segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Claustrofobia num elevador


Ainda há surpresas: na minha última investida na Fnac, comprei um DVD (por uns irrisórios 5€) que não conhecia mas que me suscitou muita curiosidade: "Lady in a Cage" (1964) realizado por um tal Walter Grauman.
O título português é bombástico: "Bárbaros do Século XX", e a capa referia que se tratava de um "soberbo filme-choque", com a participação de um jovem James Caan (no seu primeiro papel importante no cinema). Foram motivos suficientes para comprar o DVD.
O filme conta com a excelente actriz Olivia de Havilland, duas vezes vencedora de um Óscar (ainda é viva com 95 anos!), lançada para o estrelato em 1938 com "As Aventuras de Robin Hood"). Sozinha na sua residência durante um fim-de-semana de intenso calor, uma viúva (Olivia de Havilland) vê-se acidentalmente presa no elevador que tem dentro de casa, devido a uma falha de electricidade.

A partir deste ponto, o seu mundo meticuloso e bem organizado é posto em causa quando o elevador, parado três metros acima do chão, se torna uma claustrofóbica câmara de tortura - uma verdadeira jaula. Incapaz de se libertar, a sua situação torna-se desesperada quando o alarme de emergência atrai uma mão cheia de indesejáveis intrusos - um alcoólico e a sua amiga prostituta, bem como um trio de jovens delinquentes (liderados por um notável e quase adolescente James Caan), que embarcam numa espiral de vandalismo e brutalidade que culmina em violência e mortes.

O ponto de partida para este filme de suspense propicia situações de grande angústia e desespero, com a invasão da casa por parte dos assaltantes e delinquentes. James Caan é soberbo no papel de líder tresloucado de um bando de delinquentes sem códigos de honra. Olivia de Havilland é magnífica na forma como encena a sua própria claustrofobia e a tensão crescente. A realização é fenomenal no modo como enquadra os planos, a montagem e alterna movimentos de câmara surpreendentes.

"Lady in a Cage" foi proibido em Inglaterra pela sua violência e brutalidade. É compreensível no ano em que foi feito, 1964, mas aos olhos do espectador de hoje já não choca. No entanto, não deixa por isso de ser um belíssimo exercício de suspense na esteira de um "Psycho" de Hitchcock que estreara apenas 4 anos antes. E é também uma película de referência para todos os filmes que se seguiram sobre invasão de privacidade e violência juvenil.
Em suma, uma preciosa descoberta que se tornou num filme de culto.

5 comentários:

Rato disse...

Belo filme, sem dúvida. Também o "descobri" há relativamente pouco tempo.

O Rato Cinéfilo

Peter Gunn disse...

Não conhecia este filme mas pelo que li tenho que o ver um dia destes. Obrigado pela dica :)

Daniel S. disse...

...Promete!

Já agora, parabéns pela mudança de visual. Gostei imenso.

Tiago Vitória disse...

Vítor, depois deste post, tentei arranjar o filme. Bem...apesar de não o conseguir, vi-o na mesma.

Além de ter um especial carinho sobre os filmes realizados nos anos 60, adoro histórias que são realizadas à volta de uma premissa simples, de uma situação aparentemente inofensiva.

Fiquei um grande fã deste filme. Tem imensos ares hitchcockianos e é, como referes, um daqueles filmes que facilmente passariam a ser etiquetados de "culto" hoje em dia.

Obrigado pela sugestão!

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Obrigado, Tiago.
Ainda bem que gostate.