segunda-feira, 4 de julho de 2011

Uma questão de prioridades

Às vezez pergunto-me se sou um espectador de cinema "normal".
Ok, não sei definir o que seignifica um espectador "normal". Mas creio que até um cinéfilo mais radical já terá visto, nem que seja como "guilty pleasure", alguns blockbusters que enchem as salas de cinema de miúdos com sacos de pipocas e baldes de coca-cola. É que, no meu caso, posso afirmar que nunca vi nenhum filme das sagas e sequelas e prequelas: "Harry Potter", "Twillight", "Velocidade Furiosa", "Saw", "Hostel","Transformers", "Scary Movie", "X-Men", "Iron-Man", "Homem-Aranha", "Piratas das Caraíbas", "O Último Destino", entre outros.
Não quer dizer que não tenha visto excertos (em zapping na televisão) de alguns destes filmes citados, mas nunca tive interesse em ver nenhum do princípio ao fim.
E sinceramente, não sinto que me façam falta para a minha formação cinéfila... É uma questão de prioridades.

18 comentários:

Anónimo disse...

Diria também que é uma questão de bom gosto cinéfilo...

Rato disse...

Talvez o primeiro da série "O último destino" seja o único que valha a pena ver, do princípio ao fim. Confesso que sou fã do filme.

O Rato Cinéfilo

Hung Bunny disse...

Oh Victor, até concordo que a oferta cinematográfica (em especial durante os meses de Verão) com as intermináveis sequelas e péssimos filmes estejam a proliferar em demasia, mas este teu post tresanda a uma atitude snob e elitista inegável.
Não está em causa a qualidade ou não dos filmes por ti mencionados, mas sim um certo desprezo por salas de cinema com miúdos a comer pipocas e a beber coca-cola implicito no teu post. Goste-se ou não, estes muidos têm de começar a apreciar cinema por algum lado, nem que seja por verem Iron Man, pois duvido que alguém entre os seus 12 e 16 anos só veja (ou tenha apenas visto) filmes de Tati, Scorsese ou Tarkovsky. É por isso que servem estes Blockbusters, para nos explorar as carteiras enquanto nós procuramos explorar uma tarde passada numa sala de cinema barulhenta com muito "eye candy" e explosões para todos os gostos.
Concordo que a industria nunca voltará a ser o que era, comparada com outras décadas passadas, mas quem nunca apreciou (ou cresceu a ver) este tipo de filmes, nem que seja uma saga em particular, que atire a 1ª pedra.
E uma ultima coisa: ver a saga Fast and Furious contribui não para a minha formação cinefila, mas para a minha formação como cidadão, pois um tipo aprende que conduzir devagar e com respeito pode não ser tão atractivo para as garinas, mas mantém-nos longe da policia e de grupos criminosos com pessoal muita bera:P
E cuidado Victor, demasiada "snobbiness" pode afectar a pressão arterial!

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Eheh. Estava mesmo à espera que alguém me acusasse de elitsista ou snob. É o habitual.

Repara Hung Bunny: eu só escrevi um post a dizer, basicamente, que nunca tinha visto nenhum daqueles filmes, nem sequer emiti qualquer juízo de valor depreciativo sobre eles! Apenas referi que não tenho intenções de os ver porque tenho prioridades e não acrescentam nada à minha formação de cinéfilo. Ou seja, manifestei o meu desinteresse em determinados filmes em favor de outro (que nem sequer identifiquei), uma opção de consumo cultural como qualquer outra. Onde está o snobismo? Quem chamou o Tarkovsky ou o Tati para esta discussão não fui eu. Eu não disse coisas do género "Os miúdos não deveriam ver esses filmes mas sim Dreyer e Fassbinder!". Não. E é alguma mentira que o tipo de espectadores que consomem estes filmes consomem, em igual quantidade, litros de cola e quilos de pipocas? É uma mera constatação factual.
Até escrevi que não me importo de ver passagens desses filmes na tv como mero entretenimento. Sem preconceitos. Só que nunca iria pagar bilhete de cinema para ver esses filmes. É essa a grande diferença. Por opção.
PS - Ah, a minha tensão arterial anda bem controlada.

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Eheh. Estava mesmo à espera que alguém me acusasse de elitsista ou snob. É o habitual.

Repara Hung Bunny: eu só escrevi um post a dizer, basicamente, que nunca tinha visto nenhum daqueles filmes, nem sequer emiti qualquer juízo de valor depreciativo sobre eles! Apenas referi que não tenho intenções de os ver porque tenho prioridades e não acrescentam nada à minha formação de cinéfilo. Ou seja, manifestei o meu desinteresse em determinados filmes em favor de outro (que nem sequer identifiquei), uma opção de consumo cultural como qualquer outra. Onde está o snobismo? Quem chamou o Tarkovsky ou o Tati para esta discussão não fui eu. Eu não disse coisas do género "Os miúdos não deveriam ver esses filmes mas sim Dreyer e Fassbinder!". Não. E é alguma mentira que o tipo de espectadores que consomem estes filmes consomem, em igual quantidade, litros de cola e quilos de pipocas? É uma mera constatação factual.
Até escrevi que não me importo de ver passagens desses filmes na tv como mero entretenimento. Sem preconceitos. Só que nunca iria pagar bilhete de cinema para ver esses filmes. É essa a grande diferença. Por opção.
PS - Ah, a minha tensão arterial anda bem controlada.

Helder disse...

sinceramente, e pronunciando-me apenas sobre o conteúdo do artigo,creio que estes "blockbusters" servem apenas um objectivo: servir as "massas", ou seja, chegar ao maior número de consumidores possivel.
Para isto, cria-se um filme com uma história simples (que não nos tire da nossa zona de conforto enquanto espectador) e que nos proporcione umas boas e leves 2 horas dentro de uma sala.
Se isto pode levar ao "embrutecimento" da mente cinematográfica de cada um de nós ou não, isso já será outra história.
Pessoalmente, vi alguns dos filmes mencionados, mas apenas pelo prazer de poder disfrutar da qualidade sonora e visual dos efeitos especiais... algo que apenas posso fazer numa sala de cinema! ;)

Rafael Fernandes disse...

Vi o primeiro Twilight por engano, Harry Potter nunca vi nenhum. Sou fã das BD's, e conhecia todas aquelas personagens pelo que ver Spiderman, X-men, Iron-man, transformers e outros que tais, era uma obrigação, o que não quer dizer que goste de todos os filmes, ou não lhes reconheça os defeitos e qualidades. Agora o Saw por exemplo, eu vi o primeiro. E o primeiro, quando saiu, era um filme independente, longe de ser um blockbuster. E é o único que tem alguma qualidade.

Mas porque não falar de Inception, ou Dark Knight? Dois blockbusters para a pipoca e para as massas, que no entanto encantaram cinéfilos e críticos.

Jorge Silva disse...

Dessa lista apenas vi o(s) SAW e o(s) Hostel e concordo inteiramente com o anterior comentarista Rafael Fernandes em relação a estes.
De resto também procuro fugir a esse tipo de filmes como os meus ouvidos fogem da pop e do pimba de massas.
Mas, de vez em quando, há excepções.
Já comprei os bilhetes para, este sábado no Dolce Vita Douro, levar o meu miúdo de 7 anos a ver a sequela da Disney Pixar Cars 2.

Vitor Hugo disse...

:)

Eu escolho o filme que vou ver adequando-o ao meu estado de espírito na altura, por isso também não tenho problemas em ver um filmezinho mais cor-de-rosa ou uma comédiazita básica de vez em quando (embora, por minha iniciativa, isso seja muuuuito raro).

Acho que exageras ao dizer:
"Apenas referi que não tenho intenções de os ver porque tenho prioridades e não acrescentam nada à minha formação de cinéfilo." Acho que, por exemplo, a série 'Piratas das Caraíbas' tem pontos muito positivos, em várias áreas (embora a história tenda a ser pobre). Uma coisa é não gostares do estilo, outra é não te ensinar nada.

A mim também me chateia este monopólio de vazio colorido em que o cinema comercial caiu. Sou um devorador de filmes, mas já não costumo ir ao cinema: as salas passam 90% de filmes sem qualidade. Entretenimento fácil é bom, de vez em quando, para esvaziar o cérebro, mas sempre... chateia.

Tiago disse...

A ideia de que os filmes que têm uma aceitação grande por parte do público não prestam já deveria ter sido ultrapassada. Por brincadeira costumo chamar a essa actitude "sindrome do cinéfilo".
Nas sagas referidas exitem bons e maus filmes (mais maus filmes que bons é certo) mas que ainda assim deveriam ser vistos por motivos bons ou maus. Eu estou a tirar um curso relacionado com a área do cinema posso dizer que aprendo tanto com coisas mal feitas como com coisas bem feitas e muitas vezes o mesmo filme tem aspectos péssimos e aspectos fantásticos... Exempleficando: por mais mau que seja algum dos filmes da saga de "Jack Sparrow" a personagem Jack Sparrow interpretada por Johnny Depp é qualquer coisa de fantástico... Por mais mal realizada que esteja a saga de Harry Potter o argumento que sustenta toda aquela fantasia é no mínimo deslumbrante e diga-se de passagem que arranjar justificações para todo aquele universo não está ao alcance de qualquer um.
Cada pessoa establece as suas prioridades de acordo com os seus interesses comentei apenas para deixar claro que há filmes que não são só maus nem são só bons e ser um sucesso de belheteiras não significa necessáriamente que se trata de um mau filme, Inception (como já foi referido num comentário anterior) é um bom exemplo disso.

Anónimo disse...

Johnny Guitar

"E cuidado Victor, demasiada "snobbiness" pode afectar a pressão arterial!" De facto este blogue tem momentos de amor... ups humor quero eu dizer...

Os comentadores estiveram a altura, nao os quero repetir. De qualquer modo ja assisti a muitos desses filmes mencionados, sejam eles bons ou maus, pirateados, sacados, emprestados ou comprados ou mesmo na sala de cinema.... mas lembro me de uma semelhança sempre que vou ao cinema: nunca vou sozinho o) eu vou sempre com a minha namorada(e eis a razao para um blockbuster ter sucesso), penso que sao estas relacoes pessoais e ate de subordinaçao e socializaçao que nos fazem muitas vezes comer o "lixo" cinematografico e engolir uns graos de pipocas ja no fundo do balde para nos entretermos ate o maldito filme acabar.... enfim

Anónimo disse...

ok

Erzsébet disse...

Eu tento assistir um pouco de tudo, mas é natural que as pessoas desenvolvam preferências. No meu caso o gosto varia de Iron Man à Stalker e gosto dos dois da mesma forma (pecado?). Mas tem alguns filmes que dão muito desgosto, o jeito é ir experimentando; estou agora numa onda de cinema coreano, o que não me impede de dar pausas para assistir x-man e capitão américa no cinema.
Enfim, gosto é gosto...

Carlos L. Figueiredo disse...

Compreendo parcialmente a renitência do autor deste blog em gastar o seu tempo com filmes que, aparentemente, não representam um contributo válido e relevante para a cultura artística individual e colectiva. Contudo, a distinção entre cinema marcadamente comercial e o critério de qualidade não é, de todo, algo fácil de fazer. Muitos dos filmes que hoje são hoje considerados obras essenciais da história do cinema foram blockbusters na altura em que saíram. Por exemplo, cineastas como Alfred Hitchcock, Stanley Kubrick, Howard Hawks ou John Ford trabalharam durante grande parte das suas carreiras para os maiores estúdios de Hollywood e os seus filmes eram vistos por milhões em todo o mundo (felizmente alguns ainda são nos nossos dias). O equilíbrio entre o marketing e a marca autoral do artista é um delicado exercício que que poucos realizadores conseguiram dominar, mas aqueles que o fizeram conseguiram conquistar o público em geral e, simultaneamente, os cinéfilos e a crítica. Como arte que é, o cinema tem múltiplas interpretações e visões que dificultam a previsão do futuro crítico de um filme. O que hoje é considerado mau poderá, daqui a 50 ou 100 anos, ser objecto de devoção para determinados sectores do público.

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Carlos Figueiredo: concordo plenamente.

PortoMaravilha disse...

Olá,

Não irei fazer uma exposição sobre a diferença entre o que é um comics e uma Bd. São géneros diferentes. É um outro debate.

Nos filmes que citas parece-me que há um escapa à regra: A trilogia do Homem Aranha. Tal como em Nova Iorque fora de horas ou até na Mosca... existe o mesmo fio conductor. O destino dum homem que é marcado pelo desejo duma mulher. No fundo, como se estes filmes fossem pré-concebidos pelo puritanismo. Oh lá lá !

Já Pirates des Caraibes embora seja repetitivo, acho-lhe graça. Talvez me reenvie,inconscientemente, não sei?para os relatos orais(depois transcritos) da História Trágico Marítima.

E so o Holandês Voador fosse o Admastor? Pronto: O meu patrão vai de novo dizer que sou lírico LoL !

Nuno

Zé disse...

Estou dentro do publico alvo, mas nunca vi "Saw", "Twillight", "Harry Potter" e "Transformers".
Os outros vi, não no cinema, e até acho alguma piada aos POTC.
Percebo o desinteresse por algumas dessas sagas, mas taxar como "prioridades" é sim um pouco snob.

Anónimo disse...

pois eu não acho que o hqsd seja demasiado elitista... acho mesmo o contrário! a atenção dada ao risivel IMDB é disso mesmo prova.