sábado, 22 de maio de 2010

Um filme para os tempos de hoje


Vivemos um tempo histórico que parece manipulado e dirigido pelos grandes grupos de interesses (económicos, políticos, culturais...) à escala global. Um tempo de profundo descrédito das instituições que julgamos defenderem os interesses da sociedade. Um tempo de paranóia informativa, de puro desnorte de valores válidos. Estes pensamentos trouxeram-me à memória um filme. Um filme que, de forma arrasadora, aborda todos estes assuntos.
Falo de "Bug", do realizador William Friedkin, película que passou ao lado de muita gente quando estreou em Portugal, em Julho de 2007 (o Verão não é altura propícia para se dar atenção a este tipo de filmes).
Do mesmo realizador do essencial thriller dos anos 70 "Os Incorruptíveis Contra a Droga" (1971) e um dos mais assustadores filmes de terror de sempre, "O Exorcista" (1973), "Bug" é um filme-catarse dos traumas reminiscentes do pós-11 de Setembro. Um filme sobre as conspirações do Estado sobre o indivíduo, sobre a crescente loucura que se apodera do homem quando este se sente ameaçado pelo medo e pelo desespero.
A história decorre numa contenção rara de recursos - um cenário de hotel decrépito e 4 personagens - o argumento é baseado numa peça de teatro de sucesso.
Paranóia, viagem aos abismos negros dos fantasmas interiores, claustrofobia psicológica, metáfora política em jeito de pesadelo kafkiano num filme portentoso capaz de colocar em causa toda a ideia de segurança humana, social e política contemporânea.
Um filme cada vez mais actual para a sociedade em que vivemos.

4 comentários:

Luís Mendonça disse...

Actual é o termo: foi uma das escolhas que fizemos para o ciclo Década dos Zeros. http://decadadoszeros.blogspot.com/

Abraço,

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Excelente selecção de filmes essa do ciclo, Luís.

Luís Mendonça disse...

:)

Em breve, publicaremos a conferência no próprio blogue. Dou-te notícias quando o fizer para dares uma perninha na promoção, combinado?

Abraço,

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Ok Luís.