quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Adoptar ou não adotar

Que me perdoem os leitores brasileiros deste blog, mas eu não irei, tão cedo, adoptar as regras do novo Acordo Ortográfico. Nunca concordei com os seus pressupostos e com a sua premissa de base. A língua portuguesa, escrita e falada, durante séculos em Portugal, é agora completamente desbaratada com esta clara cedência à forma de escrever do Brasil.

À custa da suposta uniformização da língua, iremos demorar muitos anos até que as novas regras estejam solidamente consolidadas e apreendidas nas nossas escolas, nos meios de comunicação, no exercício da escrita mais banal, no dia-a-dia. Por agora só gera confusão e mal-entendidos, como retirar a consoante muda "c" na palavra "espectadores" (que se transforma em "espetadores", entre outros exemplos).

Por isso, manifesto o interesse em continuar a utilizar a "velha" orotografia, neste blog e nos meus escritos pessoais/profissionais, até que se torne absolutamente obrigatório escrever à luz do novo Acordo Ortográfico (previsivelmente, em 2014).

13 comentários:

Rato disse...

Já somos dois!
"Obrigatório" em 2014? Para quem? Só se fôr para os coitados dos alunos.

Gonga disse...

Nisto discordo totalmente ctg. Sou português e sou a favor do acordo ortográfico. Passo a explicar:

Tanto nós como os brasileiros temos várias mudanças da forma de escrever, é mentira que sejamos só nós que temos de mudar, eles tb terão de mudar muitas palavras.

Este não é o primeiro acordo ortográfico na língua portuguesa e certamente haverá mais, por uma razão simples a língua portuguesa está viva e em constante mudança.

Entendo e respeito a tua posição e há palavras que não concordo, mas para que a língua portuguesa seja forte há que haver uma uniformidade.
Eu já a adotei no meu blog.
Um abraço

Nuno disse...

Para mim não adopto, no trabalho estou a adoptar quando me lembro, no blog vou fazer referendo para ver se adopto ou não (e serei muito parcial quanto a alguma palavras).
Da mesma forma que escrevo em línguas estrangeiras, também posso escrever em dois portugueses.

Nuno disse...

Para mim não adopto, no trabalho estou a adoptar quando me lembro, no blog vou fazer referendo para ver se adopto ou não (e serei muito parcial quanto a alguma palavras).
Da mesma forma que escrevo em línguas estrangeiras, também posso escrever em dois portugueses.

Spark disse...

Concordo contigo Victor.

Abraço

Rato disse...

A verdade é que são apenas os portugueses (não todos, felizmente) que, com a mania de tudo uniformizarem, valorizam o chamado "acordo ortográfico", no âmbito do qual a esmagadora maioria das palavras é abrasileirada (e não o contrário). Aliás, todos os brasileiros com quem tenho conversado sobre o tema estão-se perfeitamente nas tintas para o mesmo, enaltecendo, em contrapartida, a rica variedade das expressões luso-brasileiras.
Apetece citar aquela feliz expressão do Spencer Tracy a dirigir-se ao sexo oposto: "Vive la petite différence!"

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Gonga: respeito a tua opinião.
Rato: a frase do Spencer Tracy aplica-se bem ao contexto.

Jorge disse...

Apoiado.
A riqueza da nossa língua é o nosso grande tesouro. Basta de negociatas para falarmos e escrevermos brasileiro.

Rolando Almeida disse...

Olá Vitor,
Também discordo do acordo, mas discordo das razões que apontas. Não me parece relevante que a história de uma língua seja um bom argumento para se manter algo. Se assim fosse teríamos de manter muitas estupidezes culturais só porque são históricas. O argumento do património não me parece ser razoável.O argumento de uma língua ter de evoluir parece-me natural, mas o que acontece com o acordo não se trata de evolução. trata-se de legislar em Parlamento sobre uma língua, o que é inédito. O pressuposto do acordo, contudo, nem é histórico nem evolutivo. O pressuposto - daí o nome "acordo" - é que desse modo se une as ortografias e as línguas se tornam muito mais legíveis. E aqui é que podemos objectar com força o argumento. Ora, em 1º lugar, o acordo não unifica coisa alguma e isto porque durante gerações - como dizes - vão subsistir duas ortografias dentro da mesma cultura linguística, o que é um disparate ainda maior do que duas ortografias para duas culturas linguísticas. Toda a tua biblioteca será algo estranha para as tuas filhas, por exemplo. Não se renova todo um património nem numa nem em duas gerações. repara: à custa de tanto acordo dentro de Portugal, já somos incapazes de ler Eça tal qual ele escreveu e temos de o andar a traduzir. É a isto que chamam acordo? Depois ainda porque fazer um acordo é pressupor que mudando a ortografia se muda toda a semântica, o que é estúpido. Palavras iguais vão continuar a ter significados diferentes em Portugal, Brasil, Angola, etc.. Depois ainda há que ver que a língua culta da nossa era subsiste com duas ortografias e sem que exista qualquer necessidade de acordos farçolas, como os casos do inglês que é diferente em inglaterra e nos eua. A ideia di acordo só existe porque meia dúzia de académicos arrogantes acham que deve ser feita tal mudança e o povo cai que nem bimbo nessas tolices, incluindo os professores de português. Diz-me lá se os espanhois algum dia precisaram de acordos entre espanha, argentina, etc???? Depois, finalmente, porque o que faz evoluir uma língua não são acordos imbecis legislados por políticos, mas o próprio uso da língua e os estudos académicos que se vão fazendo em áreas como a linguística. Pegar numa língua e decidi-la em parlamento é tão ignorante como pegar na ciência e decidir o que ela deve ser pelos políticos. faz isto algum sentido??'

Anónimo disse...

Mui concordo com vossa opinião. Eu cá estou tentando escrebir com o acordo de há trez acordos orthographicos atraz! Como grão portuguez que sou não posso descurar a practica adoptada por nostra lengua em tantos séculos! Adeos, que tenho de ir à pharmacia, que minha Ophelia está empherma!

Luiz Manoel Ayres de Vasconcellos

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Rolando: eu percebo os argumentos que apontas e acabo por concordar com eles.

Luiz Vasconcellos: as melhoras para a sua Ophelia! :)

Paulo disse...

Vou ser muito honesto e não me leves a mal, mas tinha-te em melhor conta.
A história dos brasileiros é ridícula, fazem deles monstros das bolachas, ou das línguas. Existem várias razões para discordar do acordo (e outras para concordar), mas a dos brasileiros é muito má mesma, parece discurso de coitadinho.
A língua evolui, também houve quem não quisesse deixar de ir à pharmácia, e hoje estão às moscas.

Gonga disse...

Um pouco mais de lenha.

"... o castelhano, que apresenta diferenças, quer na pronúncia quer no vocabulário entre a Espanha e a América Hispânica, mas está sujeito a uma só forma de escrita, regulada pela Associação de Academias da Língua Espanhola..."
http://pt.wikipedia.org/wiki/Associa%C3%A7%C3%A3o_de_Academias_da_L%C3%ADngua_Espanhola

Lingua Basca
"O basco unificado (em basco euskara batua) é o suporte normativo (ou registo) do basco escrito...
http://pt.wikipedia.org/wiki/Basco_unificado

"Há quem questione a uniformização da escrita, invocando as diferenças vocabulares e de pronúncia entre Portugal e o Brasil. Ora, escrever do mesmo modo não significa falar do mesmo modo, como provam, designadamente, os alentejanos e os micaelenses." Edite Estrela