sexta-feira, 4 de junho de 2010

O argumentista Barton Fink


Apesar de muito pouca gente valorizar o papel dos argumentistas no cinema, estes detêm grande parte da responsabilidade pelo sucesso ou insucesso de uma série de televisão ou de um filme. Com alguma malícia, é voz corrente dizer-se que, quando uma "sitcom" consegue o êxito, os responsáveis são os actores; quando há insucesso, a culpa é sempre dos argumentistas.
Seja como for, não me ocorre filme mais propício sobre este assunto do que o magnífico "Barton Fink" (1991) de Joel e Ethan Coen: é a história de um argumentista que, tendo sucesso no teatro da Broadway, é contratado para trabalhar na meca do cinema, Hollywood, no intuito de escrever argumentos para filmes de guerra série B.
John Turturro (na imagem), no papel de Barton Fink, é magistral na forma como encarna o papel de um argumentista perturbado e desinspirado por diversos acontecimentos surreais. Aliás, todo o filme é perpassado por uma atmosfera kafkiana, tensa e enigmática. O filme é sobre o trabalho de escrita, sobre a criatividade das palavras, sobre os sonhos desfeitos, sobre a crise de inspiração, sobre o cinema "himself".
A realização é soberba, as interpretações superlativas (com John Goodman e Judy Davis), o argumento fascinante. Foi o primeiro filme dos irmãos Coen a ganhar prémios em Cannes (Palma de Ouro, Melhor Actor e Melhor Realizador) e, para mim, continua a ser o meu filme preferido dos autores de "No Country for Old Man".

5 comentários:

Álvaro Martins disse...

Este e o Miller's Crossing são os melhores filmes deles.

disse...

Concordo...o melhor filme dos Coen...

António disse...

falta aí mais destaque à portentosa interpretação do john goodman

João Palhares disse...

Apesar de gostar deste filme dos Coen, ocorrem-me filmes bem mais propícios sobre este tema: o "In a Lonely Place", de Nicholas Ray e o "Sunset Boulevard", do Billy Wilder.
O Papel do argumentista é muitas vezes desvalorizado, sim...

Manuela Coelho disse...

Genial.O melhor filme dos irmãos Coen.