sexta-feira, 8 de julho de 2011

Morrison. Jim Morrison.


Jim Morrison morreu há 40 anos.
Nunca fui um particular fã do cantor dos The Doors, mas não sou alheio ao culto que a sua personalidade transmite. Uma das mais fortes e inebriantes personalidade que a história do rock conheceu.
Dono de uma voz que podia ser tão doce quanto intempestiva, responsável por algumas das mais intensas actuações em cima do palco, Morrison era uma espécie de xamã (como o próprio gostava de ser reconhecido) que emitia ondas de energia sempre que cantava os seus poemas (influenciados por poetas malditos como Rimbaud, Allen Ginsberg ou Baudelaire).
A música dos Doors pretendia ser livre de amarras num tempo de contracultura libertária (movimento hippie, beat generation…) e a liderança de Jim foi o farol de intervenção junto de toda uma geração.
Por isso fazem tanto sentido, nos anos 60 como agora, as seguintes palavras visionárias de Jim Morrison:
"Tudo o que tenha a ver com desordem, revolta e caos interessa-me; e interesssam-me particularmente as actividades que parecem não ter nenhum sentido. Talvez sejam o caminho para a liberdade. A rebelião externa é o único modo de realizar a libertação interior."

5 comentários:

Rui Gonçalves disse...

Também nunca fui grande apreciador de Morrison e da sua banda, The Doors; musicalmente, sempre achei o grupo algo limitado, embora eficaz. Quanto ao talento poético de Morrison, não passou de um equívoco de quem confunde poesia com um emaranhado de palavras abstrusas e sem sentido. Mas, inexplicavelmente, marcou uma época.

Duarte Alves disse...

Dizer que os The Doors é limitado é mesmo que não percebe de música.

Vasco disse...

Tururutu
Quanto à poesia, é sempre um tema complexo de explicar, acho que é muito subjectivo, depende da sensibilidade de cada um. Com as devidas excepções claro.
Limitado musicalmente? ..........(RIR).........Deixo essa para o Victor Afonso, afinal de contas é ele o professor de música :)
Xamã? Só ele, Beethoven e Paul Theroux conseguem pôr-me em êxtase sem recorrer a outras coisas.

P.s:.. Dava um ou dois dedos para viver nessa geração

Vasco, saudações musicais

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Não diria que os The Doors eram uma banda "limitada". Acho que, quer se goste quer não, devemos reconhecer que a banda de Morrison foi uma das mais influentes da história do rock. Têm músicas magníficas e não será por acaso que a poesia de Morrison é estudada em algumas universidades americanas.
Pessoalmente, gosto mais dos Velvet Underground, mas sobretudo porque estes criaram rupturas estéticas, ao contrário dos Doors, que souberam encarnar o espírito rock'n'roll com um líder carismático como poucos. Ah, e todos os músicos dos Doors eram grandes instrumentistas, coisa que nem todos os grupos de podem orgulhar.

PortoMaravilha@sapo.pt disse...

Olá,

Creio que há que inserir as palavras de Morrison no seu contexto.

Faço parte da geração que foi marcada pelos Doors.

Para o pior e o melhor :-)!

Se Morrison está enterrado em Paris, talvez não seja um acaso. Lol!

Como também não seja um acaso se é graças, creio não estar enganado, aos Doors que as melodias espanholas ou portuguesas ( Spanish Caravan) começam a serem ouvidas por aqui...

O discurso dos Doors corresponde também, ano menos ano, à publicação do anti-oeudipe de Deleuze.

When the music is over é um discurso ( tal como as palavras de Morrison sobre o caos) que, quanto a mim, deve ser integrado no contexto da guerra fria da época.

Os "Doors" são um grupo militante intuitivo ( não há ofensa neste termo).

Da sua intuitavidade (oups) nascerá não só, por exemplo a referência contra a pena de morte,como também a vontade de tentar dar à música a tonalidade dum discurso oral (mas não são os únicos).

É interessante ver e ouvir como Light my fire foi reduzido de 7 minutos a 2 ou 3 minutos, o ano passado nos rádios fr.Foi grande sucesso.

Todavia, toda a parte intrumentalista é cortada.

Porquê?

Penso que os Doors fazem parte dos grupos míticos que infuenciaram uma geração de Paris até Praga e até Tóquio...

Nuno