quinta-feira, 6 de maio de 2010

Um Eisenstein menos conhecido


“Que Viva México!”, filme pouco conhecido e citado do realizador russo Sergei Eisenstein, centra-se nos costumes culturais mais representativos do estilo de vida mexicano, destacando-se por uma riqueza expressiva e até perturbadora.
Como se sabe, Eisenstein foi um esteta irrepreensível e exigente, um criador de algumas das mais importantes e originais imagens do cinema mundial. O realizador russo foi o autor de obras tão marcantes como “O Couraçado Potemkine”, “A Greve”, “Outubro”, “Alexandre Nevsky” ou “Ivan, o Terrível”.
Para além de realizador, Eisenstein foi também um notável teórico e intelectual que influenciou grande parte dos cineastas mundiais que lhe seguiram. É célebre a sua teoria revolucionária da montagem e da utilização das cores no cinema (consta-se que o realizador morreu vítima de um ataque cardíaco quando estava a escrever um texto sobre a cor no cinema).
Na sua riquíssima filmografia, consta um filme que se achava perdido até 1979, “Que Viva México!”, precisamente. No auge na crise económica, em 1929, Eisenstein foi para Hollywood testar a sua capacidade na Indústria Cinematográfica. No entanto, o realizador russo optou por visitar o México no intuito de realizar um documentário sobre a etnia, a geografia e a diversidade cultural mexicana. Devido a problemas financeiros Eisenstein não conseguiu montar o filme. Criou-se então o mito que o filme “Que Viva México!” teria sido perdido para sempre. Nada mais errado.
Em 1979, o assistente de realização de Eisenstein, Grigori Aleksandrov, conseguiu restaurar e montar definitivamente o filme, respeitando ao máximo as longas anotações, desenhos (storyboard) e a rigorosa orientação do mestre Eisenstein, alcançando a definitiva versão e a mais próxima possível do projecto inicial. “Que Viva México!”, filme em quatro episódios temáticos, foi então revelado ao mundo como mais uma obra-prima do realizador russo, num trabalho minucioso que combina brilhantemente elementos etnográficos, políticos, artísticos, dramáticos e surrealistas, influenciando toda uma geração de realizadores de documentários (especial destaque para a forma como o cineasta mostra os rituais associados ao culto da morte praticados no México).
Filme de uma grande beleza formal, em que os planos são escrupulosamente pensados para desencadear um determinado efeito psicológico no espectador. Uma obra esplendorosa.

2 comentários:

Criola disse...

Tenho intenção de estudar a teoria da cor do Eisenstein, mas confesso que ainda não comecei.
Sabe se o material dele sobre cor está concentrado apenas n'"O significado do cinema" ou encontro em mais algum lugar?
Obrigada desde já.

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Olá Criola.

Gostava de poder ajudar, mas não sei responder a essa pergunta...