quarta-feira, 16 de junho de 2010

A voz de Meredith Monk


No meu curso de música fiz um dia um trabalho sobre música minimal repetitiva. Foi o músico e musicólogo Jorge Lima Barreto (Telectu) que me facultou literatura sobre o assunto e gravações de discos importantes desta estética. No centro de análise dos compositores, foquei os essenciais La Monte Young, Philip Glass, Steve Reich, Terry Riley, John Adams, entre outros. No âmbito do trabalho, foi-me dado a ouvir uma cantora diferente do que tinha ouvido anteriormente: Meredith Monk.
O álbum "Dolmen Music" (1981) foi um dos que mais me despertou o fascínio por aquela voz ímpar, aquela capacidade tímbrica e expressiva única, aquela técnica vocal de talento raro. Esse disco, como outros, partia das premissas minimalistas - sobretudo ao nível do piano e de alguns trabalhos vocais. Meredith Monk é uma artista de cariz experimental que cruzou diferentes áreas artísticas (teatro, dança, vídeo, performance) sempre com inegável qualidade e originalidade.
Há muitos anos atrás, quando ouvia essa extraordinária voz de Meredith Monk, nunca pensei um dia poder vê-la actuar ao vivo... na minha própria cidade. É o que vai acontecer já amanhã, quinta-feira, no Teatro Municipal da Guarda.
Nervos em franja, portanto.

10 comentários:

cão sem raiva disse...

Sortudo!
:)

Edgar Cavaco disse...

Obrigado por esta pérola, só conhecia a Meredith de nome mas vou já procurar o disco. Não quero estar a fazer comparações mas esta música fez-me lembrar o "Jacob's room" do Morton Subotnick, conhece? Como vejo que é um entendido na matéria aproveito para perguntar se me sabe indicar algum disco do mesmo género do "Telefone" dos Telectu. O primeiro disco do Pascal Comelade aproxima-se, mas não é bem a mesma coisa. Desde já agradeço pela sua resposta.

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Edgar: obrigado pelo comentário. Conheço Morton Subotnick mas não conheço essa obra em particular.
Já o trabalho do Pascal Comelade e dos Telectu conheço melhor.
Na linha da Meredith Monk está a Joan La Barbara, grande performer e cantora experimental. Para já é o que me ocorre...

Edgar Cavaco disse...

Caro Homem que sabia demasiado:

Estive à procura na net para lhe mostrar e descobri que existe uma encenação recente do "Jacob's Room": http://youtu.be/bfvpaRo8UGA
Pelo menos em termos visuais é surpreendente. De qualquer forma aconselho a que escute a versão original (que foi reeditada não sei quando juntamente com o disco "Touch", do mesmo compositor), pois sonoramente "bate" mais. Conheço muito pouco do Subotnick, mas acho que esta obra nada tem a ver com as demais.
Vou procurar pela tal Joan La Barbara.
Cumprimentos.

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Obrigado. Irei ver e ouvir com atenção.
Entretanto: conhece Diamanda Galás? É um outro registo vocal diferente, mas musicalmente muito rico. Já escrevi várias vezes sobre ela no meu blog.

Edgar Cavaco disse...

Obrigado pela dica da Joan La Barbara. Estou a escutar "Klee Alee" e só vem uma obra à cabeça: "Stimmung" do Karlheinz Stockhausen. Conhece?

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Sim, conheço bem Stockhausen. A Joan La Barbara esteve casada com outra grande figura da música contemporânea: John Cage.

Edgar Cavaco disse...

Em relação à Diamanda Galás, conheço uns dois ou três albuns mas não aprecio nenhum. Pra gritaria prefiro mesmo ratos de porão e bandas afins.
Mas agora sem querer continuar a monopolizar mais este espaço, volto a perguntar aquilo que perguntei no meu primeiro comentário, se conhece algum registro do mesmo género do disco "telefone" dos Telectu.

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Pode parecer estranho, mas há tanto tempo que não ouço o "Telefone" dos Telectu que já não me lembro ao que soa! Sem ter essa referência presente não posso tentar dar nomes similares...

Edgar Cavaco disse...

No youtube existem quatro registos do Telefone:

Bakunine

Musatomia

Telectu no programa "Arroz Doce"

Finalmente, Telectu ao vivo na Rússia, onde o dito disco "Telefone" foi gravado.