quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A Vida é Bela

Nunca o disse aqui por se tratar de um assunto da vida privada, mas digo-o agora sem reservas: sou casado e tenho duas filhas pequenas, uma com 12 e outra com 9 anos. Durante as recentes férias de Natal, mostrei-lhes o filme "A Vida é Bela" (1997), de Roberto Benigni. Perguntaram-me sobre o que se tratava o filme. Disse-lhes que era um filme simultaneamente cómico e comovente sobre o amor de um pai para com o seu filho (e a sua mulher), que se passava no terrível período da Segunda Guerra Mundial num campo de concentração. A minha filha mais velha, porque os estudara, já conhecia alguns elementos históricos deste conturbado momento do século XX (também porque conhecia o filme "O Rapaz do Pijama às Riscas").
Durante o visionamento do filme, ambas se riram em momentos divertidos e se emocionaram nos momentos mais comoventes (sobretudo com o final). Creio que "A Vida É Bela" é um belíssimo filme para mostrar a crianças certos valores tão arredados hoje em dia da sociedade. Mostrar que, mesmo em momentos de terríveis adversidades, o amor pode vencer. Em termos de linguagem cinematográfica, prova que se pode fazer humor com temas muito sérios, numa obra que reforça a ideia de que o cinema é a grande arte da ilusão e da magia. E não esquecer que o filme de Benigni conta com uma belíssima e inesquecível música de Nicola Piovani.
De todas as brilhantes sequências do filme levadas a cabo pelo incrível Roberto Benigni, aquela que melhor representa o misto de comédia e de dramatismo, é esta em baixo. É o momento no qual Roberto, o pai, mostra ao filho que o campo de concentração em que se encontram não é mais do que um campo de jogo, tudo é um jogo para o filho alcançar o ambicionado prémio: um tanque verdadeiro. É um momento hilariante (que sintetiza o filme) mas ao mesmo tempo dramático, porque é o desespero do pai que o leva a inventar aquela história.
No final do visionamento do filme, mostrei às minhas filhas o famoso momento em que Roberto Benigni recebeu, das mãos de Sofia Loren, o Óscar para Melhor Filme Estrangeiro por este filme, porventura a recepção de prémio mais emocionante e genuína de que há memória nas cerimónias dos Óscares.
Elas gostaram muito do filme e perceberam a mensagem que veicula. Perceberam o inusitado misto de tragédia e de comédia, o drama e a leveza de que é feito "A Vida é Bela". Esta foi a preparação para, no futuro, se habituarem a ver filmes cada vez mais exigentes e complexos. Filmes belos. Como a vida.

5 comentários:

Nuno disse...

É um filme maravilhoso e qualquer pretexto para o ver serve.

Rato disse...

No contexto da época do nazismo não será dos filmes que mais me entusiasmaram, até porque a persongem Benigni me causa uma certa irritação.
Obviamente que é algo que serve perfeitamente para uma iniciação pedagógica sobre o tema, se bem que, por exemplo, preferisse deitar mão a uma série como "Holocausto" (com uma Meryl Streep ainda muito novinha e longe do estrelato, e com outros actores fabulosos, na altura também praticamente desconhecidos), que passou na televisão pública em 1979, mas que já se encontra disponível em DVD.

O Rato Cinéfilo

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Rato: claro que há filmes melhores sobre o Nazismo, mais realistas, mais objectivos.
Mas repara que não seria muito adequado mostrar esses filmes - como a série Holocausto - a crianças pequenas. O "A Vida É Bela" é uma forma de iniciação pedagógica sobre o tema, não é violento, mas revela de forma mais ligueira o horror do Holocausto com humor à mistura.

Abraço.

Anónimo disse...

...Belíssimo Post!

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Obrigado anónimo.