domingo, 30 de março de 2008

Mike Patton - O génio volta a atacar



Um dos poucos génios criativos da música popular contemporânea (chamemos-lhe assim para simplificar), Mike Patton, não pára de surpreender. Não se contenta com a sua intensa e riquíssima actividade musical em múltiplos projectos (Tomahawk, Fantômas, Peeping Tom...), as suas colaborações com meio mundo da música e das artes, e com a a direcção da sua editora Ipecac Recordings. Desta vez, estreou nos EUA um filme com a banda sonora composta e produzida pelo ex-Faith No More. Chama-se "A Perfect Place", é uma média-metragem e tem realização do estreante Derrick Scocchera. O filme tem interessantes nuances de "film noir". Como é habitual em Mike Patton, este trabalho reflecte a veia fusionista do músico: rock, jazz, dub, electrónica, easy-listening, ambientalismo, experimentação diversa e ritmos imprevisíveis. Um assombro de banda sonora que, como se constata no trailer (mais abaixo), dá ao filme uma outra dimensão emocional.
O trailer aqui.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Mike Patton e a música para filmes


Não sei se o filme vale de alguma coisa ou não (as crónicas são pouco abonatórias): "Crank: High Voltage", realizado por um tal Mark Neveldine (pelo trailer parece-me um filme de acção algo desmiolado). O que sei é que quero vê-lo o quanto antes porque tem a banda sonora de Mike Patton (Fantômas, Mr. Bungle, Faith No More, Tomahawk, Peeping Tom...). Depois de ter feito a música para o filme "A Perfect Place", comentado aqui, Patton regressa à experiência criativa que sempre o fascinou: a música original para cinema. O seu universo estético retorcido (no bom sentido) reflecte-se no trabalho realizado para "Crank: High Voltage": cruzamento de ambientes sonoros antagónicos, abordagem pouco ortodoxa de estilos musicais, influências assumidas de Ennio Morricone e Nino Rota com heavy metal, electrónica e experimentalimos vários.
Os 32 temas da banda sonora podem ouvir-se no Youtube.
Grande e imparável Mike.

domingo, 22 de julho de 2012

Zorn & Patton

O regresso em grande em disco de dois dos mais interessantes músicos contemporâneos: John Zorn e Mike Patton. O álbum foi recentemente editado e dá pelo título "Templars: In Sacred Blood" (editado pela editora Tzadik de Zorn). A música deste álbum é permanentemente desafiadora: mistura pop, rock, jazz, étnica e prog-rock. Os músicos são de excepção: Joey Baron na bateria, Trevor Dunn no baixo, John Medeski no órgão Hammon, e Mike Patton na voz.

PS - Gosto quando os meus posts provocam reacções opostas: 2 "Interessante", 1 "Fantástico" e 2 "Desinteressante". Haja pluralidade de opinião!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

O som da LUME Big Band


O compositor e músico Marco Barroso venceu recentemente o "Prémio Jovem Autor" atribuído pela SPA e Milleniumbcp. É o reconhecimento artístico de um jovem músico com visão e que gosta de arriscar num panorama musical português geralmente amorfo. Marco Barroso juntou 15 músicos com formação jazzística e formou uma Big Band, a que chamou LUME - Lisbon Underground Music Ensemble. Esta é a primeira big band genuinamente portuguesa a tocar temas originais de um compositor português com referências estéticas que vão muito para lá do jazz. E só isso já seria de louvar. Mas Marco Barroso não se limita a gerir as expectativas, visto que a sua música não se confina aos estereótipos habituais em big bands. Basta constar as múltiplas e diversificadas influências musicais do compositor para perceber que prefere a heterodoxia estética do que a formatação habitual do jazz (como referiu nesta entrevista): Carla Bley, John Zorn, Fred Frith, Mike Patton, Dave Douglas, Evan parker, Stravinski, Ligeti, Residents, Mr. Bungle, Frank Zappa, rock experimental, música erudita contemporânea, etc.
Ou seja, o projecto LUME Big Band assume-se como um colectivo de músicos liderado por um pianista e compositor que absoveu as coordenadas mais diversas para criar a sua própria música. Lisbon Underground Music Ensemble situa-se, a espaços, no mesmo terreno de experimentação da Flat Earth Society, a big band norte-americana (cujos discos são editados pela editora de Mike Patton) capaz de saltar, com a mesma naturalidade, do swing para o noise rock. Marco Barroso ainda não chegou tão longe nessa via de experimentação, mas gosta de apelidar a sua música como "free-style", ancorada num cruzamento híbrido entre o jazz, o rock, e a música erudita contemporânea. Uma proposta original e contemporânea que pode agitar as águas da música portuguesa.

terça-feira, 27 de maio de 2014

O melhor cantor de sempre

Se alguém perguntar qual é o "maior cantor de sempre" baseado na elasticidade vocal, qual seria a resposta? Há dias circulou uma resposta possível: Axl Rose (Guns N' Roses), mas a verdade científica é outra: com base na capacidade vocal ("vocal range") conhecida dos cantores, o site UltimateGuitar.com elaborou uma lista dos melhores cantores no que à extensão vocal se refere. E no primeiro lugar está Mike Patton, vocalista extremamente versátil de bandas como Faith No More, Mr. Bungle, Tomahawk ou Mondo Cane - na imagem). Patton tem uma impressionante extensão vocal de 6 oitavas. Logo a seguir vem uma diva negra, Diamanda Galás com uma voz operática e só na quarta posição surge Axl Rose. 
 E cantores como Prince, Tom Waits, Jim Morrison, Nick Cave, entre dezenas de outros? Para saber tudo, clicar aqui.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Norah Jones vs.ignorância

A cantora Norah Jones, filha do indiano Ravi Shankar, irmã de Anoushka Shankar, continua a surpreender nas lides artísticas. Depois de colaborar com o mestre das bizarrias sonoras Mike Patton no projecto Peeping Tom, Jones interpreta o papel feminino principal no filme "O Sabor do Amor" do chinês Wong Kar-Wai, com estreia nacional marcada para 1 de Maio. Nesse filme contracena com figuras de proa do cijema mundial como Jude Law (com quem tem tórridas cenas), Rachel Weisz e Natalie Portman. Na entrevista que concede à revista BLITZ, Norah Jones, a propósito da sua relação com o cinema do cineasta de "Chungking Express", diz esta frase lapidar: "nunca tinha visto nenhum dos filmes do Wong Kar-Wai: tão estúpida e ignorante que eu era". Fica sempre bem a uma estrela pop admitir estas coisas publicamente.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Estradasphere

Para quem não conheça os Estradasphere, talvez seja uma boa ajuda falar nos Mr. Bungle ou nos Secret Chiefs 3. Isto porque estes três projectos se inserem naquela lógica caleidoscópica de juntar, num mesmo caldeirão musical, múltiplas abordagens estilísticas que podem ir da música árabe ao rock mais extremo. O resultado, já se sabe, pode ter tanto de estimulante quanto de redundante. Tudo depende da forma como os músicos trabalham e misturam essas diferentes fontes sonoras, de molde a criar um todo artístico coerente.
Ora, os Estradasphere conseguem elevar essa estética simbiótica a um patamar realmente excitante para os nossos sentidos. Pegam em estilos como a música tradicional da Grécia, dos Balcãs, o surf rock, o funk, o death metal, a electrónica, o rock de garagem, o easy listening e, no final, misturam tudo com base num delirante imaginário que bebe tanto das extravagâncias de Frank Zappa como das alucinações criativas de Mike Patton. É por isso que o álbum “Quadropus” (2003) continua a ser um trabalho de absoluta referência, esteticamente demolidor e altamente surpreendente.
Para ouvidos especialmente inquietos:

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Uma big band em estado de ebulição

Esta é bem capaz de ser uma das mais delirantes big bands que alguma vez pisou a face da terra.
Chama-se Flat Earth Society, existe desde 1999, são (geralmente) 22 músicos de formações distintas liderados pelo clarinetista Peter Vermeersche. O projecto é originário da Bélgica.
Misturam músicas num caldeirão onde cabe: Frank Zappa, John Zorn, Mike Patton, Duke Ellington, Sun Ra, Henry Mancini, Carl Stalling (compositor de cartoons), Ennio Morricone, Louis Armstrong, jazz, blues, rock, experimental, e o mais que se queira imaginar. O resultado musical é uma orquestra em completa ebulição criativa, em estado de delírio frenético e constante. São todos instrumentistas com elevada técnica mas também com elevada capacidade criativa. Há também um lado fortemente cinematográfico na sua música.
Diversão e profundidade são duas das muitas nuances da big band, que de big band convencional pouco tem. Lançaram em 2013 o último álbum (altamente recomendável) chamado "13" e foi para mim um dos discos do ano.
Diz quem já viu ao vivo os Flat Earth Society que são uma experiência irrepetível, excitante e surpreendente. Acredito. E eu acreditarei na Virgem Maria quando ler a notícia que esta tresloucada e original orquestra vem tocar um dia em solo português.
PS - Em Portugal temos uma big banda muito equivalente: LUME - Lisbon Underground Music Ensemble.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Kubik - novo disco

O meu projecto musical pessoal, Kubik, apresentou, em concerto no passado Sábado (14 de Maio, no Teatro Municipal da Guarda), o novo álbum - "Psicotic Jazz Hall". A edição tem selo do TMG e pode ser encomendado através deste link. Brevemente estará também disponível nas lojas habituais.

"O percurso musical de Victor Afonso, nos seus quase vinte anos de longevidade, é uma das histórias de maior criatividade e diversidade da que a música portuguesa moderna teve o prazer de conhecer. Das compilações aos discos de originais, da memorável banda sonora original Guarda: A Memória das Coisas às apresentações ao vivo e aos filmes mudos com música original, Victor Afonso foi construindo um corpo de trabalho sem cedências artísticas de qualquer espécie, vanguardista e fusionista no melhor significado possível da palavra. Um trabalho que parte da música electrónica para se abeirar do noise, do jazz, da world music, da pop mais permeável e de tudo o mais que se atravesse no caminho; fluentemente experimental, amigo do sampling, aberto ao mundo.

O seu novo disco (e neste caso “novo” adquire todo um novo contexto), Psicotic Jazz Hall, que fecha a trilogia de álbuns começada por Oblique Musique (2001) e continuada por Metamorphosia (2005), é, quando julgávamos já impossível ir mais além, um constante abrir da palete sonora para deleite dos melómanos mais exigentes. Não é à toa que Mike Patton, mestre do baralha e volta a dar, viu em Victor Afonso um talento que transborda fronteiras. Está nos genes de Victor Afonso reinventar-se a cada vez que mostra novo trabalho. E Psicotic Jazz Hall não é excepção. Os treze temas que compõem este novo disco revelam uma complexidade que não é novidade, um cuidado com os pormenores que é apanágio de Kubik. E sempre que o imenso turbilhão de ideias e recursos encontra um aparente beco sem saída, Victor Afonso descobre uma forma de escapar em classe e em estilo.

O jazz é a matriz principal deste trabalho mas a fragmentação habitual leva esta viagem para outras esferas: que o groove de “Shina-Kak” desapareça já se isto é mentira. Como se Victor Afonso pegasse em toda a boa música do mundo, a desfizesse em estilhaços e depois, subversivamente, a voltasse a reconstruir: é assim que soa Psicotic Jazz Hall, um disco cujo título remete para o título de um álbum do francês Pascal Comelade que, como Victor Afonso, se serve de uma certa bizarria a seu bel-prazer. Da Guarda para o mundo, Victor Afonso volta a assinar um disco com atributos visíveis a partir de outros planetas mas para ser consumido com toda a humanidade."

André Gomes (Editor do Bodyspace, in BIS/TMG - Abril - Junho 2011)


Mais informação, músicas e vídeos em Kubik Music

segunda-feira, 10 de março de 2008

A Big Band tresloucada


Esta é bem capaz de ser uma das mais delirantes big bands que alguma vez pisou a face da terra. Chamam-se Flat Earth Society, são 22 músicos de formações distintas liderados pelo clarinetista Peter Vermeerche. Misturam músicas num caldeirão onde cabe: Frank Zappa, John Zorn, Mike Patton, Duke Ellington, Sun Ra, Henry Mancini, Carl Stalling (compositor de cartoons), Ennio Morricone, jazz, blues, rock, experimental, e o mais que se queira imaginar. O resultado musical é uma orquestra em completa ebulição criativa, em estado de delírio frenético e constante. Diversão e profundidade são duas das muitas nuances da big band, que de big band convencional nada tem. Acabei de ouvir o último registo do grupo - "Psychscout" e ainda tenho os pelos em pé. Diz-se que ver os Flat Earth Society ao vivo é uma experiência irrepetível e surpreendente. Acredito. E eu acreditarei na Virgem Maria quando ler a notícia que esta tresloucada orquestra vem tocar um dia em solo português.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Desejos para 2014

Em 2014 gostaria que:

- Sergei Eisenstein fizesse um filme sobre a "Primavera Turca".
- Orson Welles filmasse a adaptação de "O Livro do Desassossego" de Fernando Pessoa.
- James Dean entrasse num filme de Wes Anderson.
- Montgomery Clift fosse o galã culto e tímido num filme de Woody Allen.
- Elvis Presley gravasse um disco com canções de Leonard Cohen.
- Frank Sinatra fizesse um dueto com Tom Waits.
- Jim Morrison entrasse num álbum dos Radiohead ou dos Queens of The Stone Age.
- Franz Kafka escrevesse um argumento para um filme de Roman Polanski.
- Marlon Brando fosse o par romântico de Charlize Theron num filme de Scorsese.
- Andrei Tarkovski convidasse Amon Tobin para fazer a música para um novo filme.
- Charlie Chaplin participasse numa comedia com Jerry Lewis.
- Jacques Tati fizesse um filme sobre o impacto das tecnologias digitais na sociedade.
- Primo Levi escrevesse um guião para um documentário sobre Hitler filmado por Errol Morris.
- Frank Zappa colaborasse num disco de Mike Patton.
- George Orwell escrevesse um ensaio sobre o estado da política actual.
- Andy Warhol fizesse uma serigrafia gigante sobre Miley Cyrus.
- Nagisa Oshima fizesse um remake de "O Império dos Sentidos" com Scarlett Johansson e Sean Penn.
- Baudelaire e Rimbaud escrevessem poemas para canções de Matt Elliott e Bob Dylan.
- Leni Rifenstahl realizasse um documentário épico sobre o Mundial de Futebol 2014 no Brasil.
- Jackson Pollock pintasse a fachada do Parlamento Português.
(...)

domingo, 18 de março de 2012

Do jazz à música de circo


Segundo a página da Wikipedia dedicada ao grupo Mr. Bungle, as influências que a banda de Mike Patton assumiu durante a sua carreira (1985 - 2000) são as seguintes: funk, free jazz, surf rock, punk, heavy metal, klezmer, ska, kecak, avant-jazz, folk, noise rock, pop, doo-wop, funk metal, electronica, swing, space age pop and exotica, death metal, rockabilly, bossa nova, progressive rock, country & western, circus music, video game and cartoon music.
-----
Sim, pode parecer exagero, mas a verdade é que o eclectismo musical e a diversidade estética explorados pelos Mr.Bungle reflectiu todas estas (e porventura outras) referências musicais. Aliás, como bem se percebe ouvindo esta obra-prima musical chamada "Ars Moriendi" (do Álbum "California" de 1999):

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Fórum Sons

´
A era da cultura digital faz-se muito por intermédio de fóruns como este. Espaço online que congrega uma verdadeira comunidade virtual de cibernautas que se interessam por mil e uma coisas. Mas sobretudo de música. O Fórum Sons surgiu ainda antes do boom dos blogues, numa plataforma associada ao jornal Público, há cerca de 10 anos atrás. Por essa altura, apesar de ainda ser um recém-chegado ao maravilhoso mundo da Internet, tornei-me de imediato um membro desta comunidade (à época, ainda bastante restrita). Mais tarde o Fórum Sons mudou-se para outra morada (a actual) e nos primeiros anos, este espaço foi um autêntico viveiro de músicos, jornalistas (como o malogrado Fernando Magalhães, que foi um dos principais impulsionadores do fórum), e amantes de música em geral.
Até 2005, sensivelmente, o Fórum Sons foi a principal plataforma de discussão e de partilha de música do Portugal virtual: conheci muita música no fórum, muitas pessoas realmente interessantes e bem informadas, houve discussões (na melhor das acepções) homéricas à volta de questões do mundo da música e do cinema, serviu de promoção e divulgação de alguma da melhor música que se fazia no mundo inteiro (Portugal incluído). Depois de 2005, e apesar das regras de conduta impostas por moderadores, o Fórum Sons banalizou-se e a sua credibildiade caiu: insultos, lavagem de roupa suja, participação de cibernautas que adulteravam o espírito do fórum, levou a que alguns dos mais interessantes membros tivessem abandonado definitivamente o Fórum e o desinteresse generalizado tomasse conta do espaço.
Actualmente tem 3 mil membros, muitos ainda pretendem discutir seriamente assuntos relacionados com música, mas muitos outros quase o transformam num fórum "teenager" que discute unicamente frivolidades. Entretanto, com o advento massivo do fenómeno da blogosfera, a opção prioritária tornou-se a de criar um espaço virtual próprio, onde se pudesse falar de temas que se quisesse sem ser incomodado com assuntos e membros sem interesse. Foi o meu caso com a criação deste blogue. Foi o caso de dezenas de outros ex-membros que desistiram da participação no fórum para gerirem os seus próprios espaços virtuais de informação.
Ainda assim, passo lá quase todos os dias, porque faz parte da minha rotina de leitura diária, para averiguar novidades interessantes e trocar impressões com membros da velha guarda. Num dos últimos dias, reparei que está por lá disponível o disco dos Buraka Som Sistema, entre muitos outros discos actuais, e soube que o Mike Patton vai formar um novo projecto musical com o vocalista dos TV on The Radio e um músico dos Subtle.
No fundo, a verdade é esta: o mundo avança, e com ele os formatos de fruição e partilha da informação digital.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

The Art of Noise


Silêncio. Ruído. Na actual sociedade prevalece o ruído, já o sabemos. Não há praticamente lugar nenhum no qual consigamos sentir o silêncio. Ruído, música, sons da natureza e do meio ambiente, perfazem o registo auditivo do nosso quotidiano. E quem foi o primeiro a reconhecer que o ruído era um elemento essencial da sociedade industrial do século XX?
Um italiano, futurista e contemporâneo de Marinetti, escritor e poeta, principal impulsionador do Futurismo. Chamava-se Luigi Russolo e lançou as bases, em 1913, para a música industrial dos anos 70 e 80 (aquela que recorre ao ruído na sua estrutura musical). Essas bases teóricas estão compiladas num manifesto (em livro, edição espanhola) chamado "El Arte de los Ruidos" ("A Arte dos Ruídos").
Neste verdadeiro manifesto artístico, Russolo refere que até ao Século XIX e ao advento da Sociedade Industrial, o ruído não fazia parte da sociedade. A partir do início do Século XX, o ruído começou a ser parte integrante do quotidiano, com as fábricas, os meios de transporte e outras diversas máquinas. Então, o pintor e compositor italiano achava que se deveria incluir esses ruídos e sons (tidos como não-musicais) na linguagem musical convencional. Que era o mesmo que dizer, romper com as próprias convenções.
Para tal, Russolo inventou um conjunto de máquinas e instrumentos de fazer ruído, a que deu o nome de Intonarumori (existe um projecto norte-americano de música experimental com esta designação).
Em 1914, o primeiro concerto futurista de 18 destes instrumentos (nas imagem), provocou um enorme escândalo em Milão (quase tão grande quanto a estreia da obra "A Sagração da Primavera" de Stravinsky em Paris, um ano antes, a qual marcou o início do modernismo na música do século XX).

E, a partir desse momento, uma revolução estética foi gerada: durante o resto do século XX, o ruído foi utilizado como elemento musical em muitos géneros e compositores, levando a vasta discussão e teorização sobre a importância do ruído na música, na arte e na vida (vide John Cage).
E eis um vídeo curioso no qual o músico Mike Patton experimenta as sonoridades específicas de máquinas sonoras reconstruídas por Luciano Chessa (2009).

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

O concerto mais esperado


É um dos concertos mais esperados do ano. Não propriamente esperado pelos 60 mil espectadores que vão ver a Madonna, mas sim por uma pequena franja de entusiastas de música que ousa quebrar barreiras estéticas. Refiro-me ao grupo americano Secret Chiefs 3, que se apresenta pela primeira vez em Portugal no espaço Plano B do Porto, no próximo dia 30 de Setembro. A banda liderada pelo multi-instrumentista Trey Spruance, ex-músico dos seminais Mr. Bungle de Mike Patton (e colaborador de John Zorn), é uma das mais estimulantes e vanguardistas propostas musicais da última década. Numa amálgama de referências musicais – que pode ir do death-metal à música árabe e indiana, do psicadelismo ao surf-rock, da electrónica ao blues – os Secret Chiefs 3 rompem com as convenções estilísticas com sórdido sentido criativo que os torna absolutamente únicos (na esteira dos Estradasphere e dos defuntos Mr. Bungle).
Os Secret Chiefs 3, para além de extraordinários músicos e de visionários exóticos, são também devotos de filosofias orientais místicas e bizarras – facto que se revela nas letras, no trabalho gráfico das capas, nos títulos das músicas e nas indumentárias dos músicos. Surpresa, energia e criatividade serão elementos certamente presentes no muito aguardado concerto desta super-banda americana.