quinta-feira, 3 de junho de 2010

"A Cultura-Mundo" e "O Ecrã Global"


Dois livros fundamentais para compreender a cultura moderna (ambos das Edições 70): "A Cultura Mundo - Resposta a uma Sociedade Desorientada" de Gilles Lipovetsky e Jean Serroy e "O Ecrã Global" dos mesmos autores.
Comprei os dois títulos na Fnac, há um mês, num impulso repentino. Não só porque admiro o trabalho de investigação do filósofo e ensaísta Gilles Lipovetsky - do qual já falei aqui - como me interessam os temas abordados nos dois livros.
Numa sociedade hiper-acelerada e globalizada, a noção de cultura alterou-se profundamente. Nos tempos que correm, moda, publicidade, turismo, arte, ciência, urbanismo… nada escapa ao domínio da cultura. E por causa disso, o conceito de cultura transformou-se, segundo Lipovetsky e Serroy, numa "cultura-mundo", a do tecnocapitalismo generalizado, das indústrias culturais, do consumismo à escala global, dos media e das redes digitais.
Para os amantes do cinema e da cultura audiovisual, é essencial a leitura de "O Ecrã Global". É um magnífico ensaio sobre a cultura mediática assente na imagem veiculada por todo o tipo de formato e suporte: começando nas múltiplas configurações fragmentárias do cinema actual, até à formatação da imagem digital como comunicação e informação. Uma análise extremamente acutilante, crítica e contemporânea do fenómeno da cultura visual nos nossos dias.
O livro "A Cultura Mundo" reflecte sobre outra vertente da cultura contemporânea (complementar à outra obra dos autores): analisa os efeitos da sociedade de consumo à escala global e anuncia um novo paradigma cultural sob diversas perspectivas: indústria cultura hiper-moderna, as tecnologias da comunicação, a ciência, entre outros vectores de análise.
Para uma compreensão mais detalhada, nada melhor do que ler uma entrevista de Lipovestsky ao Jornal de Notícias.

4 comentários:

PortoMaravilha disse...

Victor : Tens bom gosto ;-) !

Eu acrescentaria o trabalho de Régis Debray "L'état séducteur : les révolutions médiologiques du pouvoir ".

E também do mesmo autor "Vie et mort de l'image ".

Embora escritas na decada 90, penso que estas duas teses continuam válidas. Em contrapartida desconheço totalmente se estão traduzidas em pt.

Nuno

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Nuno: conheço o autor Debray mas não conheço as obras citadas. Nem sei se estão traduzidas em português...

analima disse...

Assisti o ano passado, em Outubro, à conferência de Lipovetsky, na Gulbenkian, em que ligava as suas teorias da sociedade do hiperconsumo às questões do ambiente. É certo que as suas teorias andam sempre à volta das mesmas ideias base mas provavelmente porque essas ideias base constituem já, de facto, um paradigma. E pela facilidade com que expõe as suas ideias lê-lo é um prazer. Boas sugestões de leitura, portanto.

Anónimo disse...

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